thumb|260px|Daniel em sua visão das quatro bestas por Hans Holbein the Younger A Profecia dos 4 animais (no Livro de Daniel capítulo 7) é um relato bíblico, segundo o qual, durante o primeiro ano de Belsazar como rei da Babilônia, o profeta Daniel, na sua cama, teve visões em seu sonho. Ele escreveu o sonho e relatou a suma das coisas que viu. Daniel conta em sua narração que quatro ventos se chocavam sobre o mar e então quatro animais grandes emergiram. É importante observar que Daniel não apresenta os materiais de seu livro escritos em ordem cronológica. Os acontecimentos dos capítulos 5 e 6 decorreram depois dos que se registram no capítulo 7.
O primeiro era um leão com asas de águia; O segundo era um urso com três costelas entre os seus dentes; O terceiro era um leopardo com quatro cabeças e quatro asas de ave; O quarto animal, "terrível e espantoso e muito forte", tinha grandes dentes de ferro e dez chifres.
Daniel narra sequencialmente cada um dos animais e o que cada um fez. A profecia é uma premonição de algo que irá acontecer, representando a premonição que o anticristo virá. Existem três linhas principais para a interpretação de profecias bíblicas: a preterista, a futurista e a historicista.
Interpretação preterista O preterismo é a metodologia mais popular para o exame de profecias bíblicas entre os eruditos críticos. Essa escola é também conhecida como a contemporânea-histórica e inclui exegetas tão brilhantes quanto Beckwith, Swete, Ramsay, Simcox, Moses Stuart e F. F. Bruce.
Nesta corrente, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que o texto é simbólico: o mar é a história dos homens e as quatro feras são os quatro impérios que dominaram o Oriente Médio, do ao A primeira fera (leão) é o Império Neobabilônico; a segunda (urso) é o Império Medo; a terceira (leopardo) é o Império Aquemênida (Persa); a quarta (fera medonha) é o império de Alexandre. Os dez chifres são os reis da dinastia grega dos Selêucidas, que dominaram a Síria no século II AC; o chifre pequeno é Antíoco IV Epifânio () que, para conseguir e solidificar seu poder, livrou-se de vários concorrentes.
O Ancião é o próprio Deus, cercado por seus anjos, mediadores de sua ação na história. Os livros, onde são registradas as ações dos homens, são abertos: começa o julgamento. A fera julgada é a quarta, símbolo do Império de Alexandre e, principalmente, de Antíoco IV. O misterioso filho de homem é uma personificação do povo fiel, que recebe de Deus o reino que durará para sempre. O Novo Testamento vê em Jesus esse misterioso filho de homem que vem do Céu.
O cerne do texto é a luta que o povo de Deus terá que sustentar na história contra os impérios opressores. Mas a vitória será do povo fiel, que receberá de Deus o Reino e reinará para sempre. Os vv. 19-27 se detêm na quarta fera e, principalmente, no chifre pequeno que simboliza Antíoco IV. Durante seu reinado, ele quis ocupar o lugar de Deus, mudar os costumes e o calendário judaico, proibir o sábado e as festas religiosas dos judeus, e perseguiu os que eram fiéis à lei de MoisésCap. 7 de Daniel , Edição Pastoral da Bíblia, acessada em 22 de agosto de 2010.
Interpretação futurista O futurismo situa-se no outro extremo da interpretação, com relação ao preterismo. O futurismo acredita que as profecias, em sua maciça maioria, aplica-se totalmente ao futuro. O Futurismo aponta à tribulação final da igreja e é portanto especialmente dirigido aos crentes nos primeiros últimos anos da história. Digo "especialmente" porque nenhum futurista nega o valor presente das promessas e princípios achados nas profecias.
Interpretação historicista Segundo esta linha de interpretação, a profecia do capítulo 7 cobre essencialmente o mesmo lapso histórico que o sonho do capítulo 2 de Daniel. Ambos abarcam desde os dias do profeta até o dia do juízo final. Em Daniel 2, Nabucodonosor viu os poderes mundiais representados por uma grande estátua de metal, já no capítulo 7, Daniel os viu mediante o simbolismo de bestas (animais) e chifres.
Os estudiosos que defendem esta linha de raciocínio entendem que o tema do capítulo 2 de Daniel é essencialmente político. Foi dado, em primeiro lugar, para informar a Nabucodonosor e assim conseguir sua cooperação com o plano divino. Já a profecia do capítulo 7, como as do resto do livro, foram dadas especialmente para que o plano divino, através de todos os séculos, pudesse ser entendido e revelado. Estas profecias tem como pano de fundo a luta do bem contra o mal, o grande conflito entre Cristo e Satanás. O artigo Profecia da Estátua de Nabucodonosor também pode melhorar a contextualização e facilitar o entendimento desta linha de interpretação.
Quatro Ventos do Céu Combatiam no Grande Mar "Daniel disse: Olhava eu em minha visão de noite, e tenho aqui que os quatro ventos do céu combatiam no grande mar." Daniel 7:2
Quatro Ventos Do Aramaico 'rúaj', equivalente ao hebreu 'rúaj', tem uma variedade de significados e é traduzida de várias formas na Bíblia, tais como:
"Espírito" humano;Salmos 32:2 "Espírito" divino;Salmos 51:12 "Vento".Exodo 10:13
Metaforicamente a palavra também é usada para referir-se a coisas vazias ou vãs.Jeremias 5:13 Quando é usada numa visão simbólica, como aqui, a palavra parece indicar atividade ou alguma forma de energia, determinando-se sua natureza exata pelo contexto. Por exemplo, os "ventos" da visão simbólica de Ezequiel, que fizeram reviver os esqueletos secos, representavam a energia divina que fazia reviver à morta nação de Israel.Ezequiel 37: 9-14 Os "ventos" de Daniel que combatiam no grande mar, fazendo surgir quatro bestas (ou impérios), representavam àqueles movimentos (diplomáticos, bélicos, políticos ou de outra índole) que determinariam a história desse período. Os "quatro ventos" provenientes dos quatro pontos cardeais, representavam a atividade política em diversas partes do mundo (como por exemplo nos livros de JeremiasJeremias 49:36 e Zacarias2:6 e 6:5).
Combatiam A palavra 'guaj' traduzida como 'combatiam', está relacionada ao verbo "agitar". A forma do verbo sugere ação continuada.
Grande Mar O 'grande mar' é aqui identificado como um símbolo das nações do mundo, o "grande mar" da humanidade em todos os séculos.Apocalipse 17:15 e Isaías 17:12
Quatro Animais "E quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar."Daniel 7:3
Quatro Reinos Segundo o verso 17,17 as quatro bestas representam "quatro reis que se levantarão na terra". Algumas traduções usam a palavra 'reinos' em vez de 'reis'. A quarta besta é chamada especificamente de "um quarto reino"23 que segue aos "outros reinos". É frequentemente aceita a ideia de que estas quatro bestas representam os mesmos quatro poderes simbolizados pela imagem metálica do capítulo 2 de Daniel.
Diferentes uns dos Outros A diferença da qual se fala aqui tinha sido ilustrada pelos diferentes metais apresentados em 2:38-40.Daniel 2:38-40 A mesma diferença é literalmente expressada neste verso através dos diferentes animais que se apresentaram.
Subiam do Mar As potências mundiais que se representavam não exerceram seu poder em forma simultânea, mas sucessiva. Novamente cabe a anologia com a profecia do capítulo 2, onde também os poderes e reinos se sucederam um após o outro.
Primeiro Animal O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois pés, como homem; e lhe foi dada mente de homem.Daniel 7:4
Leão com Asas de Águia Um leão alado é símbolo muito adequado para representar a Babilônia. O leão alado se acha nas obras de arte babilônica. Era comum a combinação de leão e águia: geralmente um leão com asas de águia, às vezes com garras ou bico; outra combinação parecida era o águia com cabeça de leão. O leão alado é uma das formas desse animal-símbolo que com freqüência se representa combatendo junto a Marduk, o deus patrono de Babilônia. Outros profetas da Bíblia também se referiram ao rei Nabucodonosor por meio de figuras semelhantes.Jeremias 4:7; 50:17 e 44; Ezequiel 17:3 e 12 O leão como rei das feras e a águia como rainha das aves representavam adequadamente ao Império de Babilônia no apogeu de sua glória. O leão se destaca por sua força, enquanto o águia é famosa pelo vigor e o alcance de seus voos. O poder de Nabucodonosor se sentiu não só na Babilônia, mas desde o Mediterrâneo até o Golfo Pérsico, e desde o Ásia Menor até Egito. Por isso é adequado representar o alcance do poder de Babilônia com um leão dotado de asas de águia. Ainda se traçarmos um paralelo com a profecia de Daniel 2, o primeiro império representado pela cabeça da estátua era Babilônia. Da mesma forma a primeira besta é o império de .
Asas Arrancadas O leão já não podia voar como águia para atingir sua presa. Isto se refere provavelmente ao tempo quando reis menos poderosos seguiram a Nabucodonosor no trono de Babilônia, dirigentes durante cuja administração Babilônia perdeu glória e poder. Alguns sugeriram também que isto é uma possível referência à última parte da vida de Nabucodonosor, quando durante sete anos lhe foi tirado não só o poder mas também a razão. Mas após esse fato recuperou se o trono e convertendo ao Deus de Daniel. No reinado de seu filho Belsazar que Deus o avisou atrás de uma escrita nas paredes onde foi decifrada por Daniel que, por sua adoração a ídolos ele perderia seu império. Naquele mesmo dia os Medos e Persas atacaram Babilônia e a conquistou. Daniel 4:31-33)
Deve-se entender sem dúvida que este era o reino de babilônia, já que o reino medo persa é definido em Daniel 5:28 como sucessor do primeiro reino, no caso, o babilônico.
Em Dois Pés, como Homem Um leão erguido como um homem indica a perda das qualidades distintivas de um leão. O apelido do Rei Ricardo I de Inglaterra, "coração de leão", indicava valor e ousadia invulgares. Ao inverso, um leão "com mente de homem" (em algumas traduções da bíblia é usada a palavra 'coração' no lugar da palavra 'mente') assinalaria covardia e timidez. Em seus anos de decadência Babilonia se debilitou por causa da riqueza e o luxo, até cair perante o Império Medo-Persa. Alguns estudiosos defendem a ideia que a expressão "coração de homem" ou mesmo "mente de homem" representa o desaparecimento da característica animal de voracidade e ferocidade e a humanização do rei de Babilonia. Tal interpretação poderia aplicar-se a Nabucodonosor depois de sua vivência humilhante, mas não seria uma representação apropriada do reino em seus últimos anos.
Muito pelo contrário da ultima opinião o reino da medo-persa se encaixa na perfeitamente na descrição do segundo animal.
Segundo Animal Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas; e lhe diziam: Levanta-te, devora muita carne.Daniel 7:5
Urso thumb|300px|direita|Ruínas de Persépolis, antiga capital do Império Aquemênida (Persa).