O SMS Scharnhorst foi um cruzador blindado operado pela Marinha Imperial Alemã e a primeira embarcação da Classe Scharnhorst, seguido pelo . Sua construção começou em março de 1905 nos estaleiros da Blohm & Voss e foi lançado ao mar em março de 1906, sendo comissionado em outubro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 210 milímetros montados em torres de artilharia duplas e casamatas, tinha um deslocamento carregado de quase treze mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 22 nós.

O Scharnhorst brevemente serviu na Alemanha como parte da Frota de Alto-Mar, porém passou a maior parte desse tempo realizando testes marítimos. Foi transferido para a China em 1909 com o objetivo de integrar a Esquadra da Ásia Oriental, substituindo o como a capitânia da formação, com o vice-almirante Maximilian von Spee assumindo o comando da esquadra em 1912. Ele manteve esta posição pelo resto de sua carreira. Pelos cinco anos seguintes a embarcação teve um serviço tranquilo que envolveu principalmente viagens para portos estrangeiros.

A Primeira Guerra Mundial começou em agosto de 1914 e a Esquadra da Ásia Oriental atravessou o Oceano Pacífico até o litoral da América do Sul, derrotando uma esquadra britânica no início de novembro na Batalha de Coronel. Esta derrota fez o Almirantado Britânico destacar dois cruzadores de batalha para caçar e destruir a Esquadra do Sudeste Asiático, o que foi realizado no começo do mês seguinte durante a Batalha das Malvinas. Nesta, o Scharnhorst foi afundado depois de ser alvejado várias vezes pelo e . Todos os tripulantes morreram no naufrágio.

Características

thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Scharnhorst Os cruzadores blindados da Classe Scharnhorst foram encomendados como parte de um programa de construção estabelecido pela Segunda Lei Naval de 1900, que previa uma força de catorze cruzadores blindados. Eles marcaram um grande aumento de poder de combate em relação à predecessora Classe Roon, sendo mais bem armados e protegidos. Estes melhoramentos permitiam que lutassem na linha de batalha caso fosse necessário, uma capacidade pedida pelo Departamento Geral da Marinha Imperial Alemã.

O Scharnhorst tinha 144,6 metros de comprimento de fora a fora, boca de 21,6 metros e calado de 8,37 metros. Seu deslocamento normal era de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha dezoito caldeiras de tubos d'água que alimentavam três motores de tripla-expansão. Tinha uma potência indicada de 26 mil cavalos-vapor (19,1 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 22,5 nós (42 quilômetros por hora). Tinha uma autonomia de 4,8 mil milhas náuticas (8,9 mil quilômetros) a catorze nós (26 quilômetros por hora). Sua tripulação consistia em 52 oficiais e 788 marinheiros; destes, catorze oficiais e 62 marinheiros eram membros do estado-maior do comandante da esquadra e eram um a mais em relação à tripulação padrão.

O armamento principal era formada por oito canhões calibre 40 de 210 milímetros, quatro montados em duas torres de artilharia duplas, uma à vante e outra à ré da superestrutura na linha central, enquanto os outros quatro ficavam em casamatas únicas. O armamento secundário incluía seis canhões calibre 40 de 149 milímetros, também em casamatas individuais que ficavam localizadas um convés abaixo das casamatas da bateria principal. A bateria contra barcos torpedeiros tinha dezoito canhões calibre 35 de 88 milímetros montados em casamatas. Também foi equipado com quatro tubos de torpedo submersos de 450 milímetros: um na proa, um em cada lateral e o último na popa.

O cinturão principal era feito de aço Krupp e tinha 150 milímetros de espessura na cidadela blindada, reduzindo-se para oitenta milímetros à vante e ré. Tinha um convés blindado de 35 a sessenta milímetros, com a blindagem mais espessa protegendo as salas de máquinas e depósitos de munição. As torres de artilharia tinham laterais de 170 milímetros, enquanto as casamatas da bateria principal tinham 150 milímetros. As casamatas da bateria secundária eram protegidas por uma camada de 130 milímetros.

Carreira thumb|240px|O Scharnhorst c. 1908, provavelmente durante seus testes marítimos O Scharnhorst foi nomeado em homenagem ao tenente-general Gerhard von Scharnhorst, um militar prussiano das Guerras Napoleônicas. Seu batimento de quilha ocorreu em 22 de março de 1905 nos estaleiros da Blohm & Voss em Hamburgo, recebendo o número de construção 175. Foi lançado ao mar em 23 de março de 1906, sendo batizado pelo general-marechal de campo Gottlieb von Haeseler. Foi comissionado na frota um ano e meio depois em 24 de outubro de 1907. Iniciou seus testes marítimos com testes de velocidade que excederam sua velocidade máxima de projeto em um nó, alcançando 23,5 nós (43,5 quilômetros por hora).

Seus testes foram interrompidos entre 6 a 11 de novembro por uma viagem a Flessingue nos Países Baixos e Portsmouth no Reino Unido na companhia do cruzador rápido e do iate , com o imperador Guilherme II a bordo deste último. O Scharnhorst encalhou próximo do Farol Bülk em 14 de janeiro de 1908 e sofreu sérios danos na parte submersa do casco. Seus reparos ocorreram na Blohm & Voss e duraram até 22 de fevereiro. Em seguida retomou seus testes marítimos, que continuaram até o final de abril. Substituiu o cruzador blindado como a capitânia das forças de reconhecimento da Frota de Alto-Mar em 1º de maio, estando sob o comando do contra-almirante August von Heeringen. Pelo restante do ano participou da rotina normal de exercícios de treinamento e manobras de frota.

Esquadra da Ásia Oriental Primeiros anos thumb|240px|esquerda|O Scharnhorst c. 1909 O Scharnhorst foi designado em 11 de março de 1909 para a Esquadra da Ásia Oriental, sendo substituído pelo Yorck como capitânia das forças de reconhecimento. Preparações foram realizadas para a viagem e o navio partiu em 1º de abril. A bordo estava o contra-almirante Friedrich von Ingenohl, que assumiria o comando da Esquadra Ásia Oriental assim que chegasse. Se encontrou em 29 de abril com o cruzador blindado , a capitânia da esquadra, em Colombo no Ceilão. O Scharnhorst assumiu a função de capitânia no local. A formação na época consistia nos cruzadores rápidos e SMS Arcona, mais várias canhoneiras e barcos torpedeiros. Fez um cruzeiro pelo Mar Amarelo entre julho e agosto, passando por vários portos na área. Passou as festividades de natal e ano novo entre dezembro e início de janeiro de 1910 em Hong Kong na companhia do Leipzig e da canhoneira SMS Luchs.

Os três navios fizeram uma viagem por portos do Sudeste Asiático em janeiro, incluindo Bancoque no Sião e Manila nas Filipinas, mais paradas na Sumatra e Bornéu do Norte. O Scharnhorst e o Leipzig voltaram em 22 de março para o porto alemão de Tsingtao, na China. Neste meio-tempo o Arcona deixou a Esquadra da Ásia Oriental em fevereiro, com seu substituto o cruzador rápido chegando em 9 de abril. Ingenohl, nesta altura promovido a vice-almirante, partiu em 6 de junho e foi substituído pelo contra-almirante Erich Gühler. Este levou o Scharnhorst e Nürnberg a partir de 20 de junho em uma viagem pelas colônias alemãs no Oceano Pacífico. Paradas incluíram as Ilhas Marianas, Truk e Apia na Samoa. Neste última parada se encontraram com os cruzadores desprotegidos SMS Cormoran e SMS Condor. O cruzador rápido também chegou no local em 22 de julho com o objetivo de fortalecer a esquadra ainda mais.

O Scharnhorst venceu em 1910 o Prêmio de Tiro entregue pelo Imperador por excelência em artilharia na Esquadra da Ásia Oriental. Ele e os outros navios da força fizeram uma viagem para Hong Kong e Nanquim na China em 25 de novembro, mas um surto de tifo infectou tripulantes enquanto estavam em Hong Kong. Gühler foi um daqueles que contraiu a doença e acabou morrendo dela em 21 de janeiro de 1911. Neste meio tempo, agitação civil começou em Ponape na Nova Guiné Alemã e necessitou da presença do Emden e Nürnberg. O Scharnhorst, por sua vez, foi para o Sudeste Asiático, visitando Saigon na Indochina Francesa, Singapura nos Estabelecimentos dos Estreitos e Batávia nas Índias Orientais Neerlandesas. Em seguida voltou para Qingdao em 1º de março, passando no caminho por Hong Kong e Amoy. O contra-almirante Günther von Krosigk estava esperando neste último para assumir o comando da esquadra. Esta foi reforçada duas semanas depois em 14 de março pela chegada do cruzador blindado , o irmão do Scharnhorst.

O Scharnhorst fez um cruzeiro pelo Japão com Krosigk a bordo entre 30 de março e 12 de maio. Depois disso no início de julho foi para a região norte dos protetorados alemães da região; a tensões na Europa estavam altas nessa época por causa da Crise de Agadir. Krosigk tentou manter a situação calma na região e levou sua capitânia para uma viagem por portos do Mar Amarelo. O cruzador voltou para Qingdao em 15 de setembro e foi para uma doca seca a fim de passar por sua manutenção anual, com Krosigk temporariamente transferindo sua capitânia para o Gneisenau. A Revolução Xinhai começou na China em 10 de outubro, causando grande tensão entre os europeus, que se recordaram de ataques contra estrangeiros durante o Levante dos Boxers entre 1900 e 1901. A Esquadra da Ásia Oriental foi colocada em alerta para proteger os interesses alemães, enquanto tropas adicionais foram enviadas para proteger o consulado alemão. Não ocorreram ataques contra europeus e assim a Esquadra da Ásia Oriental não foi necessária.

Pré-guerra thumb|esquerda|180px|Maximilian von Spee, que assumiu o comando da Esquadra da Ásia Oriental em 1912 e utilizou o Scharnhorst como sua capitânia O Scharnhorst voltou no final de novembro e retomou a função de capitânia. Viajou para Xangai via Tianjin e Yantai, chegando em 12 de dezembro. O cruzador fez viagens por portos da China entre 14 e 24 de janeiro de 1912, retornando para Qingdao em 3 de março, onde o resto da esquadra estava reunido. Os navios iniciaram em 13 de abril um cruzeiro pelo Japão, retornando para Qingdao em 13 de maio. O Scharnhorst fez outra viagem pelo Japão de 17 de julho a 4 de setembro e durante este período também visitou Vladivostok na Rússia e portos no Mar Amarelo.

O imperador Meiji do Japão morreu em 30 de julho. O príncipe Henrique, irmão de Guilherme II, foi para o funeral de Meiji e entronamento de seu sucessor Taishō a bordo do Leipzig, este escoltado pelo Scharnhorst. As embarcações permaneceram no Japão de 5 a 26 de setembro. Voltaram para Qingdao e Henrique fez uma inspeção de toda a esquadra. Krosigk foi substituído no comando da formação em 4 de dezembro pelo contra-almirante Maximilian von Spee. Este levou o Scharnhorst e o Gneisenau para uma viagem pelo sudoeste do Pacífico em 27 de dezembro, incluindo paradas em Amoy, Singapura e Batávia. Os dois cruzadores voltaram para Qingdao em 2 de março de 1913. O Scharnhorst foi com Spee para o Japão de 1º de abril a 7 de maio a fim de encontro com Taishō. Inicio em 22 de junho uma viagem pelas colônias alemãs do Pacífico. O navio parou nas Marianas, nas Ilhas do Almirantado, Ilhas Hermit, Rabaul na Nova Pomerânia e Friedrich-Wilhelmshafen na Nova Guiné Alemã.