Angra é uma banda brasileira de power metal e metal progressivo formada na cidade de São Paulo em 1991, pelo vocalista, tecladista e multi-instrumentista Andre Matos e os guitarristas Rafael Bittencourt e André Linhares.

O grupo se conheceu na Faculdade Santa Marcelina, onde cursavam composição e regência.Andre Matos havia feito parte do Viper (entre 1985 e 1990) e Rafael Bittencourt fazia parte da banda Spitfire. Após a formação inicial da banda, entraram os músicos Luis Mariutti (baixo) e Marco Antunes (bateria), André Linhares cedeu lugar a André Hernandes, e posteriormente a Kiko Loureiro.

O guitarrista Rafael Bittencourt se tornou o único integrante a tocar em todos os álbuns da banda como membro fixo. Em agosto de 2025, a banda anunciou que entraria em hiato por tempo indeterminado.

A banda anunciou uma reunião da formação "Nova Era" no festival Bangers Opens Air de 2026, com participações especiais de Edu Falaschi, Kiko Loureiro e Aquiles Priester, ex-membros da banda. https://acessomusic.com.br/2025/11/30/angra-fara-reuniao-historica-e-exclusiva-no-bangers-open-air-2026/ Em novembro do mesmo ano, Fabio Lione anunciou que deixaria a banda após seu último show no festival. A banda vendeu milhões de cópias ao longo de sua carreira. https://whiplash.net/materias/cds/374477-angra.html

No dia 23 de março de 2026, a banda anunciou seu retorno do hiato em uma turnê dedicada aos 30 anos do álbum Holy Land no segundo semestre do ano.

História

1991–94: O início e Angels Cry A banda Angra foi formada por Rafael Bittencourt e Andre Matos com a proposta criada em 1990 de fundir a agressividade do heavy metal, os ritmos étnicos brasileiros e a sofisticação da música erudita. O nome vem de Angra, suposta deusa do fogo na mitologia tupi-guarani (uma invenção moderna, contudo, não existindo registros dela nas cosmologias indígenas reais), além de significar uma pequena enseada ou baía usada como porto natural (como em Angra dos Reis). Além disso, também foi escolhido por se parecer com o adjetivo angry, que, em inglês, significa "raivoso".

Na época, Andre Matos foi quem trouxe os contatos com o empresário Antônio Pirani, então proprietário da revista Rock Brigade e do selo Rock Brigade Records, por volta de 1991 no auge do estilo power metal. Rafael, que estava retornando dos Estados Unidos, resolveu montar uma super banda com músicos conhecidos na Faculdade Santa Marcelina como o vocalista Andre Matos. Os músicos André Linhares (guitarra), Luis Mariutti (baixo), e Marco Antunes (bateria) completaram a banda, mas após algum tempo André Linhares deixou a banda e André Hernandes o substituiu. Pouco depois, Kiko Loureiro assumiu o lugar de André Hernandes. A ideia era aproveitar a onda do power metal (ou metal melódico como o gênero ficou conhecido no Brasil) que estava bastante popular na Europa, Japão e no Brasil graças a nomes como Helloween e Gamma Ray.

esquerda|miniaturadaimagem|Andre Matos, vocalista original da banda. O quinteto ensaiou praticamente por um ano para lançar sua primeira demo tape, intitulada Reaching Horizons em 1992. Ainda desconhecidos do grande público, o Angra assinou com a JVC e viajou para a Alemanha para gravar seu primeiro álbum de estúdio. Antes das gravações iniciarem, Marco Antunes deixa o grupo, ficando a cargo de Alex Holzwarth tocar a bateria no disco.

O primeiro show da banda foi dia 17 de abril de 1993 no Black Jack em São Paulo. O tecladista foi Fábio Ribeiro, que fez alguns shows e depois saiu para trabalhar na Korg. Entrou então Leck Filho.

No fim de 1993 foi lançado o disco de estreia, Angels Cry, que contava com a participação de Kai Hansen, Dirk Schlachter, Thomas Nack (Gamma Ray) e Sascha Paeth (Heavens Gate). O álbum apresentava uma mistura de heavy metal e música clássica, sonoridade que marcou o estilo da banda. Após o lançamento a banda ganhou fama no Japão, onde Angels Cry chegou à terceira posição na parada internacional, tendo vendido 106 mil cópias, ganhando seu primeiro Disco de Ouro. Leitores de revistas japonesas e sul-americanas elegeram o Angra "Melhor Banda Nova" de 1993, sendo que, na Rock Brigade, o grupo (e Angels Cry) venceu diversas categorias da votação dos leitores: "Melhor Álbum", "Melhor Vocalista", "Melhor Capa", "Melhor Tecladista" e "Melhor Música" ("Carry On"). O videoclipe de "Time" foi executado muitas vezes em emissoras de TV do Brasil e do Japão, enquanto que o de "Carry On" foi indicado para o MTV Video Music Awards.

O sucesso continuou no verão de 1994, quando Angels Cry foi lançado na Europa, pela Dream Circle/Polydor (Europa) e pela CNR Music/Arcade (França). No mesmo ano, André Matos participou da remixagem de três músicas – "Evil Warning", "Carry On" e "Angels Cry" – para inclusão num EP chamado Evil Warning, lançado somente no Japão, com uma edição limitada de 13 mil cópias que vinha com uma camiseta. Nesse meio tempo, a banda levou a cabo uma extensa turnê, já apresentando o novo baterista Ricardo Confessori, substituto de Marco Antunes.

Ainda em 1994 a banda foi convidada para a inauguração da versão brasileira do festival Monsters of Rock, dividindo palco com o KISS, Black Sabbath e Slayer, tocando para mais de 50 mil pessoas presentes além da cobertura televisiva ao vivo. Com as imagens desse show é feito o clipe da música "Carry On".

Após o festival, a banda embarcou numa turnê no Brasil: a Angels Cry Tour, que incluiu um show patrocinado pela 97FM, que levou 10 mil pessoas ao Maracanã, e duas apresentações lotadas no Aeroanta, em março. O fim da turnê ocorreu em 13 de maio de 1995, quando a banda foi à Europa para uma série de shows, que compreendiam 11 datas em cinco países, incluindo dois festivais ao ar livre. O tecladista em toda a turnê foi Leck Filho.

No período entre o término dos shows e o início das gravações do segundo álbum, o guitarrista Kiko Loureiro e o baixista Luís Mariutti foram chamados a criar vídeo-aulas para as séries Guitar Rock e Rock Bass, respectivamente.

Holy Land (1995–1997) O Angra iniciou as gravações de seu novo álbum em 1995. Holy Land, lançado em março de 1996, sucedido por shows em diversos países europeus, como Itália, França e Grécia. De acordo com uma entrevista que o André deu à revista alemã Heavy, Oder Was, eles levaram 8 meses para gravar o novo álbum porque ele teve um problema sério nas cordas vocais após a turnê pela Europa. Ele teve que parar as gravações no verão de 1995 (na Europa) e retornar ao Brasil para tratamento médico. Então, ele voltou à Alemanha e gravou a sua parte novamente. Entre outros boatos sobre este álbum, um deles foi o de que o André foi mixar Holy Land no exterior sem o resto da banda e que eles não ficaram muito satisfeitos com o resultado final por ter muito teclado e pouca guitarra. Quem responde é o próprio André: "Não é verdade, pois o resto da banda estava lá no fim da mixagem e eles puderam opinar sobre algumas coisas. Além do que, o resultado final os deixou de boca aberta! Eu também acho que poderia ter pintado mais guitarra. É lógico, sem contar as partes de solo. Também acho que o som de guitarra poderia ter ficado melhor, mais pesado".

Holy Land foi concebido no sítio do baterista Ricardo Confessori, na cidade de Tapiraí, interior de São Paulo, onde o grupo se isolou durante quatro meses para compor e arranjar as dez músicas do CD. Os ensaios foram feitos durante os intervalos de uma turnê da banda na Alemanha, em junho de 1995. As gravações e mixagens tiveram início no final de junho e foram concluídas em três meses, também na Alemanha. Kiko definiu Holy Land como um álbum conceitual, em que todas as músicas tem um elo de ligação entre si: "Nós usamos como tema a época das grandes navegações, tanto que a capa do disco é um mapa antigo, dos tempos do descobrimento. Nós falamos da mistura de raças no Brasil, colocamos elementos típicos do país nas letras. Também fazemos um paralelo entre aquela época, quando um novo mundo estava sendo desbravado, com os tempos atuais, de grandes mudanças, de aldeia global".

Assim como o primeiro disco, Holy Land recebeu Disco de Ouro no Japão pelas mais de 100 mil cópias vendidas no país. No início do ano seguinte, a banda faria sua primeira turnê em território japonês. Em 1996, o Angra abriu um show para o AC/DC no Brasil.

Em dezembro de 1996 é lançado o EP Freedom Call, que contém além da faixa título, as músicas "Reaching Horizons", "Queen of the Night", "Painkiller" (Judas Priest), e mais algumas músicas com versões alternativas. A produção foi de Charlie Bauerfeind e Sascha Paeth.

Como consequência de tantos shows bem sucedidos, foi lançado em 1997 o EP Holy Live, com quatro faixas ao vivo gravadas em Paris. A banda teve o videoclipe da canção "Make Believe" indicado para o MTV Video Music Awards de 1997, acabando como um dos mais votados. O tecladista da turnê foi ainda Leck Filho.

Fireworks (1998–1999) O ano de 1998 marcou o início de mais uma produção do Angra. Com Chris Tsangarides (que, entre outros, produziu Painkiller do Judas Priest) na produção, a banda antecipou seu próximo álbum com o single de três canções "Lisbon", lançado em julho daquele ano. O álbum, intitulado Fireworks foi lançado em setembro do mesmo ano, mostrando a banda menos voltada para os ritmos brasileiros e mais dedicada ao heavy metal. Durante a turnê do álbum, os problemas de relacionamento com o empresário Antônio Pirani se agravaram, resultando em conflitos internos.

A turnê começou no segundo semestre de 1998 na França, o Stratovarius fez a tour junto com o Angra. Destaque para a participação do vocalista Bruce Dickinson em um dos shows na França.

Em 1999, o tecladista da turnê foi Fabrizio Di Sarno, que fez os todos os shows da tour europeia, como o Dynamo Open Air e o Gods of Metal. Nestes festivais, o Angra dividiu os palcos com bandas como Metallica, Motorhead, Manowar, Stratovarius, Gamma Ray, entre outras. Depois Fábio Ribeiro retornou à banda após cinco anos e fez o restante de todos os shows.

O último show de Andre Matos, Ricardo Confessori e Luis Mariutti foi dia 23 de outubro de 1999 no Credicard Hall, em São Paulo.

Reformulação, Rebirth e turnê pela Europa (2000–2002)

Após diversos desentendimentos com Pirani, Andre Matos, Ricardo Confessori e Luis Mariutti saíram da banda em agosto de 2000 e em março de 2001, uma nova formação era anunciada com Aquiles Priester (bateria), Edu Falaschi (vocal) e Felipe Andreoli (baixo). Edu Falaschi era líder da banda Symbols; Felipe Andreoli, por sua vez, era baixista do grupo Karma, e ainda faz parte desta formação; Já Aquiles Priester, fundador do grupo Hangar, que sugeriu para Kiko e Rafael convidarem o tecladista Fábio Laguna (Hangar) para tocar nos shows.

Assim, o Angra voltou às atividades no ano de 2001 com o lançamento mundial do disco Rebirth no mês de outubro. O nome do álbum, que significa renascimento em português, remete à nova fase vivida pela banda a partir do primeiro semestre daquele ano e foi gravado no Brasil e na Alemanha pelo produtor Dennis Ward.

O quinteto ingressou num processo de divulgação do disco, realizando em várias capitais brasileiras e na América do Sul, culminando com um show na casa Via Funchal, na cidade de São Paulo, em 15 de dezembro. Em menos de dois meses, Rebirth já havia atingido o número de 100 mil cópias vendidas em todo o mundo.

O primeiro show da banda com a nova formação aconteceu dia 2 de novembro de 2001 no Canadura em Maringá no Paraná.

Em janeiro a banda voltou ao estúdio, novamente sob o comando de Dennis Ward, para gravar o EP Hunters and Prey e a canção "Kashmir" para um tributo ao Led Zeppelin. O álbum trazia algumas faixas novas, além de versões acústicas das canções "Rebirth" e "Heroes of Sand". Logo após as gravações, a banda ainda participou de um show ao ar livre em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo, no dia 25 de janeiro, realizado no Center Norte, contando com um público de cerca de 12 mil pessoas.