Marco Antônio Feliciano GCRB (Orlândia, 12 de outubro de 1972) é um pastor evangélico, fundador e líder da Catedral do Avivamento, uma igreja pentecostal ligada à Assembleia de Deus, e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal (PL).
Eleito pelo Partido Social Cristão (PSC) em 2010 com 212 mil votos, foi o segundo político evangélico com maior número de votos no país e o 12° entre os 70 deputados eleitos pelo estado de São Paulo.. Em 2018 saiu do PSC e se filiou ao Podemos (PODE), mas foi expulso do partido em 2019. Filiou-se ao Republicanos em 2020. Em 2021, ingressa no Partido Liberal (PL).
Foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados do Brasil, cargo que exerceu durante o ano de 2013, o que gerou controvérsia pelas diversas declarações polêmicas de Feliciano, principalmente em relação a temas como direitos dos homossexuais e direito ao aborto. Foi um dos únicos dez deputados que votou em plenário contra a cassação do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, em setembro de 2016.
Além de pastor, Feliciano também é empresário, autor de 18 livros, e produtor de DVDs com mensagens de autoajuda que venderam cerca de 600 mil cópias.
Carreira
Religião e estudos De origem pobre, Feliciano começou a pregar aos 19 anos e tentou ser pastor da Igreja Assembleia de Deus em Belém, pois já era preletor havia muitos anos. Quando jovem e ainda não era oficialmente consagrado pastor por uma igreja, foi rejeitado por líderes religiosos da própria Assembleia de Deus e de outras igrejas pentecostais. "No dia em que eu revelei para todo mundo que eu não era pastor, as portas se fecharam", afirmou Feliciano.
Somente aos 26 anos, mesmo sem a consagração de pastor, obteve o reconhecimento da Assembleia de Deus quando subiu ao púlpito dos Gideões Missionários para pregar em 1999. Aos 27 anos viajou para os Estados Unidos e lá foi consagrado pastor por Ouriel de Jesus. Atualmente sua igreja possui 14 filiais.
Feliciano estudou na Escola Estadual Diremo Luzini, em Orlândia, no interior do estado de São Paulo, e fez curso Técnico de Contabilidade (ETE – Alcídio Souza Prado). Formou-se bacharel em teologia pela Faculdade de Teologia de Boa Vista (Fatebov) e cursou um doutorado livre em "Divindade/Artes da Teologia" pelo International Seminary Hosanna and Bible School, de Pompano Beach, Flórida, Estados Unidos.
Política Foi eleito pelo Partido Social Cristão (PSC) nas eleições parlamentares de 2010, com 212 mil votos. Marco Feliciano foi o segundo político evangélico com maior número de votos no país e o 12° entre todos os 70 deputados eleitos pelo estado de São Paulo."
Durante sua carreira como político, se posicionou abertamente como conservador e militou para que outros políticos fizessem o mesmo. Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias No dia 6 de março de 2013, Marco Feliciano foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados após ter sido indicado por seu partido, o Partido Social Cristão (PSC), para o cargo. A eleição ocorreu após os deputados Domingos Dutra (PT), Erika Kokay (PT), Jean Wyllys (PSOL), Luiz Couto (PT-PB) e Luiza Erundina (PSB) terem abandonado a sessão por não considerarem a indicação do pastor como condizente com os objetivos da comissão. Feliciano foi eleito por 11 votos a favor e um em branco pelos doze parlamentares que permaneceram na sessão.
thumb|Marco Feliciano participa de audiência pública sobre ação da Polícia Federal na área indígena Munduruku, em novembro de 2012, ao lado do deputado Jair Bolsonaro (PP) No início de abril de 2013, a CDHM aprovou um requerimento para realizar todas as suas reuniões a portas fechadas, para "manter a ordem necessária". A decisão veio depois de uma série de protestos em todas as sessões anteriores da comissão presididas por Feliciano e depois que dois manifestantes foram presos por ordem do pastor, um deles por tê-lo chamado de "racista".
Durante a sua presidência na comissão, por diversas vezes Feliciano tentou votar um projeto que anulava trechos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que proíbe os profissionais da área de psicologia de colaborarem com eventos e serviços que ofereçam tratamento para a homossexualidade e também veda manifestações que reforcem preconceitos sociais em relação aos homossexuais. No dia 18 de junho de 2013, durante uma sessão esvaziada, a CDHM conseguiu aprovar a proposta, apelidada pela imprensa do país de "cura gay". O relator do projeto, o deputado Anderson Ferreira, disse que as resoluções do CFP impedem a "liberdade de pensamento e de manifestação" dos profissionais da área psicologia. No entanto, a aprovação da proposta na comissão causou forte controvérsia. O deputado Simplício Araújo, o único a se posicionar de maneira contrária à aprovação do projeto durante a votação, afirmou: "Não existe tratamento para o que não é doença. A doença que temos de combater é a cara de pau de alguns políticos." Em nome do CFP, o conselheiro Censo Tondin disse que "é absolutamente lamentável que uma comissão dessa natureza contrarie sua própria história e os direitos adquiridos por ela, e aprove uma resolução que vai de encontro aos preceitos científicos." Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também repudiou a aprovação da proposta e afirmou ser "mais um dos absurdos cometidos pela chamada Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados" e que "é lamentável uma proposição como essa justamente no momento em que o país assiste a uma mobilização social [protestos de 2013] capaz de enfrentar práticas fundamentalistas e dar efetividade à defesa e garantia dos direitos humanos."
Em meados de dezembro de 2013, o deputado deixou da presidência da CDHM.
Críticas
A eleição de Feliciano para o cargo de presidente da CDHM foi alvo de protestos e polêmica por conta das declarações controversas que o parlamentar costuma divulgar (ver acima), além do fato de ele também defender a castração química de estupradores.
Sobre essa eleição, o então presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou que "a situação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias se tornou insustentável". Roberto Gurgel, Procurador-geral da República, também afirmou que Feliciano "não é adequado" para ocupar o cargo na Comissão.
A ONG Anistia Internacional afirmou em nota pública que "as posições claramente discriminatórias em relação à população negra, LGBT e mulheres, expressas em diferentes ocasiões pelo deputado Marco Feliciano, o tornam uma escolha inaceitável para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Proteção de Minorias. É grave que tenha sido alçado ao posto a despeito de intensa mobilização da sociedade em repúdio a seu nome."
thumb|esquerda|250px|Manifestantes protestam contra a eleição do deputado Marco Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
O cantor Caetano Veloso também se manifestou sobre a eleição de Feliciano para a Comissão, dizendo que "não é admissível que essa Comissão de Direitos Humanos e de Minoria esteja sendo dirigida e presidida por um pastor que expressou nitidamente a intolerância, tanto da ordem sexual como racial."
Um abaixo-assinado hospedado no site Avaaz.org reuniu mais de 450 mil assinaturas de pessoas que exigiam a renúncia de Feliciano do cargo de presidente da CDHM. Representantes da organização entregaram o documento aos líderes do PSC. Em março, internautas iniciaram uma campanha denominada "Feliciano não me representa" e mais de 150 lideranças evangélicas também assinaram uma carta aberta contra a posse do deputado no cargo na CDHM.
A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), classificou a eleição de Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos como um "retrocesso", dizendo: "A imediata reação contrária à nova presidência da CDHM reforça a convicção de que a atuação da Comissão no parlamento não pode retroceder e que sua missão transcende os interesses particulares, tendo em vista que os objetivos da CDHM presumem uma interação constante com a sociedade civil." A CNBB, entretanto, compartilha de entendimento semelhante ao de Feliciano no tocante à postura contrária ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à adoção de crianças por casais homossexuais e ao aborto.
Em 29 de março de 2013, Marco Feliciano comentou os protestos contrários a ele durante um culto religioso na cidade de Passos, Minas Gerais, dizendo: "Essa manifestação toda se dá porque, pela primeira vez na história desse Brasil, um pastor cheio do Espírito Santo conquistou o espaço que até ontem era dominado por Satanás." A declaração do pastor causou controvérsia dentro da própria mesa-diretora da CDHM; a deputada Antônia Lúcia (PSC-AC), também evangélica, afirmou que iria renunciar ao seu cargo de vice-presidente da comissão por ter se sentido ofendida pela declaração do pastor. Em resposta, a assessoria de Feliciano disse que a afirmação foi feita dentro de um culto religioso e que essa é uma "opinião religiosa que reflete sua visão espiritual" do caso.
Apesar das críticas, Feliciano recebeu também uma moção de apoio por parte de colegas da Assembleia de Deus. Líderes evangélicos e internautas também organizaram a campanha "Marco Feliciano não renuncie", manifestando apoio ao pastor para que permanecesse na presidência da CDHM.
O pastor Silas Malafaia, com quem Feliciano já chegou a ter divergências doutrinárias, também demonstrou apoio à Feliciano e propôs capitanear uma mobilização evangélica em Brasília, enquanto o deputado Jair Bolsonaro manifestou apoio ao deputado ao afirmar que se sente como "irmão" do presidente da comissão.
O PSC também manifestou apoio à permanência do pastor na presidência da comissão após reunião e, devido à visibilidade que o partido ganhou com o caso, foi levantada a possibilidade de lançar Feliciano como candidato à presidência da república nas eleições de 2014.
55ª Legislatura Foi reeleito deputado federal em 2014, para a 55.ª legislatura (2015-2019). Votou a favor do Processo de impeachment de Dilma Rousseff. Já durante o Governo Michel Temer, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos. Em abril de 2017 foi favorável à Reforma Trabalhista. Em agosto de 2017 votou pelo arquivamento da primeira denúncia contra o presidente Michel Temer. Em outubro de 2017 votou pelo arquivamento da segunda denúncia contra Michel Temer. Controvérsias
Feliciano respondeu a uma ação penal por estelionato, aberta pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul no Supremo Tribunal Federal (STF), que provinha de uma acusação de que teria recebido 13 mil reais para realizar um culto no estado do Rio Grande do Sul sem ter comparecido ao evento. Segundo o advogado de Feliciano, Rafael Novaes da Silva, o deputado não pôde comparecer ao evento, mas tentou devolver o dinheiro pago, o que primeiramente não foi aceito pelos organizadores. Posteriormente, segundo Silva, todo o valor teria sido ressarcido. O STF absolveu o parlamentar neste caso.
A revista Carta Capital, citando reportagem do jornal Correio Braziliense, fez uma denúncia dizendo que Feliciano "repassa verbas públicas para funcionários ligados a seus negócios particulares".
O pastor também é investigado pela Polícia Federal (PF) por supostamente ter orientado um ex-assessor a mentir para a PF sobre a autoria do vídeo "Marco Feliciano Renuncia a CDHM", postado na internet, onde os deputados Jean Wyllys (Psol-RJ) e Erika Kokay (PT-DF), além de ativistas como Tatiana Lionço, Cris Oliveira e Toni Reis, são acusados de "incentivarem a pedofilia". O ex-assessor de Feliciano afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que era o autor do vídeo em questão e que o pastor teve acesso ao material antes de ir ao ar.