thumb|150px|right|Prisioneiro dos piratas caminhando sobre a prancha, em pintura de Howard Pyle. Caminhar na prancha é uma frase que descreve uma forma de execução ou tortura que era praticada por piratas, amotinados e outros navegantes e marinheiros foras-da-lei. A prática consistia na vítima ser forçada a caminhar até o fim de uma prancha ou viga de madeira, projetada ao lado de um navio, caindo assim dentro da água para se afogar, por vezes amarrada ou atada a pesos, comumente em locais povoados por tubarões (que frequentemente também seguiam os navios).
O primeiro registro do uso da frase data da segunda metade do século XVIII; alguns escritores do século XX especularam que a caminhada sobre a prancha seria um mito criado pelo cinema; no entanto, a frase foi registrada no Dictionary of the Vulgar Tongue ("Dicionário da Língua Vulgar"), do lexicógrafo Francis Grose,"Dictionary of the Vulgar Tongue", Francis Grose, 1788, Google Books (publicado originalmente em 1785) publicado pela primeira vez em 1785.
Histórico Em 1769, o amotinado George Wood confessou ao seu capelão, na Prisão de Newgate, que ele e seus companheiros de motim haviam mandado seus oficiais caminharem na prancha.Botting, Douglas. The Pirates, TimeLife Books, 1978, p. 58.
Em 1822, William Smith, capitão da chalupa "Blessing", foi forçado a caminhar na prancha pela tripulação de piratas da escuna "Emanuel".
O jornal The Times relatou, em 14 de fevereiro de 1829, que o paquete "Redpole" havia sido capturado pela escuna pirata "President" e afundado; o comandante fora fuzilado; e a tripulação, forçada a caminhar na prancha.The Times, 14 de fevereiro de 1829, pág.3
Em 1829, piratas interceptaram o brigue holandês Vhan Fredericka, na passagem de Sotavento, no meio das Ilhas Virgens, e assassinaram a maior parte da tripulação, fazendo-os caminhar na prancha com bolas de canhão amarradas a seus pés.
Diz-se que forçar marinheiros leais a caminhar sobre a prancha era uma maneira dos algozes de "evitar [receberem posteriormente] a pena por assassinato"Grose, A Classical Dictionary of the Vulgar Tongue, 1788, citado em "Walk the plank". (ao não matar diretamente as vítimas), porém dificilmente esta desculpa funcionaria nos sistemas legais da época; não apenas a maioria dos homens da lei não teria hesitado em levar a julgamento qualquer pessoa que tivesse forçado desta maneira a morte da outra, mas também a pirataria e o motim eram crimes capitais. No entanto, caminhar sobre a prancha poderia ser uma maneira de amenizar o peso na consciência destes algozes.
Embora a caminhada sobre a prancha tenha um papel importante no folclore da pirataria, na realidade o ato era um fenômeno extremamente raro. A maior parte dos piratas, bucaneiros e amotinados não se preocuparia com um meio tão elaborado (e suscetível a percalços) de se livrar de seus prisioneiros.A Pirate's Life: Punishment: Walking the plank Aqueles poucos que gostavam particularmente de torturar suas vítimas (como Edward Low) também preferiam métodos mais duradouros.
Bibliografia Seitz, Don Carlos, Under The Black Flag, Dail Press, 1925 (republicado pela Dover Publications em 2002, ISBN 0-486-42131-7) Menefee, Samuel Pyeatt, "Pirates: 2. Walking the Plank" [Answer], The Mariner's Mirror, vol. 80 (maio de 1994), p. 204
Categoria:Pirataria