thumb|300px|Mapa dos continentes:
Américas América do Sul América do Norte e Central Eurásia thumb|300px|Mapa dos países insulares: estes estados não se localizam em nenhuma massa continental, mas são associados normalmente a um continente próximo Os limites ou fronteiras que separam os diversos continentes da Terra são impostos por convenção geográfica. Como há várias convenções em uso, o número de continentes varia entre cinco e sete, dependendo se as Américas e a Eurásia são ou não considerados como continentes ou união de continentes.
Fronteiras Existem três fronteiras definidas por convenção: entre a Ásia e a Europa (dividindo a Eurásia): ao longo do Bósforo, o Cáucaso e os Montes Urais (historicamente a norte do Cáucaso, ao longo da Depressão Kuma–Manych ou ao longo do rio Don) entre a América do Norte e a América do Sul (dividindo as Américas): o Istmo do Panamá Enquanto os istmos entre Ásia e África e entre as duas Américas são hoje navegáveis, através dos canais do Suez e do Panamá, alternativas artificias e canais são geralmente não aceites como fronteiras que dividem os continentes; o canal do Suez atravessa o istmo entre o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho, separando a Ásia da África. As restantes fronteiras dizem respeito à associação de ilhas e arquipélagos a continentes específicos, nomeadamente: a separação entre o Sudeste Asiático e a Australásia a separação entre a África, a Europa e a Ásia no mar Mediterrâneo a separação entre a Ásia e a Europa no oceano Ártico a separação entre a Europa e a América do Norte no oceano Atlântico a separação entre a América do Norte e a América do Sul nas Caraíbas a separação entre a Ásia e a América do Norte no Pacífico Norte
Europa e Ásia thumb|220px|upright|Convenções para a fronteira entre Europa e Ásia durante os séculos XVIII e XIX. A linha vermelha mostra a convenção moderna, em uso desde c. 1850. A divisão do Velho Mundo em Europa, Ásia e África tem sido usada desde o , devido a geógrafos gregos como Anaximandro e Hecateu de Mileto. Anaximandro colocou a fronteira entre Ásia e Europa ao longo do rio Fásis (o moderno rio Rioni) no Cáucaso, convenção seguida ainda por Heródoto no . Histórias (Heródoto) - 4.38. C.f. James Rennell, The Geographical System of Herodotus Examined and Explained, Volume 1, Rivington: 1830, p. 244 À medida que o conhecimento dos gregos aumentava durante o período helenístico,de acordo com Estrabão (Geografia 11.7.4) mesmo no tempo de Alexandre, o Grande, "foi acordado por todos que o rio Tánais separava a Ásia da Europa" (; c.f. Duane W. Roller, Eratosthenes' Geography, Princeton University Press, 2010, ISBN 9780691142678, p. 57) esta convenção arcaica foi revista, e a fronteira entre Europa e Ásia é agora considerada pelo rio Tánais (o moderno rio Don). Esta é a convenção usada pelos autores da era romana, como Posidónio,W. Theiler, Posidonios. Die Fragmente, vol. 1. Berlin: De Gruyter, 1982, fragm. 47a. EstrabãoI. G. Kidd (ed.), Posidonius: The commentary, Cambridge University Press, 2004, ISBN 9780521604437, p. 738. e Ptolemeu.Geografia (Ptolemeu) 7.5.6 (ed. Nobbe 1845, vol. 2, p. 178)) "E [a Ásia] está ligada à Europa pelo istmo entre o lago Meótis e o oceano Sármata [mar Báltico] onde o rio Tánais atravessa."
Ao longo da Idade Média e até ao , a divisão tradicional da massa continental da Eurásia em dois continentes seguiu Ptolemeu, com a fronteira definida pelo mar Egeu, Dardanelos, mar de Mármara, Bósforo, mar Negro, estreito de Querche, mar de Azov e rio Don (o antigo Tánais). Porém, os mapas produzidos entre os séculos XVI e XVIII tendiam a diferir na continuação do limite continental para lá da curva do Don em Kalach-na-Donu (onde é mais próximo do Volga, estando agora juntos os rios através do canal Volga–Don), em território não descrito em pormenor por nenhum dos antigos geógrafos.
Philip Johan von Strahlenberg em 1725 foi o primeiro a partir da clássica fronteira do Don ao colocar a linha mais para leste, de Kalach até ao Volga, seguindo o Volga para norte até à curva de Samara, para leste ao longo do Obshchy Syrt (a divisória de águas entre o rio Volga e o rio Ural), e daí para norte ao longo dos montes Urais. Os cartógrafos continuaram a divergir na fronteira entre o baixo Don e Samara até bem tarde no . O atlas de 1745 publicado pelo Império Russo tinha a fronteira a seguir pelo Don para lá de Kalach e até Serafimovich antes de cortar para norte até Arkhangelsk, enquanto outros cartógrafos dos séculos XVIII e XIX, como John Cary, seguiram a definição de Strahlenberg. Para sul, seguia a depressão Kuma-Manych, identificada por volta de 1773 pelo naturalista alemão Peter Simon Pallas como um vale que antigamente ligava o mar Negro ao mar CáspioPeter Simon Pallas, "Journey through various provinces of the Russian Empire", vol. 3 (1773) e daí se ter proposto a depressão como fronteira natural entre os continentes.
Em meados do houve mais três convenções: uma seguia o Don, o canal Volga–Don e o rio Volga, outra seguia a depressão Kuma-Manych até ao mar Cáspio e daí seguia pelo rio Ural, e uma terceira abandonava totalmente o Don, seguindo o Grande Cáucaso até ao mar Cáspio. A questão era ainda tida como "controversa" na literatura geográfica da década de 1860, com Douglas Freshfield a advogar os tergos do Cáucaso como a "melhor possível", invocando o apoio de vários "geógrafos modernos".Douglas W. Freshfield, "Journey in the Caucasus", Proceedings of the Royal Geographical Society, Volumes 13-14, 1869. Citado como convenção de facto pelo Barão von Haxthausen, "Transcaucasia" (1854); revista: Dublin university magazine
Na Rússia (e depois na União Soviética), a fronteira ao longo da depressão Manych foi a mais usada, pelo menos desde 1906."Europe", Brockhaus and Efron Encyclopedic Dictionary, 1906 Em 1958, a Sociedade Geográfica Soviética formalmente recomendou que a fronteira entre Europa e Ásia fosse desenhada em livros escolares ao longo do sopé oriental dos montes Urais, rio Emba, e depressão Kuma-Manych, colocando o Cáucaso totalmente na Ásia e os Urais totalmente na Europa.
Definição moderna thumb|300px| A definição moderna de Europa limita-a com a Ásia no mar Egeu, Dardanelos-mar de Mármara-Bósforo, mar Negro, tergos do Grande Cáucaso, parte noroeste do mar Cáspio e montes Urais, como exemplificam muitos atlas, entre os quais o publicado pela National Geographic Society, e listagens como as do CIA World Factbook.
De acordo com esta definição, a Geórgia e o Azerbaijão têm ambos a maior parte do seu território na Ásia, embora cada um tenha as fronteiras setentrionais a norte do Grande Cáucaso, portanto na Europa. A cidade turca de Istambul ocupa ambos os lados do Bósforo, tornando-a cidade transcontinental. A Rússia e a Turquia são estados transcontinentais segundo todas as definições. Enquanto a Rússia é historicamente um país europeu com uma história de conquistas imperiais na Ásia, a situação da Turquia é a inversa, pois trata-se do território do antigo Império Otomano com conquistas territoriais na Europa. O Cazaquistão é também um estado transcontinental por esta definição, com as províncias Cazaquistão Ocidental e Atyrau a estenderem-se em ambas as margens do rio Ural..
A depressão Kuma–Manych (mais precisamente, o rio Manych, o canal Kuma–Manych e o rio Kuma) são menos frequentemente listados como possível fronteira natural nas fontes contemporâneas.P.ex. a Encyclopædia Britannica Online (2011) indica para a depressão Kuma-Manych "": "It is often regarded as the natural boundary between Europe and Asia."
Há outras definições para os limites entre Europa e Ásia, como as definições políticas: A Divisão Estatística das Nações Unidas lista estados transcontinentais no continente em que tenham a maioria da sua população: listados como parte da Europa Oriental: Federação Russa listados como parte da Ásia Central: Cazaquistão listados como parte do Sudoeste Asiático: Azerbaijão, Geórgia, Turquia e Chipre O estatuto dos membros do Conselho da Europa indica: Os membros incluem: Federação Russa, Arménia, Geórgia, Azerbaijão, Turquia e Chipre Embora não seja um membro, o Cazaquistão tem o direito de pedir a sua inclusão como membro de pleno direitoII informação geral, ponto 11 do documento 11007 do Conselho da Europa, de 7 de julho de 2006 emt http://assembly.coe.int/Main.asp?link=/Documents/WorkingDocs/Doc06/EDOC11007.htm
Ilhas direita|300px|thumb|Localização de Nova Zembla A noção geográfica de continente contrapõe-se à de ilhas e arquipélagos.Ver continente no Wiktionary. "do Latin continent-, continens 'massa contínua de terra'" (http://www.merriam-webster.com/dictionary/continent?show=1&t=1301917145 merriam-webster.com]) Mesmo assim, há algumas ilhas que são consideradas parte da Europa do ponto de vista político. Entre elas as Ilhas Britânicas, as ilhas no mar do Norte, mar Báltico e mar Mediterrâneo que sejam parte do território de um país do continente europeu, e também os estados insulares de Islândia e Malta.
A ilha Vaygach e o arquipélago de Nova Zembla, ambos da Rússia, estendem-se para norte a partir dos montes Urais e são a continuação da cadeia pelo oceano Ártico. Enquanto Nova Zembla foi alternadamente colocada pelos cartógrafos na Europa e na Ásia ao longo do , hoje em dia é normalmente colocada na Europa, com a fronteira continental colocada até ao oceano Ártico ao longo da margem sul do mar de Kara. A Terra de Francisco José, mais a norte, também é normalmente incluída na Europa.
A Europa termina a oeste no oceano Atlântico, embora a Islândia e o arquipélago dos Açores (no Atlântico Norte, entre Europa e América do Norte) sejam habitualmente considerados territórios europeus, tal como o caso de Svalbard, arquipélago norueguês no oceano Ártico. A Gronelândia é geograficamente parte da América do Norte, embora se associe à Europa e faça parte do reino da Dinamarca.
Chipre é uma ilha no Mediterrâneo mas mais próxima da Ásia Menor que da Europa, associando-se normalmente à Ásia e/ou Médio Oriente, tal como no CIA World Factbook, mas como o país faz parte do Conselho da Europa desde 1961 e da União Europeia desde 2004 seja também normal ser integrado na Europa.
As Ilhas do Norte do Egeu e do Dodecaneso ficam na costa asiática da Turquia (placa continental asiática) mas como politicamente integram a Grécia, são consideradas como europeias.
África e Ásia As fronteiras naturais geográficas da África são o mar Mediterrâneo, o mar Vermelho e o golfo de Áden. A linha habitual que divide África e Ásia é o istmo do Suez, o ponto mais estreito entre o Mediterrâneo o o golfo do Suez, rota que hoje é seguida pelo canal do Suez. Tal torna a península do Sinai geograficamente asiática, e o Egito uma nação transcontinental.
Menos de 2% da população egípcia vive no Sinai, e daí o Egito ser considerado genericamente como país africano. Mas no contexto geopolítico, o Egito é tido como parte do Médio Oriente, enquanto o seu vizinho ocidental, a Líbia, é em geral integrado no Magrebe com os restantes países do norte da África.
Historicamente, na geografia greco-romana, o Egito foi sempre considerado parte da Ásia, enquanto a Antiga Líbia era colocada na Marmarica, sendo fronteiros no passo de montanha Catabathmus Magnus.
Países insulares como as Seychelles, Maurícia, e Comores estão no oceano Índico e são normalmente associados a África. A ilha de Socotorá pode ser considerada africana pois fica na placa africana, mas é parte do Iémene, um país asiático.
África e Europa thumb|350px|Mar Mediterrâneo Os continentes europeu e africano não são contínuos, e o limite entre estes passa por estabelecer que ilhas deverão ser associadas a cada continente.
Numa divisão política, a Sicília, as Ilhas Pelágias, territórios italianos, e ainda o arquipélago de Malta são considerados europeus.