ou Duque (, m. ) foi um general e rebelde bizantino dos séculos IX e X, ativo durante o reinado do imperador . Foi o primeiro membro ilustre da família Ducas a alcançar proeminência como general. Aparece em 904, quando participou de uma campanha bem-sucedida contra tropas árabes próximo a cidade de Germaniceia. Em 906, em vista de supostamente estar correndo risco de vida, recusou-se a juntar suas tropas com aquelas de Himério, que à época estavam estacionadas no mar Egeu à espera de uma frota árabe.
Ciente da falsidade das alegações, partiu para o Oriente, onde capturou a fortaleza de Cabala. Permaneceu alguns meses aquartelado com sua família e séquito pessoal no forte, e foi cercado por tropas bizantinas. Ele foi libertado por um contingente árabe, que ajudou-o a escapar rumo a capital do Califado Abássida, Bagdá. Ciente disse, Leão VI enviou-lhe uma mensagem secreta garantindo-lhe salvo-conduto para que retornasse ao Império Bizantino, porém ela foi interceptada com ajuda de Samonas, o que acarretou na prisão e conversão forçada de Andrônico ao islamismo. Ele viria a morrer pouco depois.
Biografia
thumb|upright=1.05|Saque de Salonica de 904. Iluminura do Escilitzes de Madri. thumb|upright=1.05|Fólis de
Andrônico Ducas é o primeiro membro proeminente da família Ducas de que se sabe alguns detalhes. Possivelmente o filho do primeiro Ducas registrado, um oficial ativo em cerca de 855, nada se sabe de sua origem e o início de sua vida. Andrônico aparece pela primeira vez nas fontes em 904, quando já era detentor do título de patrício e um general. Junto com Eustácio Argiro, realizou campanha contra os árabes e conseguiu uma grande vitória sobre as forças combinadas de Mopsuéstia e Tarso, nas proximidades de Germanícia, em novembro ou dezembro de 904. Alexander Vasiliev sugere que esta campanha foi possivelmente travada em retaliação ao saque árabe de Salonica, a segunda maior cidade do Império Bizantino, poucos meses antes. Provavelmente após sua vitória, ele foi elevado à categoria de doméstico das escolas, ou seja, comandante-em-chefe do exército bizantino.
Em 906, ele foi enviado para a costa ocidental do mar Egeu para unir forças com a frota comandada por Himério, a fim de enfrentar uma grande expedição naval árabe. Andrônico, contudo, estava relutante em cumprir, temendo por sua segurança: ele tinha recebido cartas de Constantinopla advertindo-o que Himério tinha recebido ordens de capturá-lo e cegá-lo. Na verdade, os cronistas afirmam que essas cartas haviam sido enviadas através das maquinações de Samonas, o eunuco de origem árabe do imperador Leão. Samonas tinha um rancor pessoal contra a família Ducas desde que o filho de Andrônico, Constantino, o havia capturado durante uma tentativa de fugir para sua terra natal alguns anos antes. Os pedidos repetidos de Himério para se juntar a ele só fizeram-no mais desconfiado, e ele firmemente recusou-se a embarcar no navio do almirante. No evento, em 6 de outubro, Himério com suas próprias forças garantiu uma importante vitória sobre a frota árabe. Com a notícia desta, Andrônico, tendo desobedecido às ordens do imperador bizantino, retirou-se para leste com sua família e dependentes e capturou a fortaleza de Cabala, próxima de Icônio.
thumb|upright=1.05|esquerda|Eunuco Samonas persuadindo o imperador contra Andrônico Ducas. Miniatura do Escilitzes de Madri. thumb|upright=1.05|esquerda|Dinar de ouro do califa Almoctafi
Lá ele manteve-se por seis meses, enquanto Leão enviou o novo doméstico das escolas, Gregoras Iberitzes, um parente por casamento dos Ducas, para persuadi-lo a se render. Contudo, quando Andrônico ouviu as notícias da deposição de seu amigo, o patriarca Nicolau Místico (fevereiro de 907), a quem ele havia colocado as esperanças de mediação, resolveu fugir e pedir ajuda aos árabes. Em meados da primavera de 907, uma força árabe liderada por Rustum ibne Bardu veio em seu auxílio e quebrou o cerco em torno de Cabala. Escoltado pelos árabes, Andrônico e sua família cruzaram a fronteira, indo primeiro para Tarso e finalmente para a capital abássida, Bagdá. A fuga de Andrônico Ducas representou um episódio peculiar: vários estudiosos, como Alexander Vasiliev e Romilly Jenkins, consideram como evidência de uma conspiração contra Leão, que incluía o patriarca Nicolau Místico e talvez também o almirante Eustácio. Outros, tais como Demetrios Polemis e Shaun Tougher, rejeitam isso, explicando-o em termos de rivalidade com o poderoso Samonas, e consideram as ações de Andrônico como sendo de caráter puramente defensivo, em vista de sua posição insustentável na recusa de cooperar com Himério.
Apesar de deserção de Andrônico — ou por causa disso, considerando que Leão de Trípoli e Damião de Tarso, os oponentes dos bizantinos mais perigosos do período, foram renegados bizantinos — Leão estava determinado a recuperá-lo. Simpatias pessoais também desempenharam um papel: é evidente que Leão estava vinculado a seu general, e até mesmo escreveu um poema de lamentação de sua deserção. Por conseguinte, o imperador enviou-lhe uma mensagem secreta escondida dentro de uma vela, garantindo seu retorno seguro. Samonas, contudo, conseguiu fazer com que ela caísse nas mãos do vizir do califa Almoctafi , desmoralizando o general aos olhos dos árabes. Andrônico foi preso em Bagdá e forçado a converter-se ao islamismo. Ele provavelmente morreu ali pouco depois. Seu filho Constantino, contudo, conseguiu escapar de Bagdá e voltar para o império, onde foi perdoado por Leão e adquiriu algumas atribuições militares. As carreiras de Andrônico e Constantino, que em 913 também arquitetou uma tentativa mal sucedida para apossar-se do trono que lhe custou a vida, entraram na lenda folclórica e forneceram os modelos de dois personagens do poema épico Digenis Acritas.
Ver também
Bibliografia
Categoria:Domésticos das escolas Categoria:Bizantinos do século IX Categoria:Bizantinos do século X Categoria:Família Ducas Categoria:Generais de Leão VI Categoria:Prisioneiros do Califado Abássida