E Nós, Aonde Vamos? é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Tupi entre 16 de fevereiro a 5 de junho de 1970, às 20h no Rio de Janeiro e às 22h em São Paulo. Foi escrita por Glória Magadan e dirigida por Sérgio Britto, Mário Brasini e Hilton Marques.
Produção
Após estrear o horário de telenovelas às 22 horas com João Juca Jr., a Tupi passou a perder audiência. Assim, João Juca Jr. passou para o horário das 18h30 horas enquanto uma programação "tampão" de filmes era providenciada. A Tupi resolveu investir em uma nova novela e recontratou a autora Glória Magadan. Recém dispensada da Globo, Magadan havia supervisionado sete telenovelas da Tupi entre 1964 e 1965 quando transferiu-se para a recém fundada TV Globo. Após quatro anos onde fez sucesso com dramas de época importados, Magadan acabou deixando a emissora após problemas na produção da novela A Gata de Vison e por conta do inesperado sucesso de Beto Rockfeller, da própria Tupi, que retratou o cotidiano brasileiro da época e acabou fazendo o público exigir tramas nacionais contemporâneas no lugar de textos de época com dramas de capa e espada (especialidade de Magadan).Para atender ao público, Magadan resolveu escrever uma telenovela contemporânea em que retratava o conflito de gerações entre pais e filhos. Esse trabalho foi batizado E Nós, Aonde Vamos?. A Tupi inicialmente escalou Ruy Pisk para dirigir os trabalhos dessa telenovela, porém Pisk acabou transferido para outro projeto e a direção passou a ser de José Rios.
Durante a produção da telenovela, iniciada em janeiro de 1970, a Tupi acabou substituindo o supervisor de produção de suas telenovelas Mario Barsini por Gloria Magadan, que assim acumulou os cargos de autora e supervisora de telenovelas na emissora. Com isso, a produção de E Nós, Aonde Vamos? foi ampliada e Magadan anunciou que a telenovela teria núcleos de produção no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Novamente a direção foi trocada. Saiu José Rio e entrou Sérgio Britto. O capítulo de estreia no Rio de Janeiro foi anunciado para 20 de janeiro de 1970, as 20h00 no feriado de São Sebastião.
Para conseguir exibir a telenovela neste horário no Rio, a Tupi teve de realizar uma delicada negociação com a Esso, patrocinadora do Repórter Esso. Essa negociação foi chamada pela imprensa de "Crise dos 15 minutos". Com o sucesso da negociação, o Repórter Esso passou a ser apresentado quinze minutos mais cedo e E Nós, Aonde Vamos? foi colocada para concorrer com Véu de Noiva de Janete Clair, telenovela da Tv Globo anunciada como a “novela-verdade” (por retratar o mundo cotidiano). No trigésimo capítulo de Véu de Noiva, o ator Geraldo Del Rey demitiu-se da Globo e passou a trabalhar com Magadan em E Nós, Aonde Vamos?. Durante a formação do elenco, a atriz Eva Todor foi convidada por Magadan para um papel na novela. Tendo acumulado trinta anos de carreira no teatro, este foi o primeiro papel de Todor na televisão brasileira.
Em São Paulo, a estreia ocorreu em 16 de fevereiro, às 22 horas. Como forma de ampliar a audiência da telenovela, os Diários Associados publicaram aos domingos nos jornais do grupo um resumo completo dos capítulos da trama.
Apesar da estreia, a produção da telenovela seguiu caótica. Em fevereiro, três capítulos inteiros foram perdidos e obrigaram a Tupi a regrava-los à "toque de caixa". O esforço de gravação acabou causando problemas de estafa em Leila Diniz. Semanas depois, Diniz precisou se ausentar da produção por alguns dias por conta do agravamento de uma queimadura na perna sofrida dias antes da gravação. Apesar de ter sido liberada para repouso pelo diretor Sérgio Brito, Diniz quase foi dispensada da telenovela por Magadan (que tentou escalar outra atriz para o papel, alegando abandono de trabalho por parte de Diniz). A assessoria de Magadan chegou a alegar que Diniz encontrava-se internada em um hospício e precisava ser substituída.
No capítulo exibido em 12 de março, um erro de montagem fez com que uma cena fosse exibida duas vezes, com um ator trocado e problemas de áudio. A crítica passou a cobrar cada vez mais a telenovela por conta do ritmo lento da trama, das falhas de cenografia, problemas nos textos de Magadan (distantes da "realidade" propagada pela Tupi durante a promoção da telenovela) e problemas técnicos dos equipamentos e estúdios. Em fins de março o diretor Sérgio Britto brigou com a autora Glória Magadan e demitiu-se da produção. A briga provocou a intervenção do Grupo de Criação da Tupi, que nomeou Hilton Marques para a direção da novela enquanto Britto recebeu um projeto de teleteatro para dirigir. Magadan, por sua vez, passou a ter seu trabalho cada vez mais contestado pelo Grupo de Criação. No decorrer da novela descontentes com o texto e as imposições de Magadan, os atores foram deixando o trabalho e a autora começou a ficar sem personagens, sem saber "aonde iria" com a sua história. O desfecho foi um monólogo da personagem de Eva Todor, na janela de um navio, dirigindo-se diretamente com o público. Após esse trabalho a autora cubana deixou o Brasil, partindo para Miami, nos Estados Unidos.
Enredo A viúva Laura Monteiro (Marcia de Windsor) tem duas filhas, Leyla (Yara Amaral) e Sônia (Leila Diniz). A primeira era a sua preferida a quem ela julgava estar em Paris estudando, acompanhada da Dra. Alice (Thereza Amayo), sua amiga: de Sônia a mãe não fazia bom juízo, porque a jovem. estudante de medicina, era muito moderna e independente. Sônia morava sozinha em um apartamento no Rio enquanto sua mãe morava no palácio da família em Belo Horizonte, palácio esse já bem delapidado porque Laura estava em dificuldades financeiras, razão pela qual seu administrador, o Sr. Ramos (Italo Rossi), estava vendendo clandestinamente suas joias, mas não tão clandestinamente, pois Magaly (Isabel Teresa), viúva rica pelo casamento que fizera com um milionário e agora é sustentada pelo sogro e explorada por seu irmão Ernesto (Gracindo Júnior), Magaly fazia questão de deixar claro para Laura que estava comprando suas joias, pois ela sempre tivera inveja da fortuna e da beleza de Laura.
Sonia estava no Rio atendendo um técnico em tv que consertava seu aparelho, o Juca (Roberto Pirillo), rapaz que ficou impressionado com sua beleza, quando recebe surpresa um chamado de sua irmã Leyla que ela achava que estava em Paris mas que estava em São Paulo. Atendendo ao apelo de Leyla, Sônia embarca no mesmo dia para a capital paulista e lá ficou sabendo que Leyla já estava morando lá desde o começo do ano e mais ainda havia se apaixonado por um homem que sua mãe não aprovaria, dele tivera um filho, Angelo (João Cláudio). Leyla combinou com Sônia que iria de automóvel para Belo Horizonte contar tudo para a mãe. Sônia ficaria com o menino. Leyla morre em um desastre na estrada e quando Sônia procura sua mãe levando o menino, dona Laura não acredita em sua história acusa de estar querendo aproveitar a morte da irmã para jogar-lhe em cima um erro seu.
Sônia volta para o Rio vai morar em uma pensão onde por coincidência morava Juca. Os donos da casa, Marta (Lourdes Mayer) e Silvio (Jorge Dória) ficam satisfeitos em receber Sônia, pois esta não poderia mais continuar estudando e teria que procurar um emprego, o que pôs Marta, mulher sem filhos, a oportunidade de dedicar-se à criança. Quem não gostou foi uma antiga inquilina da casa, Dona Francisca (Eva Todor). Nesse meio tempo Laura se arrepende e resolve aceitar a criança até que chegue de Paris a Dra. Alice, cunhada de Magaly, única pessoa que poderia saber da verdade.
Alice havia escrito para Dr. Fernando (Geraldo Del Rey), médico famoso da sociedade, dono de um hospital, pedindo para estagiar naquela casa. A família de Alice vai procurar o médico e pede-lhe para não aceitar Alice pois sonhavam para a rica herdeira uma vida social, um casamento idem. Fernando não aceita o suborno.
Uma amiga de Sonia, secretária de Fernando, a apresenta ao médico para que ele a empregue em sua vaga, porque Marisa (Neide Aparecida) vai casar. Sonia e Fernando têm um atrito muito sério, pois o jovem não concorda com os pontos de vista do médico quarentão. E é nesse clima que chega Alice para saber pessoalmente a resposta do médico, pois todos achavam que ela ainda estava em Paris. Combinam que Alice começara a trabalhar no outro dia.
Dona Laura vem para o Rio procurar Sônia e fica sabendo que a filha estava internada, pois fora operada de emergência. No hospital encontra Alice visitando a filha que fora operada pelo Dr. Fernando, e Alice confirma que Leyla não esteve em Paris no último ano. Sônia fica surpresa ao saber quem é o pai da criança, o irmão de Magaly, Ernesto.
Laura vai para a casa de Magaly e lá encontra Ernesto que, atrapalhado, pois ele é mesmo o pai da criança, diz que o pai é um tal de Eduardo Camargo (Alberto Perez), morador de São Paulo. Laura vai imediatamente para lá embora deixe bem claro que não acredita na história.
Laura acaba indo parar em um hotel que ela não sabia, que era pouco recomendável. Quem a tira de uma situação difícil é o Dr. Luiz Moura (Adriano Reys), que ela mal conhecia. No entanto, Henrique (?) um irmão de Eduardo, mancomunado com o dono do hotel, resolve fazer chantagem com o casal ameaçando-os de revelar na sociedade que os dois haviam chegado juntos ao hotel para um encontro amoroso. Luiz paga vultosa quantia aos chantagistas para evitar um escândalo em volta de Laura, mulher mais velha que ele. Mas dali nasce um amor entre os dois, amor que não pode frutificar pois Henrique passou a segui-los, e sempre os ameaça de escândalo.
Magaly convence Ernesto que o melhor casamento para ele seria com sua rica cunhada, Alice. Enquanto isso acontece, Sônia faz as pazes com Fernando os dois acabam namorados, embora discutam por tudo. Laura Já em Belo Horizonte conta tudo que lhe aconteceu ao seu administrador Ramos. Este não acredita na história mas com desculpa de que pretendia proteger Laura, mandou embora sua antiga empregada Helena (Mary Yvone) e colocou uma espiã e cumplice em seu lugar, Filomena (Neyse Nazareth), mulher que sabe das falcatruas de Ramos, um dos causadores da miséria de Laura pois a estava roubando. Laura resolve vender tudo que tem em Belo Horizonte e ir viver no Rio com Sonia e o neto.
Marisa conta para Fernando que havia acabado o noivado porque seu namorado estava certo de que ela estava apaixonada pelo médico. Diz-lhe ainda que seu noivo havia lhe contado que Fernando tinha um segredo: sua mulher havia morrido num desastre de automóvel quando Fernando ainda era estudante. Isso faz com que Fernando resolva ausentar-se do consultório por alguns dias e pede para Marisa inventar uma desculpa para Sonia. Marisa diz para Sonia que Fernando havia ido para Fortaleza. Dona Francisca no entanto viu Fernando em Niterói e maldosamente contou para Sonia, o que causou a separação do casal. Sônia embarca para Belo Horizonte para combinar planos sobre a vinda de dona Laura. Ao chegar lá soube que faziam três dias que sua mãe estava desaparecida e havia suspeitas da polícia de que Laura seria uma mulher que fora encontrada carbonizada em um desastre de automóvel.
Dona Marta a dona da pensão, com pena de Sônia, vai ao consultório de Fernando e lhe conta as agruras que Sônia estava passando com o desaparecimento da mãe. Fernando vai em socorro da amada e acabam fazendo as pazes. Dona Laura aparece, três dias depois, em estado de coma em um hospital de pronto-socorro para onde fora levada por sua ex-empregada Helena que a encontrou vagando semi-inconsciente.