O USS Indiana foi um couraçado operado pela Marinha dos Estados Unidos e a segunda embarcação da Classe South Dakota, depois do e seguido pelo e . Sua construção começou em novembro de 1939 nos estaleiros da Newport News Shipbuilding e foi lançado ao mar em novembro de 1941, sendo comissionado na frota norte-americana em abril do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de mais de 45 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora).

O Indiana iniciou seu serviço no meio da Segunda Guerra Mundial e foi imediatamente enviado para reforçar a Guerra do Pacífico. Sua primeiro ação foi dar apoio a forças do Corpo de Fuzileiros Navais durante a Campanha de Guadalcanal. Pelos três anos seguintes o navio atuou principalmente como plataforma de suporte de artilharia para operações anfíbias e também como escolta da Força Tarefa de Porta-Aviões Rápidos. A embarcação bombardeou posições japonesas na Batalha de Tarawa em novembro de 1943 e na Batalha de Kwajalein em fevereiro de 1944. Durante esta última, o Indiana colidiu com o couraçado e foi forçado a recuar até Pearl Harbor para ser consertado.

O navio voltou para o serviço em abril de 1944 e participou da Campanha nas Ilhas Marianas e Palau, bombardeando Saipã e depois tomando parte na Batalha do Mar das Filipinas. Problemas em seus motores em setembro o impediram de continuar participando da campanha, porém o Indiana esteve presente nas Batalhas de Iwo Jima e Okinawa no início de 1945. Nesta última, a embarcação abateu vários kamikazes. A guerra terminou em setembro e o couraçado contribuiu com forças para a ocupação do Japão. O Indiana retornou para os Estados Unidos e foi descomissionado em setembro de 1947, permanecendo na reserva até junho de 1962, quando foi removido do registro naval e desmontado.

Características

thumb|270px|esquerda|Desenho da Classe South Dakota A Classe South Dakota foi encomendada no contexto de um grande rearmamento naval global que se seguiu ao colapso do sistema do Tratado Naval de Washington, que tinha controlado a construção de couraçados durante a década de 1920 e início da década de 1930. Couraçados sob os termos dos tratados de Washington e Londres tinham um deslocamento padrão limitado a 36 mil toneladas e bateria principal de canhões de até 356 milímetros. O Japão abandonou os tratados em 1936 e os Estados Unidos decidiu invocar a "cláusula de escalonamento" do Segundo Tratado Naval de Londres, que permitia deslocamentos de até 46 mil toneladas e armamentos de até 410 milímetros. Objeções por parte do Congresso sobre o aumento no tamanho dos novos navios forçou a equipe de projeto a tentar manter o deslocamento o mais próximo possível das 36 mil toneladas, ao mesmo tempo que incorporavam as armas maiores e blindagem suficiente para se proteger de armas do mesmo calibre.

O Indiana tinha 207,3 metros de comprimento, boca de 32,97 metros e calado de 10,69 metros. Possuía um deslocamento padrão de 38 580 toneladas, mas esse valor podia chegar a 45 233 toneladas quando totalmente carregado com suprimentos de combate. Seu sistema de propulsão tinha oito caldeiras Babcock & Wilcox alimentadas por óleo combustível que impulsionavam quatro conjuntos de turbinas a vapor Westinghouse, cada uma girando uma hélice, que chegavam a produzir um total de 131,9 mil cavalos-vapor (97 mil quilowatts) de potência. O Indiana era capaz de alcançar uma velocidade máxima de 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora) e tinha uma autonomia de quinze mil milhas náuticas (28 mil quilômetros) a uma velocidade de quinze nós (28 quilômetros por hora). Sua tripulação era de 1 793 oficiais e marinheiros em tempos de paz, mas chegava a 2 500 em tempos de guerra. Também era equipado com duas catapultas no convés da popa e três hidroaviões Vought OS2U Kingfisher para ações de reconhecimento.

A bateria principal do Indiana consistia em nove canhões Marco 6 calibre 45 de 406 milímetros. Estes eram montados em três torres de artilharia triplas, duas localizadas na frente da superestrutura, com a segunda torre sobreposta à primeira, enquanto a terceira na popa. Seu armamento secundário tinha vinte canhões de duplo-propósito calibre 38 de 127 milímetros montados em dez torres de artilharia duplas, instaladas cinco em cada lado da superestrutura. Como originalmente projetado, a embarcação contaria com uma bateria antiaérea de doze canhões calibre 75 de 28 milímetros e doze metralhadoras M2 Browning calibre 50 de 12,7 milímetros, porém isso foi considerado insuficiente e alterado para 28 canhões Bofors de 40 milímetros em sete montagens quádruplas no lugar das armas de 28 milímetros e 35 canhões Oerlikon de 20 milímetros em montagens únicas no lugar das metralhadoras. O cinturão de blindagem tinha 310 milímetros de espessura, enquanto o convés era protegido por uma blindagem de até 152 milímetros. As torres de artilharia eram protegidas por 457 milímetros na frente e ficavam em cima de barbetas de 439 milímetros de espessura. A torre de comando tinha laterais de 406 milímetros.

Modificações O Indiana recebeu várias modificações no decorrer de sua carreira, principalmente adições à sua bateria antiaérea e diferentes tipos de radares. A primeira adição foi a instalação de um radar de varredura aérea SC no seu mastro dianteiro em 1941, que foi depois substituído por um conjunto tipo SK. Um radar de varredura de superfície SG foi instalado na dianteira da superestrutura na mesma época, com um segundo conjunto SG sendo adicionado ao mastro principal depois de experiências na Campanha de Guadalcanal em 1942. No ano seguinte recebeu um radar de controle de disparo Marco 3 montado em sua torre de comando a fim de ajudar no direcionamento de seus canhões principais. O Marco 3 foi rapidamente substituído pelo mais moderno Marco 8, enquanto radares Marco 4 foram instalados para a bateria secundária. Depois recebeu conjuntos Marco 12/22 no lugar do Marco 4. O Indiana também recebeu um disruptor TDY. Suas lunetas de avistamento foram substituídas em 1945 por conjuntos de radar de microondas Marco 27.

A bateria antiaérea leve do couraçado foi gradualmente expandida pela duração de toda a guerra. Mais três montagens quádruplas dos canhões de 40 milímetros foram instaladas no final de 1942. Recebeu em janeiro de 1943 mais dezoito armas de 20 milímetros, elevando o total desta para 53. Outros duas montagens quádruplas de 40 milímetros foram adicionadas em fevereiro, enquanto outros sete canhões de 20 milímetros foram instalados mais tarde no mesmo ano para um total de sessenta. Cinco destas armas de 20 milímetros foram removidas até julho de 1944, com outras três também sendo removidas até o final da guerra em meados de julho de 1945.

História Construção thumb|240px|O Indiana durante seus testes marítimos em 8 de setembro de 1942 O batimento de quilha do Indiana ocorreu em 20 de novembro de 1939 nos estaleiros da Newport News Shipbuilding and Dry Dock Company em Newport News, na Virgínia. Seu casco foi lançado ao mar em 21 de novembro de 1941, sendo batizado por Margaret Robbins, a filha de Henry F. Schricker, o Governador de Indiana. A embarcação foi finalizada em abril de 1942 e comissionada na frota norte-americana no dia 30. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão Aaron S. Merrill. A elaborada cerimônia de comissionamento teve a presença de Frank Knox, o Secretário da Marinha, e o novo navio hasteou a bandeira que o antigo couraçado pré-dreadnought tinha hasteado durante a Batalha de Santiago de Cuba na Guerra Hispano-Americana em 1898.

Os trabalhos de equipagem continuaram na Newport News até 20 de maio, com o Indiana partindo no dia seguinte para seus testes marítimos. Estes foram realizados na Baía de Chesapeake entre 26 e 29 de maio, seguindo então no dia 31 para Hampton Roads. Testes de velocidade ocorreram em 1º de junho, durante os quais o navio foi escoltado pelos contratorpedeiros USS Charles F. Hughes, USS Hilary P. Jones, USS Ingraham e USS Woolsey. Mais testes, treinamentos de artilharia e vários exercícios continuaram até setembro, com o Indiana então partindo para a Baía de Casco, no Maine, para mais treinamentos de artilharia. Foi declarado apto para serviço de combate em 9 de novembro e partiu para o Canal do Panamá no mesmo dia. Nesse momento os Estados Unidos estavam na Segunda Guerra Mundial a quase um ano e travando a Campanha de Guadalcanal contra o Japão no Oceano Pacífico, com o couraçado recebendo ordens para se juntar às forças no local.

Guerra do Pacífico Guadalcanal

thumb|esquerda|240px|O Indiana em dezembro de 1942 O Indiana foi designado em 14 de novembro como a capitânia do Grupo de Tarefas 2.6, que também incluía o cruzador rápido USS Columbia e os contratorpedeiros USS De Haven e USS Saufley. Os quatro cruzadoram o Pacífico e seguiram primeiro para Tonga, chegando durante a tarde de 28 de novembro. Reabasteceram e o couraçado foi transferido dois dias depois para o Grupo de Tarefas 66.6, continuando sua viagem até Nouméa, onde chegou em 2 de dezembro. Participou no local de exercícios junto com a Força Tarefa 64. Ele substituiu seu irmão , que tinha sido danificado na Segunda Batalha Naval de Guadalcanal um mês antes. O Indiana operou próximo de Guadalcanal proporcionando suporte de artilharia para as forças norte-americanas em terra.

Os couraçados e juntaram-se ao Indiana em janeiro de 1943. Os três foram agrupados como a Força Tarefa 64 sob o comando do contra-almirante Willis Lee e encarregados de dar cobertura a comboios que prestavam apoio aos confrontos nas Ilhas Salomão. Eles deram cobertura a um grupo de navios de transporte levando elementos da 25ª Divisão de Infantaria para Guadalcanal entre 1º e 4 de janeiro. Uma força de cruzadores envolveu-se no final do mês na Batalha da Ilha Rennell ao mesmo tempo que os couraçados estavam em outra operação de escolta, porém estes estavam muito ao sul para ajudar. A invasão da Nova Geórgia começou no final de junho e o Indiana foi designado para dar cobertura para a frota de invasão contra possíveis ataques aéreos, tendo a companhia do North Carolina e do . Em seguida proporcionou escolta para uma força de porta-aviões que fez um ataque rápido na Ilha Marcus entre 31 de agosto e 1º de setembro.

Ilhas Gilbert e Marshall

thumb|240px|O Indiana em 27 de janeiro de 1944 O couraçado participou da invasão de Tarawa entre 20 e 23 de novembro e ajudou na defesa antiaérea dos porta-aviões do Grupo de Tarefas 50.2 próximos do Atol Makin. Seus artilheiros antiaéreos reivindicaram sua primeira aeronave japonesa abatida durante essas operações. O Indiana bombardeou posições japonesas em Nauru em 8 de dezembro junto com outros quatro couraçados e doze contratorpedeiros. Os cinco couraçados da força ao todo dispararam 810 projéteis de 406 milímetros contra a ilha.

A embarcação foi designada em 1º de janeiro de 1944 para o Grupo de Tarefas 37.2, participando em 16 de janeiro de exercícios de artilharia junto com o South Dakota e três contratorpedeiros. Estes cinco, mais o North Carolina, Washington e outros três contratorpedeiros partiram dois dias depois para a invasão das Ilhas Marshall. No caminho os navios realizaram treinamentos antiaéreos. Eles se encontraram com o porta-aviões e o porta-aviões rápido no mar, chegando em Funafuti em 20 de janeiro e tendo a unidade renomeada para Grupo de Tarefas 58.1. Nessa época o grupo também tinha os porta-aviões e , o porta-aviões rápido e vários cruzadores e contratorpedeiros. Mais treinamentos ocorreram entre 25 e 28 de janeiro, incluindo mais prática de defesa antiaérea. O Indiana também serviu de alvo para ataques aéreos simulados das aeronaves dos porta-aviões. O couraçado serviu de capitânia para a Divisão de Couraçados 8, comandada pelo contra-almirante Glenn B. Davis.