Angatupyry, na mitologia guarani, é o espírito do bem encarregado por Tupã de, juntamente com Taû, o espírito do mal, servir de guia para Rupavé e Sypavé, o pai e a mãe da humanidade criados por Tupã, pelos caminhos da vida.COLMÁN, Narciso R. Nuestros Antepasados (Ñande Ypykuéra): El Arte", 1922.Diccionario de Mitos y Leyendas. Acesso em 17 de dezembro de 2012.

A figura de Angatupyry não tem registro identificável antes da publicação do poema Ñande Ypykuéra (“Nuestros Antepasados”, 1922) do poeta paraguaio Narciso R. Colmán (“Rosicrán”), uma teogonia guarani ficcional que se tornou tão popular que, para a maioria do público sul-americano não-indígena, incluindo o brasileiro, as narrativas nele contadas são consideradas como a autêntica mitologia dos povos guaranis. Muitas das versões modernas da mitologia guarani difundidas em sites na internet, incluindo Tupã como deus supremo e criador da humanidade e as próprias figuras de Rupavê e Sypavê, inexistentes nos mitos guaranis, derivam direta ou indiretamente desse poema.ROJAS, Rodrigo Nicolás Villalba (2022). Rosicrán y Su Poema Ñande Ĭpĭ Cuéra (1929). Boca de Sapo 33. Tierra.

Ainda segundo a teogonia ficcional de Rosicrán, Taû se viu apaixonado por uma mulher chamada Kerana, filha de Marangatu e neta de Rupavê e Sypavê. Ele se disfarçou de um belo jovem e a cortejou por sete dias antes de decidir sequestrá-la, mas sua trama foi frustrada por Angatupyry, o espírito do bem. Taû e Angatupyry lutaram entre si por sete dias e sete noites até que Angatupyry foi finalmente derrotado por Pytajovái, avô de Taû, corajoso deus que trazia em suas entranhas o fogo da destruição.

A etimologia do nome "Angatupyry" aponta para a junção das palavras tupis angatu (ang, "alma, espírito", + katu, "bom"), "espírito bom, alma boa, bondade","ANGATURAMA". NAVARRO, 2013, p. 38. e pyryb, "algum tanto, um tanto, muito","PYRYB". NAVARRO, 2013, p. 417. daí significando "espírito muito bom" ou "espírito cheio de bondade".

Bibliografia NAVARRO, Eduardo de Almeida. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil: vocabulário português-tupi, dicionário tupi-português, tupinismos no português do Brasil, etimologias de topônimos e antropônimos de origem tupi. São Paulo: Global, 2013.

Ver também Mitologia guarani

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