Ligas Anticlericais foram organizações políticas contra a Igreja Católica, geralmente de inspiração no livre pensamento, contando entre seus membros pessoas de tendências protestante, anarquista, maçónica e ateiaRUDY, Antonio Cleber Rudy. O Anticlericalismo Sob o Manto da República: Tensões Sociais e Cultura Libertária no Brasil (1901-1935). Tese de doutorado em história social. Unicamp. 2017., fundadas em diversas cidades do Brasil nas primeiras décadas do século XX, em especial na época do Estado NovoPINTO, Maria Emilia Martins. O anticlericalismo do jornal "A Lanterna" - Mídia alternativa na Era Vargas. 3º Simpósio Internacional de Cultura e Comunicação na América Latina.

História

As primeiras ligas e associações anticlericais e defensoras do livre pensamento foram organizadas no Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro no começo do século XX, inspirada nas congêneres europeias. Nasceram em reação à militância política católica que depois ganharia força com Jackson de Figueiredo, Alceu Amoroso Lima, Cardeal Leme, Plinio Corrêa de Oliveira.

Já em 1906, o maçom Everardo Dias propunha uma série de preceitos anticlericais:VITORINO, Artur José Renda. Máquinas e operários: mudança técnica e sindicalismo gráfico (São Paulo e Rio de Janeiro, 1858-1912) Não casar religiosamente Não batizar os filhos Não servir de padrinho ou compadre, em casamentos ou batizados Não dar esmolas a associações religiosas, ainda com fins aparentes de caridade Não celebrar funerais, nem assistir a eles, nem pedir orações para os mortos Fazer enterrar civilmente Não se associar nem prestigiar direta ou indiretamente nenhuma cerimônia religiosa Manter, longe do lar e da família, os chamados ministros de Deus Não confiar à igreja nem aos seus adeptos a educação dos filhos

Além de anarquistas, militavam nas Ligas pessoas de outras tendências políticas, unidas pela reação anticlericalismo à ingerência crescente da Igreja Católica, que cresceu no governo do presidente Getúlio VargasCASTRO, Eduardo Góes. A Torre sob vigia: As Testemunhas de Jeová em São Paulo (1930-1954). Dissertação de Mestrado na FFLCH da USP.

Defendiam suas ideias em jornais alternativos como A Lanterna, editado em São Paulo pelo anarquista Edgard Leuenroth, e A Voz da Igreja, publicação da Liga Anticlerical Marquês de Pombal, de BauruCARNEIRO, Maria Luiza Tucci, e KOSSOY, Boris. A imprensa confiscada pelo DEOPS, 1924-1954. Foram fundadas também Ligas no Rio de Janeiro (por Armanda Álvaro Alberto e Edgard Sussekind de Mendonça) e no Maranhão.

A partir da repressão movida pelo Estado Novo as ligas anticlericais e associações do livre pensamento começaram a serem dissolvidas em meados dos anos de 1930.

Ver também Estado secular Estado confessional Laicismo Secularismo Questão religiosa Separação Igreja-Estado

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