Ricardo Magnus Osório Galvão (Itajubá, 21 de dezembro de 1947) é um engenheiro, físico e político brasileiro, filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). É professor titular aposentado do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e membro da Academia Brasileira de Ciências. Foi presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) entre 2023 e 2025.
Também foi diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Foi listado como o primeiro das dez pessoas mais importantes para a ciência em 2019 pela revista científica Nature, em razão de sua defesa da ciência diante dos ataques promovidos pelo então presidente da República Jair Bolsonaro. Pelas mesmas razões, em 2021 Galvão foi distinguido pela Associação Americana para o Avanço da Ciência com o Prêmio da Liberdade e Responsabilidade Científica. Além disso, também recebeu a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico.
Biografia Formação e carreira acadêmica Graduou-se em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Federal Fluminense em 1969. Obteve mestrado em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual de Campinas em 1972 e um doutorado em Física de Plasmas pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts em 1976.
Foi diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) entre 2004 e 2011 e presidente da Sociedade Brasileira de Física entre 2013 e 2016.
Atuou como professor da Unicamp entre 1971 e 1982. Paralelamente, atuou também como pesquisador pelo Centro Técnico Aeroespacial de 1982 a 1986.
Em 1983 ingressou na Universidade de São Paulo (USP) como professor adjunto, cargo que ocupou até 1990, quando assumiu como professor titular do Instituto de Física da instituição, permanecendo até 2004. Posteriormente, em 2011, reassumiu o cargo até a sua aposentadoria, em 2022.
Galvão foi pesquisador do Laboratório de Física de Plasmas da USP, em 1981, onde realizou pesquisas na área de fusão nuclear. Ao lado de Ivan Nascimento ele trabalhou na construção do TBR-1, o primeiro tokamak da América Latina, que esteve funcional até 1995.
De 2005 a 2012 foi diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).
Em 2016, Ricardo Galvão assumiu a direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Após sua exoneração em 2019, ele retornou a dar aula no Instituto de Física da USP até a sua aposentadoria.
Atritos com Jair Bolsonaro Na sexta-feira, dia 19 de julho de 2019, o então presidente Jair Bolsonaro criticou publicamente Ricardo Galvão durante uma entrevista coletiva com a imprensa internacional, acusando-o de informar dados mentirosos sobre o desmatamento da Amazônia e estar a serviço de alguma ONG: "A questão do INPE, eu tenho a convicção que os dados são mentirosos. Até mandei ver quem é o cara que está na frente do INPE. Ele vai ter que vir se explicar aqui em Brasília esses dados aí que passaram pra imprensa do mundo todo, que pelo nosso sentimento não condiz com a verdade. Até parece que ele está a serviço de alguma ONG, que é muito comum." O Ministério da Ciência chegou a construir um grupo para fazer um levantamento da vida de Ricardo Galvão, com objetivo de coletar informações sobre ações que ele tivesse "feito de errado", como forma de forçá-lo a se demitir, além de ter grampeado seu telefone.
No sábado (20), Galvão rebateu as críticas feitas pelo presidente:
No mesmo dia o conselho da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência defendeu Galvão em um manifesto que classificou os ataques de Bolsonaro como ofensivos, ideológicos e desprovidos de fundamento. No domingo, a Sociedade Brasileira de Física emitiu uma nota também apoiando Galvão e deplorando os ataques feitos pelo presidente. Ainda no dia 21, a Academia Brasileira de Ciências e seu presidente, Luiz Davidovich, também expressaram apoio a Galvão, assim como o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, José Israel Vargas. No dia 22 de julho Galvão recebeu manifestações de apoio dos 56 cientistas que compõem a Coalizão Ciência e Sociedade, das Entidades do Fórum de Ciência e Tecnologia e do físico Luiz Pinguelli Rosa.
Galvão reafirmou suas declarações anteriores e reforçou que não responderia à nota do ministro Marcos Pontes por desconhecer o seu conteúdo e que se reuniria com o ministro antes de responder. Ele afirmou ainda que já tinha entrado em contato com o ministro. No dia 7 de agosto de 2019, a exoneração de Ricardo Galvão foi publicada.
Douglas Morton, diretor do Laboratório de Ciências Biosféricas no Centro de Voos Espaciais da NASA declarou que os resultados do INPE eram "inquestionáveis", explicou que o INPE sempre trabalhara de forma técnica e criteriosa e classificou a demissão de Galvão como significativamente alarmante e que refletia como "atual governo trata a ciência". Posteriormente, os dados oficiais de desmatamento emitidos pelo sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER) confirmaram as previsões do INPE.
Por sua defesa da ciência contra os ataques de Bolsonaro, a revista científica Nature nomeou Galvão como um das dez pessoa mais importantes do ano de 2019 na ciência. Em 2021 a Associação Americana para o Avanço da Ciência conferiu a Galvão o Prêmio da Liberdade e Responsabilidade Científica (Scientific Freedom and Responsibility Award).
Carreira política Em 2022 Ricardo Galvão filiou-se ao partido REDE com o objetivo de disputar um assento como deputado federal por São Paulo nas eleições 2022, e veio a receber apoio do ex-Presidente Lula. Galvão também é parte do movimento Cientistas Engajados.
Em 2 de outubro de 2022, Ricardo Galvão disputou o cargo de deputado federal pelo estado de São Paulo, quando obteve 40.365 votos, resultado que o colocou na terceira suplência na federação partidária entre REDE e PSOL, atrás da candidata psolista Luciene Cavalcante, primeira suplente com 49.131 votos, e do então deputado federal Ivan Valente, segundo suplente com 44.424 votos.
Em 16 de novembro de 2022 Ricardo Galvão foi anunciado pelo Vice-Presidente eleito Geraldo Alckmin como membro da equipe de transição na pasta do Meio Ambiente do governo eleito em 2022.
Em 13 de janeiro de 2023, após a posse do governo eleito em 2022, a Ministra Luciana Santos decidiu nomear Ricardo Galvão como presidente do CNPq, vindo a assumir no dia 17 de janeiro.
Em 31 outubro de 2025, após a nomeação do deputado Guilherme Boulos (PSOL) para a Secretaria-Geral da Presidência da República, assumiu o mandato de deputado federal, como terceiro suplente da Federação PSOL REDE. Anunciou sua mudança ao Partido Socialista Brasileiro em 25 de março de 2026.
Mandato Enquanto deputado federal por São Paulo, Ricardo Galvão assumiu a cadeira de membro titular da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados, onde atuou diante de debates relacionados a Inteligência Artificial, ao uso do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia, segurança cibernética e assuntos relacionados.
Entre as suas atividades legislativas, está o projeto de lei nº 6.386/2025, que isenta de Imposto de Renda os prêmios científicos nacionais e internacionais, uma demanda enviada pela comunidade acadêmica.
Além disso, Galvão também participou de grandes votações, registrando voto contrário aos Projetos de Lei nº 2.159/2021, que modificou as regras de licenciamento ambiental no Brasil, e nº 2.162/2023, que apresentava alternativas para anistiar os condenados por atos antidemocráticos em 8 de janeiro de 2023.
Prêmios e homenagens Prêmios
2025 - Medalha Mérito Tamandaré, Marinha do Brasil. 2023 - Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, Presidência da República. 2023 - Medalha Oswaldo Cruz de Honra ao Mérito, Sociedade Brasileira de Higiene e Saúde Pública. 2023 - Doutor Honoris Causa, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. 2023 - Doutor Honoris Causa, Universidade de Lisboa. 2021 - Prêmio da Liberdade e Responsabilidade Científica, da Associação Americana para o Avanço da Ciência 2020 - Prêmio Trip Transformadores 20/21, da Revista Trip 2020 - Prêmio José Leite Lopes de Melhor Tese de Doutoramento 2016-2017 - Orientador, Sociedade Brasieira de Física. 2019 - Cidadão Paulistano, Câmara Municipal de São Paulo. 2019 - Personalidade da Tecnologia 2019, Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo. 2019 - Nature's 10, da revista Nature 2019 - Prêmio Faz a Diferença, Organizações O Globo. 2015 - Medalha Carneiro Felippe, Comissão Nacional de Energia Nuclear. 2012 - Homenagem Primeira Dissertação de Mestrado, Faculdade de Engenharia Elétrica de Campinas - UNICAMP. 2010 - Homenagem Prata da Casa, Universidade Federal Fluminense. 2008 - Membro Titular, Academia Brasileira de Ciências. 2008 - Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, Presidência da República. 2007 - Membro Titular, Academia de Ciências do Estado de São Paulo. 1999 - Fellow, Institute of Physics, United Kingdom. 1995 - Patrono das Turmas de Bachareis e Licenciados em Fisica, Instituto de Fisica. 1992 - Professor Destaque em Fisica, Universidade de São Paulo. 1985 - Prêmio Sandoval Vallarta de Física, International Centre for Theoretical Physics. 1984 — Prêmio ICTP do Centro Internacional de Física Teórica
Homenagens
A traça Diptychophora galvani Landry & Becker, 2021 é dedicada a Galvão, "pela sua coragem face à adversidade profissional". Os descritores sugerem também que "a cor alaranjada das asas anteriores da traça fazem lembrar os incêndios devastadores que se tinham tornado mais predominantes na Amazónia em 2019, em comparação com 2018, com base nos dados científicos do Dr Galvão e da sua equipa que custaram ao Dr Galvão o seu cargo de Director do Instituto Nacional de Investigação Espacial do Brasil em Agosto de 2019".
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