Joao Vilhena (Lisboa) é um dos mais singulares media artists portugueses da actualidade. Estudou escultura e pintura na escola de arte de Lisboa Ar.Co, onde já se destacava pela qualidade dos seus projectos, postura ética no trabalho e na forma como lidava com os seus colegas. A maioria do trabalho de Vilhena está relacionado com o cinema, a literatura e as artes visuais, recorrendo a uma grande variedade de meios, como a pintura, a escultura, a fotografia e o vídeo. Trabalha com John Frey em 2012 explorando a técnica do fundada Sanford Meisner (1905-1997) no sentido de aprender junto de Frey, que aprendeu ainda como discípulo directo de Meisner.

Obra/críticas No livro "Joao Vilhena", Luiz Francisco Rebello escreve: "A arte de Joao Vilhena é uma arte, ao mesmo tempo visível e escondida, que indaga em nós, perturba e nos provoca, retornando para nós intacto o gosto bêbado da descoberta. Apetece dizer, parafraseando Pessoa: 'Sinta-se? Aquele que vê sente.'". No mesmo livro e a propósito da exposição apresentada no museu de Arte Contemporânea do Funchal, o crítico de arte Alexandre Melo escreve: "O que o artista tem de decidir, para se apresentar e ser socialmente compreendido enquanto artista, é qual é a versão de si próprio ou quais são as versões de si próprio que quer assumir, enquanto artista, perante os seus públicos. A decisão pode tomar, por exemplo, a forma extrema da exacerbação hiperbólica da expressão da subjectividade ou, para citar um outro exemplo extremo, simétrico, a forma da crítica e denegação da autoridade individual através de uma pretensa crítica da noção tradicional de autor. A opção de João Vilhena é outra, menos óbvia e menos simplificadora, e joga-se no registo da encenação, para nos mantermos no âmbito do paradigma teatral." No livro editado pela Galeria e editora Bores & Mallo em 2002, Fernando Castro Florez escreve: "Insisto em que Vilhena com suas imagens (elipticamente) anuncia eventos ligados a rituais sacrificiais de purificação, daí a atenção para banheiras ou molduras, mas também pratica uma pintura reduccionista, onde esquematiza o lugar da higoiene pessoal ou melhor, o sarcófago 'minimalista'. Lyotard falou da fórmula pós-moderna, num conflito imaginário, como uma resposta ao deixar em suspenso, não excluindo que haja algo de Outro 'algo de falta e algo de desejo', elementos que estão presentes, estruturalmente, no trabalho de Vilhena."

Em 2013, a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva referiu-se à obra "American Psycho" de Joao Vilhena, pertencente à colecção de Luís e Saphira Serpa como "autorrepresentação contemporânea como de transgressão e de provocação, que usa o autorretrato como media e como via de pesquisa per se, independente, como é notório em Nan Goldin, João Vilhena ou Michèle Sylvander, entre outros." Esta obra do artista encontra-se igualmente representada no Colecção da Fundação Calouste Gulbenkian desde 2003.

A respeito das obras de "Beach Series" que o artista fez em 2013 a revista Umbigo Magazine escreveu "Tendo trabalhado anteriormente com representação de corpos encenados de acordo com referências literárias, teatrais, e da cultura plástica contemporânea, nesta série encontramos corpos sem pose, vistos de cima e sem que os mesmos se confrontem com o registo. A naturalidade de uma representação é também ponto de vista." A mesma revista escreveu também a respeito da "Autumn Seascape Series 2013" onde o artista mostra a sua objectividade "recorrendo a uma estratégia de montagem de "layers", situações são criadas ao tom de Outono variando o percurso de fotografia com uma frequência minimalista para o surrealismo. Estes surgem através da sobreposição de imagens de praia e relacionamento de escalas entre os corpos presentes. Cada imagem é aquilo que o espectador decide procurar ou ver remontando ao automatismo condicionado da nossa percepção."

Em 2014, Joao Vilhena apresenta a exposição "E/O" - "Eu é Outros" (em Inglês "I/O") onde são mostrados 32 auto-retratos (selfies como auto-representação) onde aparece em pinturas clássicas. Uma particularidade importante foi a utilização exclusiva de um iPhone para fotografar e criar estas obras. Esta exposição foi reconhecida como mais um marco importante na carreira de Joao Vilhena, tendo tido lugar na Galeria Luís Serpa Projectos com o comissariado de António Cerveira Pinto.

Em 2015, a série "Timeline" mostrou novamente um corpo de trabalho forte e apoiado por críticos e media. Apresentada no Palácio Nacional de Mafra, é composta por 12 esculturas que mostram um olhar do artista sobre a história de arte do século XX até à actualidade (uma escultura por década) tendo continuidade ao serem feitas no mesmo material recorrendo à matemática e ao minimalismo.

Em 2016, a sua obra "Chromafactory.com" coloca new media art no espaço público, homenageando os trabalhadores da antiga fábrica agora desocupada e em ruínas numa reflexão ente o real e o fazer do gesto de pintar. Segundo Filippo de Tomasi (comissário da exposição e investigador do artista) "A obra CHROMAFACTORYONLINE.COM propõe alterar, desconstruir e remontar o espaço industrial, abrindo novas realidades. Através da utilização prévia do dispositivo Chroma Key, o artista realizou diferentes elementos verdes no espaço, que criam uma interferência visual que se mistura com a arquitetura do edifício. Estas grandes manchas de tinta verde, à primeira vista fragmentárias e dispersas, recompõem-se em quadros num ponto preciso da sala: efeito criado pela pintura anamórfica. O visitante pode sentar-se e visualizar os retângulos. No entanto, com o auxilio do QR Code ou do tablet disponibilizado, consegue visualizar a reconstrução digital realizada pelo artista. No vídeo, quatro pessoas interagem com os quadrados, entram neles e multiplicam-se: aciona-se um jogo de espelhos que estabiliza a percepção do visitante e quebra os limites físicos do espaço do edifício. Ao interagir com as obras artísticas de João Vilhena apresenta-se aos nossos olhos e sentidos uma outra perspectiva que nos transporta para além do real."

Estudos e cursos Começou por fazer curso de verão de desenho no Ar.Co Centro de Arte e Comunicação Visual. Depois fez um curso intensivo de Iluminação e Câmera na Logomedia Produções Audiovisuais até fazer depois o Curso de Pintura, Curso de Escultura e Curso Avançado em Arte no Centro de Arte e Comunicação Visual. Fez um workshop com Wayne Mcgregor na Fundação Calouste Gulbenkian (Body Mediated by Tecnology)e um Curso de Acting com John Frey sobre "O método de Meisner". Também iniciou frequência de estudos para medicina na Universidade de East Anglia no Reino Unido.

Exposições individuais 2002 Galeria Presença, Porto (Cat.) 2002 Livraria Assirío & Alvim, Lisboa (Cat.) 2002 Museu de Arte Contemporânea Forte de Santiago, Funchal (Cat.) 2002 Galeria Bores & Mallo, Lisboa (Cat.) 2003 Galeria Castelo 66, Lagos 2003 Galeria Cristina Guerra, Lisboa 2004 Galeria Luis Serpa Projectos, "Sublime Audácia: A Experiência do Passeante - Parte 2c", Lisboa (Cat) 2005 Galeria Graça Brandão, "Under the Curtain", Porto 2005 Galeria Projecto, "The UnAuthorized Biography of Joao Vilhena", Vila Nova de Cerveira 2006 Giefarte, (Gabinete Internacional de Estudos e de Arte), "Superman Series", Lisboa 2007 "Made in Heaven", Galeria Presença, Porto 2008 "Made in Heaven", Galeria Presenca, Lisboa 2010 "Splendor in the Grass", Galeria das Salgadeiras, Lisboa 2011 ISEG, ISEG Art Dynamics - 100º Aniversário, "Goya Revisited", Lisboa 2011 ISEG, ISEG Art Dynamics - 100º Aniversário, "Slowed Down Kate, Flipped and inverted, or I just don’t know what to do with myself", Lisboa 2011 "Showcase ", Galeria Jorge Shirley, Lisboa 2012 "Projecto 2","Art Protesters", queimar obras em forma de protesto 2014 "E/O", Galeria Luís Serpa Projectos, Comissariado António Cerveira Pinto Lisboa 2015 "Timeline - Identidade e Circunstância", Palácio Nacional de Mafra, Mafra (Lisboa) 2015 "Trilogia D'OVO", Museu Nacional de História Natural e Ciência, Comissariado Sofia Marçal, Lisboa 2016 "Chromafactoryonline.com", www.chromafactoryonline.com, Comissariado Filippo de Tomasi, Lisboa

Exposições colectivas 1997 "NHXXI", Estufa Fria, Lisboa 1999 "RAma", Galeria Alvarez, Porto, (Cat.) 1999 "Exposed", Galeria ZDB - Casa de Rute, Lisboa 1999 "Ramaia", Armazém EPAC, Vila do Bispo (Cat.) 2000 "MicroArte", com Marta Wengorovius, Pavilhão de Portugal, Hanôver (Cat.) 2000 "2000greenSpaces", com Marta Wengorovius, Estufa Fria, Lisboa (Cat.) 2000 "NonStopingOpening", comissariado por Nuno Alexandre Ferreira, Galeria ZDB, Lisboa 2000 "Une perspective portugaise de l´art contemporain", Maison de l´Unesco, Paris, com Marta Wengorovious (Cat.) 2000 "Exposição da Colecção Banco Privado", comissariado por Vicente Todoli, Museu da Fundação de Serralves 2001 "Parthenos", Centro Cultural de Lagos, Lagos (Cat.) 2002 " Ar.Co 01", Centro Cultural de Belém, Lisboa (Cat.) 2002 "Saló Europeu de Joves Creadors", Montrouge, França (Cat.) 2002 "Expect the world, moi non plus", Sparwasser HQ and Parkhaus, Berlim, Alemanha 2002 "Os quatro elementos", Museu da Pedra, Cantanhede, Portugal (Cat.) 2003 "Prague Biennale 1, 2003", Galleria Nazionale Veletrzni Palac, Praga, comissariado por Helena Kontova e Giancarlo Politi (Cat.) 2003 "Outras alternativas. Novas experiências visuais en Portugal", MARCO, Museo de Arte Contemporánea de Vigo, Vigo, Espanha, (Cat.) 2004 "Middelburg 2304AD - Futureways", curadoria por Rita McBride, Glen Rubsamen, e Rutger Wolfson, em Middelburg, Holanda, com o apoio de De Vleshal em colaboração com o Whitney Museum of American Art (Cat.) 2004 Banque Privée Edmond de Rothschild Europe, Lisboa, Portugal 2005 "Radicais Libres", Auditório da Galiza, Espanha, curadoria por Xosé M. Buxán (Cat) 2006 "Densidades Relativas", Museu Calouste Gulbenkian, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal, curada por Leonor Nazaré, (Cat.) 2007 "ISCP-International Studio& Curatorial Program", Open Studios, Nova Iorque 2007 "ISCP group Show", curadoria de Michael Lindeman 2008 "Desedificar o Homem", curadoria de Hugo Diniz, Uma selecção da Colecção do Museu Serralves, Torres Vedras (Cat.) 2008 "Aquilo Sou Eu" para Safira Serpa, curadoria por Luis Serpa, exposição de auto-retratos de artistas contemporâneas "Aquilo Sou Eu" para Safira e Luis Serpa, Fundação Carmona e Costa, Lisboa, (Cat.) 2008 "Afrontamentos 3" Galeria Joao Pedro Rodrigues, Porto 2009 "Afrontamentos 4", Galeria Jorge Shirley, Lisboa 2009 "Afrontamentos 5", Galeria Quase - Espaço T, Porto 2009 "Imagem e Semelhança", curadoria de Luís Serpa, Museu de Óbidos, Portugal, (Livro "Joao Vilhena - A biografia não Autorizada" e Cat.) 2009 Selecção de Obras Recentes, Casa das Mudas, Funchal, Madeira 2009 Exibição Fundação Portugal Telecom, Auditório Municipal do Centro de Ponta Delgada, Ponta Delgada, Açores 2009 a 2010 Antena — programa de itinerâncias da Fundação de Serralves, curadoria de Hugo Dinis, São João da Madeira,Vila do Conde, Porto, Santo Tirso, Póvoa do Varzim, Matozinhos, Torres Vedras, Guimarães, Ovar 2010 "Processo e Transfiguração", curadoria de João Miguel Fernandes Jorge e Emília Ferreira, Casa da Cerca, Centro de Arte Contemporânea, Almada, Portugal (Cat.) 2011 "Afrontamentos 6", Palácio da Brejoeira, Monção 2012 "Coleção de Arte Contemporânea Portugal Telecom", Lisboa, Museu Municipal de Tavira, Tavira 2012 "Art Protesters", mostra global de "video arte", queimar obras em forma de protesto 2012 "Gabinete de Curiosidades #3", Lisboa, Galeria Luís Serpa Projectos, Luís Serpa 2013 "Apanhar Cogumelos é uma atitude perigosa - parte 2", Lisboa, Galeria Luís Serpa Projectos, Luís Serpa 2013 "Aparências Privadas - Auto-retratos de Artistas Contemporâneos",Lisboa, Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, Luís Serpa 2013 "A Luz da Nossa Identidade",Palácio da Independência, Lisboa, Francisca Couceiro da Costa 2014 "Art Stabs Power", Plataforma Revólver, Lisboa