Valdemar Costa Neto (São Paulo, 11 de agosto de 1949) é um administrador de empresas e político brasileiro. Atualmente, ocupa o cargo de Presidente Nacional do Partido Liberal (PL), tendo sido empossado em 28 de novembro de 2020 . serviu como deputado federal pelo estado de São Paulo durante seis mandatos, cargo do qual renunciou após ser condenado no âmbito do processo do Mensalão.

Filho de Waldemar Costa Filho, começou sua carreira política trabalhando para o pai, até se eleger deputado em 1991. Alcançou a liderança do PL ainda em seu primeiro mandato. Foi da base aliada do governo Itamar e fez oposição ao governo FHC.

Na base governista na gestão de Lula, foi acusado de participação no mensalão, pelo qual foi julgado em 2013 a sete anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Valdemar permaneceu como presidente do PL, aproximando-se do movimento "bolsonarista" e do presidente Jair Bolsonaro, o qual abrigou durante as eleições de 2022. Com a derrota do PL nas eleições, o partido que integra entrou com ação questionado as urnas eletrônicas. Em 2024, foi novamente preso após uma busca da Polícia Federal encontrar uma arma de herança familiar sem registro em sua residência..

Biografia Filho de Emília Caran Costa, Valdemar Costa Neto trilhou a carreira política seguindo os passos de seu pai, Waldemar Costa Filho, que foi quatro vezes eleito prefeito de Mogi das Cruzes. Desempenhou funções importantes, como chefe de gabinete e Secretário de Obras durante a gestão de Costa Filho, sendo apelidado de "boy" em Brasília devido às suas conexões familiares.

Ao longo de sua trajetória, foi eleito e reeleito deputado federal por seis mandatos consecutivos, nos períodos de 1991-1995, 1995-1999, 1999-2003, 2003-2005, 2007-2011 e 2011-2015. Renunciou ao mandato na Legislatura 2003-2007 em 1º de agosto de 2005, e novamente na Legislatura 2011-2015 em 5 de dezembro de 2013.

Valdemar Costa Neto é casado com Dana Vidal Costa, com quem tem a filha Catarina Vidal Costa. Também é pai de Waldemar Augusto, Carlos Eduardo e Paulo Marcelo.

Líder do extinto Partido Liberal Escolhido líder da bancada do extinto Partido Liberal ainda no seu primeiro mandato eletivo, Costa Neto foi onze vezes reeleito para o cargo.

Certa vez durante a eleição de 1990, Paulo Maluf percorreu vários municípios de São Paulo apresentando candidatos, entre eles Valdemar. Durante os comícios, chamava-os para a frente do palanque. Numa última parada, às 22h da noite, os deputados já exaustos decidiram ir num bar famoso por seu chope; quando Maluf os chamou, não estavam lá.

Base aliada ao Governo Itamar Valdemar Costa foi liderança política da administração do presidente Itamar Franco no Congresso Nacional.

A atuação política de Valdemar Costa Neto na Câmara dos Deputados, por outro lado, logo foi reconhecida em sua vocação fiscalizadora. Foi titular da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigou a privatização da VASP (companhia aérea pertencente ao governo de São Paulo), no curso de seu primeiro mandato.

Escândalo de Itamar no carnaval No carnaval de 1994, Valdemar foi um "pivô involuntário" do escândalo de Itamar com uma modelo (o presidente foi fotografado junto a modelo Lílian Ramos, que estava sem calcinha). Foi o deputado que levou Lílian ao camarote presidencial. Com a repercussão, Valdemar desmentiu insinuações da imprensa que a modelo seria garota de programa e disse que ela apenas queria conhecer o presidente: "Jamais passou pela cabeça dela que ia dar nisso aí". Depois de passada a polêmica, Lílian ainda consideraria se candidatar a deputada federal pelo PL, partido "com o qual mais se identifica". Valdemar aceitou apadrinhá-la, dizendo à Folha que esperava 200 mil votos. Em fevereiro de 1995, perguntado por Lilian se iria novamente ao carnaval no Rio, respondeu prontamente que "nunca mais".

Ainda tratando do caso, uma matéria de Josias de Souza, da Folha de S.Paulo, descreveu Valdemar como "amigo dos bicheiros cariocas". Em resposta, o deputado declarou não conhecer qualquer bicheiro, "carioca ou de qualquer outro Estado". Disse ainda que: "O equívoco de sua matéria talvez se deva ao fato de a escola campeã do Carnaval carioca [a Imperatriz Leopoldinense] ter como dirigente o pai de um vereador do PL carioca. Segundo a imprensa, este senhor seria banqueiro de bicho. Se o é ou não, não sei, e ainda não tive a oportunidade de conhecê-lo".

Em agosto de 1994, Costa Neto denunciou ao presidente o secretário Nacional de Vigilância Sanitária. João Geraldo Martinelli. Segundo ele, Marinelli "manipulava a lei" para favorecer moinhos de trigo, numa reação à secretaria municipal de Abastecimento de São Paulo, na época liderada por seu pai, Waldemar Costa. Logo após o secretário exigir que os moinhos adequassem seus produtos aos padrões de consumo, a vigilância sanitária baixou uma portaria alterando o grau aceitável de impurezas na farinha de trigo.

Oposição ao governo FHC O PL apoiou o candidato vencedor na eleição de 1994, Fernando Henrique Cardoso (FHC) do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Ainda antes do inicio de seu governo, o partido esclareceu que não haveria, no entanto, uma adesão automática à base alinhada. FHC esteve no escritório de Valdemar, e disse esperar o apoio do partido na aprovação das emendas constitucionais que o governo iria propor. Mesmo não tendo recebido ministérios, os partidos negociavam ainda cargos no segundo e terceiro escalão. "Esperamos que o Fernando Henrique dê o que o PL merece. Ainda tem muito espaço. Já temos postos de segundo e terceiro escalões no governo Itamar. Pretendemos mantê-los", disse Valdemar à Folha três dias antes da posse. Em entrevista, o deputado disse que o partido precisava desses cargos para poder crescer: "Temos que ter espaço para poder atender aos nossos prefeitos e deputados estaduais. Se não temos nada, vamos oferecer o quê?"

Em 19 de janeiro, mesmo ainda sem receber os cargos, Valdemar se dizia tranquilo: "Temos que ter paciência até fevereiro".

Reformas constitucionais e fisiologismo O ministro da Administração, Luiz Carlos Bresser Pereira, planejava contratar David Osborne, um assessor do presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, como consultor para a reforma do Estado. Quase todos os partidos foram contrários a indicação; Valdemar disse em 16 de março que o consultor "vai desaprender o que aprendeu aqui" e que cabia ao Brasil encontrar as soluções para seus problemas.

Em 28 de março, a Folha noticiava a intenção do PSDB, PFL e PMDB em concentrar o poder em um núcleo da base governista, excluindo partidos menores como o PTB, o PP e o PL. Em entrevista, Valdemar comentou que era "a política das velhas raposas do Congresso": "Eles querem encurralar, encostar o presidente à parede. Com maioria apertada, o presidente ficaria dependente deles."

Em abril, uma matéria da Folha sobre o fisiologismo no governo FHC ressaltou a "fórmula original" que Costa Neto usava para pedir cargos: ele escrevia o nome do indicado e o cargo pretendido num papel timbrado da liderança. Valdemar disse que: "Precisamos de espaço para atender o nosso pessoal. Quem fala que não quer cargo é um fingido. Não tem recurso para todos. Quem pode mais, chora menos".

Na votação de uma emenda constitucional que liberava a exploração do gás canalizado, Valdemar Costa Neto e o deputado Roberto Campos (PPR-RJ) fizeram campanha contra o texto do relator, Jorge Tadeu Mudalen (PMDB-SP). Em 11 de maio, na véspera do segundo turno de votação, Campos e Costa Neto conseguiram reunir 52 assinaturas para pedir a votação de um destaque supressivo, de modo a restaurar o texto original do governo. Quando no dia seguinte a Folha fez uma reportagem noticiando como o texto beneficiaria duas empresas específicas (a empreiteira OAS e a BR Distribuidora), a oposição pediu para adiar a votação, já que a emenda estava sob suspeição, o que os partidos governistas concordaram.

Outra reforma de FHC, a das telecomunicações, foi igualmente vítima dos lobbies organizados. Certa vez, o deputado Maluly Netto (PFL-SP) convidou vários deputados a uma "quibada", em referência ao quitute árabe; ao chegar, os deputados descobriam que o evento era patrocinado pelo Unibanco e pela Odebrecht, sócias num investimento no ramo. No meio da festa, técnicos começaram a palestrar aos parlamentares sobre os benefícios do fim do monopólio. Alguns deputados, incomodados, levantaram-se e foram embora; Valdemar, um deles, teria dito a Maluly: "Fala para estes caras pararem, ou o pessoal aqui vai acabar mudando de posição e votar contra a emenda". Quando a emenda das telecomunicações foi aprovada no primeiro turno, em 7 de junho, os partidos da base aliada aproveitaram para pedir mais cargos; segundo a Folha, Valdemar revindicava para o PL uma diretoria na Telesp. Ele havia votado a favor da emenda.

Logo depois, no dia 9 de junho, a imprensa noticiou que PP, PTB e o PL haviam ameaçado esvaziar o plenário durante a votação se a distribuição de cargos não começasse. Ao ser informado, o presidente FHC disse que tal ação seria "impatriotismo", ao que Valdemar esclareceu que não planejavam votar contra, mas só negar o quórum para aprovação. No mesmo dia, o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), disse que o governo iria distribuir os cargos, começando justamente pelas empresas de telecomunicação.

Expulsão de Romeu Tuma No final de maio, rumores que o senador Romeu Tuma planejava concorrer à prefeitura de São Paulo pelo PFL fizeram o PL ameaçar expulsá-lo, se não os negasse. Segundo Valdemar, o "assédio" do PFL era uma articulação de Guilherme Afif Domingos, candidato presidencial pefelista em 1989. Como líder liberal, Valdemar cobrou um posicionamento de Tuma e garantiu também que ele teria todo o apoio se quisesse se candidatar, pelo PL: "Não temos nada contra ele. Só o que queremos é acabar com o desgaste a que o partido está sendo submetido"; em resposta, Tuma disse que a atitude de Valdemar era "ditatorial". Em 26 de maio, Valdemar entrou com o pedido formal de expulsão, mas Tuma declarou que saía antes de ser expulso. À Folha, Tuma disse que já estava desprestigiado no partido, que não era convidado a eventos, que Valdemar sentia ciúmes pelos convites das outras legendas; já Costa Neto respondeu que: "A presença do senador muito nos honraria, mas ele não responde aos convites e prefere participar de jantares com integrantes de outros partidos". O senador Tuma e o filho, deputado Robson Tuma, saíram do PL em junho; na sua carta de despedida a Álvaro Valle, o presidente do PL, Tuma denunciou "certas lideranças estaduais [que] resolveram assumir a propriedade" do partido.

Em 10 de junho, a Folha noticiou que era o próprio assédio do PFL sobre os parlamentares do PL que dificultava a distribuição dos cargos federais: o governo contava que a bancada liberal sairia reduzida, logo não seria produtivo entregar agora cargos importantes. Valdemar pediu apoio a FHC contra a diminuição da sua bancada; além da diretoria da Telesp, pediu também uma coordenadoria da Caixa Econômica Federal e diretorias da Vale do Rio Doce.

Em um debate sobre cenas de sexo na televisão e a restrição de conteúdo por classificação indicativa, Valdemar defendeu a criação de um conselho de censura prévia, que seria formado pela sociedade civil para analisar os programas antes de sua exibição.