Heyder Abas Palheta (Belém, 1 de dezembro de 1959conteudoesportivo.com.br/ — Belém, 23 de fevereiro de 2021), mais conhecido simplesmente por Heyder (ocasionalmente grafado "Heider" ou "Hêider"), foi um futebolista brasileiro, que atuou como ponta-direita. Com passagens por , e , ele ganhou o apelido de Flecha-Azul quando jogou pelo , alusão à velocidade que empregava em suas jogadas pela linha de fundo, que sabia conciliar com infiltrações pelo miolo da grande área.
Revelado pelo Paysandu, ele também se destacou em diferentes clubes do Nordeste,DA COSTA, Ferreira (2013). Heyder - O "Flecha Azul" brilhou por 14 anos no futebol. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 95-96 conseguindo na década de 1980 títulos estaduais pelos rivais e e outro com o , além de um em 1991 pelo Fortaleza. Foi o primeiro jogador do a marcar um gol pelo clube no Barradão, no jogo que em 1986 inaugurou esse estádio.
Carreira Paysandu
Dentre seus familiares, encontra-se o músico maranhense Zeca Baleiro, seu primo, e que enfatizou esse parentesco ao comunicar show em Belém do Pará em 2026. Heyder chegara a passar parte da infância em São Luís do Maranhão, onde seu pai servia. O artista possui ancestralidade sírio-libanesa, com o sobrenome Abas (ou Abbas) do jogador significando precisamente "Leão" na língua árabe. A família veio a adotar exatamente o Remo, o "Leão Azul", para torcer, mas Heyder acabaria gradualmente se identificando com o rival Paysandu.
A mudança de preferência pessoal adveio de uma reprovação em testes feitos no Remo, clube que chegara a frequentar junto do pai na juventude; veio a ser admitido em 1973 nas categorias de base da equipe vizinha. Paulo Emílio, que treinou o Paysandu em 1979, foi o primeiro técnico a efetivamente dar oportunidades a Heyder no time principal, naquele mesmo ano. No fim de agosto de 1979, Remo foi o campeão paraense da temporada, em edição de incomum repercussão nacional do certame pela presença de Dadá Maravilha como jogador alviceleste. Caro demais para permanecer no Pará, Dario deixou Belém em seguida; Heyder estreou precisamente pouco depois do fim daquele estadual, realizando em 3 de setembro de 1979 sua primeira partida pelo time adulto, válida pelo Brasileirão.
Em 1980, em amistoso em agosto, Heyder marcou seu único gol no clássico Re-Pa, empatando a partida em 1-1 no Baenão.DA COSTA, Ferreira (2015). 1980. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 141-142 Adiante, o estadual voltou a ser do Paysandu, após a competição inicialmente parecer fadada à rival Tuna Luso, campeã dos dois primeiros turnos. O Paysandu venceu o terceiro e o extra e terminou campeão,DA COSTA, Ferreira (2013). 1980 - Aguilera apoia diretores. O Papão traz Chico Spina e fica com o título. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 198-203 com Heyder ainda não firmado na titularidade, mas contribuindo com quatro gols. O bicampeonato seguido veio em 1981 e nessa vez ele foi vice-artilheiro do elenco campeão, abaixo de Chico Spina,DA COSTA, Ferreira (2002). 1981 - Bicampeão paraense de futebol profissional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 98-99 mesmo que a diretoria chegasse a empresta-lo por três meses ao Sport Recife ao confiar que a chamativa contratação do ícone remista Alcino serviria para uma dupla ofensiva ainda mais goleadora com Spina.
Sucessos no Nordeste e a passagem pelo Flamengo
O concorrente Alcino não triunfou como bicolor,TAVERNARD, Mauro (2017). Paysandu (1981) e Santa Cruz (1982). Alcino Negão Motora - A História do Gigante do Baenão. Belém: RM Graph Editora, pp. 309-314 ao passo que Heyder acabou campeão em 1981 tanto do certame paraense como do pernambucano.
Heyder estava sob empréstimo ao Sport e, na repercussão daquele título, acabou transferido em 1982 ao próprio Náutico, que comprou-lhe o passe diretamente do Paysandu. O "Timbu" inicialmente amargou seguidos vice-campeonatos até reconquistar em 1984 o estadual, ainda com Heyder. A equipe já era reconhecida pela qualidade de seu ataque bem antes, notadamente pela velocidade, mas vinha se ressentindo de uma defesa que comprometia, inclusive emocionalmente.
O ponta também obtinha certa repercussão nacional nos Brasileirões, a exemplo de goleada de 5–1, com gol dele, sobre o Corinthians, também em 1984. Ainda em 1983, a revista Placar assinalou que "um time que tem Baiano, Heyder e Lupercínio sabe muito bem como fazer gols. Difícil é evita-los". Lupercínio, também paraense e também egresso do Paysandu,DA COSTA, Ferreira (2013). Lupercínio - Ponteiro "entortava" seus marcadores. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 189-191 acabaria negociado com o Botafogo ainda em 1984, ao passo que Heyder rumaria ao Flamengo.
Heyder estreou como flamenguista em 27 de janeiro de 1985, após negociação que envolveu uma troca por Nunes e Heitor, que por sua vez rumaram ao estádio dos Aflitos. O paraense permaneceu até agosto de 1985, realizando dezoito partidas, com um único gol; esse gol, todavia, veio em partida especialmente comemorada, em goleada de 6-1 no clássico com o Botafogo. O rival havia aberto o placar e Heyder fez precisamente o gol que, ainda no primeiro tempo, iniciou a virada a favor da equipe dirigida por Zagallo.
Seu penúltimo jogo pelo Flamengo foi o amistoso festivo da volta de Zico ao clube. Aconselhado pelo próprio Zico a procurar outro clube para ter mais chances de titularidade diante da concorrência com Bebeto e Tita, Heyder seguiu carreira inicialmente na dupla Ba-Vi, vindo a ser comandado pelo mesmo Abel Braga no Vitória em 1986.
No campeonato baiano de 1986, destacou-se pelos doze gols. Ainda naquele ano, em 11 de novembro, marcou o primeiro gol da história rubro-negra no Barradão, empatando em 1-1 uma partida amistosa com o Santos, jogo festivo para a inauguração do estádio do "Leão da Barra". Em 1987, contudo, Heyder passou ao rival Bahia. Como tricolor, integrou a campanha campeã estadual de 1987.
Destaque por Inter e Cruzeiro
Ainda em 1987, ele rumou ao Internacional. Sua contratação pelos colorados fora um pedido de Ênio Andrade, com quem havia trabalhado no Náutico. Em 1º de agosto daquele ano, Heyder marcou um dos gols de recordada vitória de 2-1 sobre o Ajax treinado por Johan Cruijff, pelas semifinais do Torneio Internacional de Glasgow.CECONELLO, Douglas; CASSOL, Daniel (setembro de 2013). 1987 - Vitória no Ajax de Cruyff. Inter hoje e sempre - A história colorada em cada dia do ano. Porto Alegre: Dublinense, p. 126 No dia seguinte, ele e o clube venceram na decisão o anfitrião Rangers.CECONELLO, Douglas; CASSOL, Daniel (setembro de 2013). 1987 - Campeão em Glasgow. Inter hoje e sempre - A história colorada em cada dia do ano. Porto Alegre: Dublinense, p. 126 Essa conquista era considerada uma das mais expressivas em âmbito estrangeiro do Inter antes do clube vencer a Copa Libertadores da América.
Heyder, por outro lado, admitiu que a falta de troféus oficiais foi um entrave para seu reconhecimento ser mais duradouro no Beira-Rio, sem conseguir o campeonato gaúcho e terminando derrotado em duas finais seguidas do Brasileirão; ainda assim, na década de 2010 ele já declarava orgulho pelas campanhas vice-campeãs da Copa União (por 1987) e do 1988, ano em que marcou seu único gol no Grenal - em 3-3 válido pelo estadual.Em cada jogo, uma guerra (maio de 2005). Placar Especial 35 Anos - Coleção de Aniversário n. 2, "Os Grandes Clássicos". Editora Abril, pp. 90-97 Nas decisões contra o Bahia, entrou no decorrer das partidas, substituindo Maurício em ambas.
Suas exibições contra o Peñarol pela Copa Libertadores da América de 1989 renderam comparações a Garrincha feitas pela imprensa uruguaia, anos após comparações similares já serem noticiadas pela revista Placar pelas exibições de Heyder pelo Náutico. Pelas oitavas-de-final, os colorados venceram tanto em Porto Alegre (6-2, com dois gols dele) como no estádio Centenário (2-1 diante de 50 mil torcedores), com Heyder sobressaindo-se contra Alfonso Domínguez, então considerado o melhor zagueiro do futebol sul-americano.
Ênio Andrade tornou a requisita-lo, dessa vez para o Cruzeiro, clube em que Heyder transferiu-se ainda em 1989; chegou a marcar em dezembro o único gol do Clássico Mineiro válido pelo Brasileirão daquele ano.De Minas para o Brasil (maio de 2005). Placar Especial 35 Anos - Coleção de Aniversário n. 2, "Os Grandes Clássicos". Editora Abril, pp. 82-89 Dos outros gols marcados naquela edição, esteve um em vitória de 2-0 sobre o Flamengo.
Como cruzeirense, o ponta recebeu o apelido de "Flecha Azul" e se consagrou campeão mineiro em 1990. Dentre seus gols, orgulhava-se em especial de um marcado naquele mesmo ano sobre Sergio Goycochea, então no auge do prestígio: o lance ocorreu em duelo contra o Racing pela Supercopa Libertadores de 1990, embora o próprio Goycochea viesse a defender a cobrança do atacante na decisão por pênaltis ocorrida na revanche em Avellaneda. Heyder recuperou-se em fevereiro de 1991, marcando outro gol sobre o rival Atlético Mineiro, em 2-2 válido por novo Brasileirão.
Uma séria lesão no calcanhar freou sua trajetória no Cruzeiro e o atacante, ainda em 1991, terminou repassado ao Fortaleza, por empréstimo. O negócio foi anunciado em 11 de outubro, quando a equipe mineira já havia iniciado sua campanha na Supercopa Libertadores de 1991, da qual terminaria campeã no mês seguinte.
Final
O Fortaleza repercutira nacionalmente ao contratar também Josimar e Mirandinha naqueles mesmos dias junto a Heyder. A lesão dele o impediu de disputar muitas partes pelo clube, assim como um entrave jurídico: o campeonato cearense estava no quarto turno e o rival Ceará, buscando retirar cinco pontos dos tricolores para assim encaminhar a conquista daquele turno, questionou a participação do paraense; o concorrente arguia que a inatividade decorrente da lesão deixaria Heyder em uma suposta condição irregular de "licenciado" enquanto os tricolores não regularizassem junto ao INSS o retorno do jogador ao ambiente de trabalho.
Heyder acabaria jogando somente três vezes na competição, mas pôde ser considerado campeão daquele torneio, pois a tese do rival não foi acolhida pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. A pouca frequência naquele título estadual do Fortaleza não impediu que o "Leão do Pici" manifestasse pesar oficial diante do falecimento do atacante, que na época optara por encerrar a carreira:
Uma vez reestabalecido em Belém, Heyder chegou a ser anunciado como jogador do Remo para o Brasileirão de 1993; inclusive constou no álbum de figurinhas da Panini, assim como no guia especial preparado pela revista Placar. Reforçado com outros jogadores de renome nacional (especialmente Biro-Biro, Édson Boaro e Mauricinho) e de revelações estaduais como Giovanni e Ageu Sabiá, o clube faria a melhor campanha de uma equipe da Região Norte do Brasil, mas sem Heyder em campo: sem atuar regularmente havia praticamente dois anos, ele se limitou a defender uma única vez seu time de infância, em amistoso, optando por dar a carreira definitivamente como encerrada ao não vislumbrar a retomada de ritmo viável de jogo.
Morte Morreu em 23 de fevereiro de 2021, em decorrência de complicações da Covid-19. Notas de pesar foram emitidas nas redes sociais e/ou sites oficiais da dupla Remo e Paysandu, na do Fortaleza, além de Flamengo, Cruzeiro e Internacional, especialmente pesarosa por, horas depois, saber que a mesma doença havia acarretado na morte de Florindo. Edu Lima, colega dele no clube colorado, também se pronunciou: "Meu grande amigo e parceiro, Heyder, não conseguiu driblar o seu último adversário. Que Deus o receba de braços abertos, meu irmão. Seu sorriso e alegria vão fazer muita falta!".
Números e Estatísticas Por Ano
AnoGols19791 19806 198114 198232 198313 198412 198513 198610 19877 19886 198910 199013 19914Total141 gols
Por Campeonato