James Bond é o protagonista ficcional de uma série de romances e contos, publicados pela primeira vez em 1953. Bond, frequentemente chamado pelo seu codinome, 007, é um agente do Serviço Secreto Britânico; o personagem foi criado pelo autor e escritor Ian Fleming, aparecendo pela primeira vez em seu romance Casino Royale; os livros se passam em um período contemporâneo, entre maio de 1951 e fevereiro de 1964. Fleming escreveu um total de doze romances e duas coleções de contos, todos escritos em sua propriedade Goldeneye na Jamaica e publicados anualmente. Seus dois últimos livros foram publicados postumamente.
Desde a morte de Fleming, vários autores continuaram a escrever histórias com o personagem. Algumas foram romantizações de filmes da série cinematográfica de Bond, produzidos pela EON Productions, enquanto outros foram romances e contos originais. O primeiro autor foi Kingsley Amis, escrevendo sob o pseudônimo "Robert Markham", que produziu um romance; foi seguido por Christopher Wood que escreveu duas romantizações no final da década de 1970. O escritor John Gardner recebeu um pedido da Ian Fleming Publications, dona dos direitos dos livros, para continuar a série e, entre 1981 e 1996, escreveu quatorze romances e duas romantizações. Depois de se aposentar por motivos de saúde, o autor norte-americano Raymond Benson continuou as histórias e escreveu seis romances, três romantizações e três contos entre 1996 e 2002.
Depois de um hiato de seis anos, Sebastian Faulks recebeu um pedido para escrever um novo romance de Bond, que foi lançado em , o centenário do nascimento de Fleming. Ele foi seguido por Jeffery Deaver que publicou um novo romance em 2011 e por William Boyd em 2013.. Também há uma série spin-off, Young Bond, baseada nas aventuras do personagem enquanto ainda estudava no Eton College, escritos por Charlie Higson.
Ian Fleming thumb|left|145px|Ian Fleming. Durante a Segunda Guerra Mundial, Ian Fleming mencionou com seus amigos que ele gostaria de escrever um romance de espionagem, porém foi apenas em que ele começou a escrever sua primeira obra, Casino Royale. Ele começou a escrever o livro em sua propriedade na Jamaica, Goldeneye, escrevendo 2.000 palavras pela manhã, diretamente a partir de suas experiências e imaginação; ele terminou o trabalho em pouco mais de um mês, em . A editora Jonathan Cape inicialmente estava relutante em publicar o livro, porém foram persuadidos pelo irmão de Fleming, Peter, que já havia publicado obras com eles. Em , Casino Royale foi publicado no Reino Unido em uma edição de capa dura, com uma ilustração de capa criada pelo próprio Fleming. A primeira edição de 4.728 cópias foi vendida em menos de um mês; uma segunda edição foi publicada no mesmo mês e também se esgotou, como também a terceira edição de 8.000 cópias publicada em maio de 1954. Na época, Fleming era o Gerente de Relações Exteriores do Kemsley Newspapers, uma organização que era dona do The Sunday Times. Ao aceitar o trabalho, Fleming pediu para receber três meses de férias por ano, o que lhe daria liberdade para escrever.
O romance é centrado nas façanhas de James Bond, um oficial de inteligência da seção 00 do Serviço Secreto de Inteligência, comumente chamado de MI6. Bond também é conhecido por seu codinome, 007, sendo um Comandante da Reserva Naval Real. Fleming tirou o nome do personagem do ornitólogo norte-americano James Bond, um especialista em pássaros caribenhos e autor do guia de campo definitivo Birds of the West Indies. Fleming baseou sua criação em pessoas que ele conheceu na época em que trabalhou na Divisão de Inteligência Naval, admitindo que Bond "era uma combinação de todos os agentes secretos e pessoas que eu conheci durante a guerra". Depois da publicação de Casino Royale, Fleming usou suas férias anuais na sua casa jamaicana para escrever outras histórias de Bond; no total, entre 1953 e 1966, dois anos após sua morte, doze romances de Bond e duas coleções de contos foram publicadas, com os últimos dois livros – The Man with the Golden Gun e Octopussy and The Living Daylights – sendo publicados postumamente.
Livros # Título Autor Editora Data de publicação Páginas
Contos Em 1958, a CBS pediu para Fleming escrever episódios para uma série de televisão baseada no personagem de James Bond. Esse acordo ocorreu depois do sucesso da adaptação de 1954 de Casino Royale como um episódio da série de televisão Climax!. Fleming concordou, e começou a escrever histórias para a série; entretanto, a CBS mais tarde abandonou essa ideia. Em janeiro e fevereiro de 1959, Fleming adaptou quatro enredos da série em contos e adicionou um quinto que ele havia escrito no ano anterior. As histórias originalmente receberam o título de The Rough with the Smooth, mas isso foi alterado para For Your Eyes Only para publicação, que incluia o subtítulo Five Secret Occasions in the Life of James Bond.
Após sua morte, uma segunda coleção com dois contos foi lançada, Octopussy and The Living Daylights. Quando a edição em brochura do livro foi publicada, "The Property of a Lady" também foi incluído e, em 2002, "007 in New York" foi adicionado pela editora Penguin Books.
+ Contos de James Bond Conto Primeira publicação "Quantum of Solace" Modern Woman's Magazine, novembro de 1959 "The Hildebrandy Rarity" Playboy, março de 1960 "From a View to a Kill" For Your Eyes Only, 11 de abril de 1960 "For Your Eyes Only" "Risico" "The Living Daylights" The Sunday Times, 4 de fevereiro de 1962 "007 in New York" New York Herald Tribune, outubro de 1963 "The Property of a Lady" The Ivory Hammer, novembro de 1963 "Octopussy" Postumamente serializado na Playboy, março e abril de 1966
Cronologia ficcional O estudioso John Griswold construiu uma "cronologia bem detalhada da vida de James Bond", baseada na lógica dos eventos contados e o período de tempo referido nos livros. Essa cronologia difere da ordem de publicação. Griswold também deliberadamente desconsidera a significância cronológica de eventos históricos verdadeiros mencionados nos livros e nos contos, argumentando que Fleming fez tais referências para efeito narrativo sem sincronizá-las com precição à sua ficção. O estudioso de Bond, Henry Chancellor, também trabalhou em uma cronologia de Bond, que em sua maior parte concorda com a de Griswold, apesar de haver diferenças. Chancellor observeu que "Fleming sempre foi vago acerca de datas", apesar dos romances supostamente se passarem na ordem de publicação.
+ Cronologias de Bond Romance/Conto Cronologia de Griswold Cronologia de Chancellor Casino Royale maio a julho de 1951, ou maio a julho de 1952 1951 Live and Let Die janeiro a fevereiro de 1952 1952 Moonraker maio de 1953 1953 Diamonds Are Forever julho a 1 de agosto de 1953 1954 From Russia, with Love junho a agosto de 1954 1955 Dr. No fevereiro a março de 1956 1956 Goldfinger abril a junho de 1957 1957 "Risico" outubro de 1957 outubro de 1957 "Quantum of Solace" fevereiro de 1958 outubro de 1957 "The Hildebrand Rarity" abril de 1958 abril de 1958 "From a View to a Kill" maio de 1958 maio de 1958 "For Your Eyes Only" setembro a outubro de 1958 outubro de 1958 Thunderball maio a junho de 1959 1959 "Octopussy" junho de 1960 1960 "The Living Daylights" setembro a outubro de 1960 outubro de 1959 "The Property of a Lady" junho de 1961 junho de 1961 Capítulos 1–5 de On Her Majesty's Secret Service setembro de 1961 1961 "007 in New York" final de setembro de 1961 1961 Capítulos 10–15 de The Spy Who Loved Me outubro de 1961 1960 Capítulos 6–20 de On Her Majesty's Secret Service novembro de 1961 a 1 de janeiro de 1962 1961 a 1 de janeiro de 1962 You Only Live Twice agosto de 1962 a abril de 1963 1962–1963 The Man with the Golden Gun novembro de 1963 a fevereiro de 1964 1963
Romances pós-Fleming 1968–1979 Após a morte de Fleming em 1964, a Glidrose Productions (atual Ian Fleming Publications), editores dos romances de Bond, pediram para o autor James Leasor escrever um romance com o personagem, mas ele disse não. A Glidrose então pediu para Kingsley Amis, que, com o psudônimo "Robert Markham", escreveu Colonel Sun, publicado em .
Em 1977, o filme The Spy Who Loved Me da EON Productions foi lançado e, por diferenças radicais entre o filme a o romance original, a Glidrose autorizou uma romantização, James Bond, The Spy Who Loved Me. O filme Moonraker de 1979 também foi produzido na forma de romance, como James Bond and Moonraker; ambos foram escritos pelo roteirista Christopher Wood.
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1979–1996: John Gardner Na década de 1980, a série de Bond recebeu novos romances escritos por John Gardner, que inicialmente quase recusou a oportunidade. Entre 1981 e 1996, Gardner escreveu um total de dezesseis livros de Bond; dois deles – Licence to Kill e GoldenEye – eram romantizações dos filmes homônimos produzidos pela EON Productions. O autor afirmou que desejava "trazer o Sr. Bond para os anos 1980", embora ele manteve as idades dos personagens como eram quando Fleming morreu. Apesar de ter mantido as idades, Gardner colocou cabelos grisalhos no personagem para indicar a passagem de tempo. Em 1996, Gardner se aposentou dos livros de Bond por problemas de saúde. James Harker, escrevendo para o The Guardian, considerou que os livros de Gardner eram "prejudicados por bobagens", citando como exemplo Scorpius, onde muita da ação se passa na pequena cidade de Chippenham, e Win, Lose or Die, onde "Bond fica amiguinho de uma pouco convincente Margaret Thatcher".
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1996–2002: Raymond Benson Em 1996, o norte-americano Raymond Benson se tornou o autor dos romances de Bond. Benson hava anteriormente escrito The James Bond Bedside Companion, publicado pela primeira vez em 1984. Quando ele deixou a série em 2002 para trabalhar em outros projetos não relacionados a Bond, Benson havia escrito seis romances, três romantizações e três contos. Benson manteve o padrão de Gardner de colocar Bond em um período contemporâneo, agora a década de 1990, e, de acordo com o acadêmico Jeremy Black, também tinha um estilo mais parecido com o de Fleming do que seu predecessor. Benson também fez Bond voltar a usar uma Walther PPK, lhe deu um Jaguar XK8 e o fez xingar mais, que levou Black a salientar um aumento no nível de crueza que não existia nas obras de Fleming e Gardner. Mesmo assim, comentando para o The Australian, Peter JansonSmith, antigo agente literário de Fleming, percebeu que Benson "tem o toque de Fleming ... é o mais próximo de Fleming que eu já vi". O Peterborough Evening Telegraph concordou, afirmando que o 007 de Benson, ao manter-se próximo do de Fleming, "é mais implacável [e] com hábitos ruins". O Sunday Mercury em 1999 escreveu, "Benson deixou Bond menos chamativo, concentrando-se na ação ao invés dos aparelhos. O resultado é uma leitura fácil o bastante para qualquer fã de Bond que gosta de armas (Walthers, é claro) e lindas mulheres".
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2003–2013 thumb|150px|right|Sebastian Faulks, autor de Devil May Care. Depois que Benson deixou a série, a Glidrose pediu duas vezes para Lee Child escrever um romance de James Bond, porém ele recusou as ofertas. A Ian Fleming Publications então pediu para Sebastian Faulks escrever um romance, que foi lançado em , centenário do nascimento de Fleming. O livro – intitulado Devil May Care – foi publicado no Reino Unido pela Penguin Books e nos EUA pela Doubleday. Faulks ignorou a cronologia estabelecida por Gardner e Benson, usando apenas a de Fleming e Amis, colocando seu romance na década de 1960; ele também conseguiu usar vários elementos culturais da década no livro. Faulks permaneceu fiel ao personagem original de Bond e sua história, criando um "herói ao estilo Fleming" que dirigia um Bentley 1967 T-series cinza.