Fortunato Botton Neto (São Paulo, 10 de setembro de 1963 — Taubaté, 1997), também conhecido como o Maníaco do Trianon, foi um garoto de programa e um assassino em série brasileiro que entre 1986 e 1989 matou de 7 a 13 homens que moravam nas imediações do Parque Tenente Siqueira Campos, conhecido como Parque Trianon. Botton trabalhava como garoto de programa no parque, motivo de seu apelido.

Morreu na prisão em 1997 em decorrência de problemas relacionados à AIDS.

Biografia Fortunato nasceu em São Paulo em 10 de setembro de 1963. Segundo seus relatos, teria tido uma infância marcada por dificuldades, passando a viver nas ruas aos 8 anos de idade, sobrevivendo de esmolas. Nesta época teria sido estuprado por um caminhoneiro, passando a ter ódio por homens. Na década de 1980, tornou-se garoto de programa, sendo conhecido como Pilo, e passou a atuar nas proximidades da Avenida Paulista, incluindo na região do Parque Trianon, então conhecido como um ponto de prostituição masculina. Nesta época, segundo a Revista Aventuras na História, "Botton começou a usar drogas e teve que lidar com problemas financeiros" decorrentes do vício. Era também a época do auge dos casos de AIDS.

Crimes Entre 1986 e 1989 uma série de misteriosos assassinatos aconteceram na cidade de São Paulo, na região da Avenida Paulista. Entre as vítimas havia um decorador, um psiquiatra, um diretor de teatro e um professor que em comum tinham o fato de serem homens maduros (entre 30 e 50 anos de idade), serem homossexuais, serem independentes financeiramente e viverem sozinhos. Todos os homens foram assassinados com requintes de crueldade e de modo semelhante, o que levou a polícia a apostar na existência de um assassino em série atuando na região.

Modus operandi Fortunato combinava o programa sexual na casa dos clientes, onde antes ou após manter relações sexuais os incentivava a beber até que ficassem alcoolizados. Ele então amarrava os pés e mãos das vítimas e as matava por estrangulamento ou esfaqueamento, depois levando pertences de valor.

Algumas vezes ele também cometia extorsão contra clientes, ameaçando revelar sua homossexualidade.

Investigações e prisão O polícia já investigava Botton, mas um dos clientes, farto da extorsão, foi decisivo na elucidação do caso. Ele procurou a polícia e colaborou ao ajudar a montar uma armadilha, quando o maníaco acabou preso em 1989. Antes, "a investigação já havia rendido à polícia o nome e a descrição do assassino. Além disso, ele deixara uma impressão digital no quarto da primeira vítima e usara o telefone dela para fazer uma ligação (posteriormente rastreada)", explicou a revista Super Interessante.

Entre os crimes depois elucidados, está o assassinato do psiquiatra Antonio Carlos Di Giacomo, que trabalhava no Hospital do Servidor Público. No dia 17 de agosto de 1987, a empregada chegou para trabalhar e o encontrou morto, com pés e mãos amarrados e uma meia na boca. Botton assumiu o crime depois de preso e descreveu este e os demais com frieza. Em um de seus depoimentos, disse: "matar é como tomar sorvete: quando acaba o primeiro, dá vontade de tomar mais e a coisa não para nunca".

O Maníaco do Trianon matou possivelmente até 13 homens entre 1986 e 1989, mas foi condenado por apenas três dos sete crimes que confessou.

Inimputável devido a surtos, ele cumpriu pena na Casa de Custódia de Taubaté até morrer em fevereiro de 1997 de broncopneumonia agravada pela AIDS.

Na cultura popular

Foi tema do episódio O Maníaco do Trianon, da segunda temporada do programa Instinto Assassino da Discovery Channel Em 2001 foi tema do livro Dias de Ira: Uma História Verídica de Assassinatos Autorizados, escrito pelo jornalista Roldão Arruda, que chegou a entrevistar o assassino em 1995 Em 2023 virou um podcast da Spotify Em 2024 foi retratado num episódio da Apple TV Em 2025 o caso virou uma série da Max HBO

Referências

Ligações externas Revista Babel - O Maníaco do Trianon (em português) Retrato Falado: Maníaco do Trianon (em português) Avenida Paulista foi palco de momentos importantes de SP (em português)

Categoria:Naturais da cidade de São Paulo Categoria:Assassinos em série do Brasil Categoria:Mortes relacionadas à AIDS Categoria:Homens LGBT do Brasil Categoria:Prostitutos de São Paulo Categoria:Crimes na cidade de São Paulo Categoria:Condenados por homicídio no Brasil