Apatheia ( (a)- "ausência" e πάθος (pathos) - "sofrimento" ou "paixão") de acordo com a filosofia estoica, é um estado de espírito alcançado quando uma pessoa está livre de perturbações emocionais. É melhor traduzida como equanimidade, em vez de indiferença. Não deve ser confundida com o termo apatia - comum no ramo de psicologia e psiquiatriaÁlvaro Cabral; Eva Nick. Dicionário Técnico de Psicologia. Editora Cultrix; 1996. ISBN 978-85-316-0131-6. p. 27. - considerado como um critério de diagnóstico que é caracterizado pela perda de interesse e retardo psicomotor, por exemplo em casos de depressão.Leonardo Caixeta. Doenças de Alzheimer. Artmed; ISBN 978-85-363-2702-0. p. 411. De acordo com os estoicos, apatheia é a qualidade que caracteriza o sábio.
Filosofia Antiga
O termo apatheia referido na língua grega antiga, em geral, é a propriedade de uma coisa ou pessoa de não estar sujeita à influência de algo externo. Se uma pessoa, se caracteriza pela mudança de sentimentos e estados de espírito geralmente desencadeados por percepções sensoriais. Na mente da pessoa sob a apatheia, o estado de espírito é desencadeado pela percepção de eventos no mundo exterior mas sem emoção. Por isso, ela é imparcial, frugal e auto-suficiente ( autharkeia, autarquia);Robert Mayhew. Aristotle's Criticism of Plato's Republic. Rowman & Littlefield; 1997. ISBN 978-0-8476-8655-1. p. 54. a saudade e o desejo (epithymia) são tão estranhos para ele como o medo. Num sentido mais amplo, entende-se por apatheia a ausência de todas as emoções, incluindo as agradáveis, mesmo que consideradas desejáveis. Muitas vezes, porém, o termo apatheia é usado em um sentido mais restrito na literatura antiga do que apenas ou principalmente de excitações emocionais indesejadas destinadas a serem percebidas de forma negativa, mas de um ponto de vista filosófico.Herbert Frohnhofen, Apatheia tou theou. Über die Affektlosigkeit Gottes in der griechischen Antike und bei den griechischsprachigen Kirchenvätern bis zu Gregorios Thaumaturgos. Lang, Frankfurt am Main 1987, Zugl.: München, Univ., Diss., 1987, ISBN 3-8204-1103-8, p. 28-49
Na filosofia antiga, o termo apatheia tanto foi entendida no sentido moderado de repressão e controle de emoções dolorosas e destrutivas, - como a raiva, o medo, a inveja e o ódio - quanto no sentido radical de extirpação completa de tais emoções. A apatheia era um pré-requisito para a realização da ataraxia (firmeza de espírito) e foi considerada como um bem importante ou mesmo um bem supremo. Foi neste sentido que Antístenes, o fundador do cinismo a compreendeu e a definiu como um objetivo desejável a quem Sócrates serviu como modelo.Samuel Wells; Ben Quash. Introducing Christian Ethics. John Wiley & Sons; 2010. ISBN 978-1-4051-5277-8. p. 63. Os estoicos tiveram essa ideia e fez dela a parte central de sua doutrina, a libertação da tirania que nos afeta permite-nos a serenidade, a paz de espírito e a sanidade na ação. A repressão ao sentimento também incluiu a compaixão e o remorso, pois causam dor, o que não é aceitável para um sábio estoico, do mesmo modo que a compaixão, a inveja causa dor sendo também colocada no mesmo nível.Michel Spanneut: Apatheia ancienne, apatheia chrétienne, Ière partie: L'apatheia ancienne. In: Aufstieg und Niedergang der römischen Welt, Teil II Band 36/7, Berlin 1994, S. 4658f., 4684. A apatheia perfeita era considerada uma marca do sábio estoico. Assim escreveu o estoico Marco Aurélio:
Aristóteles afirmava que a virtude estava no meio termo entre o excesso e a falta de emoção (metriopatheia),Gottlieb Anthony; titulo="The Dream of Reason"- Aristóteles; pp. 268-69; publicado=Allen Lanes, The Penguin Press; (2000); ISBN 0-713-99143-7. os estoicos, por outro lado, buscavam a libertação de todas as paixões (apatheia).Gottlieb Anthony; titulo="The Dream of Reason"- Estoicos; pp. 293-295-314-15; publicado=Allen Lanes, The Penguin Press; (2000); ISBN 0-713-99143-7.
Ele procurou eliminar as respostas emocionais aos eventos externos que estão além do controle da pessoa. Para os estoicos, era a resposta racional ideal para um indivíduo, porque não podemos controlar os acontecimentos originários da vontade dos outros ou pela Natureza, só podemos controlar a nossa própria vontade. Isto não implica a perda de todo o sentimento ou cortar suas relações com o mundo. Um estoico realiza julgamentos e atos virtuosos experimenta a felicidade (eudaimonia) e bons sentimentos (eupatheia).
O termo foi adotado por Plotino em seu desenvolvimento do neoplatonismo como a liberdade da alma de emoção conseguido quando se atinge o seu estado purificado.
O termo faz parte do cristianismo primitivo, onde apatheia significa liberdade de necessidades e impulsos indisciplinados. O monasticismo ortodoxo ainda usa o termo neste sentido.
Ver também
Referências
Richard Sorabji, (2002), Emotion and Peace of Mind: From Stoic Agitation to Christian Temptation, Oxford University Pres
Categoria:Estoicismo Categoria:Conceitos filosóficos