thumb|Viscum album Erva-de-passarinho, visco, ou guirarepoti, são as plantas arbustivas hemiparasitas das famílias Loranthaceae e Santalaceae, pertencentes à Ordem das Santalales.Kuijt, 2019 Nativa em todos os continentes do mundo, parasita diversas espécies de árvores de grande porte.
Conforme o Dicionário Michaelis, a planta possui frutos "muito apreciados pelos pássaros" e que "contêm sementes que estes disseminam com as fezes que depositam sobre a casca das plantas hospedeiras". Isso explica o nome nativo da planta, guirarepoti, que em tupi antigo significava "fezes de passarinho" (guirá, ave, pássaro; e repoti, fezes).
Denominações Visco é a denominação popular mais comum em Portugal, mas a planta também é conhecida como visgo ou agárico. No Brasil, ela é amplamente conhecida como erva-de-passarinho ou enxerto-de-passarinho.
Os indígenas brasileiros, contudo, a conheciam como guirarepoti, que em língua tupi significa “excremento de aves” (guira = ave, repoti ou tepoti = excremento). Isso indica que os povos indígenas do Brasil já conheciam as ervas-de-passarinho muito antes de ela ser descrita pela taxonomia oficial. Acredita-se que os índios provavelmente observaram alguma espécie de ave, como os gaturamos do gênero Euphonia, defecando as pequenas sementes de alguma erva-de-passarinho, como as do gênero Phoradendron.
Espécies As espécies europeias e asiáticas são: Viscum album, que apresenta três subespécies: Viscum album mali, com bagas brancas, apresenta folhas ovaladas de bordos lisos em pares ao longo do caule lenhoso. Parasita árvores do género Populus e Crataegus, e a macieira, o limoeiro, entre outras. Viscum album abietis, o visco dos abetos. Viscum album pini, que parasita os pinheiros no centro e sul da Europa e norte da Turquia. Viscum cruciatum, que é hemiparasita da oliveira.
Na Austrália, a mais conhecida é a espécie Dendrophthoe glabrescens.
No Brasil, ocorrem em duas famílias: Loranthaceae e Santalaceae, com os seguintes gêneros:
Loranthaceae Cladocolea Tiegh. Gaiadendron G.Don Ligaria Tiegh. Oryctanthus (Griseb.) Eichler Oryctina Tiegh. Passovia H.Karst. Peristethium Tiegh. Phthirusa Mart. Psittacanthus Mart. Pusillanthus Kuijt Struthanthus Mart. Tripodanthus (Eichler) Tiegh.
Santalaceae Acanthosyris (Eichler) Griseb. Antidaphne Poepp. & Endl. Arjona Cav. Dendrophthora Eichler Eubrachion Hook.f. Jodina Hook. & Arn. ex Meisn. Phoradendron Nutt. Thesium L.
Ecologia As ervas-de-passarinho são plantas cuja dispersão de sementes se dá a partir da planta-mãe, sendo feita por aves frugívoras ou morcegos através de defecação ou regurgitação sobre as futuras plantas hospedeiras ou sobre seus galhos, como ocorre nos gêneros StruthanthusGuerra, T. J. de A. (2005). Componentes quantitativos e qualitativos da dispersão de sementes de Struthanthus flexicaulis (Loranthaceae) em uma área de campo rupestre no sudeste brasileiro. Rio Claro/UNESP: Pós-graduação em Biologia Vegetal (Dissertação de Mestrado). e Psittacanthus.Guerra, T. J. de A. (2010). História natural da erva-de-passarinho Psittacanthus robustus (Loranthaceae) em uma área de campo rupestre do sudeste brasileiro: interações com hospedeiras, dispersores e polinizadoras. Campinas/UNICAMP: Pós-graduação em Ecologia. (Tese de Doutorado).
Usos thumb|200px|Tufo de visco num choupo As bagas de algumas espécies possuem propriedades medicinais e, por isso, a planta era utilizada como remédio para a epilepsia e distúrbios nervosos, para doenças cardíacas, hipertensão e para a digestão.
Na Europa, a planta está associada em algumas culturas às festividades do Natal, assim como o azevinho, ou ao renascimento, havendo uma lenda escandinava que diz que duas pessoas que se encontram debaixo de um visco devem se beijar para celebrar com amor a ressurreição de Balder, divindade da mitologia nórdica. Já os druidas a tinham como planta sagrada e sempre a colhiam no inverno, quando realizavam seus importantes atos religiosos.
Na série em quadrinhos Asterix, o druida Panoramix colhia o gui (“visco” em francês) das árvores.
Estudo O principal taxonomista das ervas-de-passarinho é o canadense Job Kuijt, mas há especialistas em quase todas as famílias. Destaca-se também o trabalho de Daniel L. Nickrent, que aborda não somente ervas-de-passarinho, mas plantas parasitas no geral, com foco em análises moleculares.
Quanto às ervas-de-passarinho brasileiras, em 2012 foi publicado uma ampla revisão da literatura sobre ecologia das espécies neotropicais, com ênfase nas que ocorrem no Brasil.
Bibliografia
Ligações externas
Categoria:Plantas parasitas Categoria:Santalales Categoria:Plantas natalinas