Apocalypse Now é um filme épico de guerra norte-americano de 1979 dirigido por Francis Ford Coppola e escrito por John Milius. Estrelado por Marlon Brando, Robert Duvall e Martin Sheen, o enredo sobre a Guerra do Vietnã segue a história de seu personagem central, o oficial das Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos Capitão Benjamin Willard, do Comando de Assistência Militar, em uma missão para matar o renegado e presumido insano Coronel Walter E. Kurtz, das Forças Especiais. Kurtz, no passado um soldado brilhante, aparamente enlouqueceu e comanda seu próprio exército como um semideus. Análises de críticos vem discutindo se o filme é pró ou antiguerra com suas imagens de destruição da natureza, além da brutalidade sem propósito e a supremacia norte-americana; os efeitos que a guerra é capaz de causar na mente humana.

O roteiro foi originalmente concebido por Millus no final da década de 1960, através de uma ideia de mudar a história do romance Heart of Darkness de Joseph Conrad, em que Charles Marlow parte em uma busca no Estado Livre do Congo pelo desaparecido Sr. Kurtz, para a época da guerra do Vietnã. A ideia chegou até Coppola no meio da década de 1970, inicialmente ele planejava apenas produzi-lo. O cineasta assumiu a direção e decidiu fazer o filme na Manila e Filipinas em busca de baixos custos e equipamentos emprestados pelo governo local, com a distribuidora United Artists e seu estúdio Omni Zoetrope. Ao decorrer das filmagens e pós-produção o roteiro foi severamente modificado pelo diretor que o considerava problemático, inspirando-se e adicionando elementos de Dispatches de Michael Herr, a versão cinematográfica de 1965 da obra Lord Jim de Conrad, que compartilha o mesmo caráter de Marlow em Heart of Darkness, e Aguirre, der Zorn Gottes (1972) de Werner Herzog.

O filme tem sido notado pelos problemas encontrados para fazê-lo. Estes problemas foram narrados no documentário Hearts of Darkness: A Filmmaker's Apocalypse de Eleanor Coppola, que conta a história de Brando que chega no cenário acima do peso e completamente despreparado; cenários caros sendo destruídos pelo mau tempo; e seu ator principal (Sheen) sofrendo um ataque cardíaco enquanto no local. Problemas continuaram após a produção já que o lançamento foi adiado várias vezes enquanto Coppola editava milhares de vezes as sequências das filmagens. Levou cerca de três anos e meio para ser concluído e no final possuía um orçamento muito acima do estimado já que as gravações estavam muito atrasadas.

Após seu lançamento, Apocalypse Now ganhou ampla aclamação crítica e seu efeito cultural e temas filosóficos têm sido largamente discutidos desde então. Hoje é fortemente considerado como um dos melhores filmes de todos os tempos. Honrado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes e nomeado ao Oscar de Melhor Filme e o Globo de Ouro de Melhor Filme - Drama, também foi considerado "culturalmente, historicamente ou esteticamente significante" e foi selecionado para preservação pelo National Film Registry, em 2000. Em 2001 foi lançado uma versão estendida chamada Apocalypse Now Redux, com 49 minutos de cenas inéditas e significativa reedição da versão original. Em 2002, um grupo de críticos de cinema e escritores britânicos do British Film Institute elegeram-no o melhor filme dos últimos 25 anos. Na enquete dos maiores filmes da Sight & Sound, o filme foi classificado na 14ª posição, além de aparecer na lista dos melhores filmes segundo o American Film Institute, em 2007.

Enredo Em 1969, durante a guerra do Vietnã, o Capitão do Exército dos Estados Unidos e veterano das Operações Especiais Benjamin Willard (Martin Sheen) está em um hotel em Saigon, aguardando por uma missão, bebendo muito e pensando sozinho sobre sua vida e casamento fracassado. Depois de uma noite particularmente ruim em que fica alucinando sobre suas missões anteriores no país, é levado à força para uma reunião informal com os oficiais da Inteligência Militar Tenente-General Corman (G. D. Spradlin), o Coronel Lucas (Harrison Ford), e um civil referido apenas como "Jerry". Os três avaliam seu passado como membro das Operações Especiais e lhe oferecem uma missão para seguir o rio Nùng em selva remota, encontrar o trapaceiro Coronel Walter E. Kurtz das Forças Especiais se infiltrando em sua tropa e matá-lo, "encerrando seu comando". Kurtz aparentemente enlouqueceu e agora comanda sua própria tropa de montanheses dentro do neutro Camboja como um semideus.

miniaturadaimagem|350px|A cena e monólogo de Bill Kilgore, "... Adoro o cheiro de napalm de manhã ...", é uma das mais icônicas da história do cinema. Ambivalente sobre a missão, Willard se junta a uma Patrulha de Barcos da Marinha comandada por "Chief" Phillips (Albert Hall) e os tripulantes Lance B. Johnson (Sam Bottoms), Jay "Chef" Hicks (Frederic Forrest), e o Sr. "Clean" (Laurence Fishburne). Eles se encontram com o Tenente-Coronel Bill Kilgore (Robert Duvall), comandante de um esquadrão de helicópteros de ataque, que inicialmente zomba deles. Kilgore faz amizade com Lance, já que ambos gostam de surfar, e concorda em acompanhá-los até a parte costeira da floresta cheia de Vietcongues no rio Nùng, devido às condições de surfe. Em meio a ataques aéreos de napalm sobre os moradores e o som de Cavalgada das Valquírias tocando sobre os alto-falantes dos helicópteros, a praia é tomada e Kilgore ordena os outros a surfarem em meio a fogo aberto. Enquanto ele comemora nostalgicamente sobre um ataque anterior, Willard reúne seus homens à Patrulha de Barcos, transportados via helicóptero, e começam a viagem rio acima. Vasculhando os arquivos de Kurtz, descobre que ele era um exemplo como oficial e possível futuro General-Chefe do Estado Maior. Mais tarde a tripulação encontra um tigre e visita um depósito de suprimentos da United Service Organizations (USO) para um fracassado show das coelhinhas da Playboy. Depois, a equipe inspeciona uma sampana civil em busca de armas, porém Clean entra em pânico e atira em todos a bordo. Willard friamente atira matando o único sobrevivente gravemente ferido para evitar qualquer atraso adicional em sua missão. A tensão surge entre ele e Phillips já que o Capitão acredita estar no comando da Patrulha de Barco, enquanto Chief prioriza outros objetivos além da missão secreta. Após alcançar o caos de um posto avançado dos Estados Unidos em uma ponte sob ataque, Willard descobre que um comandante perdido, Capitão Colby (Scott Glenn), foi enviado em uma missão anterior para matar o Coronel.

Enquanto isso, Lance e Chef estão continuamente sob o efeito de drogas. Lance em particular tinge o rosto com pinturas de camuflagem e é retido. No dia seguinte, após ler uma carta que foi entregue anteriormente a Patrulha de Barcos, abre uma granada de fumaça para se divertir, mas chama a atenção dos inimigos escondidos nas árvores e, como resultado direto, o barco é alvejado, matando Clean e deixando Chief ainda mais hostil com Willard. Emboscados novamente, por guerreiros montanheses, voltam a atacar apesar das objeções do Capitão. Eventualmente, a tripulação cessa o ataque imediatamente quando Chief é empalado com uma lança e tenta puxar Willard para sua ponta antes de morrer. Depois, o Capitão confia nos dois membros sobreviventes da tripulação a missão, que inicialmente enfurece Chef e um breve discurso segue, mas eles relutantemente concordam em continuar rio acima, onde encontram as margens cheias de corpos mutilados. Finalmente chegando ao posto avançado do Coronel, Willard vai à vila com Lance, deixando Chef para trás com ordens de chamar um bombardeamento aéreo contra a aldeia caso não retornem.

No campo, os dois soldados são atendidos por um fotojornalista americano (Dennis Hopper), um maníaco que elogia a genialidade de Kurtz. À medida que avançam, Willard e Lance veem cadáveres e cabeças cortadas espalhadas sobre o Templo que serve como alojamento do Coronel e encontram Colby, que está quase catatônico. Willard é preso e levado perante Kurtz (Marlon Brando), na escuridão do Templo, onde o ridiculariza como um garoto de recados. Enquanto isso, Chef prepara-se para chamar o ataque aéreo, mas é sequestrado. Posteriormente preso, Willard grita impotente, enquanto Kurtz derruba a cabeça decepada de Chef em seu colo. Depois de algum tempo, é libertado do composto. Kurtz disserta sobre suas teorias de guerra, humanidade e a civilização ao elogiar a crueldade e dedicação dos Vietcongues. Discute sobre seu filho e pede ao Capitão para lhe falar toda verdade caso morra. Naquela noite, enquanto os moradores cerimonialmente matam um búfalo-asiático, Willard entra na câmara do Coronel que está fazendo uma gravação em fita, e o ataca com um machete. Mortalmente ferido no chão, Kurtz sussurra suas palavras finais antes de morrer. Willard descobre obras datilografadas dos escritos do Coronel e as leva antes de sair. Desce as escadas de sua câmara e deixa sua arma cair. Os aldeões fazem o mesmo e permitem que ele pegue Lance pela mão e o leve para o barco. Os dois vão embora com as palavras finais do Coronel ecoando assustadoramente em suas mentes.

Elenco 300px|miniaturadaimagem|Martin Sheen interpreta Willard, o personagem central do filme. Martin Sheen como Capitão Benjamin Willard. Um oficial veterano do exército norte-americano membro das Operações Especiais, que vem servindo no Vietnã por três anos. O soldado que o acompanha no início do filme relata que Willard é do 505º Batalhão da elite da 173ª Brigada Aérea, atribuído ao Comando de Assistência Militar. Mais tarde é indicado que trabalhou na Inteligência/Contrainteligência (contraespionagem) para a CIA, realizando operações e assassinatos secretos. Ambas as cenas também estabelecem que trabalhou na segurança de comunicações. Uma tentativa de se reintegrar na sociedade aparentemente falhou antes do momento em que o filme se passa (em 1969), e por isso retorna às selvas devastadas pela guerra, onde parece se sentir mais em casa. Marlon Brando como Coronel Walter E. Kurtz. Um oficial altamente condecorado do o 5º Batalhão das Forças Especiais que aparentemente enlouqueceu. Dirige sua própria unidade militar fora do Camboja e é temido pelos militares dos Estados Unidos, assim como os norte-vietnamitas e vietcongues. Robert Duvall como Tenente-Coronel Bill Kilgore. Membro do 1º Batalhão, comandante do 9° Regimento de Cavalaria Aérea e fanático por surfe. É líder de um temperamento forte que ama seus homens, mas tem métodos que aparecem fora de sintonia com o cenário da guerra. Seu caráter é um composto de diversos personagens, incluindo o Coronel John B. Stockton, o General James F. Hollingsworth (destaque em The General Goes Zapping Charlie Cong de Nicholas Tomalin) e George Patton IV, outro oficial da Academia de West Point a quem Duvall já conhecia. Frederic Forrest como Jay "Chef" Hicks. Um ex-chefe de cozinha cronicamente tenso de Nova Orleães que está horrorizado com a guerra ao seu redor. Albert Hall como "Chief" Phillips. Chefe de um barco que ao decorrer do filme frequentemente confronta Willard e suas ordens. Tem uma relação de pai e filho com Clean. Sam Bottoms como Lance B. Johnson. Um ex-surfista profissional da Califórnia. É conhecido por consumir LSD. Fica encantado com a tribo de vietnamitas, mesmo após participar do ritual de sacrifício. Laurence Fishburne como Tyrone "Clean" Miller. O pretensioso tripulante de dezessete anos do barco de "Chief", nascido em South Bronx, Nova Iorque.