Jorge Japur (Quaraí, 14 de junho de 1926 - Santana do Livramento, 10 de junho de 2003) foi um radiodifusor, radialista, cinéfilo e colecionador de rádios brasileiro. Fundador da Rádio Quaraí AM, foi um dos pioneiros da radiodifusão na fronteira oeste do Rio Grande do Sul e no norte do Uruguai. Foi também um dos sócios-fundadores da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (AGERT).
Biografia
Era filho do imigrante libanês Abraão José Japur e da uruguaia filha de libaneses Joana Mercedes.
Desde pequeno despertou o gosto pela eletrônica e era fascinado pelo cinema e pelo rádio. Ao lado de familiares, como o seu irmão Nadir Japur, e de amigos como o uruguaio Basílio Borgato, pôs em prática o sonho de criar uma emissora na cidade de Quaraí, que até a década de 60 não possuía energia elétrica em tempo integralCHEGUHEM, Sonia S. Quaraí Histórico “I”. Quaraí: [S.n.], 1991-a. Autodidata, construiu um transmissor artesanal que serviu para pôr em funcionamento a emissora antes de ela ser legalizada, em 1957. Foi um dos sócios fundadores da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (AGERT). Segundo a edição de 11 de junho de 2003 do jornal Zero Hora, um dia após o seu falecimento, “Japur era considerado um ícone do radialismo”, por ter atuado mais de 50 anos no ramoObituário. Zero Hora, 10 de junho de 2003.. Casado três vezes, teve três filhos: Vânia Japur e Harvey Japur do primeiro casamento, e Jorge Alberto Lamb Japur, jornalista responsável e atual diretor executivo da Rádio Quaraí AM, fruto do seu matrimônio com Izar Teixeira Lamb, que atualmente é uma das sócias da emissora.
Sempre irreverente Japur foi locutor dos programas Ponto de Encontro e do Informativo do meio-dia. No primeiro, falava dos problemas da comunidade e fazia campanhas para famílias carentes. No informativo do meio-dia repassava recados, muitas vezes cômicos, aos moradores da zona rural dos municípios de Quaraí e Artigas. Dentre as histórias, que já fazem parte do anedotário local, destaca-se: “Atenção no interior do município, atenção no interior do município...”, alertava Jorge Japur, que foi o responsável pelo Informativo até o ano do seu falecimento. “Fulano, avisam aqui da cidade que cicrano está doente... é importante que tu venhas pra cá já”. A verdade, no entanto, é que a pessoa adoentada havia falecido no hospital de Quaraí, e estava posta a questão de como avisar os familiares do mesmo - moradores da zona rural - sobre isso. A saída de Japur foi: “por via das dúvidas, vem de luto!”.[http://pt.scribd.com/doc/83930892/Analise-da-Atividade-Midiatica-de-uma-Emissora-Fronteirica-Estudo-de-Caso-da-Radio-Quarai-AM-Jorge-Robespierre-Tomas-Japur JAPUR, Jorge R. T. Análise da Atividade Midiática de uma Emissora Fronteiriça: Estudo de Caso da Rádio Quaraí AM]. Santa Maria: UFSM, 2009. Monografia, Faculdade de Comunicação Social, Universidade Federal de Santa Maria, 2009..
No final da década de 50 aproveitou a estada em Quaraí da escritora de radionovelas Hedy Maia (escritora de A Cabana do Pai Tomás, novela veiculada pela Rede Globo) para introduzir o gênero na região, através da veiculação pela Rádio Quaraí de quatro radionovelas produzidas pela escritora, com a utilização de radioatores locais pertencentes ao Brasil e ao Uruguai. As radionovelas foram A Canção da Vingança, A Loura de Vermelho (que posteriormente ficou conhecida como La Rubia de Rojo pela participação de radioatores uruguaios), Os Mortos não Falam e Sorriso do Cadáver. Segundo um trabalho acadêmico sobre as radionovelas da Rádio Quaraí, “antes mesmo do Brasil questionar quem matou Salomão Ayala [...], na pequena Quaraí, no fim da década de 50, a população queria descobrir quem havia matado a personagem Jandira”PONTE, Janine Toma. Pelas ondas da Rádio Quaraí: A Escritora e o Círculo de Ilusões. Santa Maria: UFSM, 2000. Monografia, Faculdade de Comunicação Social, Universidade Federal de Santa Maria, 2000. Japur também auxiliou na divulgação da Música Nativista, através da divulgação e transmissão de festivais como a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, a Tertúlia Musical Nativista de Santa Maria, a Salamanca da Canção Nativa de Quaraí, dentre outros. Nesse intento contou com a participação de amigos como o radialista e compositor Luiz Menezes.
No dia do seu falecimento a emissora não fechou, atendendo a um pedido feito pelo próprio Japur em vida: “Quando eu morrer, a rádio tem que ficar aberta para que todos saibam que eu morri”, brincava Japur. Na ocasião a emissora veiculou durante todo o dia um CD que continha músicas em que Japur cantava serestas e boleros. Nesse período, brasileiros e uruguaios deixaram as suas últimas homenagens através dos microfones da Rádio QuaraíMorre o Pioneiro da Radiodifusão na Fronteira. Folha de Quaraí, 11 de junho de 2003.. Um dos depoimentos mais emblemáticos foi feito por um uruguaio que disse o seguinte aos prantos: “Japur no fue alguien importante solamente para Quaraí... Artigas también llora, por todo que él hizo y nos enseño… La comunidad de Artigas reconoce todo que la radio hizo por nuestra gente… Si, la frontera tiene una deuda contigo… hoy es un día triste”.
Fontes e referências
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