Serra Imeri é uma formação montanhosa localizada na fronteira entre Brasil e Venezuela, no extremo norte do estado do Amazonas. O pico homônimo da serra atinge 2 500 metros de altitude, com proeminência topográfica de 1 951 metros, o que a inclui na lista de picos ultraproeminentes da América do Sul. Em seu interior encontram-se os dois pontos mais altos do Brasil: o Pico da Neblina, com 2 995,30 metros conforme revisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicada em 2016, e o Pico 31 de Março, com 2 974,18 metros.

Geografia

A Serra Imeri faz parte do Escudo das Guianas, o antigo platô rochoso que se estende pelo norte do subcontinente sul-americano, situando-se imediatamente ao norte do equador. Constitui a porção mais ocidental da região serrana do planalto guianense, que se prolonga de oeste para leste pelas serras do Imeri, Parima, Pacaraima, Acaraí e Tumucumaque.

No interior da serra encontram-se o Pico da Neblina e o Pico 31 de Março, os dois pontos mais altos do Brasil. O cume do Pico da Neblina fica integralmente em território brasileiro, a apenas 687 metros horizontais da fronteira com a Venezuela. O Pico 31 de Março, por sua vez, divide-se entre os dois países.

Hidrografia

A Serra Imeri constitui um dos divisores de águas entre duas das maiores bacias hidrográficas do mundo: a do Amazonas e a do Orinoco. No lado brasileiro, as vertentes da serra drenam para afluentes do rio Negro, que por sua vez deságua no Amazonas; no lado venezuelano, as águas seguem em direção ao Orinoco. Essa posição na fronteira das duas bacias torna a região de especial interesse geográfico e hidrológico, sendo os rios da área importantes corredores para a biodiversidade aquática da Amazônia setentrional.

Geologia

A Serra Imeri integra o Escudo das Guianas, uma das formações geológicas mais antigas da Terra, constituída de terrenos cristalinos do Pré-Cambriano. Em épocas geológicas remotas, a região correspondia a um extenso planalto de rochas areníticas; a erosão secular desse platô, acelerada após o soerguimento dos Andes, fragmentou a cobertura sedimentar e deu origem às montanhas tabulares conhecidas como tepuis — das quais o Pico da Neblina é o exemplar mais elevado do sistema.

O isolamento geográfico resultante desse processo criou condições ambientais únicas nas partes mais elevadas da serra. O solo pobre e pedregoso e as variações diárias de temperatura superiores a 20 °C limitam a diversidade de espécies, mas favorecem elevados índices de endemismo: grande parte das plantas e animais que habitam os cumes não ocorre em nenhuma outra região do mundo. Expedições científicas recentes documentaram espécies ainda desconhecidas da ciência, e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificam a serra como possível berço de diversas linhagens de plantas que posteriormente se dispersaram pela floresta amazônica e pela Mata Atlântica.

Povos indígenas

O território brasileiro da Serra Imeri está inteiramente inserido na Terra Indígena Yanomami, demarcada em 1992 com área de aproximadamente 9,6 milhões de hectares abrangendo os estados do Amazonas e de Roraima. A região é habitada pelos Ianomâmis, povo indígena cuja área de ocupação se estende por ambos os lados da fronteira Brasil-Venezuela, com cerca de 20 mil indivíduos no lado brasileiro distribuídos em mais de 220 comunidades.

Para os ianomâmis, o Pico da Neblina é conhecido pelo nome Yaripo e possui profundo significado cultural e espiritual. As expedições ao cume são regulamentadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), e conduzidas exclusivamente por guias indígenas da comunidade de Maturacá, no município de São Gabriel da Cachoeira.

Conservação

O território brasileiro da serra está inserido no Parque Nacional do Pico da Neblina, unidade de conservação federal criada em 1979 com área de 2 252 616 hectares. Do lado venezuelano, a área é protegida pelo Parque Nacional Serranía de la Neblina. Em conjunto com o Parque Nacional Parima-Tapirapecó (Venezuela), os dois parques formam um dos maiores complexos de áreas protegidas de florestas tropicais do mundo.

Ver também

Pico da Neblina Parque Nacional do Pico da Neblina Lista de picos ultraproeminentes da América do Sul

Ligações externas

Categoria:Serras do Amazonas Categoria:Picos do Brasil Categoria:Montanhas da Venezuela Categoria:Fronteira Brasil–Venezuela Categoria:Montanhas internacionais da América do Sul