A fruta-de-sabiá ou marianeira (Iochroma arborescens, anteriormente Acnistus arborescens) é uma espécie de plantas com flor da família das solanáceas (Solanaceae), com distribuição natural nos neotrópicos.Acnistus arborescens em PlantList

A espécie foi durante muito tempo tratada como a única representante do género monotípico Acnistus, mas estudos taxonômicos mais recentes incorporaram Acnistus ao género Iochroma, tornando Iochroma arborescens o nome atualmente aceito.

As folhas são solitárias, simples, elípticas a lanceoladas, com 7–20 cm de comprimento e 3–8 cm de largura, ápice agudo, base em cunha ou atenuada, inteiras, face superior glabra, face inferior escassamente tomentosa com tricomas simples e ramificados; pecíolos com 2–4 cm de comprimento.

Inflorescências numerosas de fascículos agregados ao longo de 5–25 cm do caule lenhoso, com muitas flores rebentos curtos de 1–5 mm de comprimento (braquiblastos), pedicelos com 1,5–3 cm de comprimento, delgados, glabros, flores fragantes, actinomorfas, pentâmeras; cálice campanulado ou cupuliforme, 2–4 mm de comprimento, truncado no botão, glabro, papiráceo, que se separa rapidamente em lobos ligeiramente desiguais e arredondados em 1/4–1/3 do seu comprimento; corola tubular-campanulada, com 8–12 mm de comprimento, branca, lobada em menos de metade do seu comprimento, lobos valvados, arredondados, finamente pubescentes por fora, amarelados por dentro, com o tubo glabro; filamentos inseridos imediatamente abaixo da parte média do tubo da corola, glabros, anteras oblongas, com 3–4 mm de comprimento, pontiagudas, basalmente dorsifixas, largamente exertas, com deiscência longitudinal; ovário basalmente fundido num disco nectarífero, glabro, estigma bilobado, exerto, glabro.

O fruto é uma baga, com 5–6 mm de comprimento, sumarenta, alaranjada ou amarela quando madura, pericarpo com células escleróticas (esclerócitos); as sementes são numerosas, discoides, com 1,5–2 mm de largura, com o embrião enrolado. Distribuição e habitat O fruto-do-sabiá é uma planta nativa da América do Sul e Central e do Caribe, onde está classificada pelo Departamento de Agricultura norte-americano com espécie de planta nativa.USDA: Acnistus.

A espécie é de ocorrência comum em bosques alterados secos a húmidos, a altitudes de 500–1400 metros; floresce e frutifica durante todo o ano.Laguna 437, Stevens 3519; Ocorre desde o sul do México até a parte norte da América do Sul, sendo mais abundante no sul da Nicarágua. Os frutos são utilizados para consumo humano em alguns países da sua região de distribuição natural.

O gênero Acnistus possui um grande número de nomes publicados ao longo da literatura — mais de quarenta, dependendo da fonte — mas todos foram considerados sinônimos de uma única espécie válida, Iochroma arborescens. Essa extensa sinonímia reflete a forte polimorfia da espécie.

No Brasil, é encontrada desde o Ceará até o Rio Grande do Sul, ao longo da Mata Atlântica. Habita formações secundárias, capoeiras e áreas abertas. As flores são visitadas insetos e os frutos alaranjados são muito apreciados pela avifauna.

Relações ecológicas

As flores de Iochroma arborescens produzem néctar e pólen e atraem diversos visitantes florais. Estudos de campo registram a visitação de abelhas às flores da espécie, incluindo indivíduos de Melipona rufiventris coletando recursos florais, o que indica seu papel como fonte de alimento para polinizadores nativos.

Plantas com produção significativa de néctar, como I. arborescens, podem contribuir para a manutenção de populações de abelhas nativas sem ferrão, especialmente em períodos de menor disponibilidade de outras fontes florais.

thumb|350px|right| Abelhas sem ferrão, incluindo jataí (Tetragonisca angustula) e lambe-olhos (Leurotrigona muelleri), forrageando flores de Iochroma arborescens.

Taxonomia A espécie Acnistus arborescens foi descrita por (L.) Schltdl. e publicado em Linnaea 7: 67–68. 1832. A espécie tem uma muito rica sinonímia que inclui:Acnistus arborescens en PlantList Acnistus aggregatus (Ruiz & Pav.) Miers Acnistus benthamii Miers Acnistus campanulatus (Lam.) Merr. Acnistus cauliflorus Schott Acnistus cerasus Hieron. ex Seckt Acnistus floccosus Werderm. Acnistus floribundus (Kunth) G.Don Acnistus geminifolius Dammer Acnistus grandiflorus Miers Acnistus guayaquilensis (Kunth) G.Don Acnistus lehmannii Dammer Acnistus macrophyllus (Benth.) Standl. Acnistus miersii Dunal Acnistus plumieri Miers Acnistus pringlei Fernald Acnistus punctatus Ridl. Acnistus ramiflorus Miers Acnistus sideroxyloides (Willd. ex Roem. & Schult.) G.Don Acnistus virgatus Griseb. Atropa arborea Willd. ex Dunal Atropa arborescens L. Atropa arborescens Roem. & Schult. Atropa sideroxyloides Willd. ex Roem. & Schult. Atropa solanacea All. ex Steud. Brachistus oblongifolius Miers Brachistus physocalycius D.A.Sm. Brachistus riparius (Kunth) Miers Capsicum oblongifolium (Miers) Kuntze Cestrum campanulatum Lam. Cestrum cauliflorum Jacq. Cestrum cauliflorum Sieber ex Bercht. & C.Presl Cestrum kohauti Bercht. & J.Presl Cestrum macrostemon Sessé & Moç. Dunalia arborescens (L.) Sleumer Dunalia arborescens var. campanulata (Lam.) J.F.Macbr. Dunalia campanulata (Lam.) J.F.Macbr. Dunalia macrophylla (Benth.) Sleumer Ephaiola odorata Raf. Eplateia arborescens (L.) Raf. Fregirardia riparia (Kunth) Dunal Lycium aggregatum Ruiz & Pav. Lycium arborescens (L.) Spreng. Lycium grandifolium Willd. ex Roem. & Schult. Lycium guayaquilense Kunth Lycium macrophyllum Benth. Lycium ovale Roem. & Schult. Pederlea aggregata (Ruiz & Pav.) Raf. Pederlea arborescens (L.) Raf. Pederlea cestroides Raf.

Notas Contém texto em CC-BY-SA 4.0 de Stehmann, J.R. Iochroma in Flora e Funga do Brasil. Bibliografia CONABIO. 2009. Catálogo taxonómico de especies de México. 1. In Capital Nat. México. CONABIO, Mexico City. Dodson, C.H. & A.H. Gentry. 1978. Flora of the Río Palenque Science Center: Los Ríos Province, Ecuador. Selbyana 4(1–6): i–xxx, 1–628. Dodson, C.H., A.H. Gentry & F.M. Valverde Badillo. 1985. Fl. Jauneche 1–512. Banco Central del Ecuador, Quito. Forzza, R. C. 2010. Lista de espécies Flora do Brasil https://web.archive.org/web/20150906080403/http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2010/. Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Gentry, J. J. L. & P. C. Standley. 1974. Solanaceae. In Gentry, Jr., J. L. & P. C. Standley (eds.), Flora of Guatemala - Part X, Numbers 1 and 2. Fieldiana, Bot. 24(10/1–2): 1–151. Hokche, O., P. E. Berry & O. Huber. (eds.) 2008. Nuevo Cat. Fl. Vasc. Venezuela 1–860. Fundación Instituto Botánico de Venezuela, Caracas. Hunziker, A. T. 1982. Estudios sobre Solanaceae---XVII. Revisión sinoptica de Acnistus. Kurtziana 15: 81–102. Idárraga-Piedrahita, A., R. D. C. Ortiz, R. Callejas Posada & M. Merello. (eds.) 2011. Fl. Antioquia: Cat. 2: 9–939. Universidad de Antioquia, Medellín. Jørgensen, P. M. & C. Ulloa Ulloa. 1994. Seed plants of the high Andes of Ecuador---A checklist. AAU Rep. 34: 1–443. Jørgensen, P. M. & S. León-Yánez. (eds.) 1999. Cat. Vasc. Pl. Ecuador, Monogr. Syst. Bot. Miss. Bot. Gard. 75: i–viii, 1–1181. Missouri Botanical Garden, St. Louis. Molina Rosito, A. 1975. Enumeración de las plantas de Honduras. Ceiba 19(1): 1–118. Ligações externas

ITIS

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