A história de Araçatuba ocorre com a ocupação de terras pelos povos indígenas e posteriormente com a marcha para o oeste do Estado de São Paulo para fins econômicos. Num clarão na mata, por onde desenhava-se a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, um vagão de tábuas de madeiras que servia como dormitório e cozinha dos trabalhadores da ferrovia marcou o início da cidade de Araçatuba. Predominaram os ciclos econômicos do café, do algodão, da pecuária e da cana-de-açúcar.Folha da Região. Fascículo destaca ciclos econômicos de Araçatuba. Acesso em 19 de março de 2017Assembleia Legislativa de São Paulo. Araçatuba. Acesso em 23 de março de 2017
Toponímia
A origem do vocábulo Araçatuba é controversa.
De acordo com Afonso A. de Freitas, em seu livro Vocábulo Nheengatu, publicado em 1936, Araçá refere-se a frutas que possuem olhos. Na linguagem abanheenga ou nheengatu é a junção de UAN=futa e ÇA=olhos, indica a presença de pequenas lesões nas frutas provocadas por picadas de insetos, durante o processo de amadurecimento. O araçá é o fruto do do araçazeiro, planta da do gênero Psidium, da família das Mirtáceas. A hipótese mais empregada é a forma como os índios poderiam ter utilizado para referir-se a região como abundante em araçás, ou seja, araçá+tuba (abundância).
Uma outra hipótese indica que o termo poderia ser o nome da filha de um cacique dos caingangues. Todavia, estudiosos afirmam que não pode ser um nome próprio etimologicamente.
Outra possibilidade seria Araçatuba ser o nome de uma corredeira: ar-haçá-ty-bo contraído resulta em haru-aça-tu-bo onde os índios usavam para dizer sobre algum local onde correm águas num movimento forte e rápido por um caminho estreito erguido por pedras.
Ainda, numa matéria do jornal A Comarca de 2 de dezembro de 1964 existe uma contestação sobre o nome da cidade, pois na atualidade não existem tantos pés araçás no município, árvore de fácil crescimento. Em alguns mapas antigos existia um córrego chamado de Araçatuba e também em alguns mapas aparecem araras o que poderia ter feito que a cidade fosse chamada de Araratuba e posteriormente ter seu nome alterado para Araçatuba. De acordo com o livro de Odette Costa, História de Araçatuba um antigo engenheiro civil, afirmou que quando fazia medições de terra na região de Araçatuba, havia encontrado muitos araçás-silvestres e araçazinhos
Habitantes nativos
Os índios foram os primeiros habitantes e donos da terra. O povo Kaingangue juntamente com o povo dos Coroados estavam instaladas na região limitada pelos rios Tietê, Paraná e Paranapanema. Araçatuba era povoada pelos temidos Kaingangues (Kain=ser; ing=viril e ang superior a outros), índigenas considerados bravos que discutiam mesmo por fúteis motivos, citando e constatando o quanto essa frase soa preconceituosa não? Utilizavam como armas o tacape, que exigia força física e habilidade, além de arcos e flechas com ponta de ossos de macaco.Povos Indígenas do Brasil. Kaingang. Acesso em 19 de março de 2017 Faziam utensílios domésticos com barro; colheres, pratos e copos confeccionados com a cabaça.
Com sons produzidos pela suas bocas e atabaques tomavam a bebida denominada goiofá, bebida alcoólica produzida com milho, podiam ser encontrados dormindo pela exaustão e embriaguez depois de uma noite inteira de atividades. (como todas as pessoas).
Seu corpo era troncudo e forte. Possuíam pele cor de cobre e brilhante, cabelos lisos e negros. Mulheres usavam franja. Tinham o costume de banhar-se. De hábitos nômades, viviam nus, as mulheres às vezes usavam tanga.PINHEIRO, Célio. História de Araçatuba/Célio Pinheiro, Odette Costa Bodstein. - Araçatuba, SP: Academia Araçatubense de Letras, 1997
Estrategistas sabiam armar tocaias, atacando muitas vezes o homem branco. Os fazendeiros e agrimensores muitas vezes contratavam os chamados bugreiros homens que matavam indígenas.
Na época da construção da ferrovia calcula-se a existência de 1,5 mil índios na região. Quando chegou a barranca do Rio Paraná existiam cerca de 200.Folha da Região. Um capítulo de sangue. Acesso em 21 de março de 2017
A ferrovia Noroeste Brasil
A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil é o ponto chave da formação de Araçatuba. Foi a execução da política que visava a interiorização e ligação com outros países da América do Sul pela necessidade econômica de busca de recursos tanto humanos (para agricultura) como naturais (ouro, pedras preciosas).
Iniciou-se a partir de Bauru - Itapura. Os primeiros 100 km saindo de Bauru, iniciaram sua construção em 1905 e foram realizados pela empresa Machado de Melo. Foi uma área mais fácil de ser executada pois haviam menos indígenas e melhor penetração. No entanto, o trabalho era braçal e demorado pois não existiam máquinas para realizar os serviços de topografia necessários, apenas ferramentas rudimentares. Em 1914 o trecho foi unida com a Itapura-Corumbá formando a Noroeste do Brasil.Campo Grande News. Com 100 anos, Ferrovia Noroeste ainda é orgulho de tripulação. Acesso em 20 de março de 2016
A parte do leito da ferrovia seria então cuidado pelas chamadas turmas de conserva, com a construção de moradias para os trabalhadores e o feitor. Denominadas de turma 1, turma 2 assim sucessivamente de 8 em 8 km. Toda noite um funcionário era escalado para verificar as condições dos trilhos para verificar se não existiam emboscadas feitas pelos caingangues, pregos soltos.
Origens e pioneirismo
Até 1908 a região de Araçatuba era ocupada pela mata virgem. Não se pode afirmar que Araçatuba, assim como grande parte das cidades de sua região, teve um fundador. Aquele pequeno grupo da NOB não tinham por objetivo fundar uma cidade.
Em 2 de dezembro de 1908 os trilhos chegaram ao km 280 da ferrovia.
O Governo dizia que era proprietário de tais terras, e assim como tinha a características de serem terras devolutas, quem detinha a posse dela era quem a conseguia por meios legais: doações do governo, poder político, entraves jurídicos, usucapião ou por uso de força.
Os habitantes iniciais eram poucos famílias, alguns índios e em sua maioria trabalhadores da ferrovia. Aos poucos foram chegando comerciantes, vendedores e mediadores de terra.
A vida nesses primeiros anos era difícil: malária, leishmaniose cutânea, febre tifoide, hepatite, doença de chagas, pernilongos e barbeiro.
Augusto Elisio de Castro Fonseca junto com Manoel Bento da Cruz foram dois grandes proprietários de terra na época das chegada dos trilhos, mas não habitavam a cidade nesses tempos. Outro personagem importante foi Vicente Franco Ribeiro, este vivia em Araçatuba.
Ciclo italiano
A imigração italiana no Brasil teve como ápice o período entre 1880 e 1930. Os ítalo-brasileiros estão espalhados principalmente pelos estados do Sul e do Sudeste do Brasil.
Embora tenha sido a região Sul a pioneira na imigração italiana, foi a Região Sudeste aquela que recebeu a maioria dos imigrantes. Isto se deve ao processo de expansão das lavouras de café em São Paulo (e, em menor medida, também em Minas Gerais). Com o fim do tráfico negreiro e o sucesso da colonização italiana no Sul, os próprios donos das fazendas de café tratavam de atrair imigrantes italianos para as suas propriedades. A partir da década de 1870, os proprietários de terras pagavam a viagem e o imigrante tinha que trabalhar nas fazendas com um contrato de cinco anos, devolvendo o valor da passagem paga. A partir de 1881, o governo paulista, controlado politicamente pelos fazendeiros, passa a incentivar a imigração italiana com destino aos cafezais, subsidiando 50% das despesas da viagem, mantendo-se o contrato de cinco anos e o ressarcimento.
O estado de São Paulo absorveu a maioria dos imigrantes italianos que vieram para o Brasil. Este estado foi o destino de 44% da imigração italiana para o Brasil entre os anos de 1820 e 1888, de 67% entre 1889 e 1919, com ênfase entre 1900 e 1909, quando atraiu 79%.
Os sete italianos Antônio Viol
Antônio Viol (1871, Veneto, Itália - 1954) foi o primeiro agricultor do município. Filho de Francisca Meneghelli e João Viol, veio para o Brasil estabeleceu-se primeiro em Serra Negra e depois em Jardinópolis onde começou o plantio de café para terceiros. Empreendeu junto aos seus irmãos um engenho para fabricação de aguardente e formou dinheiro suficiente para comprar terras. Chegou em Araçatuba em 1911. Como tinha medo dos indígenas deixou a cargo de Vicente Franco e seus homens a limpeza da mata para a futura plantação. O cafezal localizava-se a altura do atual centro da cidade. Viol ocupou-se também com a criação de porcos.
Em 1915 utilizou a folha n° 1 do talonário de despacho da NOB para enviar sua primeira colheita de café.
Carlos Geraldi
Veio para Araçatuba junto com o pai Agostinho em 1911. A família ficou em Penápolis.Folha da Região. Carlos Alberto Tilin. 8 de junho de 2003. [www.folhadaregiao.com.br/jornal/2003/06/08/cida01.php Pequena grande Itália em Araçatuba]. Acesso em 26 de março de 2017
Ângelo Pavan
Pavan, veio representando seus irmãos para a compra de terras por ser o mais velho dos três. Provindo também de Jardinópolis, nasceu em Treviso.
Antônio Saran
Saran chegou nas terras brasileiras em 13 de maio de 1888 e em Araçatuba em 1909 para a compra de terras, cada alqueire custa na época trinta mil réis. Trabalhou como lavrador nas fazendas de café de Jardinópolis. Fixou-se em Araçatuba em 1911.
José Bertoli
Bertoli nasceu em 11 de julho de 1876 e faleceu em 31 de julho de 1947. Comprou 100 alqueires na área da pedreira do Baguaçú. Posteriormente mudou-se para Promissão e Guarantã.
Batista Saran
Viúvo, tinha dois filhos. Comprou as terras junto com os outros italianos.
Ângelo Cela
Vindo de Roma, junto com sua esposa, morou em Jardinópolis e depois partiu para Araçatuba.
Imigração japonesa thumb|150px|Torii em homenagem aos japoneses na rotatória da Avenida dos Araçás O fluxo de Imigração japonesa no Brasil a partir de 1908 com a chegada do navio Kasato Maru, em Santos, foi uma experiência premeditada. O cenário demográfico japonês era de grande crescimento (ao qual o Governo do Japão não conseguia suprir gerando empregos) enquanto, no Brasil, necessitava-se mão-de-obra (uma vez dada a Abolição da escravatura no Brasil, pressionada a ser efetivada pela Inglaterra por motivos comerciais, somado ao fato de a Itália proibir a imigração subsidiada dos seus para São Paulo). Foi selado um acordo imigratório entre os países, que caracteriza a Imigração japonesa no Brasil.
A primeira parcela dessa população de imigrantes originava-se de regiões pobres do norte e sul do Japão – aproximadamente 3000 designados a viver no oeste de São Paulo, uma vez que o Brasil vivia o auge cafeeiro e o estado concentrava prósperas fazendas.
Nos primeiros sete anos de imigração japonesa, chegaram ao Brasil 3.434 famílias, ou seja, quase 15 mil pessoas. Entre 1917 e 1940, foram mais 164 mil japoneses, dos quais 75% para São Paulo. A maior parte dos imigrantes chegou no decênio 1920-1930, mas o foco não era mais apenas as plantações de café. Eles também buscavam trabalho no cultivo de morango, chá e arroz.
Na região de Araçatuba estabeleceram-se em 1915. Anze Molize, que fundou o bairro Água Limpa chegou em Araçatuba em 1917 para plantar café. Com isso outras famílias foram chegando.Folha da Região. 15 de junho de 2013. [www.folhadaregiao.com.br/jornal/2003/06/21/folh01r1.php A colônia japonesa em Araçatuba]. Acesso em 26 de março de 2017 Dedicaram-se a outras atividades além da agricultura como o comércio, política, religião, entre outras.
Em homenagem aos japoneses existe um monumento instalado - um torii - numa rotatória da cidade.Folha da Região. Colônia japonesa de Araçatuba é homenageada com Torii. Acesso em 26 de março de 2017
A fundação
O patrimônio inicial foi projetado pelo engenheiro alemão Gustavo Stamp. De propriedade de Elísio Castro Fonseca, foi cortado em 1912 por Antenor Vasconcelos. A administração e derrubada foi executada por Vicente Ribeiro Franco.