Ricardo Renzo Brentani (Trieste, 21 de julho de 1937 — São Paulo, 29 de novembro de 2011) foi um médico, pesquisador e professor universitário ítalo-brasileiro.

Comendador e grande oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro da Academia Brasileira de Ciências, Brentani é considerado um dos principais cientistas do Brasil na área de pesquisa oncológica.

Destacou-se por seus estudos em biologia molecular do câncer e por sua atuação em instituições científicas brasileiras, incluindo a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer e o Hospital A.C. Camargo. Foi também um dos líderes do Projeto Genoma do Câncer no Brasil.

Biografia Brentani nasceu em 1937, em Trieste, na Itália. Era filho de Segismundo Brentani e da artista plástica Gerda Brentani. Em 1938, ainda criança, mudou-se com a família para o Brasil, país onde passou a maior parte da vida e onde se naturalizou.

A família mudou-se para o Brasil quando Brentani ainda era bebê. Ele chegou ao país em 1938, com cerca de um ano de idade, estabelecendo-se em São Paulo. A mudança aconteceu no período imediatamente anterior à Segunda Guerra Mundial, quando muitas famílias europeias migraram para a América do Sul. A mãe, Gerda Brentani, instalou-se em São Paulo em 1939, onde iniciou sua carreira artística e passou a integrar o meio cultural da cidade.

Realizou seus estudos secundários no Instituto Presbiteriano Mackenzie entre 1949 e 1955. Posteriormente ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), onde se graduou em Medicina em 1962. Em 1966 obteve o doutorado em Medicina (bioquímica) pela mesma universidade, com uma tese sobre o processamento do RNA mensageiro no nucléolo. Seu orientador foi o bioquímico Isaias Raw. Ainda durante a graduação, publicou um artigo científico na revista Nature, um feito raro para um estudante de medicina na época.

Foi casado com a química Maria Mitzi Brentani e teve quatro filhos: Hugo Brentani, Helena Brentani Samaia, Alexandra Brentani Nicolosi e Barbara Brentani Roncolatto.

Morte Brentani faleceu em 29 de novembro de 2011, aos 74 anos, em decorrência de um infarto.

Carreira acadêmica e científica Brentani desenvolveu praticamente toda sua carreira científica na Universidade de São Paulo. Em 1969 tornou-se livre-docente em bioquímica pela Faculdade de Medicina da USP. Em 1980 criou a disciplina de oncologia na Faculdade de Medicina da USP, tornando-se o primeiro professor titular da área em uma universidade brasileira. Mais tarde foi nomeado professor emérito da instituição.

Sua pesquisa concentrou-se em bioquímica e biologia molecular do câncer, especialmente nos seguintes temas de: processamento de RNA no nucléolo, caracterização de mRNAs de colágenos, adesão celular e metástase e; biologia molecular do câncer. Ao longo da carreira publicou mais de 300 artigos científicos em revistas internacionais, incluindo periódicos de grande prestígio como Nature e Science.

Brentani também atuou como orientador de diversos pesquisadores, supervisionando teses de doutorado e dissertações de mestrado na área biomédica.

Atuação institucional Além de sua carreira acadêmica, Brentani desempenhou importantes funções em instituições científicas e de pesquisa no Brasil. Foi diretor do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer em São Paulo, cargo que ocupou por mais de duas décadas, contribuindo para o desenvolvimento da pesquisa oncológica no país.

Também presidiu a Fundação Antônio Prudente, entidade responsável pelo Hospital do Câncer A.C. Camargo, instituição que se tornou uma referência em tratamento e pesquisa sobre câncer no Brasil.

Entre os anos 1990 e 2000 participou da liderança do Projeto Genoma do Câncer, iniciativa apoiada pela FAPESP que buscou identificar características genéticas dos principais tumores que afetam a população brasileira.

Brentani também integrou o Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e foi membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Nacional de Medicina.

Prêmios e reconhecimentos Ao longo da carreira, Brentani recebeu diversos prêmios e distinções científicas, entre eles:

Prêmio Costa Júnior da Academia Nacional de Medicina; Prêmio Governador do Estado de São Paulo; Prêmio Múcio Athayde de Combate ao Câncer; Prêmio Rheinboldt-Hauptmann de Bioquímica da USP; Prêmio Ciência e Cultura da Fundação Conrado Wessel; Prêmio Scopus em Medicina; Ordem Nacional do Mérito Científico (Comenda e Grã-Cruz); Prêmio Octavio Frias de Oliveira (2011), na categoria Personalidade de Destaque.

Produção científica Entre suas contribuições acadêmicas está o livro:

Brentani, Ricardo Renzo; Raw, Isaias et al. Bases moleculares da medicina: câncer. São Paulo: Atheneu, 1992.

Legado Brentani é considerado um dos pioneiros da oncologia molecular no Brasil. Seu trabalho contribuiu para a introdução da chamada medicina baseada em DNA no país e para o desenvolvimento de centros de pesquisa em câncer de nível internacional.

Além de sua produção científica, destacou-se pela formação de pesquisadores e pela criação de programas de pós-graduação e centros de pesquisa dedicados ao estudo do câncer.

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