Sindicato, também conhecido como sindicato laboral, é uma associação estável e permanente de trabalhadores tanto urbano-industriais, como rurais e de serviços, que se unem a partir da constatação e resolução de problemas e necessidades comuns.

A palavra sindicato tem origem no latim e no grego. No grego, “syn-dicos” é aquele que defende a justiça. No latim, “sindicus” denominava o “procurador escolhido para defender os direitos de uma corporação”. Está sempre relacionado à noção de defender e ser justo com uma certa coletividade. Na Lei de Le Chapelier, de julho de 1791, o nome síndico era utilizado com o objetivo de se referir a pessoas que participavam de organizações até então consideradas clandestinas.

Como movimento social, o sindicalismo não é estático, está constantemente criando novas formas de organização e atuação.

História 200px|thumb|Uma manifestação de vários sindicatos em Brasília. A origem do sindicalismo envolve o contexto de industrialização e consolidação do capitalismo na Europa. Os sindicatos foram fundamentais para construção e afirmação do direito do trabalho, principalmente a partir da Revolução Industrial, época marcada pelas péssimas condições de vida e de trabalho as quais a população europeia em sua maioria estava submetida.

No decorrer de sua história, o sindicalismo foi impactado por diferentes concepções ideológicas, o que proporcionou certa flexibilidade ao movimento que assumiu vezes ideias reformistas, comunistas, populistas, etc..

O capitalismo se consolidou no século XVIII; e passou a apropriar-se dos produtos criados pelo trabalho operário. E nesse momento que os trabalhadores começam a se organizar a fim de confrontar seus empregadores, surge assim a primeira função dos sindicatos: impedir que o operário se veja obrigado a aceitar um salário inferior ao mínimo indispensável para o seu sustento e de sua família.

O primeiro grande evento representativo da organização dos trabalhadores foi a quebra de máquinas fabris, conhecido como ludismo na Inglaterra. Tempos depois, o Parlamento Inglês aprovou uma lei permitindo a livre associação dos operários, proporcionando assim o surgimento das trade-unions, que significavam uniões sindicais. As trade-unions possibilitaram a fixação dos salários para toda uma categoria e regulamentaram o salário em função do lucro.

Em 1830 se constitui uma associação geral dos operários ingleses: a “Associação Nacional para a Proteção do Trabalho”, que tinha o objetivo de atuar como central de todos os sindicatos. Assim como, nos Estados Unidos, o sindicalismo nasceu por volta de 1827 e, em 1886, foi constituída a Federação Americana do Trabalho (AFL), contrária à reforma ou mudança da sociedade, essa defendia o sindicalismo de resultados.

Durante a revolução francesa surgiram ideias liberais, que estimulavam a aprovação de leis proibitivas à atividade sindical, a exemplo da Lei Chapelier que, em nome da liberdade dos Direitos do Homem, considerou ilegais as associações de trabalhadores e patrões. As organizações sindicais, contudo, reergueram-se clandestinamente no século XIX. No Reino Unido, em 1871, e na França, em 1884, foi reconhecida a legalidade dos sindicatos e associações. Com a Segunda Guerra Mundial, as ideias comunistas e socialistas predominaram nos movimentos sindicais espanhóis e italianos.

Primórdios

As origens dos sindicatos modernos, aqui compreendidos como sindicatos de trabalhadores assalariados, podem ser rastreadas até a Grã-Bretanha do século XVIII, onde a rápida expansão da sociedade industrial atraiu uma parcela cada vez mais significativa da população para as cidades.

Em 1574, a Grã-Bretanha extinguiu o antigo sistema feudal, mas a grande maioria das famílias permaneceu como arrendatária em propriedades pertencentes à aristocracia fundiária. A urbanização da população não foi meramente de realocação do ambiente rural para o urbano; em vez disso, a natureza do trabalho industrial criou uma nova classe de trabalhadores, os trabalhadores assalariados em grandes fábricas, bem maiores do que as antigas oficinas lideradas por mestres artesãos.

Os camponeses trabalhavam na terra, plantando e criando animais e cultivava, tendo que pagar aluguéis aos proprietários, e tinham certo grau de liberdade. Por outro lado, os trabalhadores em grandes fábricas vendiam seu tempo em troca de salário em condições de estreita subordinação às instruções dos empregadores, não tendo quase nenhum grau de liberdade durante os períodos nos quais estavam trabalhando.

Os críticos dessa nova modalidade de subordinação chamaram isso como: "escravidão assalariada",Tomich, Dale W. (2004). Through the prism of slavery: labor, capital, and world economy. Lanham: Rowman & Littlefield. mas o termo mais utilizado para designar tal fenômeno, foi o de: "relação de emprego".

Diferentemente dos camponeses, os trabalhadores assalariados eram completamente subordinados aos seus empregadores, sem segurança no emprego ou promessa de um relacionamento contínuo com seus empregadores, sem controle sobre o trabalho que realizavam ou como isso impactava sua saúde e vida. É nesse contexto que surgem os sindicatos modernos.

No início, os sindicatos encontraram uma forte hostilidade por parte de empregadores e agentes governamentais; na época, sindicatos e sindicalistas eram regularmente perseguidos com base em leis contra "conspirações" e de defesa da liberdade econômica. Mas, apesar de inúmeras dificuldades, os trabalhadores conseguiram construir organizações sindicais.Webb, Sidney; Webb, Beatrice (1920). "History of Trade Unionism". Longmans and Co. London. ch. I

Dentre as medidas repressivas contra os sindicatos, pode-se citar a Lei da Combinação, de 1799, que proibiu os sindicatos e a negociação coletiva dos trabalhadores britânicos. Apesar da repressão, surgiram movimentos como o ludismo, que surgiu em 1812; e a Revolta na Escócia de 1820.

Centrais sindicais

Na Inglaterra

Entre as décadas de 1820 e 1830, ocorreram os primeiros esforços para se fundar uma central sindical nacional.

Em 1830, foi criada a Associação Nacional para a Proteção do Trabalho (ANPT) (National Association for the Protection of Labour), tendo John Doherty, como seu primeiro dirigente, após uma tentativa, aparentemente malsucedida, de criar uma entidade sindical nacional setorial: a União Nacional dos Fiandeiros de Algodão ("National Union of Cotton-spinners"). Em pouco tempo, cerca de 150 sindicatos se filiaram à ANPT, consistindo principalmente de sindicatos relacionados com a indústria têxtil, mas também incluía mecânicos, ferreiros e várias outras categorias.

Um ano após a sua fundação, a ANPT já contava com sindicatos que, somados, tinham cerca de 20 000 trabalhadores filiados, espalhados pelos condados de Lancashire, Cheshire, Derbyshire, Nottinghamshire e Leicestershire.

A ANPT publicava um jornal semanal, denominado como: "Voz do Povo" ("Voice of the People"), com a intenção declarada de "unir as classes produtivas em um vínculo comum de união". ch. I

Em 1834, o socialista galês Robert Owen fundou a "Grand National Consolidated Trades Union" (GNCTU), que aglutinou socialistas de diferentes tendências, dentre eles: owenites a revolucionários e participou de diversos protestos, dentre eles os que exigiam a libertação dos Mártires de Tolpuddle, mas, em pouco tempo, entrou em colapso.

A partir da década de 1850, foram estabelecidos sindicatos mais fortes, mas, em muitos casos, menos radicais.

Em 1860, foi fundado o "London Trades Council".

Em 1868, foi fundado o Trades Union Congress, a mais antiga central sindical inglesa a ter uma longa duração.

Nessa época, a existência e as demandas dos sindicatos estavam sendo aceitas por setores mais progressistas da classe média. Em 1871, John Stuart Mill escreveu:

Além dessa afirmação, Mill também argumentou que: "como os trabalhadores individuais não têm base para avaliar os salários de uma tarefa específica, os sindicatos levariam a uma maior eficiência do sistema de mercado".King, John T.; Yanochik, Mark A. (2011). "[https://www.jstor.org/stable/23240389 John Stuart Mill and the Economic Rationale for Organized Labor]". The American Economist. 56 (2): 28–34.

Legalização

Em 1871, ocorreu a legalização dos sindicatos no Reino Unido, com base no entendimento de que o estabelecimento desse tipo de entidade, seria vantajoso tanto para trabalhadores quanto para empregadores.

Esse período também viu o crescimento dos sindicatos em outros países em industrialização, especialmente: Estados Unidos, Alemanha e França.

Em 1869, foi fundada, nos Estados Unidos, a primeira organização trabalhista nacional efetiva: a "Knights of Labor" (Cavaleiros dos Trabalhadores), que começou a crescer a partir de 1880. A legalização ocorreu lentamente, como resultado de uma série de decisões judiciais.

Em 1881, foi fundada a "Federation of Organized Trades and Labor Unions", que começou como uma federação de diferentes sindicatos, sendo que os trabalhadores não eram diretamente filiados a tal federação.

Em 1886, foi fundada a "American Federation of Labor" (AFL).

Em 1897, foi fundada, na Alemanha, a "Freie Vereinigung deutscher Gewerkschaft" (Associação Livre dos Sindicatos Alemães) foi formada em 1897, depois da revogação das Leis Antissocialistas, defendidas pelo Otto von Bismarck.

A partir de 1884, os sindicatos passaram a ser permitidos na França, desse modo, em 1887, foi fundada a "Bourse du Travail", que, em 1895, se fundiu com a "Fédération nationale des syndicats" (Federação Nacional dos Sindicatos) para formar a "Confédération Générale du Travail" (Confederação Geral do Trabalho - CGT).

História do sindicalismo no Brasil

A história do sindicalismo no Brasil tem origem no final do século XIX, momento em que o Brasil abolia a escravidão como processo econômico. Assim, com o fim da utilização da mão de obra escrava, o país passa a adotar o trabalho assalariado, sobretudo de pessoas vindas da Europa. Submetidos a uma intensa rotina de trabalho, os trabalhadores começam a se organizar e criam algumas organizações, como as Uniões Operárias e a Sociedade de socorro e ajuda mútua. Nasce, assim, as primeiras formas de organização de trabalhadores no Brasil. A partir de 8 de janeiro de 1858 ocorre no Rio de Janeiro a primeira greve realizada em solo brasileiro, a Greve dos Tipógrafos, contra as injustiças patronais e por aumento salarial.

No início do século XX, em 1906, foi organizado o primeiro Congresso Operário Brasileiro. Nele, apresentaram-se duas tendências existentes na época: o anarcossindicalismo e o socialismo. Enquanto o primeiro tinha como objetivo a luta operária dentro do contexto da fábrica, o segundo objetivava a organização política dos trabalhadores para atingir uma transformação social. Entre 1913 e 1920 ocorrem dois congressos de operários. Com a crise crescente crise de Produção provocada pela Primeira Guerra Mundial, muitas greves eclodiram, fazendo com que os trabalhadores se organizassem enquanto movimento organizado. É dessa época a publicação e circulação do jornal “A Classe Operária”.