thumb|upright|Ancião tunisino envergando uma chéchia thumb|upright|Fabricante de chéchias megidi e chéchias stambouli

A chéchia, chéchoua ou shashia () é um chapéu tradicional masculino usado por numerosos povos islamizados. É o chapéu nacional da Tunísia.

Aparentada com a boina europeia, a chéchia é basicamente um gorro cilíndrico en forma de barrete. É de cor vermelhão na Tunísia, no leste da Líbia e na região de Bengasi (onde é chamada chenna); no resto da Líbia é negro. Até ao era frequentemente envolvido por um turbante. Distingue-se do fez principalmente por ser mole e flexível, enquanto que o fez é rígido e em forma de tronco cónico e relativamente alto. No entanto, o fez é também chamado chéchia stambouli ("chéchia de Istambul") e chéchia megidi.

O termo chéchia designava também um gorro longo e mole, adotado por algumas tropas coloniais francesas, nomeadamente os zuavos, tirailleurs e spahis de origem europeia.

Etimologia No Magrebe e no Egito, o termo chéchia designa o barrete que se usa na cabeça e em volta do qual durante muito tempo se enrolou uma peça de tecido para formar um turbante. Segundo a tradição, o fabrico desse tipo de chapéu tem origem em Cairuão, no . O seu nome provém do adjetivo derivado de "Shash" (em árabe: ), nome da atual Tashkent, no Uzbequistão. Numa parte da obra do viajante magrebino ibne Batuta (), referente à sua estadia em Xiraz cerca de 1327, lê-se:

História Origens thumb|left|Fotografia de 1960 com duas crianças com chéchias em primeiro plano

No Magrebe, atualmente o termo designa apenas o barrete, como acontecia no Alandalus, onde a chéchia se chamava ghaffara (). Na Argélia, este termo designava também um barrete feminino. Diego de Haedo relata que as mulheres de uma certa cidade usavam sobre o bnaka () três tipos de adereços: «quando assistem a festas e nos casamentos, também trazem na cabeça, sobretudo quando são ricas, um barrete redondo chéchia magnificamente brocado de ouro.»

De forma cilíndrica, a chéchia foi importada na sua forma atual da Espanha para a Tunísia pelos mouros expulsos após a conquista de Granada em 1492. Encontrando na Tunísia uma segunda pátria, eles estabelecem o artesanato da chéchia. O seu fabrico é rapidamente considerado como uma arte refinada e segue tradições muito estritas. Quem desejasse lançar-se nesse ofício particular era sujeito a um exame profundo perante uma comissão designada de artesãos. Confecionado por chaouachis (nome dos fabricantes de chéchias), a chéchia não tarda em ocupar três socos (mercados ou bairros comerciais) inteiros, construídos em 1691 na almedina de Tunes, de tal forma o seu sucesso é grande, dando trabalho a milhares de pessoas.

A partir dos anos 1920, os independentistas tunisinos começam a usar cada vez mais a "chéchia testouriya", originária de Testour, devido ao seu nome ser semelhante ao do seu partido, o Destour.

Artesanato em crise thumb|Habitantes de Medenine com chéchias

thumb|Representação duma madraça (escola corânica) no Museu Dar Cheraït, em Tozeur, com manequins com diversos tipos de chéchia

Depois da independência da Tunísia em 1956, com a chegada de produtos manufaturados e de costumes provenientes do Ocidente, o uso da chéchia tendeu para se limitar aos feriados e festas religiosas; usualmente é associado à terceira idade. Os rendimentos dos fabricantes ressentiram-se disso e muitos viram-se obrigados a abandonar o seu ofício. As gentes que vivem no campo, geralmente mais tradicionalistas, também abandonaram em grande parte o tradicional barrete, substituindo-o por equivalentes mais baratos, de fabrico industrial.

Enquanto alguns setores tradicionalistas reclamam que a inexistência dum programa governamental coerente de apoio à chéchia e aos chaouachis (artesãos) contribui muito para o seu declínio, muitos especialistas vêm como principal causa desse declínio a falta de criatividade e de inovação por parte dos chaouachis. No final dos anos 1990, numa tentativa de revitalizar a sua indústria, numerosos artesãos começaram a fabricar novas variedades de chéchias, com outras cores e decorações, a fim de atraírem clientela mais jovem. Este impulso provocou rapidamente o aumento das exportações de chéchias tunisinas para países africanos. As estatísticas oficiais das exportações de 2007 indicam que 80% da produção de chéchias da Tunísia é exportada, principalmente para a Argélia, Marrocos e Sudão, mas também para o Próximo Oriente e Ásia.

Fabrico A chéchia tradicional é feita de lã cardada tricotada por mulheres que confecionam os gorros kabbous. Estes são enviados para a foulage ("esmagamento" em ), onde são molhados com água quente e sabão e pisados por homens de tal forma que as malhas do tricô passam a ser praticamente impercetíveis. Segue-se a cardadura, que transforma o feltro em veludo penugento. Cada vez mais, a caradadura é substituída pelo uso duma escova metálica. É nesta fase de fabrico que a chéchia é tingida com o típico vermelhão, se bem que mais recentemente também se usem outras cores muito variadas.

A divisão do trabalho e repartição geográfica permitem uma produção artesanal em larga escala conservando a qualidade pela qual a chéchia de Tunes é célebre. No processo de fabrico de uma chéchia participam cerca de uma dúzia de pessoas de diversos pontos do país, escolhidos em função dos seus recursos humanos e materiais: Tecelagem da lã: Djerba e Gafsa; Tricotagem: Ariana (por mulheres especializadas chamadas kabbasat); "Esmagamento": El Batan (nas águas do Medjerda); Cardadura: El Alia; Tingimento: Zaghouan; Forma e acabamentos: Tunes.

A qualidade das águas tem um papel importante, daí a escolha de lugares diferentes para o esmagamento e tingimento.

Notas

"Chéchia" e "chéchoua" são termos franceses apropriados do ; o "é" em francês não tem, geralmente, o mesmo som aberto que tem em português, sendo antes fechado, como o "e" em "este" ou, mais raramente, como o primeiro "e" em "deve".

Bibliografia adicional

Ligações externas

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