thumb|300px|direita|Os astronautas em 18 de outubro de 1963. Em pé: Collins, Cunningham, Eisele, Freeman, Gordon, Schweickart, Scott e Williams. Sentados: Aldrin, Anders, Bassett, Bean, Cernan e Chaffee. O Grupo 3 de Astronautas da NASA, também chamado de Os Catorze, foi um grupo de astronautas selecionado pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) para integrarem o programa espacial dos Estados Unidos. Foi o terceiro grupo de astronautas da NASA e foram anunciados no dia 18 de outubro de 1963. Os catorze eram: Buzz Aldrin, William Anders, Charles Bassett, Alan Bean, Eugene Cernan, Roger Chaffee, Michael Collins, Walter Cunningham, Donn Eisele, Theodore Freeman, Richard Gordon, Russell Schweickart, David Scott e Clifton Williams.
Um novo grupo de astronautas se fez necessário por temores da escassez de astronautas qualificados para o Programa Apollo. Os critérios de seleção foram similares aos utilizados na escolha do Grupo 2, porém foi o primeiro a abrir mão da necessidade dos candidatos serem pilotos de teste. 720 candidaturas foram recebidas, vindos de pilotos militares e civis, com o painel de seleção reduzindo este número para 34. Estes foram convocados a fim de passarem por exames médicos, testes e entrevistas com oficiais da NASA, com catorze sendo escolhidos para tornarem-se astronautas.
O grupo sofreu de uma alta taxa de mortalidade, com Bassett, Freeman e Williams morrendo em diferentes acidentes aéreos antes de realizarem um único voo espacial, enquanto Chaffee morreu no incêndio da Apollo 1 menos de um mês antes do lançamento. Dos sobreviventes, todos voaram nos programas Gemini e Apollo. Aldrin, Bean, Cernan e Scott caminharam sobre a superfície lunar, enquanto Anders, Collins e Gordon viajaram para a Lua.
Antecedentes O lançamento em 4 de outubro de 1957 do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da história, pela União Soviética em meio à Guerra Fria iniciou uma competição tecnológica e ideológica contra os Estados Unidos que ficou conhecida como Corrida Espacial. Tal demonstração aparente da inferioridade tecnológica norte-americana causou um choque e temor profundo na população geral dos Estados Unidos. O presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower, em resposta ao que ficou conhecido como a Crise do Sputnik, decidiu criar uma nova agência espacial civil, a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), com o objetivo de supervisionar o programa espacial dos Estados Unidos. O Grupo de Tarefas Espaciais (STG) do Centro de Pesquisa Langley em Hampton, na Virgínia, criou o primeiro programa espacial tripulado norte-americano, o Projeto Mercury. A seleção dos primeiros astronautas, chamados de "Sete da Mercury" ou "Sete Originais", foram anunciados em 9 de abril de 1959.
O STG estava confiante em 1961 que o Projeto Mercury tinha superado suas dificuldades iniciais e que os Estados Unidos tinham superado a União Soviética como o país mais avançado no espaço, mesmo com nenhum lançamento tripulado tendo ocorrido até então. O STG começou a considerar a Mercury Marco II, o sucessor com dois tripulantes da espaçonave Mercury original. Entretanto, esta confiança foi despedaçada em 12 de abril de 1961 quando os soviéticos lançaram a Vostok 1 tripulada com o cosmonauta Iuri Gagarin, que tornou-se o primeiro humano no espaço e o primeiro a orbitar a Terra. Em resposta, o presidente John F. Kennedy anunciou em 25 de maio de 1961 um objetivo mais ambicioso: um pouso tripulado na Lua até o final da década. Este esforço já tinha um nome: Programa Apollo. O conceito da Mercury II foi renomeado de Projeto Gemini em 3 de janeiro de 1962. A NASA anunciou em 18 de abril de 1962 que estava aceitando candidaturas para um segundo grupo de astronautas, um que apoiaria os astronautas originais no Projeto Mercury e que juntariam-se a eles no Projeto Gemini. Antecipava-se que eles depois iriam comandar as missões do Programa Apollo. Nove candidatos foram selecionados para o Grupo 2, chamado de "Novos Nove" ou "Próximos Nove", com seus nomes sendo divulgados oficialmente em 17 de setembro de 1962.
Em maio de 1963, havia astronautas suficientes para as necessidades do Projeto Gemini, porém o planejado cronograma do Programa Apollo na época necessitava de quatro missões tripuladas em órbita baixa lançadas de um Saturno I em 1965, de duas a quatro missões no Saturno IB em 1966 e mais seis em órbita baixa e órbita lunar no Saturno V, estas a partir de 1967. Donald Slayton, o Diretor de Operações de Tripulações de Voo e ex-astronauta, achou provável uma escassez de astronautas seguindo esse cronograma, porém ele duvidava que tantas missões seriam realmente lançadas. Além disso, em meados de 1963, três astronautas originais já não estavam mais voando – Scott Carpenter, John Glenn e o próprio Slayton – deixando apenas treze astronautas ativos. Slayton calculou, seguindo essa base, uma taxa de atrito de dez por cento ao ano e que o Programa Apollo necessitaria de mais dez a vinte novos astronautas. A NASA anunciou em 5 de junho que iria recrutar entre dez e quinze astronautas. Candidaturas civis foram recebidas até 1º de julho, enquanto militares até o dia 15, com o objetivo de dar aos ramos de serviço tempo para pré-selecionarem candidatos.
Seleção Os critérios de seleção foram similares àqueles empregados na escolha do Grupo 2 um ano antes, exceto que o tempo de voo mínimo foi reduzido para mil horas, que obrigatoriedade dos candidatos serem pilotos de teste foi removida e que a idade máxima também foi reduzida. Os critérios que os candidatos deveriam se enquadrar eram: serem cidadãos dos Estados Unidos, terem menos de 34 anos na data limite de 30 de junho de 1963, altura máxima de 1,83 metros, possuírem um diploma em engenharia ou ciências físicas, serem pilotos de teste ou possuírem mil horas de voo em aeronaves a jato e terem sido recomendados por um empregador.
Um painel de seleção foi estabelecido e contava com os astronautas originais John Glenn, Walter Schirra, Alan Shepard e Donald Slayton, e também com o piloto de teste Warren J. North, funcionário da NASA e chefe de Operações de Tripulações de Voo. Ao todo, 720 candidaturas foram recebidas até a data limite, das quais 492 eram oriundas de militares e 228 provinham de civis. Destes números, um total de 490 foram consideradas elegíveis, com 136 sendo selecionadas para análise mais minuciosa. O painel de seleção considerou estas candidaturas entre os dias 17 e 20 de julho, com 34 sendo escolhidas para maiores examinações em pessoa.
Os candidatos foram enviados para a Base Aérea Brooks no Texas e passaram por exames médicos entre os dias 31 de julho e 15 de agosto. Os candidatos ficaram aliviados que não foram "sujeitos às indignidades passadas pelos sete originais". Os testes incluíram eletrocardiogramas, corridas em esteiras ergométricas, eletroencefalogramas e testes glicêmicos. Testes de hipóxia foram realizados a fim de averiguar como os candidatos reagiam à falta de oxigênio, foram colocados em salas escuras para testar sua resistência a enjoo e água gelada foi derramada em um dos ouvidos com o objetivo de testar como a parte interna dos ouvidos reagia com tal desequilíbrio. Testes psicológicos incluíram um em que os candidatos recebiam uma folha de papel em branco e eram perguntados o que estava representado nela. Michael Collins, que era um dos poucos que já tinha passado pelo processo em 1962, disse que era de dois ursos polares fazendo sexo. Seis candidatos foram eliminados por motivos médicos.
O estagio final do processo consistia em entrevistas diante do painel de seleção, que foram realizadas no Centro de Espaçonaves Tripuladas em Houston entre os dias 2 e 7 de setembro. Collins achou que a entrevista foi muito mais fácil da segunda vez, pois os painelistas não eram mais estranhos, suas perguntas não eram mais imprevisíveis e ele pessoalmente tinha o benefício de ter cursado a Escola de Pilotos de Pesquisa Aeroespacial da Força Aérea. Collins comentou que "até mesmo Deke Slayton e Warren North pareciam ter amolecido um pouco". Slayton desenvolveu um sistema de pontos para avaliar os candidatos. Dez pontos cada eram atribuídos para às áreas acadêmica, performance como piloto e personalidade e motivação, com trinta pontos sendo o máximo possível que algum candidato poderia conseguir.
Slayton escolheu treze nomes e os levou para uma reunião presidida por Robert Gilruth, o diretor do Centro de Espaçonaves Tripuladas. Maxime Faget, o diretor de engenharia e desenvolvimento, teve uma única objeção: treze era considerado um número de má sorte. Slayton assim adicionou o melhor candidato seguinte, Walter Cunningham. Os candidatos aprovados foram telefonados por Slayton, enquanto os rejeitados receberam telefonemas de North ou de Jack Cairl, o oficial de relações públicas da NASA. Quatro dos candidatos rejeitados foram escolhidos astronautas em 1966 no Grupo 5: Vance Brand, Ronald Evans, James Irwin e John Swigert. Outro finalista, Michael Adams, recebeu o distintivo de astronauta postumamente por um voo no North American X-15, em que acabou morrendo. O anuncio oficial da seleção ocorreu em 18 de outubro durante uma conferência de imprensa no Centro de Espaçonaves Tripuladas. Os novos astronautas foram apelidados de "Os Catorze".
Demográficos Os catorze astronautas eram: Buzz Aldrin, William Anders, Charles Bassett, Alan Bean, Eugene Cernan, Roger Chaffee, Michael Collins, Walter Cunningham, Donn Eisele, Theodore Freeman, Richard Gordon, Russell Schweickart, David Scott e Clifton Williams. Destes, sete eram da Força Aérea: Aldrin, Anders, Bassett, Collins, Eisele, Freeman e Scott. Quatro eram da Marinha: Bean, Cernan, Chaffee e Gordon. Williams, por sua vez, era o único do Corpo de Fuzileiros Navais. Dois dos escolhidos eram civis: Cunningham, que era capitão da Reserva do Corpo de Fuzileiros Navais; e Schweickart, que era um capitão da Guarda Nacional Aérea de Massachusetts. Collins comentou que "Em retrospecto, eramos da mesma tradição que os dois grupos anteriores, apesar da tendência natural da imprensa de destacar as diferenças".
Todos eram casados, com a exceção de Williams, que tornou-se o primeiro astronauta solteiro. A idade média na época da seleção era 31 anos, comparado com os 34,5 anos do Grupo 1 e 32,5 do Grupo 2. Eram ligeiramente mais altos com 1,78 metros, contra 1,77 metros tanto do Grupo 1 quanto do Grupo 2. Também eram mais pesados: 73 quilogramas, comparado a 72 quilogramas do Grupo 1 e 73,3 quilogramas do Grupo 2. Seu tempo de voo era menor: o Grupo 1 tinha uma média de 3 500 horas de voo, das quais 1 700 eram em aeronaves a jato; enquanto o Grupo 2 tinha uma média de 2 800 horas de voo, 1 900 delas em aeronaves a jato. O Grupo 3, por sua vez, ficava com 2 300 horas de voo, com 1 800 em jatos. Realizações acadêmicas foram um grande diferenciador. Seis dos nove do Grupo 2 possuíam um diploma de bacharel e os outros três detinham mestrados. No Grupo 3, apenas seis tinham um bacharelato, mas três destes estavam trabalhando em seus mestrados, enquanto sete já tinham seus mestrados finalizados, com Cunningham na época trabalhando em seu doutorado, enquanto Aldrin já era um doutor formado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts.