O foi um porta-aviões operado pela Marinha Imperial Japonesa. Inicialmente projetado como o segundo cruzador de batalha da Classe Amagi, teve seu batimento de quilha em dezembro de 1920, no Arsenal Naval de Kure. Porém, a fim de cumprir os termos do Tratado Naval de Washington, foi convertido em um porta-aviões ainda durante sua construção. Foi lançado ao mar em abril de 1925 e comissionado na frota japonesa em março de 1927. Era capaz de transportar mais de oitenta aeronaves e contava com uma bateria antiaérea composta por vários canhões de 203, 120 e 25 milímetros. Seu deslocamento carregado era de 42 mil toneladas e velocidade máxima de 31 nós.

Inicialmente construído com um incomum arranjo de três conveses de voo, o Akagi foi o segundo porta-aviões japonês a entrar em serviço. Passou seus primeiros anos de atividade ocupando-se principalmente de exercícios, ajudando a desenvolver as táticas e doutrinas japonesas para combate com embarcações do tipo. Seus conveses de voo foram considerados ineficientes e a embarcação passou por uma reconstrução entre 1935 e 1938, com a remoção de seus dois conveses inferiores, a extensão do convés principal e a adição de uma superestrutura a bombordo, além de outras modificações. O navio apoiou operações na Segunda Guerra Sino-Japonesa depois de retornar ao serviço.

Tornou-se a capitânia da força de porta-aviões japoneses durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. O Akagi participou do Ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941, do ataque contra Rabaul em janeiro de 1942, do Bombardeio de Darwin em fevereiro, da conquista das Índias Orientais Neerlandesas em março, e de um ataque contra forças britânicas operando no Oceano Índico e Ceilão entre março e abril. Em junho, durante a Batalha de Midway, foi seriamente danificado por bombardeiros de mergulho estadunidenses e deliberadamente afundado para não ser capturado. A perda do Akagi e de outros três porta-aviões de grande porte na batalha foi uma enorme derrota estratégica para o Japão.

Características O Akagi, como originalmente construído, tinha 261,31 metros de comprimento de fora a fora, boca de 31 metros e calado de 8,08 metros. Seu deslocamento padrão era de 27,3 mil toneladas e deslocamento carregado de toneladas, 7,1 mil toneladas a menos do que como cruzador de batalha. Sua tripulação era de 1,6 mil oficiais e marinheiros. Seu cinturão de blindagem tinha 152 milímetros de espessura, reduzido em relação aos 254 milímetros e instalado mais baixo no navio do que originalmente projetado. A parte superior da protuberância antitorpedo tinha 102 milímetros. Seu convés também teve a blindagem reduzida de 96 para 79 milímetros. Essas modificações melhoraram a estabilidade da embarcação ao compensar o aumento de peso no topo, oriundo do hangar de dois conveses.

Conveses e hangares thumb|esquerda|240px|O Akagi durante seus testes marítimos próximo de Iyo em 17 de junho de 1927, com seus três conveses de voo visíveis O Akagi e o foram construídos com três conveses de voo, sendo os únicos porta-aviões do mundo com essa configuração. Os britânicos , e , também convertidos de cruzadores de batalha, possuíam dois conveses de voo, porém não há evidências que os japoneses copiaram o projeto. É mais provável que foi um caso de evolução convergente para melhorar o ciclo de lançamento e recuperação de aeronaves. Seu convés principal original tinha 190,2 metros de comprimento e 30,5 metros de largura, o convés do meio começava em frente à ponte de comando e tinha apenas quinze metros, enquanto o terceiro tinha 55,02 metros. A utilidade do convés do meio era questionável, pois, por ser tão curto, apenas aeronaves pequenas conseguiam utilizá-lo, mesmo durante uma época que os aviões eram menores e mais leves do que seriam na Segunda Guerra Mundial. O convés principal inclinava-se levemente em direção à proa e à popa para ajudar nos pousos e decolagens, pois as aeronaves época eram de pequena potência.

A embarcação contava com dois hangares principais e um auxiliar, o que permitia o transporte de sessenta aviões. O último hangar era utilizado apenas para guardar aeronaves desmontadas. Os dois hangares principais se abriam para os conveses de voo do meio e inferior, a fim de permitir decolagens diretas, enquanto o pouso ocorria apenas no convés principal acima. Os dois hangares principais totalizavam metros quadrados de espaço, e o hangar auxiliar 791,1 metros quadrados. Não haviam catapultas. Seu elevador de aeronaves dianteiro estava descentralizado para bombordo e tinha 11,8 por 13 metros. O elevador traseiro era centralizado e tinha 12,8 por 8,4 metros. Este último servia o convés superior e os três hangares. O navio usava um equipamento de detenção para ajudar as aeronaves a pousar, o mesmo sistema longitudinal que os britânicos usaram no Furious, baseado na fricção entre o gancho de detenção e os cabos, que era insatisfatório. Os japoneses conheciam essas falhas, pois já o haviam utilizado no , seu primeiro porta-aviões, porém não contavam com alternativas quando o Akagi entrou em serviço. Ele foi substituído em 1931 por um projeto japonês de cabos transversais de seis fios, este por sua vez sendo substituído em 1935 por uma versão mais moderna. O navio não tinha superestrutura, sendo comandado a partir de um espaço embaixo da extremidade dianteira do convés principal. A embarcação podia carregar 570 mil litros de combustível para aviação.

Armamentos thumb|180px|Um dos canhões de 120 milímetros do Akagi em 1941 O Akagi era armado com dez canhões Tipo 3º Ano, calibre 50, de 203 milímetros, seis montados em casamatas nas laterais e outras quatro em duas torres de artilharia duplas em cada lado do convés de voo do meio. Eles disparavam projéteis de 110 quilogramas, com uma cadência de tiro de três a seis disparos por minuto, a uma velocidade de saída de 870 metros por segundo. A uma elevação de 25 graus, seu alcance máximo era entre 22,6 e 24 quilômetros. As torres nominalmente tinham uma elevação máxima de setenta graus, com o objetivo de proporcionar uma defesa antiaérea adicional, porém na prática sua elevação máxima era de 55 graus. A baixa cadência de tiro e a necessidade de abaixar as armas até cinco graus para serem recarregadas as inutilizava de qualquer real capacidade antiaérea. Esse armamento pesado foi instalado para o caso do porta-aviões ser surpreendido por cruzadores inimigos e forçado a entrar em batalha. O grande convés de voo, hangares e superestrutura faziam do Akagi um alvo muito mais atraente em qualquer confronto de superfície. As doutrinas quanto à utilização de porta-aviões se encontravam em evolução e ainda não se tinha percebido a impraticabilidade de navios desse tipo entrarem em duelos de artilharia.

A bateria antiaérea era formada por doze canhões Tipo 10º Ano, calibre 45, de 127 milímetros, em seis montagens duplas, três em cada lateral abaixo do nível das chaminés, de onde não conseguiam atirar através do convés de voo. Eles disparavam projéteis de 20,3 quilogramas a uma velocidade de saída de 825 a 830 metros por segundo. Com elevação de 45 graus, o alcance era de dezesseis quilômetros, enquanto a 75 graus, a altura máxima de disparo era dez quilômetros. Sua cadência de tiro efetiva alcançava de seis a oito disparos por minuto.

Propulsão No Hōshō, a fumaça de exaustão das máquinas era despejada por três chaminés móveis que representavam um perigo para o navio, com testes em túneis de vento não tendo produzido qualquer solução. O Akagi e o Kaga foram equipados com diferentes opções de sistemas de exaustão para que eles fossem avaliados em condições reais de serviço. O Akagi recebeu duas chaminés a estibordo. A maior era a dianteira, que era angulada em trinta graus na horizontal para baixo com sua boca em direção do mar, enquanto a segunda era menor e vertical que despejava fumaça na extremidade do convés de voo. A chaminé dianteira tinha um sistema de refrigeração por água a fim de reduzir a turbulência causada pela passagem dos gases quentes, além de uma cobertura que podia ser aberta para que a fumaça pudesse sair caso o navio estivesse adernando seriamente e a boca da chaminé tocasse o mar. O Kaga adotou uma versão da configuração do Akagi quando foi modernizado em meados da década de 1930.

O Akagi foi finalizado com quatro conjuntos de turbinas a vapor Gihon, cada uma girando uma hélice e produzindo um total de 133,2 mil cavalos-vapor (98 mil quilowatts) de potência. O vapor para essa turbinas provinha de dezenove caldeiras Kampon Tipo B, que trabalhavam à uma pressão de vinte quilogramas por centímetro quadrado (284 psi). Algumas caldeiras queimavam óleo combustível e outras queimavam uma mistura de óleo e carvão. Era esperado que como cruzador de batalha o navio alcançasse uma velocidade máxima de trinta nós (56 quilômetros por hora), porém a redução do deslocamento permitiu que sua velocidade máxima chegasse a 32,5 nós (60,2 quilômetros por hora), que foi alcançada durante seus testes marítimos em 17 de junho de 1927. O Akagi podia transportar até quatro mil toneladas de óleo combustível e 2,1 mil toneladas de carvão, o que permitia uma autonomia de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de catorze nós (26 quilômetros por hora).

História Construção

thumb|esquerda|230px|O Akagi em Kure pouco depois de seu lançamento em abril de 192 O batimento de quilha do Akagi ocorreu em 6 de dezembro de 1920, no Arsenal Naval de Kure, originalmente como o segundo cruzador de batalha da Classe Amagi. Entretanto, a construção foi paralisada quando o Japão assinou o Tratado Naval de Washington, em 6 de fevereiro de 1922, que impunha restrições na construção de couraçados e cruzadores de batalha, porém autorizou a conversão de dois cascos em porta-aviões com deslocamento de até 34 mil toneladas. A Marinha Imperial Japonesa decidiu depois do lançamento do Hōshō, seu primeiro porta-aviões, que iria construir dois porta-aviões maiores e mais rápidos para operações com as principais unidades de sua frota. Dessa forma, os incompletos Amagi e Akagi foram selecionados para o programa de construção naval de 1924 para conversão. O orçamento original para completar o Akagi como cruzador de batalha era de 24,7 milhões de ienes, dos quais aproximadamente oito milhões já tinham sido gastos. A Dieta Nacional aprovou o suplemento de noventa milhões de ienes para finalizar o Amagi e o Akagi e a conversão em porta-aviões. Seus canhões foram entregues ao Exército Imperial Japonês; alguns foram usadas como artilharia costeira, enquanto outros foram colocados na reserva e desmontados em 1943.

A conversão do Akagi como porta-aviões iniciou-se em 19 de novembro de 1923. O casco do Amagi tinha sofrido enormes danos e estresses estruturais em 1º de setembro durante o Grande Sismo de Kantō, além do que seria economicamente viável de ser consertado, assim sua conversão foi cancelada e seu casco desmontado como sucata. O Kaga, originalmente um couraçado da Classe Tosa, que também foi cancelado pelos termos do Tratado Naval de Washington, foi encomendado como porta-aviões em seu lugar. O Akagi, o único restante de sua classe, foi lançado ao mar já como porta-aviões em 22 de abril de 1925 e comissionado na frota japonesa em 25 de março de 1927, porém seus testes marítimos continuaram até novembro. Foi o segundo porta-aviões japonês a entrar em serviço, depois do Hōshō e seguido pelo Kaga.