A Estação Ferroviária de Vila Real de Santo António - Guadiana é uma gare encerrada da Linha do Algarve, situada na cidade de Vila Real de Santo António, no Distrito de Faro, em Portugal. Além de servir o centro da localidade, também funcionava como uma gare de transbordo com os barcos que faziam a travessia do Rio Guadiana até Ayamonte, em Espanha. __TOC__
Descrição Localização A estação situava-se junto ao embarcadouro dos navios entre Portugal e Espanha no Rio Guadiana, anexa aos edifícios da Alfândega. O edifício de passageiros situava-se do lado poente da via (lado direito do sentido descendente, ao Barreiro) e não no topo da via, apesar de ter sido concebida como estação terminal..
thumb|left|Comboio de passageiros a entrar na estação, em 1990. História
Antecedentes e planeamento O troço entre as estações de Tavira e Vila Real de Santo António da Linha do Algarve entrou ao serviço em 14 de Abril de 1906, sendo então considerada como parte da Linha do Sul. Após a abertura da linha até Vila Real de Santo António, procurou-se estabelecer uma ligação a Espanha por via férrea, de forma a proporcionar uma via mais rápida entre Lisboa e Sevilha. Para este efeito, encurtou-se a distância do Barreiro a Vila Real de Santo António, através da construção da Linha do Sado, e criou-se um serviço rápido a partir do Barreiro. O engenheiro José Fernando de Sousa, que fazia parte do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro do Estado, defendeu a construção de duas pontes-cais, uma de cada lado do Rio Guadiana, sendo a do lado português ligada à via férrea. Do lado espanhol, foi classificada uma linha de via estreita entre Ayamonte e Huelva na década de 1900, que foi alterada para via larga num concurso de 13 de Agosto de 1913, e cuja construção foi muito atrasada pela Primeira Guerra Mundial, e posteriormente pela Guerra Civil Espanhola. Desta forma, a linha entre Ayamonte e Huelva só foi inaugurada em 24 de Agosto de 1936. No entanto, a estação de Vila Real de Santo António não oferecia condições cómodas para o acesso aos barcos fluviais, uma vez que tinha sido instalada longe da margem, de forma a possibilitar a construção de uma ponte ferroviária internacional, pelo foi necessário prolongar a linha até à margem do rio. O projecto de construir uma ponte sobre o rio foi suspenso, esperando-se nessa altura que o serviço fluvial fosse suficiente para atender ao tráfego. Entretanto, em 11 de Maio de 1927 a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses começou a explorar as vias férreas dos Caminhos de Ferro do Estado.REIS et al, 2006:63
thumb|left|Comboio de passageiros na estação, em 1990. Inauguração Esta interface foi inaugurada pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses em 24 de Janeiro de 1952, com a categoria de apeadeiro, passando todos os comboios a ser prolongados até aqui; o primeiro comboio que utilizou o novo apeadeiro foi o n.º 8011, a fazer o serviço Rápido do Algarve. Foi construída junto ao Rio Guadiana, ao lado do edifício da Alfândega, vindo facilitar não só o transbordo entre os barcos fronteiriços, mas também o acesso ao centro de Vila Real de Santo António.
Um despacho de 26 de Maio de 1952, publicado no Diário do Governo n.º 132, III Série, de 3 de Junho, aprovou o aditamento à tarifa especial n.º 1-P, estabelecendo a venda de bilhetes para comboios tranvias com destino à nova gare, que tinha então a categoria de apeadeiro e o nome de Vila Real de Santo António - Guadiana, e que se situava ao PK 396,984 da Linha do Sul. Em 1 de Maio de 1955, o jornal Notícias do Algarve reportou que o Ministro das Obras Públicas, Eduardo de Arantes e Oliveira, tinha recentemente visitado a região, tendo um dos assuntos tratados sido a situação da gare de V. R. R. A. Guadiana, que classificou como «vergonhosa» e «triste amostra de um país onde se fala muito de turismo, mas onde as realizações, pelo menos no que diz respeito a esta fronteira, não têm passado dos domínios dos projectos». Segundo a planta publicada no artigo, o ramal até à estação iria fazer parte de uma rede ferroviária maior, com outros ramais servindo uma grande área industrial e portuária que estava planeada ao longo da margem do rio, a Norte de Vila Real de Santo António.
Em Setembro de 1955, estava prevista a IV Conferência Comercial Ferroviária Portugal - Espanha, sendo um dos assuntos a discutir o serviço combinado de camionagem entre Ayamonte e Sevilha, em combinação com os serviços ferroviários a partir de Vila Real de Santo António.
Uma portaria de 2 de Agosto de 1955 determinou que o Fundo do Desemprego desse uma comparticipação de 50.000$00 para a Junta Autónoma dos Portos do Sotavento do Algarve, para as obras de construção do apeadeiro terminal em Vila Real de Santo António; um diploma do Ministério das Obras Públicas, publicado no Diário do Governo n.º 246, II Série, de 14 de Novembro de 1955, ordenou que esse valor fosse transferido para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, nas mesmas condições indicadas pela portaria de concessão.
Esta estação foi encerrada em 1998. No local subsiste uma vasta área dedicada à camionagem onde cumprem paragem, em dados de 2022, todas as oito carreiras da rede regional Vamus Algarve que circulam na cidade.Paragem EVA n.º 915 - VRS António (Terminal Rodoviário)
Referências literárias Na sua obra Crónicas Algarvias, Manuel da Fonseca descreveu a chegada a Vila Real de Santo António-Guadiana em 1986:
Ver também História do transporte ferroviário em Portugal Transporte ferroviário em Portugal Infraestruturas de Portugal Comboios de Portugal
Bibliografia
Ligações externas
Vila Real de Santo Antonio - Guadiana Vila Real de Santo Antonio - Guadiana Categoria:Estações ferroviárias de Vila Real de Santo António Categoria:Fundações em Portugal em 1952 Categoria:Estações ferroviárias inauguradas em 1952