Jacob Pick Bittencourt, mais conhecido como Jacob do Bandolim (Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 1918 – Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1969), foi um músico, compositor e bandolinista brasileiro de choro.
Jacob do Bandolim foi um dos grandes músicos do choro, modernizando o estilo com a introdução de outros instrumentos não usuais no gênero, como o sanfona e o vibrafone. São de sua autoria clássicos do choro como Vibrações, Doce de Coco, Noites Cariocas, Assanhado e Receita de Samba. Alcançou popularidade ao montar o conjunto Época de Ouro no início da década de 60, que permanece em atividade até hoje.
Biografia Jacob nasceu na capital fluminense, em 1918. Era filho do capixaba Francisco Gomes Bittencourt e da judia polonesa Raquel Pick, nascida na cidade de Łódź. Morou durante a infância no bairro da Lapa, à Rua Joaquim Silva, 97, no Rio de Janeiro.
Sua mãe (Raquel ou Rachel) fazia parte do grupo apelidado de "as polacas", constituído por mulheres de origem geralmente polonesa – ou de regiões vizinhas da Europa – traficadas para países da América a fim de trabalharem como prostitutas.As polacas: vista ao set de filme que resgata história de imigrantes levadas a se prostituir. Por Emiliano Urbim. O globo, 21 de agosto de 2022. Raquel Pick (pronuncia-se "Pitsk") desempenhou papel importante entre as polacas, tendo atuado para que essas mulheres tivessem apoio mútuo em vida e para que fossem enterradas de maneira digna e conforme os rituais judaicos, no Cemitério de Inhaúma. No grupo, Rachel usava o nome de guerra de Regina, o que é confirmado pelo depoimento de Sérgio Bittencourt, filho de Jacob.
Morava em uma casa avarandada com jardim, em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), entre rodas de choro e grandes amigos chorões. Apesar de não ser um entusiasta do carnaval, gostava do frevo. Estudou em escolas tradicionais, como no Colégio Cruzeiro (escola referencial da comunidade alemã) e no Colégio Anglo-Americano. Fez o CPOR e trabalhou no arquivo do Ministério da Guerra, quando já tocava bandolim. Por fim, Jacob fez carreira como serventuário da justiça no Rio de janeiro, tendo sido escrivão de uma das varas criminais da capital.
Entre seus ídolos estavam Almirante, Orestes Barbosa, Noel Rosa, Nonô (pianista, tio de Ciro Monteiro e parente do cantor Cauby Peixoto), Bonfiglio de Oliveira, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Sinhô, Paulo Tapajós, João Pernambuco, Capiba e Luiz Vieira.
Em 1968 foi realizado um espetáculo no Teatro João Caetano (Rio de Janeiro) em benefício do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Com Jacob do Bandolim, a Divina Elizeth Cardoso, Zimbo Trio e o Época de Ouro. A apresentação de Jacob tocando a música Chega de Saudade (Tom Jobim/Vinicius de Moraes) foi antológica. Foi lançado álbum com dois longplays (LP) da gravação original do espetáculo, em edição limitada.
Teve um casal de filhos, sendo um deles o jornalista (O Globo, Última Hora) e compositor Sérgio Bittencourt, que era hemofílico e faleceu com apenas 38 anos, em 1979. Sua filha, Elena Bittencourt, cirurgiã dentista, fundou e presidiu o Instituto Jacob do Bandolim; faleceu em 2011, por problemas cardíacos.Falece Elena Bittencourt, filha de Jacob
Jacob do Bandolim passou sua última tarde no bairro de Ramos, em visita a seu amigo, o compositor Pixinguinha. Ao chegar à varanda da sua casa, cansado e esbaforido, caiu nos braços de sua esposa, Adília, já sem vida.
Início da carreira miniaturadaimagem|234x234px|Da esquerda para direita: Jacob do Bandolim, Flávio Cavalcanti, Taiguara e Sérgio Bittencourt (década de 1960) Alguns mencionam que, quando criança, no bairro da Lapa, Jacob ouvia um vizinho francês e cego tocar violino. Este acabou por ser, aos 12 anos de idade, seu primeiro instrumento, presenteado por sua mãe. Apesar de ser algo que Jacob viria a ocultar durante toda a vida, sua mãe era uma "polaca", judia polonesa que teria sido trazida ao Brasil no início do século XX para trabalhar como prostituta. Por não se adaptar ao arco do violino, Jacob começou a tocá-lo usando grampos de cabelo. Pouco depois ele ganhou seu primeiro bandolim, um modelo de cuia, napolitano.
Jacob não teve professor, sempre foi autodidata. Treinava repetindo os trechos de músicas que ouvia em casa e na rua. Com 13 anos ouviu seu primeiro choro, tocado no prédio em frente a sua casa. A música era É Do Que Há, composta por Luiz Americano. Em 20 de dezembro de 1933, se apresentou pela primeira vez na Rádio Guanabara, ainda como amador, com o conjunto Sereno, formado por amigos. Tocaram o choro Aguenta Calunga, de autoria de Atilio Grany. Jacob, que nessa época ainda tocava de ouvido, não gostou de seu desempenho e decidiu praticar ainda mais.
Em 1934, Jacob se apresentou ao violão no Programa Horas Luzo-Brasileiras, na Rádio Educadora do Brasil e no Clube Ginástico Português, acompanhando o violonista Antonio Rodrigues e os cantores de fado Ramiro D'Oliveira e Esmeralda Ferreira. A fase fadista não durou muito.
Ao se decidir pelo bandolim como instrumento Jacob iniciou sua carreira no rádio em 17 de maio de 1934, no Programa dos Novos, na Rádio Guanabara. O programa contava com um júri composto por, dentre outros, Orestes Barbosa, Francisco Alves e Benedito Lacerda. Jacob, que havia entrado no concurso sem pretensões profissionais, saiu vencedor, disputando com outros 28 concorrentes e recebendo nota máxima do júri.
Carreira no rádio Com a vitória no concurso da Rádio Guanabara, Jacob foi chamado para revezar, com o já consagrado conjunto de Benedito Lacerda, o Gente do Morro, no acompanhamento dos grandes artistas da época, entre eles, Noel Rosa, Augusto Calheiros, Ataulfo Alves, Carlos Galhardo e Lamartine Babo. Seu conjunto passou a se chamar então "Jacob e sua gente" e era formado por Osmar Menezes e Valério Farias "Roxinho" nos violões, Carlos Gil no cavaquinho, Manoel Gil no pandeiro e Natalino Gil no ritmo.
Com o sucesso na Rádio Guanabara Jacob passou a ser presença comum nos programas de rádio. Ganhava cache se apresentando em diversas rádios, como Rádio Cajuti, Rádio Fluminense, Rádio Transmissora (atual Rádio Globo, Rádio Mayrink Veiga, onde atuava no Programa do Casé, e na Rádio Ipanema, que virou Rádio Mauá e onde Jacob ganhou um programa só seu.
Morte Jacob morreu em 13 de agosto de 1969, aos 51 anos, tendo sofrido um infarto cardíaco nos braços da esposa Adylia. Ele voltava da casa de Pixinguinha, onde tinha começado a planejar um novo disco. Foi sepultado no Cemitério do Caju.
Discografia Em 78 RPM (10 pol) Data Gravadora Faixa - Estilo (Compositor) 1947 Continental Treme-Treme - choro (Jacob) / Glória - valsa (Bonfiglio de Oliveira) 1948 Continental Salões Imperiais - valsa (Jacob) / Flamengo - choro (Bonfiglio de Oliveira) 1948 Continental Remelexo - choro (Jacob) / Feia - valsa (Jacob) 1949 RCA Victor Despertar da Montanha - tango (Eduardo Souto) / Língua de preto - choro (Honorino Lopes) 1949 Continental Cabuloso - choro (Jacob) / Flor amorosa - choro (Joaquim A. S. Callado) 1949 RCA Victor Flor do Abacate - choro (Álvaro Sandim) / Dolente - choro (Jacob) 1950 RCA Victor Choro de Varanda - choro (Jacob) / Teu beijo - choro (Mário Alves) 1950 RCA Victor Saudações - choro (Otávio Dias Moura) / Graúna - choro (João Pernambuco) 1950 RCA Victor Mexidinha - polca (Jacob) / Teu Aniversário - choro (Pixinguinha) 1950 RCA Victor Simplicidade - choro (Jacob) / Bonicrates de Muletas - choro (Biliano de Oliveira) 1950 RCA Victor Numa Seresta - choro (Luiz Americano) / Encantamento - valsa (Jacob) 1950 RCA Victor Pé de Moleque - choro (Jacob) / Sorrir Dormindo - valsa (Juca Kalut) 1951 RCA Victor Bole-Bole - samba (Jacob) / Nostalgia - choro (Jacob) 1951 RCA Victor Elza - valsa (A. F. Conceição - Xavier Pinheiro) / Vascaíno - choro (Jacob) 1951 RCA Victor Lamentos - choro (Pixinguinha) / Siri Tá no Pau - polca (Miguel A. Vasconcelos) 1951 RCA Victor Vale Tudo - partido alto (Jacob) / Cristal - choro (Jacob) 1951 RCA Victor Mar de Espanha - valsa (Bonfíglio de Oliveira - Rogério Guimarães) / Doce de Coco - choro (Jacob) 1952 RCA Victor Forró de Gala - coquinho (Jacob) / Biruta - partido alto (Jacob) 1952 RCA Victor Migalhas de Amor - choro (Jacob) / Gostosinho - choro (Jacob) 1952 RCA Victor Saxofone, porque Choras? - choro (Severino Rangel “Ratinho”) / Eu e Você - choro (Jacob) 1952 RCA Victor Nenê - tango (Ernesto Nazareth) / Confidências – valsa (Ernersto Nazareth) 1952 RCA Victor Tenebroso - tango (Ernersto Nazareth) / Faceira - valsa (Ernersto Nazareth) 1952 RCA Victor Turbilhão de Beijos - valsa (Ernersto Nazareth) / Atlântico - tango (Ernersto Nazareth) 1952 RCA Victor Odeon - tango (Ernersto Nazareth) / Saudade – valsa (Ernersto Nazareth) 1953 RCA Victor Sapeca - frevo (Jacob) / Sai do Caminho - frevo (Jacob) 1953 RCA Victor Brotinho - baião (Sergio Bittencourt) / Rapaziada do Brás - valsa (Alberto Marino) 1953 RCA Victor Entre mil, ...você ! - choro (Jacob) / Pardal embriagado - choro (Patrocínio Gomes) 1953 RCA Victor Tatibitate - choro (Jacob) / Por que Sonhar? - choro (Jacob) 1953 RCA Victor Nosso Romance - choro (Jacob) / Reminiscências - choro (Jacob) 1954 RCA Victor Feitiço - choro (Jacob) / Vidinha Boa - mazurca (Jacob) 1954 RCA Victor Santa Morena - valsa (Jacob) com orquestra / Saudade - samba canção (Jacob) 1954 RCA Victor Bola Preta - choro (Jacob) / Saliente - choro (Jacob) 1955 RCA Victor Nego Frajola - samba (Jacob) / Mimosa - polca (Jacob) 1955 RCA Victor Sempre Teu - choro (Jacob) / Um a Zero - choro (Pixinguinha - Benedito Lacerda) 1955 RCA Victor Benzinho - choro (Jacob) / Ciumento - choro (Jacob) 1955 RCA Victor Alvorada - choro (Jacob) / Meu Segredo - choro (Jacob) 1956 RCA Victor Buscapé - frevo (Jacob) / Pimenta no Salão - frevo (Jacob) 1956 RCA Victor André do Sapato Novo - choro (André Vítor Corrêa) / Carícia - choro (Jacob) 1956 RCA Victor Agüenta, seu Fulgêncio - choro (Lourenço Lamartine) / Serenata no Joá - choro (Radamés Gnattali) 1956 RCA Victor Só Tu Não Sentes - valsa (José Francisco Costa “Costinha”) / Flor do Mal - valsa (Santos Coelho) 1956 RCA Victor Revendo o Passado - valsa (Freire Junior) / Alma Brasileira - valsa (Fernando Magalhães) 1956 RCA Victor De Limoeiro à Mossoró - ponteado (Jacob) / Diabinho Maluco - choro (Jacob) 1956 RCA Victor Tira Poeira - choro (Sátiro Bilhar) / Amapá - (Juca Storoni) 1957 RCA Victor Isto é Nosso - choro (Jacob) / Noites Cariocas - choro (Jacob) 1957 RCA Victor Sofres Porque Queres - choro (Pixinguinha) / Cochichando - choro (Pixinguinha) 1958 RCA Victor Implicante - choro (Jacob) / Mágoas - choro (Jacob) 1959 RCA Victor Fubá - maxixe (Romeo Silva) / Velhos Tempos - choro (Jacob) 1960 RCA Victor Parati Dançante - choro (Eduardo Souto) / Chorando - choro (Ary Barroso) 1960 RCA Victor Gostosinho - choro (Jacob) / Simplicidade - choro (Jacob) 1961 RCA Victor Assanhado - samba (Jacob) / Não me Toques - choro (Zequinha de Abreu) 1962 RCA Victor Um Bandolim na Escola - samba (Jacob) / Falta-me Você - choro (Jacob)
Em 45 RPM (7 pol)
Compactos Simples (todos são reedições)
Data Gravadora Faixa - Estilo (Compositor) 1953 -- Vale tudo - partido alto (Jacob) / Doce de Coco - choro (Jacob) 1956 -- Revendo o Passado - valsa (Freire Junior) / Alma Brasileira - valsa (Fernando Magalhães) 1956 -- Agüenta, seu Fulgêncio - choro (Lourenço Lamartine) / Serenata no Joá - choro (Radamés Gnattali) 1957 -- Isto é Nosso - choro (Jacob) / Noites cariocas - choro (Jacob) 1958 -- Sofres Porque Queres - choro (Pixinguinha) / Cochichando - choro (Pixinguinha)
Em 33 RPM
Compacto Duplo (7 pol)
Data Gravadora Faixa - Estilo (Compositor) 1964 RCA Victor Assanhado - samba (Jacob) Obs.: reedição do 78 rpm nº 80.2339 / Não me Toques - choro (Zequinha de Abreu)
Long Play (10/12 pol)