As eleições municipais na cidade de São Paulo em 1985 ocorreram em 15 de novembro, como parte das eleições em 201 municípios nos 23 estados brasileiros e nos territórios federais do Amapá e Roraima. Foi a primeira eleição da Nova República e a primeira vez que os paulistanos escolheram seu prefeito pelo voto direto desde José Vicente Faria Lima em 1965.
Professor do Colégio Dante Alighieri e do Colégio Vera Cruz antes ingressar na Universidade de São Paulo, o advogado Jânio Quadros era natural de Campo Grande. Filiado à UDN nos meses finais do Estado Novo, migrou para o PDC e perdeu a eleição para vereador na capital paulista em 1947, mas assumiu o mandato no ano seguinte graças à cassação da bancada comunista.O Tribunal Superior Eleitoral cassou o registro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 7 de maio de 1947, num enredo que terminou em 10 de janeiro de 1948, quando o Congresso Nacional declarar extintos os mandatos comunistas, decisão replicada em todo o país. Eleito deputado estadual em 1950 e prefeito de São Paulo em 1953, ingressou no PTN e venceu a eleição para governador de São Paulo em 1954. Em mais uma mudança partidária, foi eleito deputado federal pelo PTB do Paraná em 1958, mas voltou ao PTN no curso do mandato.Antônio Prestes Franco era primeiro suplente de deputado estadual eleito pelo PDC em 1950 e quando Jânio Quadros renunciou à prefeitura de São Paulo, o vice-prefeito Porfírio da Paz assumiu o cargo, assim como Kalil Maia Neto assumiu o mandato de deputado federal após 1960.
Eleito presidente da República em 1960, governou o país entre 31 de janeiro e 25 de agosto de 1961, quando renunciou ao cargo num gesto interpretado como "o primeiro passo de um autogolpe de Estado". Nas horas seguintes, a falta de apoio entre os políticos, militares e a população, demonstrava o isolamento presidencial. O presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assumiu o governo até a volta de João Goulart ao Brasil, sendo empossado no dia 7 de setembro perante o Congresso Nacional. Quanto a Jânio Quadros, o mesmo disputou o governo paulista em 1962, mas foi vencido por Ademar de Barros. Quando o Regime Militar de 1964 tomou o poder, cassou os direitos políticos de Quadros por dez anos, mas ele permaneceu fora da vida pública além desse prazo. Recriado o PTB, disputou, sem sucesso, o governo de São Paulo em 1982, mas elegeu-se prefeito da capital paulista em 1985.
Nascido em São Paulo, o advogado Artur Alves Pinto elegeu-se vereador na nesta cidade pela ARENA em 1972 e 1976. Nos anos seguintes, venceu a eleição para deputado estadual em 1978, ingressou no PDS em 1980 e nesse mesmo ano tornou-se secretário do Interior no governo Paulo Maluf. Reeleito para a Assembleia Legislativa de São Paulo em 1982, migrou para o PFL com a instauração da Nova República, e por esta legenda foi eleito vice-prefeito de São Paulo na chapa de Jânio Quadros em 1985.Artur Alves Pinto não renunciou ao mandato de deputado estadual, preferindo licenciar-se do mesmo para assumir o cargo de vice-prefeito. Entre 10 de abril e 10 de maio de 1986, comandou a prefeitura de São Paulo durante uma viagem de Jânio Quadros ao exterior, mas a partir de então afastou-se do executivo paulistano afim de não se tornar inelegível, pois disputou, e conseguiu, a reeleição para deputado estadual em 1986. Mesmo sob ameaça de cassação, preservou o cargo de vice-prefeito sob uma nova licença e em dezembro de 1988 assumiu a secretaria de Esportes e Turismo no governo Orestes Quércia.
Contexto
Contando com o apoio de figuras do empresariado como Olavo Setúbal e Herbert Levy, além dos setores e figuras mais conservadoras da sociedade paulistana, como a TFP, Opus Dei, o deputado federal Paulo Maluf e o ex-ministro Antônio Delfim Netto, Jânio Quadros retornou à cena política pelo PTB, derrotando o senador Fernando Henrique Cardoso (PMDB), apoiado pelo governador Franco Montoro e o prefeito Mário Covas, num pleito onde o deputado federal Eduardo Suplicy (PT) representou a esquerda. Vitorioso, o ex-presidente tornou-se o décimo segundo prefeito eleito diretamente pelos paulistanos.
A vitória de Jânio Quadros contrariou os prognósticos dos institutos de pesquisa e contradisse as avaliações segundo as quais o ex-presidente era tido como um nome "ultrapassado" no novo contexto da política brasileira emergente do processo de redemocratização e da campanha das Diretas Já. Fernando Henrique Cardoso, o então primeiro colocado nas pesquisas, chegou a tirar uma foto, publicada pela revista Veja, sentado na cadeira de prefeito de São Paulo. Tal fato levou Jânio a tomar posse com um tubo de inseticida nas mãos, declarando: "Estou desinfetando a poltrona porque nádegas indevidas a usaram".
Resultado da eleição para prefeito Foram apurados 3.997.697 votos nominais (95,41%), 37.575 votos em branco (0,90%) e 154.769 votos nulos (3,69%), resultando no comparecimento de 4.190.041 eleitores.
Candidatos a prefeito de São Paulo Candidatos a vice-prefeito Número Coligação Votação PercentualJânio QuadrosPTB Artur Alves PintoPFL 14 PTB - PFL 1.572.260 39,33%Fernando Henrique CardosoPMDB Caio Pompeu de ToledoPMDB 15 PMDB (sem coligação) 1.431.175 35,80%Eduardo SuplicyPT Luiza ErundinaPT 13 PT (sem coligação) 827.452 20,70%Francisco RossiPCN Rogério Monteiro da SilvaPCN 31 PCN (sem coligação) 68.305 1,71%Ana Rosa TenentePH Afonso Henrique Horta SampaioPH 19 PH (sem coligação) 45.0681,13%Pedro Geraldo CostaPPB Dorival ZitoPPB 16 PPB (sem coligação) 27.8870,70%Antônio Carlos FernandesPMC José RibamarPMC 18 PMC (sem coligação) 8.1070,20%Ruy CôdoPL Renato BaruffaldiPL 22 PL (sem coligação) 4.612 0,12%José Maria EymaelPDC Celso KassabPDC 17 PDC (sem coligação) 4.578 0,11%Armando Corrêa PMB Carlos Mitio YamashitaPMB 26 PMB (sem coligação) 4.187 0,10%Rivailde OvídioPSC Sérgio BuenoPSC 20 PSC (sem coligação) 4.066 0,10%Rogê FerreiraPSB Oswaldo MelantonioPSB 40 PSB (sem coligação) Rogê Ferreira renunciou à sua candidatura em 31 de outubro e Ademar de Barros Filho em 9 de novembro, ambos para apoiar Fernando Henrique Cardoso. Ademar de Barros FilhoPDT David LererPDT 12 PDT (sem coligação) Fontes:
1985 1985