Ponte Cesures (em galego, Pontecesures; em espanhol, Puentecesures) é um município (concello em ) da província de Pontevedra, Galiza, no noroeste de Espanha. Pertence à comarca de , tem de área e em a população do município era de habitantes ().

Geografia A vila encontra-se na margem esquerda do rio Ulla, separada de Padrón pelo rio, 2 km a norte de Valga, 36 km a norte de Pontevedra e 25 km a sudoeste de Santiago de Compostela (distâncias por estrada). É atravessada pelo Caminho Português de Santiago e pela estrada N-550, um dos principais eixos rodoviários da Galiza.

O concelho foi criado em 1930; até então a única do concelho fazia parte do município de Valga.

Demografia

História Pontecesures nasceu a partir de um povoado que se desenvolveu após a construção de uma ponte romana sobre o rio Ulla, o qual é navegável até ali. No passado o seu porto teve uma grande importância. No local onde hoje se encontra o cais de carga existiu um porto romano, do qual se encontraram dois pontões enterrados, de carvalho e com encaixes em "cauda de milhafre". Foram também descobertas grandes quantidades de cerâmica e moedas romanas, desde Tibério até .

No século XII, Diego Gelmires, bispo da catedral de Santiago, utiliza a mesma zona do rio para criar um estaleiro, onde foram construídos três navios sob a direção do mestre carpinteiro Paolo de Nápoles, destinados a combater os piratas berberescos que se tinham estabelecido nas ilhas Ons, à entrada da ria de Pontevedra. Os piratas causavam grandes estragos aos navios carregados com peregrinos que vinham de Inglaterra em peregrinação a Santiago. Posteriormente forma construídos mais dois navios. Esta frota participou depois, a pedido de , no ataque contra uma praça-forte muçulmana, que segundo o relato de Gelmires na “Historia Compostellana”, foi tomada porque o inimigo não esperava um ataque por mar.

É durante esse ataque (a Coimbra?) que um peregrino tem uma visão em Santiago de Compostela que deu origem à iconografia da imagem de Santiago Matamoros, até aí inexistente.

Essa força naval foi depois usada contra os navios normandos que arrasavam o litoral, saqueando-o e chegando a penetrar rio acima até Santiago e mesmo até Cebreiro, numa incursão que durou três anos e provocou grande instabilidade. A ação dos navios de Pontecesures foi tão decisiva que eliminou sociedade galega da ameaça dos normandos e berberescos desse tempo.

Gelmires reforçou também o Castelum Honestum (Torres do Oeste), em Catoira, onde tinha nascido, pois era filho do casteleiro. Ali foi instalada uma grande corrente de ferro que estendida entre as duas margens, impedia a passagem de embarcações para Pontecesures e Santiago de Compostela.

No reinado de , Pontecesures continuava a ser o único porto de mercadorias em toda a ria de Arousa. Até ao Pontecesures e Padrón estavam unidas administrativamente, o que só mudou com a reorganização provincial que passou a usar os rios como divisões políticas e Padrón passou a fazer parte da e Pontecesures à de Pontevedra, passando a depender de Valga. A importância do porto era tal que a vila era conhecida como porto de Compostela, pois a maior parte das mercadorias destinadas a Santiago de Compostela saíam de Pontecesures. Isso contribuiu para a criação de uma burguesia de comerciantes e industriais que impulsionaram a autonomia do município em 1925, deixando a tutela de Valga.

O porto teve também grande importância económica nos anos 1960 e 1970, pois era o centro de descarga dos barcos areeiros do ro Ulla, que transportavam a areia usada no setor de construção nessas décadas. O negócio da areia morreu na década de 1980, quando foi completada a dragagem do rio, a qual fez desaparecer as temíveis cheias do rio na curva da Insua ou da ponte, que alagava esta zona habitada, o mesmo se passando na Veiga da Foz, formada pela confluência do rio Sar com o Ulla, um pouco mais abaixo do porto romano, uma zona pantanosa de aluvião que só recentemente passou a ser habitado, após a normalização do curso do rio.

Património thumb

Petróglifos — Nas imediações do antigo depósito de água encontram-se petróglifos que indicam os limites territoriais das tribos celtas locais. O local é também conhecido como Pedra de Serpes, pela combinação de círculos e labirintos com linhas serpentiformes.

Castros: Castro Cortinallas — Castro celta situado perto do bairro da Calera, junto ao rio.

O Castro — Pequeno castro situado acima do bairro do Castro, que atualmente se encontra numa propriedade privada rodeada de um muro.

Castro Valente — Situado no alto do monte do mesmo nome, é célebre porque teria resistido inflexivelmente ao ataque romano, no qual todos os seus habitantes se suicidaram.

Castro Cessuris — Situado no local do antigo cemitério e da igreja de San Xulián.

Vestígios romanos: Estrada romana — O atual território de Pontecesures era percorrido de norte a sul pela estrada romana que se dirigia a Brigâncio (Corunha) e que atualmente se está debaixo do caminho que liga San Miguel de Valga aos bairros de Condide, Carreiras, Infesta, Castro, e San Xulian. Daí curvava e dirigia-se para a ponte de construção originalmente romana. Esta ponte foi destruída e reconstruída várias vezes, a primeira delas na época islâmica, no . No a ponte foi muito modificada. A ponte ligava Pontecesures com Iria Flávia (atualmente uma das paróquias de Padrón) e atualmente faz parte da estrada nacional entre a Corunha e Vigo.

Miliários e lápides — Perto da ermida foram encontrados duas lápides votivas dedicadas a lares (divindades domésticas) e a Júpiter, que atualmente estão em exposição no Museu Provincial de Pontevedra.

Turris Augusti — Erigida por Júlio César após a submissão de Brigantiun, era uma torre situada entre o porto romano e o Castro Cortinallas; desapareceu completamente de dela não existem quaisquer vestígios.

thumb|Capela românica de San Xulián

thumb|Armazém das rendas do tabaco

Arquitetura religiosa: Igreja de San Xulián de Requeixo — Mandada construir pelo arcebispo Gelmires no , sobre uma construção anterior, num antigo castro celta. É uma obra de estilo românico, construída exteriormente em boa alvenaria. Nela se destaca a torre-campanário, que se ergue sobre a fachada, e os cachorros. O interior é retangularm com uma só nave.

Cruzeiro da Obra Pia de São Lázaro — Construído no , atualmente encontra-se ao lado da estrada nacional, na estação de serviço da ponte.

Cruceiro de Carreiras — Construído no .

Edifícios civis: Pazo de A Cova — Palacete brasonado do , foi oferececido ao escritor já então ancião Ramón del Valle-Inclán para ali passar a sua velhice. O escritor começou por aceitar a oferta, mas recusou-a logo em seguida.

Alfolí de Rentas del Tabaco — Armazém das rendas do tabaco erigido durante o reinado de , ostenta um enorme escudo dos Bourbon. Situa-se ao lado da estação de comboio.

La Malateria de San Loys — Antiga leprosaria, constituída por sete edifícios hoje desaparecidos, situados na atual Rua Nova, administrados pela Obra Pía de San Lázaro.

Património cultural: Foliada de Requeixo — Dança típica local, que se bailava entre três pares, ao ritmo de um muinheira lenta, com as mulheres mantendo na cabeça três doces (rosca, mollete e torta). Requeixo é a designação de um pão confecionado para os casamentos. Ainda é dançada por grupos de dança locais

Festa da Lampreia — Realiza-se na última semana de abril. O rio Ulla é abundante em salmões e lampreias, peixes usados de muitas formas em diversas iguarias locais.

Indústria A empresa fabril Cerámica Artística Gallega foi fundada em Pontecesures por Eugenio Escuredo Lastra en 1925. Depois, já sob a direção de Ramón Dieguez Carles, mudou de nome para Cerámica Celta. Nela trabalharam alguns dos melhores artistas da sua época, como Francisco Asorey, José Jamardo Grela Peteiro, , Victor García Lozano, Castelao, Oria Moreno, José María Acuña, Francisco Ferro, Antonio Fabeiro e Carlos Bóbeda. A Cerámica Celta foi recentemente relançada como empresa e reeditou as peças mais importantes da antiga produção.

Em 1939 a multinacional Nestlé estabeleceu em Pontecesures uma fábrica de produção de leite condensado, a qual foi o principal motor económico local durante muito tempo. Atualmente é única fábrica desse produto da marca em Espanha e uma das últimas em Espanha, com a distribuição da sua produção a chegar a locais tão longínquos como a Malásia e Singapura.

Notas e referências

Segundo o artigo da Wikipédida em espanhol, essa praça-forte seria Coimbra, o que parece anacrónico, pois é comum as fontes referirem que Coimbra foi definitivamente conquistada no .

O artigo da Wikipédida em espanhol refere «Abderramán en el 717d.c», não explicitando de que Abderramão (Abderramán) se trata, mas o primeiro Abderramão (´Abd ar-Rahman) célebre na península Ibérica foi , o emir de Córdova que só chegou ao al-Andalus em meados da década de 750, o que pode indicar que a destruição ou reconstrução da ponte não ocorreu em 717 ou que não foi obra de um Abderramão.

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