O cuxiú (Chiropotes sagulatus) é um macaco do Novo Mundo da família Pitheciidae e gênero Chiropotes. Diferentemente de outras espécies do seu gênero, que sofreram forte fragmentação de habitat, este primata possui uma ampla distribuição no norte da Amazônia, não sendo endêmico do Brasil. É também popularmente conhecido fora do Brasil como Bearded Saki (em inglês) e Capuchinos del Orinoco ou Mono Barbudo (em espanhol). Devido à sua vasta distribuição e à ausência de ameaças significativas em grande escala, o estado de conservação da espécie é considerado favorável.
Distribuição e habitat O Chiropotes sagulatus não é endêmico do Brasil, estendendo-se também pelos territórios da Venezuela, Guiana e Guiana Francesa. No Brasil, ocorre nos estados do Amapá, Roraima, Pará e Amazonas, onde é considerado nativo e residente. Sua distribuição é delimitada de forma muito clara por barreiras geográficas: ao sul pelo rio Amazonas, a oeste pelo rio Branco (no Brasil) e pelo rio Orinoco (na Venezuela). A leste, ocupa praticamente todo o estado do Amapá, estando possivelmente ausente apenas nas áreas mais litorâneas e úmidas.
No que tange ao habitat, a espécie habita áreas de floresta ombrófila de terra firme, floresta mista semidecidual e campinaranas. Ainda não se sabe ao certo se a espécie é totalmente restrita a habitats primários ou se apresenta tolerância a modificações e perturbações no ambiente.
Anatomia e morfologia
O Chiropotes sagulatus apresenta um tamanho corporal médio a grande para os padrões da família. O comprimento de cabeça e corpo varia entre 345 e 460 mm nas fêmeas e entre 355 e 459 mm nos machos.
Anteriormente, havia confusão em torno da classificação do gênero Chiropotes, mas análises baseadas em dados morfológicos, morfométricos e genéticos ajudaram a distinguir o C. sagulatus. Ele representa a forma oriental do grupo, habitando a leste do rio Branco e diferenciando-se das formas que habitam a oeste (como o C. chiropotes). Análises genéticas mostram que a espécie possui um cariótipo com 2n=54 cromossomos e número fundamental (FN) igual a 74. O complemento autossômico conta com 11 pares de cromossomos metacêntricos/submetacêntricos e 15 pares acrocêntricos. O cariótipo do C. sagulatus se diferencia do C. chiropotes através de duas inversões pericêntricas específicas, confirmando sua distinção taxonômica.
Comportamento
Comportamento social
A espécie apresenta um sistema de acasalamento poligâmico. Vivem em grupos cujo tamanho pode variar significativamente dependendo da região geográfica: no Parque Nacional do Viruá, em Roraima, observa-se uma média de 9,1 indivíduos por grupo; já no Amazonas, a média varia de 3,57 a 13,5 indivíduos por grupo. As densidades populacionais reportadas vão de 0,06 indivíduos por quilômetro (em Roraima) a até 1,11 indivíduos por km² (na Reserva Ducke, Amazonas).
Movimento
São animais que exigem grandes áreas de vida para suprir suas necessidades, variando de 122,5 hectares a mais de 250 hectares no Suriname, podendo chegar a até 559 hectares (como observado no Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, no Amazonas). Em suas viagens ao longo do dossel da floresta, o deslocamento diário médio registrado para a espécie é de cerca de 1,6 km.
Reprodução
Fêmeas e machos de cuxiú alcançam a maturidade sexual por volta dos 4 anos de idade, possuindo um tempo geracional estimado em 10 anos. O tempo de gestação varia entre 5 a 5,6 meses, e as fêmeas dão à luz a um único filhote por gestação. O intervalo médio entre os nascimentos dentro de um grupo reprodutivo é de cerca de dois anos. A expectativa de vida estimada para os primatas deste gênero é de cerca de 18 anos.
Conservação
Diferente de seus parentes que habitam o sul e o leste amazônico, o Chiropotes sagulatus é categorizado como Menos Preocupante (LC - Least Concern) tanto a nível nacional (pelo ICMBio) quanto a nível global (pela IUCN). A espécie conta com uma distribuição ampla no norte da Amazônia e, em escala macro, não sofre com ameaças significativas que comprometam sua população atual.
Apesar de seu estado favorável, as ameaças pontuais identificadas contra a espécie incluem a pressão de caça (que pode ser intensa nas proximidades e no interior de terras indígenas), o desmatamento e o avanço de projetos da matriz energética, sobretudo em Roraima. A espécie está protegida pela CITES (Apêndice II) e possui forte presença em uma vasta rede de áreas protegidas no Brasil, o que favorece a sua sobrevivência a longo prazo. Entre as Unidades de Conservação onde o C. sagulatus foi registrado estão:
Amapá: Parque Nacional do Cabo Orange, Reserva Biológica do Lago Piratuba, Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e a Estação Ecológica do Jari.
Pará: Reserva Biológica do Rio Trombetas e Floresta Nacional de Saracá-Taquera.
Amazonas: Parque Nacional de Anavilhanas, Reserva Florestal Adolpho Ducke e Terra Indígena Waimiri Atroari.
Roraima: Parque Nacional do Viruá.