Este artigo contém recordes e estatísticas dos chefes de governo de Portugal desde a criação do cargo durante a Monarquia Constitucional, em 1834, até à atualidade, em várias categorias. Incluem-se as 101 personalidades ou órgãos coletivos que detiveram a liderança do poder executivo (presidentes do Conselho de Ministros, presidente do Governo Provisório, presidentes do Ministério, presidentes da República acumulando a chefia do governo, primeiros ministros, juntas governativas e governos na sua totalidade por morte da sua chefia), tenha essa liderança sido efetiva, interina ou apenas de jure (em casos em que o chefe de governo esteve nomeado, não tendo chegado a tomar posse). Os vários recordes e estatísticas contemplam o caso de as lideranças interinas, coletivas ou não empossadas não serem consideradas.
Os vários recordes e estatísticas estão organizados por tema, sendo eles o tempo no cargo, o número de períodos no cargo, a idade na tomada de posse, a idade no fim da governação, a longevidade, a data de nascimento, a data da morte, o tempo depois do poder, o número de ex-chefes de governo vivos, as mortes em funções, as chefias do Estado, as chefias interinas, não empossadas e coletivas, as vice-chefias de governo, o local de nascimento, o nome próprio, os apelidos e os títulos nobiliárquicos.
Na sua maioria, para além dos recordes absolutos, apresentam-se também os recordes discriminados por regime: Monarquia Constitucional (1834–1910), Primeira República (1910–1926), período ditatorial (1926–1974, somatório da Ditadura Militar, Ditadura Nacional e Estado Novo) e Terceira República (1974–presente), sendo esta última subdividida em recordes absolutos, recordes dos governos constitucionais e recordes dos governos partidários (que exclui os governos constitucionais de iniciativa presidencial).
Período no cargo ver Lista de chefes de governo de Portugal por tempo no cargo Mais tempo thumb|direita|António de Oliveira Salazar, presidente do Ministério e presidente do Conselho de Ministros (1932–1968), foi chefe de governo durante um tempo recorde de 36 anos e 84 dias. O chefe de governo português com mais tempo no cargo foi António de Oliveira Salazar, tendo-o ocupado por 36 anos e 84 dias, de 5 de julho de 1932 a 27 de setembro de 1968.
No período da Monarquia Constitucional, o presidente do Conselho de Ministros que mais tempo chefiou o executivo foi António Maria de Fontes Pereira de Melo, tendo-o feito por 11 anos e 29 dias somando três períodos diferentes (13 de setembro de 1871–5 de março de 1877; 29 de janeiro de 1878–1 de junho de 1879; 14 de novembro de 1881–20 de fevereiro de 1886), tendo sido também o chefe de governo monárquico com o mandato consecutivo de maior duração (5 anos e 173 dias).
Na Primeira República, António Maria da Silva foi o presidente do Ministério com mais tempo no poder: 2 anos e 133 dias, no somatório dos seus 4 períodos como chefe de governo (26 de junho de 1920–19 de julho de 1920; 6 de fevereiro de 1922–15 de novembro de 1923; 2 de julho de 1925–1 de agosto de 1925; 18 de dezembro de 1925–29 de maio de 1926), pertencendo-lhe também o mandato consecutivo mais duradouro (1 ano e 282 dias).
Em Democracia, Aníbal Cavaco Silva foi quem foi primeiro-ministro durante mais tempo, com 9 anos e 356 dias, entre 6 de novembro de 1985 e 28 de outubro de 1995.
Luís Montenegro, o atual primeiro-ministro, está há no cargo. Teria de estar no cargo a 24 de março de 2034 para igualar o recorde de Cavaco Silva.
Menos tempo thumb|direita|Francisco Fernandes Costa, presidente do Ministério durante menos de um dia a 15 de janeiro de 1920, não tendo sido empossado. Desde 1834, quando foi instaurada a Monarquia Constitucional, e foi instituído um cargo de chefia do governo, que vários ocupantes do cargo têm estado poucos dias no poder.
Francisco Fernandes Costa foi nomeado e exonerado presidente do Ministério a 15 de janeiro de 1920, tendo sido chefe de governo por algumas horas, não tendo, no entanto, tomado posse.
Contudo, excluídas as chefias interinas, as não empossadas e as coletivas, e contabilizando todos os períodos diferentes feitos por cada indivíduo, o período de 16 dias, entre 20 de outubro e 5 de novembro de 1921, correspondente ao único período no poder de Manuel Maria Coelho, é o menor da história do cargo.
Na Monarquia, o marquês de Valença foi presidente do Conselho por um dia, entre 4 e 5 de novembro de 1836, não tendo também tomado posse. A segunda vez que o duque de Palmela chefiou o executivo, também por 1 dia, entre 7 e 8 de fevereiro de 1842, no chamado Governo do Entrudo (um governo de transição), constitui-se como o mais curto período na Monarquia Constitucional em que o chefe de governo de facto tomou posse. Também o período em que a Junta Provisória de Governo deteve o poder executivo, após a revolução cabralista, entre 8 e 9 de fevereiro de 1842, durou um dia. Durante o mesmo tempo, entre 1 e 2 de junho de 1837, a totalidade dos membros do 4.º governo da Monarquia Constitucional chefiou coletivamente o governo até à tomada de posse do seu presidente, José Jorge Loureiro.
Após a morte do presidente do Conselho, o duque da Terceira, em 1860, a totalidade do Conselho de Ministros chefiou o governo durante 5 dias. Também 5 dias durou o 3.º governo do duque da Terceira, também ele de transição. Após a saída do duque de Palmela do seu primeiro governo, a totalidade do 1.º governo da Monarquia Constitucional deteve o poder executivo, entre essa data, 28 de abril de 1835, e 4 de maio do mesmo ano (6 dias). Excluindo governos não empossados, governos provisórios ou de transição, órgãos coletivos com a chefia do governo ou chefes de governo interinos, e somando todos os períodos no poder de cada personalidade, o chefe de governo da Monarquia com menos tempo no poder foi o conde de Linhares, com 23 dias, entre 4 e 27 de maio 1835.
thumb|esquerda|Manuel Maria Coelho, presidente do Ministério (1921), foi o chefe de governo com menos tempo no cargo (16 dias), excluindo chefias interinas, não empossadas e coletivas, e somando todos os períodos no cargo de cada um dos governantes. Na Primeira República (excluindo Fernandes Costa), a Junta Constitucional de 1915, o 16.º governo em 1918 e o 31.º governo em 1921 foram chefes de governo coletivos, todos durante um dia, entre 14 e 15 de maio de 1915, entre 14 e 15 de dezembro de 1918 e entre 19 e 20 de outubro de 1921, respetivamente. Com quatro dias no poder, a Junta Revolucionária de 1917, chefiada por Sidónio Pais, foi detentora do poder executivo entre 8 e 12 de dezembro de 1917. Com 7 e 8 dias, respetivamente, Augusto de Vasconcelos (23 a 30 de setembro de 1912) e João do Canto e Castro (15 a 23 de dezembro de 1918) foram chefes de governo interinos em substituição de Duarte Leite, o primeiro, e em substituição do falecido Sidónio Pais, o segundo. Já João Chagas, na sua segunda experiência governativa, foi nomeado presidente do Ministério a 15 de maio de 1915, tendo sido baleado a 17 do mesmo mês, e sobrevivido. Em recobro, foi substituído interinamente por José de Castro, até ser efetivamente exonerado a 29 de maio. O período de 14 dias entre 15 e 29 de maio foi também dos mais curtos da Primeira República. Excluindo não empossados, órgãos coletivos, e chefes de governo interinos, o primeiro mandato de Álvaro de Castro, com 10 dias, entre 20 e 30 de novembro de 1920, foi o mais curto da Primeira República. No entanto Álvaro de Castro teve outro período no governo de 202 dias, o que faz com que o já referido Manuel Maria Coelho, com um tempo de 17 dias, seja de facto aquele que, somando todos os mandatos, esteve menos tempo no poder.
Na Ditadura Militar, na Ditadura Nacional e no Estado Novo, a Junta de Salvação Pública esteve dois dias no poder, entre 29 e 31 de maio de 1926. Descontando este órgão coletivo, o presidente do Ministério ou presidente do Conselho com menos tempo no cargo foi Luís Maria Lopes da Fonseca, interinamente durante 10 dias, entre 16 e 26 de outubro de 1929, e em substituição de Artur Ivens Ferraz. Excluindo este presidente interino do Ministério, José Mendes Cabeçadas, por 17 dias, entre 31 de maio e 17 de junho de 1926, foi efetivamente o chefe de governo menos duradouro do período ditatorial.
Em Democracia, o período de 21 dias, entre 25 de abril e 16 de maio de 1974, em que a Junta de Salvação Nacional acumulou a chefia do Estado com a do governo, foi a mais curta do período atual. Com 30 e 36 dias respetivamente, Vasco Almeida e Costa e Diogo Freitas do Amaral, ambos interinamente em substituição de José Pinheiro de Azevedo, o primeiro, e do falecido Francisco Sá Carneiro, o segundo, foram os indivíduos que menos tempo foram chefes de governo. Com 63 dias, entre 16 de maio e 18 de julho de 1974, Adelino da Palma Carlos é o primeiro-ministro da Terceira República com menos tempo no cargo. Alfredo Nobre da Costa, com 85 dias, entre 29 de agosto e 22 de novembro de 1978, foi o que no período dos governos constitucionais esteve menos tempo no cargo. Pedro Santana Lopes, com 238 dias, entre 17 de julho de 2004 e 12 de março de 2005, foi o primeiro-ministro de um governo partidário com menos tempo no poder.
Outras informações thumb|direita|O duque de Saldanha, presidente do Conselho de Ministros (1835; 1846–1849; 1851–1856; 1870), chefe de governo com o segundo maior período entre a sua primeira tomada de posse e a última vez que foi exonerado (35 anos e 94 dias). O chefe de governo com o maior período entre a primeira vez que ocupa o cargo e a última vez em que o deixa é António de Oliveira Salazar com 36 anos e 84 dias. Na Monarquia Constitucional, o recorde pertence ao duque de Saldanha, com 35 anos e 94 dias, entre 27 de maio de 1835 e 29 de agosto de 1870. Na Primeira República, quem tem essa distinção é Bernardino Machado, com 7 anos e 103 dias, entre 9 de fevereiro de 1914 e 23 de maio de 1921. Na Terceira República, Aníbal Cavaco Silva detém o recorde, com os seus 9 anos e 356 dias no cargo.
thumb|esquerda|O marquês de Sá da Bandeira, presidente do Conselho de Ministros (1836–1837; 1837–1839; 1862 interino; 1865; 1868–1869; 1870) detém três recordes: o maior período entre dois mandatos, o menor período entre mandatos, e o maior número de períodos não consecutivos no poder. O marquês de Sá da Bandeira, com , entre o fim do seu segundo mandato a 18 de abril de 1839 e o início do seu terceiro a 17 de abril de 1865 é o chefe de governo com o maior período de tempo sem estar no cargo, entre mandatos. Bernardino Machado, com , entre 12 de dezembro de 1914 e 23 de maio de 1921, detém o recorde de entre os presidentes do Ministério da Primeira República. Em ditadura, não houve chefes de governo com mandatos não consecutivos. Em Democracia, Mário Soares, com , entre o fim do primeiro período a 29 de agosto de 1978 e o início do segundo a 9 de junho de 1983, é o único primeiro-ministro a ter um período entre cargos.
Com apenas 70 dias a separar o fim do seu primeiro mandato (1 de junho de 1837) e o início do seu segundo (10 de agosto de 1837), com um curto governo de António Dias de Oliveira pelo meio, o marquês de Sá da Bandeira detém o mais curto período de tempo entre o fim de um mandado de um chefe de governo e o começo de outro. Na Primeira República, essa distinção vai para o tempo entre o quarto e quinto períodos no governo de António Maria da Silva, com 138 dias, entre 1 de agosto e 17 de dezembro de 1925.
Número de períodos no cargo Considera-se que um período no cargo não equivale a um mandato, já que, por exemplo António Guterres foi primeiro-ministro durante dois mandatos consecutivos, fazendo desse tempo um único período no cargo.