Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), é uma entidade civil de fins culturais. Foi fundado em 1907 na capital mineira, Belo Horizonte, a exemplo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), fundado no Rio de Janeiro em 1838.
História No final do período imperial e nos primeiros anos da República, diversos estados brasileiros passaram a criar institutos históricos e geográficos inspirados no modelo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Em Minas Gerais, a ideia de fundar uma instituição com esse perfil tomou forma no âmbito do Clube Floriano Peixoto, uma sociedade cívica dedicada a debates republicanos, sediada em Belo Horizonte e presidida pelo coronel Júlio César Pinto Coelho.
Foi nesse ambiente intelectual e político que se consolidou o projeto de criação do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. O Clube Floriano Peixoto convocou uma reunião realizada em 16 de junho de 1907, ocasião em que o Dr. Augusto de Lima proferiu discurso considerado o marco inicial da instituição, "fazendo entrega da organização do Instituto a seus sócios fundadores".
Participaram diretamente do processo de fundação os doutores Augusto de Lima, Prado Lopes, João Luiz Alves, Francisco Alves Júnior, o coronel Francisco Bressane, Olinto Meireles, Estevam Pinto, Pedro Sigaud, o major João Líbano Soares, Rodolfo Jacob e o coronel Júlio César Pinto Coelho. O então presidente do Estado de Minas Gerais, João Pinheiro da Silva, foi escolhido por aclamação para presidir as sessões iniciais da entidade.
Em reunião realizada em 12 de julho de 1907, foi eleita a primeira diretoria do Instituto:
Presidente – João Pinheiro da Silva Vice-presidente – Des. João Bráulio M. de Vilhena 2º Vice-presidente – Virgílio Martins de Melo Franco 3º Vice-presidente – Carlos Honório Benedito Ottoni 1º secretário – Francisco Mendes Pimentel 2º secretário – Juscelino Barbosa Suplentes de secretário – Ismael Franzen e Luiz Pessanha Orador – Diogo de Vasconcelos Tesoureiro – Des. Julio Veiga
A instalação solene do Instituto ocorreu em 15 de agosto de 1907, no salão da Câmara dos Deputados de Minas Gerais, localizado na Avenida Afonso Pena, esquina com a Rua da Bahia, em Belo Horizonte. A sessão foi presidida por João Pinheiro da Silva e contou com a participação de Max Fleiuss, presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que atuou como secretário da cerimônia. O discurso oficial foi proferido pelo historiador Diogo de Vasconcelos, que organizou sua fala como uma exaltação da grandeza histórica e política de Minas Gerais. Em 1927, Diogo de Vasconcelos foi eleito orador perpétuo da instituição, função que exerceu até sua morte.
Desde sua fundação, o IHGMG apresentou forte inspiração republicana, refletindo o contexto político de um país recém-organizado sob um regime federalista. Como instituição intelectual mineira, defendia a relevância histórica e política de Minas Gerais no conjunto da federação brasileira. Apesar dessa orientação republicana, o Instituto também reuniu personalidades ligadas às tradições monárquicas. Entre elas destacou-se o próprio Diogo de Vasconcelos, um dos intelectuais mais influentes da instituição em seus primeiros anos.
Objetivos Os primeiros artigos dos estatutos do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais apresentam grande semelhança com os do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que serviu como modelo para a organização da entidade mineira. Desde a sua fundação, o Instituto tem como objetivos investigar, reunir, sistematizar, publicar e preservar documentos relacionados à história e à geografia de Minas Gerais, bem como aos estudos de arqueologia, etnografia e das línguas dos povos indígenas.
Entre suas finalidades institucionais está também a manutenção de intercâmbio intelectual com sociedades científicas, academias e institutos históricos do Brasil e do exterior, especialmente com entidades congêneres sediadas na então Capital Federal e nos diversos estados da República, visando ampliar a cooperação acadêmica e facilitar o desenvolvimento de suas atividades científicas e culturais.
O Instituto mantém ainda a tradição de publicar periodicamente uma revista institucional, na qual são reunidos os trabalhos produzidos por seus membros e colaboradores. Nessas publicações costumam constar atas das sessões, discursos de dirigentes, relatórios administrativos, listas de associados, além de estudos, pesquisas e artigos dedicados à história, à geografia e à cultura de Minas Gerais.
O IHGMG configura-se como uma academia voltada à preservação e ao cultivo da memória mineira, reunindo homens e mulheres interessados no estudo das humanidades, da história, da geografia e das tradições culturais e cívicas do povo de Minas Gerais. Entre os campos do conhecimento contemplados em suas atividades destacam-se a História, a Geografia, a Geologia, a Arqueologia, a Antropologia, a Sociologia, a Paleontologia, a Heráldica, a Genealogia, a Medalhística, o Indigenismo e a Estatística, além de outras áreas correlatas. Em todas essas frentes, o Instituto mantém ênfase permanente nos estudos dedicados ao Estado de Minas Gerais e à compreensão de sua formação histórica e cultural.
Instalações Desde 1967, o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais está instalado na sobreloja do emblemático Edifício Juscelino Kubitschek, situado na Rua Guajajaras, nº 1268, na região central de Belo Horizonte. O espaço, com aproximadamente 500 metros quadrados de área construída, foi cedido ao Instituto por meio de escritura de doação em comodato pelo Governo do Estado de Minas Gerais durante a gestão do então governador Israel Pinheiro da Silva, em reconhecimento à relevância cultural, científica e histórica da instituição para o estado.
A sede abriga uma biblioteca especializada com acervo de cerca de 30 mil volumes, constituída principalmente por obras dedicadas à história de Minas Gerais, à historiografia brasileira, à genealogia e às ciências sociais. O Instituto mantém também uma importante mapoteca composta por aproximadamente 700 mapas históricos e geográficos raros, muitos deles relacionados à formação territorial do Brasil e ao processo histórico mineiro.
As instalações contam ainda com auditório destinado à realização de sessões científicas, conferências, solenidades e atividades culturais, com capacidade para cerca de 140 lugares.
Além desses espaços, a sede reúne arquivos históricos, coleções documentais e áreas voltadas à pesquisa, à preservação e à difusão da memória histórica e cultural de Minas Gerais.
Importância cultural O Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais é uma das mais antigas e tradicionais instituições culturais privadas do estado. Fundado em 1907, tem como missão promover o estudo, a pesquisa e a difusão da história, da geografia, da genealogia e das manifestações culturais relacionadas a Minas Gerais e ao Brasil.
Ao longo de sua trajetória, o Instituto consolidou-se como importante centro de reflexão historiográfica e de preservação da memória mineira, reunindo em seus quadros historiadores, juristas, intelectuais, pesquisadores e personalidades da vida pública e cultural. Suas atividades incluem sessões científicas, conferências, publicações, exposições, programas de pesquisa e eventos culturais voltados à valorização da história e da identidade de Minas Gerais.
A instituição integra o Circuito Liberdade, importante complexo cultural localizado na região central de Belo Horizonte, e mantém intensa programação acadêmica e cultural aberta ao público. As conferências e sessões científicas ocorrem regularmente, em geral aos sábados pela manhã, entre 10h e 13h.
A programação institucional e as atividades do Instituto são divulgadas por meio de seus canais oficiais na internet, incluindo o site institucional (http://www.ihgmg.org) e a página no Instagram (@ihgmgoficial).
O Instituto mantém ainda intercâmbio acadêmico e cultural com universidades, academias e institutos históricos do Brasil e do exterior, contribuindo para o desenvolvimento da historiografia mineira e para o fortalecimento do patrimônio histórico e cultural de Minas Gerais.
Presidentes Ano Presidente 1907-1909 João Pinheiro da Silva 1910-1911 João Bráulio Moinhos de Vilhena 1911 Carlos Honório Benedito Ottoni 1911 Virgílio de Melo Franco 1911-1924 Rodolfo Jacob 1925-1938 Aurélio dos Santos Pires 1939-1943 Aníbal Pinto de Matos 1943-1949 Benedito Quintino dos Santos 1950-1955 Polycarpo de Magalhães Viotti 1955-1958 Salomão de Vasconcellos 1958-1969 Copérnico Pinto Coelho 1969-1976 Dermeval José Pimenta 1976-1991 José Geraldo de Faria 1991-1992 Alberto Barroca 1992-1994 Celso Falabella de Figueiredo Castro 1994-1996 Wilson Veado 1996-1998 Herbert Sardinha Pinto 1998-2001 Miguel Augusto Gonçalves de Souza 2001-2004 Syllas Agostinho Ferreira 2004-2007 Marco Aurélio Baggio 2007–2010 Fernando Antônio Xavier Brandão 2011–2013 Jorge Lasmar 2013–2016 Wagner Colombarolli 2016–2019 Aluízio Alberto da Cruz Quintão 2019–2021 Luiz Carlos Abritta 2021–2022 Paulo Duarte Pereira 2022–2025 José Carlos Sefuro 2025 - Antonio Marcos Nohmi
Associados Honorários
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