As Testemunhas de Jeová atraíram críticas das principais vertentes cristãs, de alguns membros da comunidade médica, membros desassociados e de alguns comentaristas a respeito de suas crenças e práticas. A religião foi acusada de inconsistência e mudança doutrinária, de predições falsas, de traduções erradas da Bíblia, de tratamento duro dos ex-membros e de liderança autocrática e coercitiva. Outros objetos de crítica envolvem a rejeição desta religião à transfusão de sangue, particularmente em situações médicas de risco de vida, e alegações de que seus líderes teriam falhado em reportar casos de abuso sexual de crianças às autoridades. Muitas das alegações são negadas pelas Testemunhas de Jeová e algumas foram também disputadas em tribunal e debatidas por estudiosos religiosos.

Crítica Bíblica

A Sociedade Torre de Vigia foi criticada por sua recusa em revelar os nomes e credenciais acadêmicas dos seus tradutores da "Tradução Novo Mundo das Escrituras Sagradas". Isto se explica segundo eles que os créditos a tradução se devem a Jeová Deus, e não a homens. A Sociedade alegou que os membros do comitê dessa tradução desejaram permanecer anônimos, tendo por vista exaltar o nome de Deus,"New World Translation of the Christian Greek Scriptures", The Watchtower, September 15, 1950, page 320. enquanto a Torre de Vigia afirmou que as qualificações educacionais desses tradutores eram desimportantes e que “a tradução em si comprova suas qualificações”.Questions from readers, The Watchtower, December 15, 1974, page 767 Raymond Franz, um ex-membro do Corpo Governante, alegou que dos quatro homens que constituíram o comitê, apenas um – o principal tradutor, seu tio Frederick Franz – tinha conhecimento suficiente acerca das línguas bíblicas para ter participado do projeto.Porém não se tem certeza dos tradutores.In a 1954 court case, Franz was invited to translate a passage of Genesis from English to Hebrew. (Translator's proof, page 102-103). He declined, saying he would not attempt it. Heather and Gary Botting wrongly claim (page 98) he could make no sense of "an elementary passage of Hebrew from Genesis". Frederick Franz estudou grego por dois anos e foi autodidata em hebraico.

Muitas das críticas da “Tradução Novo Mundo das Escrituras Sagradas” envolvem a tradução de certos textos considerados tendenciosos em relação a práticas e doutrinas específicas das Testemunhas.Robert M. Bowman Jr, Understanding Jehovah's Witnesses, (Grand Rapids MI: Baker Book House, 1992); Ankerberg, John and John Weldon, 2003, The New World Translation of the Jehovah's Witnesses, accessible from this site, which quotes a number of scholars regarding theological bias of the New World Translation.Samuel Haas,Journal of Biblical Literature, Vol. 74, No. 4, (Dec. 1955), p. 283, "This work indicates a great deal of effort and thought as well as considerable scholarship, it is to be regretted that religious bias was allowed to colour many passages."See Ankerberg, John and John Weldon, 2003, The New World Translation of the Jehovah's WitnessesRhodes R, The Challenge of the Cults and New Religions, The Essential Guide to Their History, Their Doctrine, and Our Response, Zondervan, 2001, p. 94Bruce M Metzger, "Jehovah's Witnesses and Jesus Christ," Theology Today, (April 1953 p. 74); see also Metzger, "The New World Translation of the Christian Greek Scriptures," The Bible Translator (July 1964) Essas incluem o uso de “estaca de tortura” no lugar de “cruz” através do Novo Testamento exemplos são: a tradução de João 1:1, com a inserção de um artigo indefinido “a” em sua tradução para tornar “A Palavra era [um] deus”;C.H. Dodd: "The reason why [the Word was a god] is unacceptable is that it runs counter to the current of Johannine thought, and indeed of Christian thought as a whole." Technical Papers for The Bible Translator, Vol 28, No. 1, January 1977 Romanos 10:10, que usa o termo, “declaração pública”, que deve reforçar o imperativo de se engajar em pregação pública; João 17:3, que usa o termo “que absorvam conhecimento de ti” antes que “conhecer”, para sugerir que a salvação depende de estudos contínuos, e a colocação de uma vírgula em Lucas 23:43, que afeta o tempo de concretização de uma promessa de Jesus a um ladrão no Calvário.

Também é criticada a inserção do nome Jeová 237 vezes no Novo Testamento. Embora esta forma Jeová apareça várias vezes em manuscritos antigos da bíblia Franz, Raymond (2007), In Search of Christian Freedom, Commentary Press, pp. 494–505, ISBN 0-914675-17-6G. HÉBERT/EDS, "Jehovah's Witnesses", The New Catholic Encyclopedia, Gale, 20052, Vol. 7, p. 751.Metzger, Bruce M., The New World Translation of the Christian Greek Scriptures, The Bible Translator 15/3 (July 1964), pp. 150-153. As publicações da Torre de Vigia alegaram que o nome foi “restaurado” sobre bases seguras, assegurando que quando os autores do Novo Testamento citam escrituras antigas do Antigo Testamento contendo o Tetagrama YHWH, “os tradutores têm o direito de traduzir Kyrios (“Senhor”) como Jeová", pois como delineado nas escrituras, Deus possui um nome pessoal e não é reconhecido por um mero título.""God’s Name and the New Testament", The Divine Name That Will Endure Forever, Watch Tower Bible & Tract Society, 1984, pages 23-27 A Tradução Novo Mundo das Escrituras Sagradas menciona vinte e sete outras traduções que têm similarmente traduzido Kyrios como uma forma do nome Jeová, alegando que há apenas um verso no qual sua tradução não está de acordo com as outras.

Críticas às Doutrinas

Alegações de Profecias falsas

Algumas crenças das Testemunhas de Jeová se baseiam nos ensinamentos de Jesus , o Milênio e o Reino de Deus. Suas publicações, portanto, publicaram e continuam publicando predições sobre os eventos mundiais que eles acreditam estarem profetizados na Bíblia.Crompton, Robert (1996), Counting the Days to Armageddon, Cambridge: James Clarke & Co, pp. 9, 115, ISBN 0227679393 As predições de eventos publicadas na Sentinela desde 1881 levou à alteração ou abandono de algumas doutrinas como parte de um processo que a Sociedade Torre de Vigia descreveu como uma "revelação progressiva", na qual Deus gradualmente guiaria seus seguidores a uma compreensão mais clara de seu desejo.Jehovah's Witnesses - Proclaimers of God's Kingdom, Watch Tower Society, 1993, page 708. Raymond Franz citou publicações que alegavam que Deus usou as Testemunhas de Jeová como profetas. Críticos, incluindo o professor associado James A. Beverley, acusaram a religião de realizar profecias falsas, particularmente porque em muitos casos elas vinham acompanhadas de asserções de que tais predições estariam "além da dúvida" e haviam sido aprovadas por Deus.James A. Beverley, Crisis of Allegiance, Welch Publishing Company, Burlington, Ontario, 1986,ISBN 0920413374, pages 86-91.Críticas de alegações como estas acima são encontradas num grande número de livros, incluindo Penton, M. James (1997) Apocalypse Delayed, University of Toronto Press; Franz, Raymond, In Search of Christian Freedom (2007) Commentary Press; Watters, Randall (2004) Thus Saith Jehovah's Witnesses, Common Sense Publications; Reed, David A. (1990) Index of Watchtower Errors, 1879 to 1989, Baker BooksWaldeck, Val Jehovah's Witnesses: What do they believe?. Pilgrim Publications SA. ISBN 1-920092-08-0.Buttrey, John M (2004). Let No One Mislead You. iUniverse. ISBN 0-595-30710-8. Beverley diz que a Sociedade Torre de Vigia criticou outros que fizeram falsas predições acerca do fim do mundo (ele cita a revista Despertai de 1968 que diz que outros grupos são “culpados de profecia falsa” após ter “predito o fim do mundo, e até anunciando sua data específica”),Awake!, October 8, 1968, p. 23. e descreve seu histórico de contar o futuro como “patético”.James A. Beverley, Crisis of Allegiance, Welch Publishing Company, Burlington, Ontario, 1986,ISBN 0920413374, page 87.

As publicações da Sentinela afirmaram que os cristãos confiam em Deus e, portanto, “eles não questionam o que ele diz a eles através de sua palavra escrita e sua organização”."The Godly Qualities of Love and Hate", The Watchtower: 441, 15 July 1974. Tais afirmações levaram à crítica de que se espera que membros da religião coloquem “confiança inabalável” nas predições da Sentinela Raymond Franz, Crisis of Conscience, 2007, page 174. e encarem expulsão caso eles não aceitem seus ensinamentos, mesmo se muitas de suas predições se provaram falsas.Botting, Heather; Gary Botting (1984), The Orwellian World of Jehovah's Witnesses, University of Toronto Press, pp. 60–75, ISBN 0-8020-6545-7

A Sociedade Torre de Vigia rejeita a acusação de ser um falso profeta. Ela diz que suas explicações sobre profecia bíblica não são infalíveis e que suas predições não são explicitamente tidas como “as palavras de Jehovah”.Reasoning From the Scriptures, Watch Tower Bible & Tract Society, 1989, pg 137. Ela afirma que algumas de suas expectativas precisaram de ajustes por causa da ânsia pelo Reino de Deus, mas que esses ajustes não são razão para “colocar em questão todo o corpo de verdade”.The Watchtower, March 15, 1986, page 19 Raymond Franz alegou que a Sociedade Torre de Vigia tenta fugir de sua responsabilidade citando a falibilidade humana como defesa, ao mesmo tempo em que se considera porta-voz de Deus e faz previsões enfáticas. Franz acrescenta que a ânsia da organização pelo retorno não permite que ela não aceite os motivos daqueles que não querem aceitar suas previsões.

Previsões não realizadas

Desde as mais antigas publicações do fundador da Sociedade Torre de Vigia, Charles Taze Russell, em meados da década de 1870, as publicações da sociedade têm afirmado a confiabilidade de suas previsões, com uma linguagem enfática, como “verdade estabelecida”The Time is at Hand, Watch Tower Society, 1889, páginas 98-99, as cited by Raymond Franz,Crisis of Conscience, page 193. e “indisputável”.Watch Tower, November 1, 1922. Cf. também Raymond Franz, Crisis of Conscience, página 228 Previsões feitas em 1892, dizendo que o Armageddon tomaria lugar em Outubro de 1914, afirmando que a data era “definitivamente marcada pelas Escrituras”,The Watchtower, 15 January 1892, página 1355 e o editor da Sentinela Charles Taze Russell declarou: “Nós não vemos razões para mudar as imagens– nem poderíamos mudar se quiséssemos. Elas são, acreditamos, as datas de Deus, não a nossa”.The Watchtower, 15 July 1894, page 1677 Previões acerca do começo do reino de mil anos de Cristo em 1925 foram tidas como “corretas além da dúvida”,Watch Tower, June 15, 1922 “absolutamente e qualificadamente corretas”,Raymond Franz, Crisis of Conscience, página 226 “indisputáveis” e trazendo “a estampa de aprovação pelo Deus Todo-Poderoso”.

As publicações da Sentinela ocasionalmente perceberam que elas “sugeriram datas que acabaram sendo incorretas” como um resultado de sua “ânsia pela segunda vinda de Jesus”, acrescentando que elas nunca haviam alegado que as predições eram “palavras de Jehovah”. As publicações, por vezes, simplesmente esqueceram suas afirmações prévias, afirmando no lugar que os membros haviam “lido na Sentinela afirmações que não eram a intenção”, e que as crenças dos membros eram “baseadas em premissas erradas”. Outras predições falhas são ignoradas completamente. Um livro, O Mistério Terminado (1917), aplicou aos anos 1918-1925 eventos que eram anteriormente situados antes de 1914. Quando algum desses eventos veio novamente a não se mostrar correto, a edição de 1926 do livro alterou a afirmação e removeu as datas.Franz, Raymond (2007), In Search of Christian Freedom, Atlanta: Commentary Press, pp. 18–28,ISBN 0-914675-17-6