Eugenia é um conceito desenvolvido por Francis Galton no final do século XIX. Onde a partir do controle de natalidade, e outros métodos físicos, leis que proibiam casamentos inter-raciais ou inter-religiosos, busca-se a eliminação de grupos sociais e raciais com características e comportamentos anormais, fortalecendo os grupos dirigentes de cada época. Associada ao capitalismo industrial, a eugenia vende o discurso de aprimoramento racial em detrimento de outras populações, onde prioriza-se a raça branca e famílias com bom poder aquisitivo. Sendo assim, a eugenia não é apenas uma ideia racial ou etníco, mas também aborda aspectos físicos, culturais e sociais, sempre transvestido de "ciência dos bons nascimentos".

O movimento eugênico brasileiro foi um movimento racista e pseudocientífico do início do século XX, a que setores da intelectualidade e das elites políticas brasileiras aderiram com entusiasmo, o que possibilitou a institucionalização do movimento eugênico no Brasil e a publicação de um grande número de livros, teses acadêmicas e artigos em revistas e jornais de grande circulação, inclusive com a publicação de um periódico próprio, o Boletim de Eugenia. Apesar de apresentar características próprias, adaptadas à realidade social e ao conhecimento científico brasileiro, esse movimento ocorreu seguindo o interesse pela eugenia em países como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e França.

Para as elites brasileiras, a eugenia era um símbolo de modernidade, uma ferramenta científica capaz de colocar o Brasil no trilho do progresso e do tão sonhado "concerto das nações". Entre os temas mais tratados pelos eugenistas brasileiros estavam a educação higiênica e sanitária, a seleção de imigrantes, a educação sexual, o controle matrimonial e da reprodução humana e debates em torno da miscigenação, branqueamento e a regeneração racial.

Em linhas gerais, o movimento eugênico brasileiro manteve forte relação com as campanhas sanitárias e educacionais, tendo entre os principais entusiastas figuras prestigiadas da intelectualidade do período, mobilizando médicos, políticos e educadores, como Belisário Penna, Levy Carneiro, Renato Ferraz Kehl, Miguel Couto, Ernani Lopes, J. Porto-Carrero, Murilo de Campos, Heitor Carrilho, Fernando de Azevedo,Boletim de Eugenia, Volume I, N.º I, de janeiro de 1929. entre outros. Constituindo-se como um movimento polissêmico, difundiu-se principalmente em perspectivas de caráter "preventivo" e "positivo", relacionadas às questões sanitárias e educacionais. Contudo, ideias mais radicais, como propostas de esterilização e segregação, também fizeram parte do debate eugênico brasileiro, mobilizando intelectuais engajados no debate da ciência eugênica no cenário nacional da época. Vale destacar a atuação do médico e eugenista Renato Ferraz Kehl, figura central na divulgação da eugenia no país, responsável pela criação da pioneira Sociedade Eugênica de São Paulo, em 1918, tornando-se um dos principais divulgadores da eugenia no Brasil e publicando inúmeros livros sobre a temática. No final dos anos vinte, Kehl intensificou a difusão de propostas mais atreladas a orientações "negativas", ao estilo das preconizadas no norte da Europa e nos Estados Unidos; dentre suas iniciativas, destaca-se a criação do "Boletim de Eugenia", publicação dedicada à propaganda eugênica, periódico que se manteve em circulação entre os anos de 1929 e 1933, tornando-se um porta-voz de ideias e proposições mais severas e menos inclinadas em admitir a importância e centralidade das medidas educacionais e sanitárias nos propósitos mais amplos da ciência eugênica. Embora o modelo de eugenia desenvolvido no Brasil tenha sido menos radical do que aquele divulgado nos Estados Unidos e em países do norte da Europa, setores do movimento eugênico brasileiro defenderam medidas mais extremas, como é possível perceber nas polêmicas em torno da esterilização eugênica, da seleção de imigrantes e das posições divergentes sobre a valorização do "mestiço brasileiro".

Dentre as principais fontes para o estudo da eugenia no Brasil, destacam-se os conjuntos documentais formados pelos "Annaes de Eugenia" (1919), publicação reunindo as atividades e conferências da Sociedade Eugênica de São Paulo; as "Actas e Trabalhos" do Primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia (1929), sob os auspícios do influente presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Dr. Miguel Couto; o "Boletim de Eugenia" (1929-1933), criado por Kehl para dar novo fôlego à "cruzada eugênica" no Brasil; e os "Archivos Brasileiros de Hygiene Mental", periódico criado em 1925, uma publicação da Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM). Os "Archivos Brasileiros de Hygiene Mental" eram o órgão oficial de difusão e propaganda dos princípios da Liga Brasileira de Higiene Mental e seu instrumento de intercâmbio científico em escala nacional e internacional.

Histórico miniaturadaimagem|Centro Hartheim de eutanásia na Áustria - Eugenia da era nazista. As primeiras publicações sobre eugenia apareceram no Brasil em meados dos anos 1910, a partir de artigos publicados na imprensa do centro do país e em teses acadêmicas, especialmente em Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Ainda em 1918 foi fundada a Sociedade Eugênica de São Paulo, a primeira do gênero da América Latina. Sob a liderança de Renato Ferraz Kehl, o principal entusiasta da eugenia no Brasil, a sociedade reuniu mais de uma centena de associados, a maioria formada por médicos de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Até a data de sua morte (1974), ele defendeu a pertinência da eugenia como o remédio para os vários males da sociedade brasileira.

Durante os anos 1920, o Movimento Eugênico Brasileiro se organizaria em torno de outras instituições, como foi o caso da Liga Brasileira de Higiene Mental, instituição que incorporou o ideário eugênico com bastante interesse. Em 1929, o movimento se fortaleceria ainda mais com a criação do Boletim de Eugenia, periódico fundado e dirigido por Renato Ferraz Kehl, o incansável divulgador da eugenia no Brasil e na América Latina. Neste mesmo ano seria realizado o Primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia, organizado em comemoração ao centenário da Academia Brasileira de Medicina.

Presidido pelo médico legista e antropólogo Edgard Roquette-Pinto e secretariado por Renato Ferraz Kehl, o evento ficou marcado como um dos principais congressos de eugenia da América Latina, tendo reunido importantes figuras da comunidade intelectual brasileira e latino-americana. No início dos anos 1930, no auge das discussões sobre controle eugênico da imigração, dos matrimônios e da natalidade, eugenistas brasileiros fundariam a Comissão Central Brasileira de Eugenia, com o objetivo de assessorar o governo e as autoridades públicas em assuntos relacionados ao aperfeiçoamento eugênico da população.

Pesquisadores brasileiros miniaturadaimagem|Monteiro Lobato A historiadora Nancy Stepan foi uma das primeiras pesquisadores a fazer uma análise geral sobre a eugenia da América Latina. Seus estudos apontam para o fato de que "a forte mestiçagem inviabilizaria o Brasil como nação", segundo os padrões de eugenia americanos e europeus, que advogavam a existência de uma raça ariana superior, sem mistura de raças.

Entre os eugenistas brasileiros que mais se empenharam na organização e divulgação do movimento no Brasil se encontram Renato Kehl, Monteiro Lobato (1882-1948), Belisário Penna (1868-1939), Octávio Domingues e Edgard Roquette-Pinto (1884-1954). Importante assinalar a participação, que se destacava do ideário do movimento eugenista, de intelectuais/educadores como Belisário Penna, Roquette-Pinto e Juliano Moreira. Tanto a ideia de "branqueamento" ou de "crítica à miscigenação", para não mencionarmos outros pressupostos abertamente racistas do movimento, estavam ausentes do corpo central do pensamento e da ação pública desses..

Dentre os principais escritores brasileiros, destaca-se Monteiro Lobato, devido a sua grande influência na infância da maior parte da população, até depois dos anos 2000, ainda que tenha vivido entre 1882 e 1948. "Jeca Tatu" e "O presidente Negro" (1926) são obras da literatura com abordagens explicitas sobre o pensamento de inferioridade negra.

Eugenia Brasileira Atual Em 2023, o estudante Weber do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), abordou aspectos sobre a eugenia atual do Brasil, como os ataques sofridos durante a ditadura militar e os diferentes aspectos da pandemia de Covid-19. A Eugenia Brasileira teve grande aporte com a a política de imigração europeia, ainda sim a população do pais, representa mais de 50% de sua população. Na década de 60 houve intenso investimento no controle de natalidade, principalmente na região nordeste do pais, a partir do controle de natalidade em razão do "planejamento familiar" com alvo em mulheres pretas e pobres, além da criação do "Esquadrão da Morte" que tinha por objetivo ceifar a vida de homens negros, sejam esses trabalhadores ou não. Na 7° Conferência Nacional de Saúde escreveu-se: A única medida profilática seria a não procriação dos enfermos esquizofrênico.

No Brasil, a eugenia contemporânea, assim como o racismo são velados, com propostas de exclusão em vista da melhorar a sociedade. Com amplo investimento dos Estados Unidos, o Estado se desenvolveu, em detrimento de sua população que vivia subnutrida e quase 50% da população não possuíam os mínimos recursos para sobreviver, situação que permanece da vida do Brasileiro, ainda que o pais tenha saído do mapa da fome. A Eugenia Brasileira, foi um dos fatores que auxiliou no desenvolvimento e consolidação da grande desigualdade social do pais.

Atualmente, os aspectos relacionados a aparência, circundam fatores de "democratização do acesso" as harmonizações faciais, onde pessoas deformam seus rostos em busca da "aparência perfeita". Outro aspecto da eugenia atual foi a Pandemia de Covid-19, onde o pais viveu uma crise sanitária, com o apagamento de dados importantes para a população como raça/cor e CEP dos relatórios da doença, além da utilização da população como "cobaias" para o teste de eficácia de medicamentos, sem o consentimento da população. Neste período, foi propagado por lideranças políticas que a pandemia seria um aspecto de "seleção natural", porém é notável que a crise afetou de maneira desproporcional a população mais vulnerável, trabalhadores, pobres, pretos e periféricos.

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