Patkull é uma peça teatral em cinco atos escrita por Gonçalves Dias em 1843, sendo a primeira obra do autor para o teatro.SANTOS, Ana Cláudia Rôla. A obra dramática de Gonçalves Dias
A peça baseia-se livremente na história real do político livônio Johann Reinhold Patkul (1660–1707), executado por ordem do rei Augusto II após ser acusado de traição.VOLOBUEF, KarinFriedrich Schiller e Gonçalves Dias A ação é ambientada em 1707, na Livônia, região então disputada entre a Suécia de Carlos XII, a Rússia de Pedro, o Grande e a Polônia de Augusto II, estendendo-se do Ducado de Mecklemburgo a Dresden e à vila de Casimir, perto de Posen.
Personagens thumb|Retrato de Gonçalves Dias. Patkull, gentil homem da Livônia Paikel, alquimista Namry Romhor, noiva de Patkull Bertha, namorada de Paikel Wolf, pajem Um criado Um mensageiro Uma criada Fleming, general O rei Augusto
Enredo Patkull, gentil-homem livônio, parte para a guerra em defesa de sua terra e deixa a noiva, Namry Romhor, sob a proteção de seu amigo Paikel. Aproveitando a ausência do herói, Paikel (que era antigo namorado de Namry) tenta reconquistar seu amor.
Namry se mantém fiel; porém, o falso amigo Paikel faz Patkull acreditar que ela o traiu. A trama desencadeia uma série de acontecimentos, que culmina na morte do herói.
Análise Ana Cláudia Rôla Santos destaca que Patkull marca o início da produção dramática de Gonçalves Dias e já evidencia algumas das características que seriam desenvolvidas em suas peças posteriores, como a valorização de personagens movidos por elevados princípios morais, a exploração de conflitos entre dever e sentimento e a utilização da história como matéria dramática.SANTOS, Ana Cláudia Rôla. A obra dramática de Gonçalves Dias. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2009.
Embora inspirada em um episódio histórico envolvendo o nobre livônio Johann Reinhold Patkul, a peça reelabora livremente os acontecimentos em favor de um conflito moral e psicológico característico do drama romântico.
Segundo o crítico Décio de Almeida Prado, Gonçalves Dias utilizou a História de Carlos XII (1731), de Voltaire, como principal fonte para a contextualização histórica da peça.PRADO, Décio de Almeida. O drama romântico brasileiro. São Paulo: Perspectiva, 1996. Karin Volobuef observa que essa obra teria fornecido ao dramaturgo os principais episódios da vida de Patkul, bem como a grafia "Patkull", enquanto a estrutura dramática e diversos elementos estéticos aproximam a peça de Wallenstein (1799), de Friedrich Schiller.
Para Volobuef, a influência de Schiller manifesta-se não apenas na escolha de um protagonista histórico, mas também na construção do conflito entre dever, honra e paixão, características do drama histórico romântico alemão. A autora observa ainda que Gonçalves Dias leu Schiller diretamente em alemão, circunstância incomum entre escritores brasileiros da época, o que explica a proximidade estética entre Patkull e o teatro schilleriano.
Ligações externas Patkul - Texto integral, publicado pela Unama - Universidade da Amazônia Patkull no Portal do Domínio Público
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