O ateísmo marxista-leninista () é uma parte da ampla filosofia marxista-leninista (o tipo de filosofia de Marx encontrada na União Soviética), que rejeita a religião e depende de um entendimento materialista da Natureza. O marxista-leninista defende que a religião é o ópio do povo, no sentido de que ele leva as pessoas a aceitar o sofrimento na Terra, na esperança da recompensa eterna, e por isso que o marxista-leninista promove o ateísmo e defende que a religião deve ser abolida.Vladimir Lenin, in Novaya Zhizn No. 28, December 3, 1905, citado em Marxists Internet Archive.Brad Olsen. Sacred Places Europe. CCC Publishing. p. 117. O ateísmo marxista-leninista tem suas raízes na filosofia de Ludwig Feuerbach, Georg Wilhelm Friedrich Hegel, Karl Marx e Lenin.Slovak Studies, Volume 21. The Slovak Institute in North America. p. 231. "The origin of Marxist-Leninist atheism as understood in the USSR, is linked with the development of the German philosophy of Hegel and Feuerbach."
O ateísmo marxista-leninista não é universalmente aceito por todos os marxistas e alguns marxistas não soviéticos apontam diversas desvantagens desta postura antirreligiosa.
Influencia de Feuerbach e dos jovens hegelianos thumb|direita|230px|Ludwig Feuerbach Desde os primeiros momentos de sua carreira, no início do século XIX, Marx foi fortemente envolvido em debates em torno da Filosofia da religião. Controvérsias amargas que cercam a interpretação adequada do legado filosófico hegeliano influenciaram muito o pensamento de Marx sobre a religião. Hegel racionalizou os fundamentos da fé cristã em sua filosofia elaborada do Espírito. Hegel, apesar de criticar a religião dogmática contemporânea, manteve profundo interesse intelectual nas crenças ontológicas e epistemológicas do cristianismo. Sua filosofia era compatível com pontos de vista teológicos e explicações religiosas das questões mais profundas do "Ser" e foram considerados inquestionavelmente valiosa por ele, mas precisavam um esclarecimento adicional, sistematização e justificação argumentativa. Sua filosofia funcionou como uma empresa conceitual baseada nas verdades da sua fé. Seu legado foi debatido após a sua morte, em 1831, entre os "jovens hegelianos" e materialistas ateus, incluindo especialmente o filósofo alemão Ludwig Feuerbach. Marx apoiou os materialistas ateus em sua rejeição de todas as formas de filosofia religiosa, incluindo as formas mais liberais desta, sendo influenciado por Feuerbach. Este queria separar a filosofia da religião e dar aos filósofos autonomia intelectual da religião em suas interpretação da realidade. Feuerbach se opôs as noções filosóficas de Hegel, que ele acreditava que eram baseadas em seus pontos de vista religiosos.
Feuerbach atacou os conceitos fundamentais da teologia e queria minar a religião através da introdução de uma nova religião da humanidade, redirecionando as preocupações humanas fundamentais de dignidade, o significado da vida, moralidade e propósito da existência dentro de uma religião ateia inventada e que não crê em algo sobrenatural, mas que serviria como uma resposta a estas preocupações. Feuerbach considerou que a antítese do humano e do divino foi baseada em uma antítese entre a natureza humana em geral, e os seres humanos individuais. e chegou à conclusão de que a humanidade como espécie (mas não apenas como indivíduos) possuía dentro de si todos os atributos que mereciam culto e que as pessoas tinham criado Deus como reflexo desses atributos.Ludwig Feuerbach, The Essence of Christianity, capítulo 16 no web side: http://www.marxists.org/reference/archive/feuerbach/works/essence/index.htm
Feuerbach queria destruir todos os compromissos religiosos e incentivar o ódio intenso em direção a Deus. Todas as instituições religiosas precisam ser erradicado da terra e da memória das gerações vindouras, para que elas nunca mais tivessem controle sobre as mentes das pessoas, através de seus enganos e do medo das forças místicas de Deus. Foi esse pensamento que atraiu profundamente o jovem Karl Marx que adotou grande parte do pensamento de Feuerbach em sua própria visão de mundo filosófico. Marx considerou que os objetivos mais elevados da humanidade justificaria qualquer radicalismo intelectual, social e político, a fim de atingir os seus fins.
Marx thumb|esquerda|230px|Karl Marx Na sua rejeição de todo o pensamento religioso, Marx considerou as contribuições da religião ao longo dos séculos como sendo insignificantes e irrelevantes para o futuro da humanidade.
Marx considerava a autonomia da humanidade do reino de forças sobrenaturais como uma verdade que tinha sido desenvolvida desde os tempos antigos, e considerava esta ainda mais respeitável do que o cristianismo. Ele argumentou que a crença religiosa tinha sido inventado como uma reação contra o sofrimento e a injustiça do mundo. Na visão de Marx, os pobres e oprimidos foram os criadores originais da religião, o que era uma maneira de imaginar que eles teriam uma vida melhor no futuro após a morte. Assim, ela servia como uma espécie de "ópio" ou uma forma de escapar da dura realidade do mundo.
Com o tempo, porém, a religião passou a ser usada pelas classes dominantes, como forma de manter as pessoas obedientes, prometendo recompensas sobrenaturais em troca de submissão na Terra. Assim, Marx argumentava que a religião - originalmente concebida como uma fuga da miséria - tinha sido transformado em uma causa de miséria. Além disso, em sua opinião, a filosofia ateísta liberava os seres humanos em seu potencial natural, permitindo de perceberem que eles eram os mestres da realidade ao invés de qualquer força sobrenatural onde a obediência é requerida. A oposição de Marx à religião foi baseada sobretudo no ponto de vista, em que ele acreditava, que a religião alienava os seres humanos da realidade, limitando eles de seu verdadeiro potencial. Ele considerou que a religião precisava ser eliminada da sociedade.
A religião cristã começou como protestos espirituais contra as condições de vida, em que as classes mais baixas acreditavam que estas estavam sobrenaturalmente favorecendo as classes dominantes mais ricas e se deterioraram de seus objetivos originais, em uma espécie de falso consolo para as pessoas que aceitaram a sua sujeição. Esta degeneração era vista negativamente na tradição marxista-leninista, como sendo espécie uma de perversão das metas originais nobres do movimento cristão, provocada pela elite social e cultural. Esta perversão justificava em parte os extremos da ação revolucionária, a fim de destruir o cristianismo e substituí-lo com o ateísmo.
A hostilidade de Marx à religião diminuiu mais tarde, quando ele escrevia menos sobre o assunto e tinha menos entusiasmo em combater à crença religiosa através da propaganda ateísta. Ele consideraria mais tarde em sua vida, que a religião desapareceria naturalmente pela riqueza de ideias que surgiriam de uma forma racionalizada através de uma social vida comunitária. Esta ideia, no entanto, viria a ser denunciada por Lenin e seus sucessores soviéticos, até a ponto da violência e expurgos serem dirigidos aos defensores da ideia de que a religião desapareceria por conta própria.
Posteriormente, ele escreveu apenas sobre a necessidade de separar a religião do Estado, mas ele ainda se encontrava profundamente hostil à crença religiosa, acreditando que a crença em Deus era profundamente imoral e anti-humana.
Perto do fim de sua vida, Marx adotou o pontos de vista que alegava que os cristãos ofereciam sacrifícios humanos, e canibalisticamente consumiam sangue humano e carne. O fato de que ele continuasse a escrever desta maneira, atacando o Cristianismo, pode ter demonstrado sua falta de confiança de que o Cristianismo iria desaparecer por conta própria através de mudanças econômicas.
Após sua morte, o elemento ateu do comunismo seria intensificado em movimentos marxistas.
Friedrich Engels thumb|324x324px|Friedrich Engels Friedrich Engels escreveu, independentemente de Marx, sobre questões contemporâneas, incluindo controvérsias religiosas. Em suas obras "Anti-Dühring" e "Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã", ele se envolveu em críticas sobre a visão idealista do mundo em geral, incluindo perspectivas religiosas sobre a realidade.
Desde que a crença em Deus surgiu como resultado de uma necessidade das pessoas, para que houvesse algum controle sobre a sua existência, ele, portanto, pensava que, eliminando essa necessidade, a religião (o reflexo dessa necessidade) iria gradualmente desaparecer.
Engels considerava a religião como uma falsa consciência, e totalmente incompatível com o comunismo. Engels, em seus contatos ao longo da vida com os líderes de partidos social-democratas e comunistas na Europa, bem como com os fundadores da Primeira Internacional ( união política dos movimentos comunistas, socialistas e anarquistas do século XIX) exortava-os a divulgar e cultivar o ateísmo como a única cosmovisão admissível.Dimitry V. Pospielovsky. "A History of Soviet Atheism in Theory, and Practice, and the Believer", p. 16
Ele também sugeriu para que fosse ensinada em grande escala a educação científica, a fim de superar os medos e ilusões de pessoas que necessitavam de uma explicação religiosa para o mundo ao seu redor. Ele acreditava que a ciência forneceria a explicação para as coisas que as pessoas antes encontravam nos conceitos religiosos, e oferecendo esta explicação, as pessoas já não sentiriam a necessidade de ter uma religião para este fim. Ele escreveu muito sobre as grandes descobertas científicas contemporâneas e as usou para apoiar os princípios do materialismo dialético em todas as suas obras destinadas as pessoas comuns nos movimentos comunistas. Estas incluem descobertas em biologia, física, química, antropologia e psicologia, as quais Engels usou para argumentar contra a necessidade de explicações religiosas do mundo.Dimitry V. Pospielovsky. A History of Soviet Atheism in Theory, and Practice, and the Believer, vol 1: A History of Marxist-Leninist Atheism and Soviet Anti-Religious Policies, St Martin's Press, New York (1987) pg 17
Ele acreditava que a ciência faria a humanidade confiante em si própria. Seria dar à humanidade a capacidade de controlar o mundo em que vivia e, portanto, de superar as duras condições que produziram a necessidade das pessoas acreditar em um Deus que controlava o universo. Em sua avançada visão científica ele estava justificando a perspectiva materialista e ateia no mundo sendo que a filosofia especulativa e a teologia racional tornariam-se obsoletas à luz do progresso científico.
Ele também acreditava que o avanço científico exigia um materialismo ateu para provocar uma mudança real e permanente ao invés de ser uma filosofia separada da ciência.
Os pontos de vista de Engels sobre a necessidade de educação científica e da necessidade do ateísmo materialista para confiar na ciência, se espalhou amplamente entre os comunistas e que mais tarde se tornaria uma posição fundamental da educação soviética.
Vladimir Lenin
Vladimir Lenin seguiu essa tradição, e considerava a religião como um ópio que deve ser sempre combatida pelos verdadeiros socialistas. Ele adaptou as ideias ideológicas de Marx e Engels ao contexto particular de Rússia e sua interpretação do marxismo e sua doutrina antirreligiosa foi influenciada pela tradição intelectual de seu próprio país. Lenin considerava que a religião na Rússia foi a principal ferramenta ideológica das classes dominantes para explorar as massas, por ela ensinar os seres humanos a serem submissos aos seus exploradores e aliviando a consciência dos exploradores em fazer acreditar que atos de caridade iria dar-lhes a vida eterna.