A Serra do Moradal (frequentemente grafada como Serra do Muradal) é uma elevação de Portugal Continental, possuindo uma altitude máxima de 915 metros no topo do Vilar.Câmara Municipal de Oleiros. "Serra do Moradal e Geopark Naturtejo". VisitOleiros, 2024. Consultado em 22 de setembro de 2026.
Inserida no Maciço Antigo da Península Ibérica, a serra constitui uma das estruturas mais marcantes do Geoparque Naturtejo, um geoparque mundial da UNESCO.Geopark Naturtejo. "Geossítios do Concelho de Oleiros - Serra do Muradal". Naturtejo, EIM, 2022. Consultado em 22 de setembro de 2026.
Localização e Geografia A Serra do Moradal situa-se na antiga província da Beira Baixa, no distrito de Castelo Branco. Estende-se por cerca de 15 quilómetros de comprimento, embora o seu alinhamento tectónico total atinja cerca de 32 quilómetros até ao Rio Ceira.
O seu território abrange maioritariamente o concelho de Oleiros, distribuindo-se pelas freguesias de: Estreito-Vilar Barroco Orvalho Sarnadas de S. Simão Cambas
Geologia Geologicamente, a Serra do Moradal é caracterizada como uma monumental "muralha quartzítica". A sua formação remonta ao período Ordovícico Inferior (há cerca de 480 milhões de anos), quando a região correspondia ao fundo de um oceano ancestral de águas pouco profundas.Neto, J. et al. (2018). "O Ordovícico na Cordilheira Central: A crista quartzítica do Muradal". Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).
Devido à elevada dureza dos metaquartzitos e à erosão diferencial das rochas envolventes (compostas por xistos e grauvaques do Grupo das Beiras), a serra destaca-se fortemente na paisagem. Nos seus afloramentos rochosos são visíveis estruturas sedimentares antigas, tais como marcas de ondulação (ripple marks) e diversos icnofósseis (pistas de atividade de seres vivos pré-históricos).
Geossítios de Relevo Cascata da Fraga de Água d'Alta: Uma queda de água com cerca de 50 metros de desnível, situada na Falha de Orvalho. Corte Geológico da Malhada Velha: Um local de elevado interesse didático onde se observam dobras e falhas tectónicas na rocha quartzítica.
Arqueologia e História A crista da serra desempenhou um papel crucial enquanto barreira natural ao longo da história humana. O património arqueológico divide-se em duas grandes épocas:
Pré-história O topo das cumeadas esconde vestígios da ocupação humana desde o Neolítico e Idade do Bronze. Existem registos de monumentos funerários megalíticos (mamoas) e estações com arte rupestre, onde se encontram gravuras picotadas em superfícies de xisto.
Património Militar A serra integra a Linha Defensiva das Talhadas-Muradal, um complexo de fortificações de campanha construído para travar invasões militares. Destacam-se as trincheiras e redutos de pedra solta utilizados durante:Batata, C. (2006). "Carta Arqueológica do Concelho de Oleiros". Associação de Estudos do Alto Tejo. A Guerra Fantástica (1762), no contexto da Guerra dos Sete Anos. As Invasões Francesas (Início do século XIX), servindo de barreira contra as forças napoleónicas.
Fauna e Flora A biodiversidade da serra divide-se consoante a exposição solar e a humidade dos vales.
Flora Nas zonas de cumeada quartzítica, onde o solo é escasso, a vegetação é rasteira e dominada por matagal mediterrânico, com forte presença de: Tojo (Stauracanthus) Urze (Erica) Esteva (Cistus ladanifer) Alecrim e Rosmaninho (Lavandula stoechas)
Nas encostas e vales mais abrigados e húmidos (com destaque para a área protegida da Fraga de Água d'Alta), subsistem relíquias da floresta laurissilva continental, destacando-se o Azereiro (Prunus lusitanica) e o Folhado (Viburnum tinus).Agência Portuguesa do Ambiente (APA). "Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo: Ecossistemas da Beira Baixa". 2021.
Fauna A avifauna é rica, servindo as escarpas quartzíticas de local de nidificação para várias espécies de aves de rapina. Os ecossistemas ribeirinhos que nascem na serra albergam uma população estável de anfíbios e mamíferos semi-aquáticos, como a lontra (Lutra lutra).
Galeria de imagens
Turismo e Desporto A Serra do Moradal é muito procurada para o turismo de natureza. É atravessada pela Rota da Água d'Alta (PR3-OLR) e integra formalmente a secção portuguesa do Trilho Internacional dos Apalaches (IAT-Portugal), um dos maiores trilhos pedestres contínuos do mundo.IAT Portugal. "O Trilho dos Apalaches na Muralha do Muradal". IAT-Portugal Association, 2025. Consultado em 22 de setembro de 2026.
Ligações externas Geopark Naturtejo da Meseta Meridional Município de Oleiros Serra de Alvelos
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