Carlos Alberto Martínez Tévez (Ciudadela, 5 de fevereiro de 1984) é um treinador e ex-futebolista argentino que atuava como atacante. Atualmente treina o Talleres.
Foi batizado com o sobrenome de sua mãe, uma vez que apenas anos depois obteve judicialmente o reconhecimento do pai, passando a poder usar "Tévez", sobrenome deste.
Tévez é reconhecido como um dos mais talentosos jogadores surgidos na Argentina no início do século XXI. É caracterizado por sua habilidade e pela raça que costuma entregar em campo pelos times em que atua. Foi o líder da Seleção Argentina que faturou pela primeira vez a medalha de ouro olímpica, nos Jogos de 2004. Em clubes, destacou-se não só em seu país-natal pelo Boca Juniors, mas também no Brasil (Corinthians), na Inglaterra (West Ham, Manchester United e Manchester City) e na Itália (Juventus)."A dura herança de Don Diego", Elías Perugino, Placar número 1322, setembro de 2008, Editora Abril, págs. 72-77
Também destacado por seu carisma geral, é querido na terra natal como um jogador do povo, muito por conta de sua infância humilde, origens essas que o faz destinar discretamente parte de seu dinheiro a fundações filantrópicas. Declarou que "é um orgulho que as pessoas me considerem dessa maneira. É algo muito lindo isso. Não sei porque é. As coisas que saem de mim são naturais. Dar um autógrafo, uma foto, uma saudação, é algo que não me custa nada e sei que dá felicidade. Por isso o faço". Recente pesquisa atestou que Tévez é o jogador argentino em atividade mais querido em seu país, com a preferência de um quarto dos compatriotas.
Sua incomum popularidade, no país natal e nos ditos "rivais", inspirou uma peça publicitária Nike, com o lema "Nascido em Fuerte Apache, querido em todas as partes"."Futebol, família e propriedade", Gian Oddi, Placar número 1295, junho de 2006, Editora Abril, págs. 82-90 A empresa, sua patrocinadora, posteriormente, lançou também uma linha de roupas Tévez, fazendo dele o segundo jogador de futebol a ter esse tratamento dela - o primeiro e, até então único, havia sido Ronaldinho Gaúcho. Os outros esportistas que tiveram a mesma grife na empresa são Michael Jordan e Tiger Woods.
Sua aparência também chama atenção: distintos acidentes na infância provocaram cicatrizes de queimadura no peito e no pescoço, além de um dente incisivo partido. Outra marca registrada é o seu comportamento introspectivo fora dos gramados, mas sem "médias na língua" por onde passa."Sucesso brutal", Gian Oddi, Placar número 1307, junho de 2007, págs. 20-21
Infância e juventude Tévez cresceu em Fuerte Apache, favela de Buenos Aires, onde deu seus primeiros passos no futebol com o time de amigos de seu edifício. Chegou a jogar na mesma equipe juvenil de seu futuro técnico, Carlos Bianchi, o Villa Real. Seu maior ídolo na infância era o brasileiro Ronaldo, tendo declarado seu desejo em jogar ao lado dele, cujo pôster continuou a enfeitar seu quarto mesmo após a fama.
Tévez era fã também de outros jogadores que, como ele um dia seria, eram caracterizados pela garra em campo: ao eleger seu elenco titular ideal para a Placar, agrupou por essa qualidade o compatriota Gabriel Heinze e o colombiano Mauricio Serna, um ídolo seu do Boca Juniors. Do mesmo clube, colocou também Óscar Córdoba, Hugo Ibarra, Diego Maradona e Gabriel Batistuta, junto do ídolo Ronaldo e de Roberto Ayala, Paolo Maldini, Zinédine Zidane e do amigo Javier Mascherano."Meu time dos sonhos", Placar número 1297, agosto de 2006, Editora Abril, pág. 90
Já era conhecido por apelidos pejorativos em relação às suas cicatrizes de queimadura, ocasionadas com a queda de água fervente quando ele ainda tinha cerca de um ano. Já o acidente que partiu um dente incisivo veio aos nove anos, quando chocou-se em uma brincadeira com uma menina - por coincidência, a irmã de sua futura esposa.
Carreira como jogador Quando terminou o segundo grau, foi chamado para os juvenis do All Boys, time da primeira divisão da Argentina. Passaria quatro anos no Albo e poderia ter ido ao Argentinos Juniors, clube famoso pelo bom trabalho nas categorias de base. Nos juvenis do Argentinos estava a pessoa que o levara ao All Boys, Raúl Maddoni. Tévez, todavia, não achou que viveria situação muito diferente na equipe que revelou Diego Maradona e preferiu não sair.
Boca Juniors Quando o mesmo Maddoni, porém, chegou ao Boca Juniors e voltou a chamá-lo, o garoto não teve dúvidas. Sendo um torcedor fanático do time, Tévez transferiu-se aos juvenis do Boca em 1997, na mesma época em que foi reconhecido pelo pai. A troca do sobrenome "Martínez" por "Tévez" chegaria a gerar uma confusão: houve quem divulgasse que o clube o roubara do All Boys, aliciando seus pais, e que o teria inscrito como "Tévez" para que a manobra não fosse percebida.
Tirei o Martínez, que é da minha mãe, e pus Tévez, porque meu velho me reconheceu, não pela questão do passe. Que trapaça seria essa, se o número do documento é o mesmo? Quem falou demais foi um tipo que tinha 20% do meu passe como 'Martínez', não como 'Tévez', mas que não sabia nada da minha família nem de meu passado.
Chegou ao Boca ainda na primeira das categorias de base. Seus 44 gols nos dois primeiros anos o levaram à Seleção Argentina sub-15. Foram três anos até que o treinador Carlos Bianchi o chamasse para o time principal, em 2000. Realizava o sonho de treinar e acompanhar ainda mais de perto os seus ídolos, a quem entregava bolas durante os jogos como gandula até o ano anterior. O maior deles, Juan Román Riquelme, presenteou-o com suas chuteiras, que ele futuramente passaria a usar.
thumb|right|200px|Tévez no Boca Juniors, seu clube do coração. A estreia, porém, demoraria até o ano seguinte, em 21 de outubro de 2001, em uma derrota para o Talleres, em Córdoba. Já não morava em Fuerte Apache: o clube mantinha sua promessa em um apartamento no bairro de Versalles. Posteriormente, ele se mudaria para o de Villa Devoto, de classa média-alta, trazendo consigo onze pessoas, dentre as duas filhas, os pais, os quatro irmãos, uma cunhada, um sobrinho e até seu empresário.
Riquelme deixou o Boca no segundo semestre 2002. Tévez triunfaria no clube a partir de então, substituindo o ídolo na regência do time. No ano seguinte, foi decisivo nas vitórias dos Xeneizes sobre o Santos de Diego e Robinho nas finais da Taça Libertadores da América. Os argentinos foram ao jogo de volta, em São Paulo, tendo vencido na ida por 2–0, e Tévez começou a ruir os sonhos santistas de uma reação já nos 21 minutos do primeiro tempo, marcando o primeiro gol.
Exatamente quarenta anos após perder a final do torneio para o alvinegro de Pelé na Bombonera, o Boca vingou-se derrotando a equipe brasileira por 3–1 no Morumbi."40 anos depois, Boca se vinga do Santos", Anuário Placar 2004, Editora Abril, pág. 379 Em 2003, no segundo semestre, Tévez faturaria ainda o título no Apertura do Campeonato Argentino. Já no Mundial Interclubes, contra o favorito Milan, jogou pouco, entrando apenas aos 27 minutos do segundo tempo, em razão da falta de ritmo de jogo: ele, para poder atuar na partida, teve de ir à justiça comum para garantir esse direito, uma vez que estava convocado para o Campeonato Mundial Sub-20 de 2003."Boca Juniors alcança sua tríplice coroa", Anuário Placar 2004, Editora Abril, pág. 370
Em 2004, começaram as crises. O Boca voltou à final da Libertadores, após eliminar nos pênaltis o arquirrival River Plate em pleno Monumental de Núñez, nas semifinais - Tévez fizera, aos 44 minutos do segundo tempo, o gol de empate que levaria o Boca diretamente à decisão, comemorando-o com uma imitação de galinha (uma alusão à alcunha que os torcedores rivais são pejorativamente chamados pelos boquenses) e sem camisa, o que acarretaria na sua expulsão. Os millonarios ainda conseguiram um gol nos descontos, levando às penalidades."Supersemana – O Grande Confronto de 2004", Tiago Melo, FutebolPortenho.com.br Detentor do título, o Boca chegou com favoritismo às finais contra o Once Caldas. Porém, após dois empates em 0–0, foi a vez do adversário se dar melhor nos pênaltis a levar, para a Colômbia, o título.
Naquele ano, Tévez passaria a ser seguido não só pela imprensa esportiva, mas também pela de celebridades: além de frequentador assíduo da vida noturna portenha, rompeu polemicamente o noivado de dois anos com sua namorada da infância, trocando-a grávida por uma famosa modelo local."A nova cara do Timão", Elías Perugino, Placar número 1278, janeiro de 2005, Editora Abril, págs. 70-73 O estresse o levou a pedir descanso dos compromissos com o clube, fazendo com que Guillermo Barros Schelotto e também Martín Palermo, dois veteranos colegas e ídolos de Carlitos, lhe criticassem em público. Chegou a viajar para Búzios com a nova namorada e só voltar na véspera de um clássico contra o River.
As confusões, ao mesmo tempo que lhe afastaram brevemente da Seleção principal, onde já era uma estrela, geraram atenção de clubes europeus interessados em aproveitar sua insatisfação cada vez maior. Bayern de Munique, PSV Eindhoven e Atlético de Madrid chegaram a oferecer por ele, respectivamente, 18 milhões, 13 milhões e 15 milhões de euros. Tévez ainda chegou a faturar em dezembro a Copa Sul-Americana de 2004 pelo Boca, marcando na final contra o Bolívar, quando sua transferência para o exterior foi acertada. Não para a Europa, mas para o vizinho Brasil.
Contra os prognósticos do clube, Tévez foi comprado por 19,5 milhões de dólares pela Media Sports Investment (MSI), parceira da equipe do Corinthians, a quem foi cedido no que foi a maior contratação da história do futebol brasileiro.
Corinthians
Foi a principal contratação da MSI, que trouxera para o clube ainda seu compatriota Sebastián "Sebá" Domínguez e o meia Carlos Alberto, destaque da equipe portuguesa do Porto que no ano anterior conquistara a Liga dos Campeões da UEFA, além do Mundial Interclubes. Posteriormente, para treinar o clube, viria ainda um novo compatriota, Daniel Passarella. A parceria também traria Roger, Nilmar, Gustavo Nery e um dos grandes amigos de Tévez, Javier Mascherano. A vida conjugal de Carlitos também voltou aos eixos, com ele retomando o relacionamento com a ex-noiva, que dera à luz a sua filha Florencia. Após contratado, o então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, corintiano assumido, afirmou que não acreditaria que Tévez daria certo no Corinthians.
A identificação de Tévez com a torcida corintiana foi imediata, gerando um frenesi que chegou a ser comparado com o de ídolos como Sócrates, Neto e Marcelinho Carioca.Celso Unzelte, Placar número 1286, setembro de 2005, Editora Abril, págs. 50-55 Mesmo com o time demorando a engrenar, sendo eliminado no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil, além de obter resultados ruins no Campeonato Brasileiro - Passarella caiu após uma derrota de 1–5 no clássico contra o São Paulo -, a mania em torno de Tévez só crescia entre os alvinegros. Não demorou a roubar o lugar e o número 10 de Gil,"Para onde vai esse Timón?", Fábio Sormani e Diogo Pinheiro, Placar número 1282, maio de 2005, Editora Abril, págs. 42-47 que acabaria negociado com o futebol japonês.
A disposição de Tévez em campo, lutando pela bola sem fugir das divididas, encantava os torcedores. Os mais entusiasmados não só adquiriam as camisas corintianas com o nome e número de Tévez (o caso de sete em cada dez camisas vendidas do clube), mas também as da Seleção Argentina, além de adotar o chapéu de pescador que o ídolo costumava usar fora dos gramados. Até uma chupeta alusiva à filha Florencia tornou-se item muito usado.