Joseph Albert (Bordéus, 24 de novembro de 1875 – Paris, 12 de novembro de 1908) foi um militante e escritor anarquista individualista francês. Sob o pseudônimo Albert Libertad (conhecido também apenas como Libertad), notabilizou-se como o editor da publicação anarquista L'Anarchie.
Vida Joseph Albert nasceu em Bordéus, sendo abandonado pelos pais ainda bebê. Em decorrência de uma doença na infância, perdeu o uso das pernas, mas acabou utilizando as muletas como armas em confrontos com a polícia. Anos mais tarde, passou para a tutela da Assistência Pública de Bordéus, responsável pelo acolhimento de crianças abandonadas.
Em 1896, aos 21 anos, mudou-se para Paris e rapidamente passou a atuar em círculos anarquistas, chegando a viver nos escritórios do jornal Le Libertaire. Ficando conhecido por seu pseudônimo Libertad, participou de diversos grupos anarquistas e foi defensor da propaganda pelo ato. Apesar disso, candidatou-se como abstencionista no 11.º arrondissement de Paris, em 1902 e 1904, utilizando as campanhas eleitorais como meio de difundir ideias anarquistas.
Durante o caso Dreyfus, fundou a Liga Antimilitarista (1902) e, em parceria com Paraf-Javal, criou as Causeries populaires, espaços de debates públicos que atraíram grande interesse no país. Essa iniciativa contribuiu para a abertura de uma livraria e de vários clubes em diferentes bairros de Paris.
Em 1905, fundou L'Anarchie, provavelmente o mais influente jornal do anarquismo individualista, que contou com colaboradores como André Lorulot, Émile Armand, Victor Serge e sua companheira Rirette Maîtrejean.
O teórico francês Raoul Vaneigem relatou que Libertad ganhou notoriedade por uma chamada à ação em que “convidou os cidadãos a queimar os seus documentos de identificação e tornar-se humanos novamente, recusando-se a deixar-se reduzir a um número, devidamente registrados nos inventários de estatística do Estado”. Trabalhou como revisor com Aristide Briand, editando La Lanterne, e depois com Sébastien Faure. Ativista do amor livre, Libertad também escreveu no En Dehors, jornal fundado por Zo d’Axa.
No dia 6 de novembro de 1908, foi admitido no Hospital Lariboisière, em Paris, após uma briga seguida de uma batida policial. Segundo o relatório médico, Libertad morreu seis dias depois vítima de doença infecciosa grave (possivelmente fleuma ou carbúnculo). Em relatos publicados por alguns autores anarquistas sugeriram que ele teria sido envenenado com antraz, mas a falta de evidências oficiais tornam essa interpretação especulativa.
Anarquismo Em 14 de julho de 1906, nas comemorações do Dia Nacional da França, o periódico L'Anarchie publicou e distribuiu, em Paris, 100.000 exemplares do manifesto La Bastille de l’Autorité (“A Bastilha da Autoridade”), dirigido ao público leitor do movimento anarquista. Além da intensa atividade de propaganda contra a ordem social, Libertad organizava festas, bailes e excursões pelo país para expressar sua concepção do anarquismo como “alegria de viver”, e não como sacrifício militante ou culto da morte. Buscava conciliar a autonomia individual com a luta contra a sociedade autoritária.
Libertad mostrava-se contrário à oposição entre revolta individual e revolução social, sustentando que a primeira constitui um momento da segunda, e não a sua negação. Para ele, a revolta emerge da tensão própria do indivíduo e, ao se ampliar, pode assumir um caráter de libertação social. Em sua perspectiva, o anarquismo não implica isolamento social, vida em comunidades separadas ou submissão a papéis sociais tradicionais, mas a prática imediata de viver como anarquista, sem concessões. Nessa formulação, revolta individual e revolução social não se excluem, mas se complementam.
Obra
Le Culte de la charogne. Anarchisme, un état de révolution permanente (1897-1908), Éditions Agone, 2006. ISBN 2-7489-0022-7
Ver também
Antiautoritarismo Anarquismo na França
Ligações externas
EnDehors Arquivo sobre Albert Libertad na "Anarchist Library" "Albert Libertad Library" Artigo "Freedom" escrito por Libertad (Archived 2009-10-25)
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