miniaturadaimagem|Moeda do Império Cazar. Cazares ou cázaros eram um povo de origem turcomana seminômade que dominou a região centro-asiática a partir do ao X. A palavra cazar parece estar ligada a formas verbais túrquicas, significando "errante".

Alguns historiadores modernos defendem a hipótese de que muitos cazares converteram-se ao judaísmo (carece de fontes). Há teorias que afirmam que os judeus asquenazi são cazares que se converteram ao Judaísmo e passaram a fazer parte do povo judeu. Devido a ausência de evidências genéticas para a teoria cazar, ela não é levada a sério pelos acadêmicos. A teoria mais aceita é a de que os judeus asquenazi são descendentes de judeus naturais que se casaram com cazares, assim sendo tanto descendentes dos judeus convertidos quanto dos hebreus originais.

O Império Cazar

A Cazária, Império Cazar ou Canato Cazar foi um extinto estado não-eslavo que existiu nas estepes entre o mar Cáspio e o mar Negro e parcialmente ao longo do rio Volga. É hoje considerado um símbolo tradicional da Rússia, assim como a árvore conhecida em português por bétula ou vidoeiro.

Os cazares foram importantes aliados do Império Bizantino contra o Império Sassânida, e também uma significativa potência regional em seu momento de máximo esplendor. Empreenderam uma série de guerras, todas vitoriosas, contra os califados árabes, evitando assim possivelmente a invasão muçulmana na Europa Oriental. Aos finais do séculos X, seu poder declinaria frente à Rússia de Quieve, desaparecendo da história.

Judaísmo na Cazária A hipótese da conversão dos cazares ao judaísmo é muito discutida, embora não hajam fortes evidências de sua autenticidade e muitos estudiosos a rejeitem. É alegado que o rei cazar queria escolher uma religião monoteísta para si e para seu povo, e então chamou representantes judeus, muçulmanos e cristãos para lhe responderem perguntas. É dito que o que levou o rei dos cazares a escolher pelo judaísmo foi que tanto os muçulmanos quanto os cristãos demonstravam claro interesse em converter o imperador, enquanto os rabinos que o mesmo convidou em momento algum tocaram no assunto de uma possível conversão.

Já no , o escritor Arthur Koestler, em seu livro A 13ª Tribo (1976), retomou a antiga teoria de que os judeus asquenazim seriam descendentes dos cazares que abandonaram suas terras, fugindo às devastações perpetradas pelos mongóis, afinal refugiando-se na Europa Oriental, principalmente nos atuais territórios da Polônia, Hungria e Ucrânia, isto é, nos territórios mais afetados pelo extermínio nazista. Essas populações, que o autor clamava não pertencerem a nenhuma das doze tribos de Israel (ignorando completamente o consenso acadêmico sobre a origem dos asquenazes), são definidas no livro de Koestler como "a décima-terceira tribo". Por defender essa ideia, Koestler recebeu uma avalanche de críticas e foi acusado de negar o direito dos judeus asquenazi ao território de Israel.Lewis, Bernard. Semites and Anti-Semites, W.W. Norton and Company, 1999, ISBN 0-393-31839-7, p. 48Abramsky, Chimen. "The Khazar Myth." Jewish Chronicle, 9 de abril de 1976; Maccoby, Hyam. "Koestler's Racism." Midstream 23 (March 1977)McInnes, Neil. "Koestler and His Jewish Thesis." National Interest. Fall 1999. Sendo o próprio Koestler um judeu asquenaze, ele era sionista com base em razões seculares, e não considerou que uma suposta ascendência cazar pudesse retirar a legitimidade da reivindicação dos judeus sobre o território de Israel - direito que ele considerava baseado em uma decisão das Nações Unidas e não em promessas bíblicas ou em herança genética. Segundo o autor, "o problema da infusão cazar mil anos atrás (...) é irrelevante para o moderno estado de Israel, que se baseia em mera tradição etno-teológica e não em coerência genômica real".Michael Barkun, Religion and the Racist Right: The Origins of the Christian Identity Movement, UNC Press, 1997, ISBN 0807846384, p. 137-139 e 144-145.

O historiador Shlomo Sand, da Universidade de Telavive, em seu livro When and How Was the Jewish People Invented?,Déconstruction d’une histoire mythique. Comment fut inventé le peuple juif, por Shlomo Sand. Le Monde diplomatique, agosto de 2008. de 2008, propõe uma revisão crítica dos mitos que fundamentam a história do povo judeu, retomando a hipótese de Koestler. Ele tenta no livro fazer uma reconstrução da história cazar e salienta que já na segunda metade do emerge uma visão histórica segundo a qual, na realidade, na Rússia, existiram duas comunidades judaicas que se sedimentaram uma sobre a outra, no curso dos séculos: a primeira, formada por judeus provenientes da costa do mar Negro e da Ásia através do Cáucaso; a segunda, proveniente da Germânia, em sucessivas ondas migratórias. A questão cazar continuou a alimentar dúvidas e muitos autores se mostraram favoráveis à hipótese do reino dos cazares na origem da diáspora dos judeus na Rússia, na Lituânia e na Polônia. Os estudiosos citados por Sand são Avraham Harkavy, Simon Dubnow, Yitzchaq Schipper, Salo Baron e Ben Zion Dinur.

Por outro lado, a historiografia tradicional sempre sustentou que os judeus da Europa oriental eram provenientes da Terra de Israel e vieram da Germânia, passando por Roma para então regressarem ao Levante após mais de 3000 anos . Não obstante, sequer há consenso acadêmico quanto a conversão dos cazares ao judaísmo. O uso da língua iídiche na Polônia, Lituânia e Rússia tem sido usado como uma forte evidência para opor as teorias revisionistas, já que o iídiche se constitui como uma mistura de hebraico, aramaico e línguas europeias, sem qualquer ligação com a língua falada pelos povos cazares. Entre os séculos XIX e XX, outras hipóteses emergiram para justificar a difusão do iídiche.

A teoria cazar é bastante usada por críticos de viés antissionista para desassociar o povo judeu como um povo nativo da terra de Israel, e por vezes usada para sustentar teses antissemitas que rejeitam a autenticidade do povo judeu, ignorando a história dos judeus sefarditas e mizrahim, que somados são a população majoritária de Israel). Estudos genéticos jamais encontraram evidências de uma possível origem cázara dentre os judeus asquenazes, mas sim de origens advindas do Oriente Próximo e Sudeste Europeu.

Ver também

Kuzari Gazária

Bibliografia

Ligações externas Teoria sobre a genética do povo cázaro e descendentes (em inglês).

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