Os túmulos de Bykivnia () são um Memorial Histórico Nacional situado próximo à antiga aldeia de Bykivnia (, ) na zona arbórea de Quieve, a . Durante o período estalinista na União Soviética, o memorial foi um dos locais de valas comuns não identificadas onde o NKVD, como polícia soviética, depositou os corpos de milhares de "inimigos do Estado soviético" assassinados. Bykivnia, como localidade residencial, ainda existe, assim como a floresta. O Memorial Nacional está localizado do outro lado da Avenida Brovarskyi, em frente a Bykivnia, próximo à antiga piscicultura soviética de Rybne, no interior da floresta. Estima-se que o número de corpos enterrados no local esteja na casa dos milhares, entre 30.000 e até 100.000. Algumas estimativas chegam a 200.000.

Local dos enterros Nas décadas de 1930 e 1940, durante o expurgo estalinista, o governo soviético transportou os corpos de prisioneiros políticos torturados e assassinados para as florestas de pinheiros nos arredores da vila de Bykivnia e os enterrou em uma região de cerca 4 hectares. Cerca de 207 valas comuns foram identificadas por arqueólogos soviéticos em 1971 e, em diferentes escavações conduzidas por poloneses entre 2001 e 2012, foram constatadas cerca de 95 valas com corpos de vítimas polonesas.

Inicialmente, o local com as covas coletivas foi descoberto pelos alemães, assim como outros na União Soviética. Porém, em abril de 1943, a descoberta alemã do massacre de Katyn tomou a frente da propaganda nazista anti-soviética. O local foi reconquistado pelos soviéticos durante a Segunda Batalha de Quieve, em 1943, que encobriram a situação, segundo o historiador Karel C. Berkhoff:

Um documento que atesta a origem das vítimas de Bykivnia foi encontrado por historiadores poloneses emigrados que pesquisavam os arquivos nazistas alemães após a guerra. À parte do extermínio de adversários internos do governo soviético e seu enterro na vila, pesquisadores poloneses estimam que, além das vítimas soviéticas do Grande Expurgo, o local pode ser o repouso de 3.435 oficiais poloneses capturados pelo Exército Vermelho durante a invasão soviética da Polônia, em conjunto com a Alemanha Nazista em 1939, a maioria dos quais executados na primavera de 1940 junto com mais de 20.000 oficiais e intelectuais poloneses no Massacre de Katyn.

Porém, como as autoridades soviéticas negavam seu envolvimento nestes massacres, colocando a culpa nos invasores nazistas, não haviam meios de confirmar a identidade dos mortos, nem se os havia. Durante a era soviética, a existência do local foi levada ao conhecimento das autoridades inúmeras vezes, sendo o episódio mais famoso o de 1962, quando o poeta ucraniano o fez. Ele foi espancado por agentes das forças de segurança soviéticas e morreu no hospital pouco depois, em decorrência de um câncer nos rins, segundo os documentos oficiais. miniaturadaimagem|Mapa do memorial

Memorial Somente na década de 1990 o governo da Ucrânia independente confirmou o sepultamento de milhares de pessoas no local. Em 3 de abril de 1994, um grande memorial para as vítimas foi construído, na mesma época, iniciaram-se os trabalhos arqueológicos, com a participação de cientistas ucranianos e poloneses, posteriormente. Em 2001, o governo do presidente Viktor Yushchenko anunciou a intenção de transformar a floresta de Bykivnia num complexo estatal memorial-histórico chamado "Túmulos de Bykivnia". Ele foi inaugurado por Yuhchenko em 17 de maio de 2006, que se tornou o primeiro presidente ucraniano a participar da cerimônia anual do Dia da Recordação, em 21 de maio, em honra aos mais de cem mil mortos enterrados em valas comuns nos arredores de Quieve. Durante o evento, ele declarou: "Nós precisamos saber a verdade. Por que nossa nação perdeu mais de 10 milhões de pessoas sem ter uma guerra?".miniatura|Monumento em Bykivnia. A inscrição diz: "A coisa mais preciosa que se pode ter é a liberdade. Nós pagamos por ela com nossas vidas" Desde 2006, pesquisadores poloneses encontraram diversos corpos de poloneses, prisioneiros assassinados na primavera de 1940 durante o Massacre de Katyn. Além dos corpos, os pesquisadores encontraram objetos de uso diário com um pente, no qual o dono, um oficial polonês desconhecido, gravou vários nomes como Franciszek Strzelecki, Ludwik Dworak e Szczyrad, o último incompleto e, provavelmente, refere-se ao coronel Bronisław Mikołaj Szczyradłowski, vice-comandante da defesa de Levive em setembro de 1939.

Também foi encontrada no local uma plaqueta de identificação pertencente ao sargento Józef Naglik, soldado do Batalhão de Skalat do polonês. Todos estes nomes pertencem à "lista ucraniana" de mortos no massacre de Katyn, o que constitui a prova da ligação dos mortos de Bykivnia com os crimes de Katyn.

Todos os anos, no segundo domingo de maio, cidadãos de todas as províncias da Ucrânia dirigem-se a Bykivnia para homenagear seus parentes desaparecidos, mesmo aqueles que tiveram parentes mortos e enterrados em lugares distantes como a Sibéria, as Ilhas Solovetski e outros lugares remotos onde havia campos de concentração soviéticos. Em 2001, o local foi visitado pelo papa João Paulo II.

Vítimas notáveis

Mychajl Semenko Majk Johansen

Mykhailo Boychuk

Ver também

Grande Expurgo Massacre de Katyn Kurapaty, local de vala comum semelhante, próximo a Minsk, na Bielorrússia Massacre de Winniza Valas comuns na União Soviética

Ligações externas Bykivnia 1937–1941 (memorial) (em inglês) Ucrânia enterrar novamente as vítimas de Stalin - BBC News (em inglês)

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