Maomé ibne Almançor Almadi () foi o terceiro califa abássida, que reinou entre 775 e 785 (158 AH e 169 AH)Stanley Lane-Poole, The Coins of the Eastern Khaleefahs in the British Museum, sucedendo ao seu pai, Almançor. Seu nome significa "de mão justa" ou "redentor" e ele foi proclamado califa logo após a morte do pai.

História

Almadi promoveu uma reaproximação com os muçulmanos xiitas no califado durante o seu reinado. A poderosa família barmécida, que assessorava os califas desde os tempos de Alabás como vizires conseguiu ainda mais influência sob o governo de Almadi e trabalhou em conjunto com o califa para assegurar a prosperidade do estado abássida.

Em 778, ele subjugou a revolta de , um remanescente dos omíadas que ainda perdurava na Síria. No ano anterior, ele já havia também esmagado a revolta de no Coração. No mesmo ano, ele depôs Isa bin Musa como seu sucessor e designou Muça Alhadi em seu lugar, recebendo então juramentos de fidelidade dele e dos nobres. Ele foi envenenado por uma de suas concubinas em 785.

Influência A cosmopolita cidade de Bagdá floresceu durante o reinado de Almadi, atraindo imigrantes da Arábia, Iraque, Síria e do Irã, e também de terras tão distantes quanto a Índia e a Espanha. Com uma grande população de cristãos, judeus, hindus e zoroastrianos, era a maior cidade do mundo na época.

Almadi continuou a expandir a administração abássida, criando novos divãs (departamentos) para o exército, a chancelaria e a tributação. Cádis (juízes) foram designados e as leis contra os não-árabes foram revogadas. A introdução do papel, vindo da China, em 751, que ainda não se utilizava no ocidente - os árabes e os persas se utilizavam de papiro e os europeus de papel velino - teve um efeito duradouro. A indústria papeleira explodiu em Bagdá, onde uma rua inteira da cidade se voltou para a venda do produto e de livros. O baixo custo e a durabilidade do papel foram vitais para o crescimento da burocracia abássida.

Almadi manteve duas importantes políticas religiosas: a perseguição dos zanadiqa (dualistas) e a declaração de uma ortodoxia. Ele escolheu perseguir os zanadiqa para tentar melhorar sua imagem perante os puristas xiitas, que defendiam uma linha mais dura contra as heresias, e que acreditavam que a disseminação de seitas sincréticas muçulmano-politeístas era particularmente danoso. Almadi declarou que o califa tinha o poder - e a responsabilidade - de definir o que seria a ortodoxia para os muçulmanos com o objetivo de proteger a umma contra a heresia. Ainda que ele não tenha feito uso amplo deste novo "poder", ele se tornaria particularmente importante durante a crise da mihna no reinado de Almamune.

Filha Banuca ( 767 - ca. 783) foi uma princesa abássida, filha de Almadi e de sua esposa Al-Khayzuran, irmã de Harune Arraxide. Ela tinha seu próprio palácio dentro do complexo real em Bagdá. Bela e elegante, era a filha favorita do pai. Ela morreu cedo e os poetas da época compuseram diversas obras em sua memóriaN. Abbott, Two Queens in Baghdad (1986).

Ver também

Bibliografia Almaçudi The Meadows of Gold, The Abbasids, transl. Paul Lunde and Caroline Stone, Kegan Paul, London and New York, 1989

Categoria:Califas abássidas em Bagdá Categoria:Califas do século VIII