Caso MC Daleste refere-se a um assassinato cuja vítima foi o cantor e compositor de funk paulista Daniel Pedreira Senna Pellegrine, conhecido como MC Daleste. O funkeiro foi assassinado com um tiro de arma de fogo na barriga, segundo a perícia, foram três disparos na noite do dia 6 de julho de 2013 em Campinas durante uma apresentação, seu óbito foi confirmado no início da madrugada de domingo no Hospital Municipal de Paulínia, para onde foi levado. Ele estava terminando a apresentação que faria em uma quermesse do CDHU San Martin, conjunto habitacional localizado no bairro São Marcos, em Campinas.
O cantor, conversava com público quando foi alvejado. Uma pessoa que estava no local filmando o evento registrou o momento em que o jovem foi baleado. Ele chegou a ser levado para o centro cirúrgico, mas morreu à 0h55 de anemia aguda. O caso está sendo apresentado no 4º Distrito Policial da cidade. A festa era gratuita e segundo os moradores, três mil pessoas acompanhavam a apresentação. O show do funkeiro foi anunciado como atração surpresa durante a semana, em Sumaré.
Antecedentes
A vítima Daniel Pedreira Senna Pellegrine, conhecido como MC Daleste, nasceu em São Paulo em 30 de outubro de 1992. Ainda jovem perdeu sua mãe, vítima de complicações de um derrame. O mais novo de três irmãos, Daniel teve uma infância simples e só estudou até a oitava série.
Apresentação No dia 6 de julho de 2013, Daleste se apresentava numa festa julina num CDHU, no bairro San Martin, em Campinas. Ao final da apresentação, enquanto falava com a plateia, Daleste caiu sentado no palco após um terceiro disparo que lhe atingiu pouco acima do peito. Antes, dois já haviam sido feitos, mas um foi perdido e outro passou de raspão próximo ao ombro do músico. Este último não foi percebido por Daniel, que deu continuidade à apresentação normalmente.
Investigações Na manhã de 7 de julho de 2013, investigadores da Divisão de Homicídios da Delegacia de Investigações Gerais ouviram testemunhas que estavam no show. O número de disparos, que partiram de um terreno baldio, não foi informado pela polícia. A polícia busca um Gol vermelho, usado pelo assassino durante a fuga. A principal linha de investigação é a de vingança. Testemunhas contaram para os policiais que, em outros shows pela região de Campinas recentemente, seguranças a serviço do cantor teriam agredido algumas pessoas.
De acordo com a perita Kawane Matias, não foi definido o ponto exato do disparo, porém afirmou que o tiro partiu de cerca de 30 a 40 metros de distância do palco. No local, encontrava-se um carro antigo abandonado, um monte de entulho e uma caixa d'água. A perita ainda afirma que o atirador é uma pessoa habilidosa, pelos vestígios, pela trajetória da bala; pelas marcas no corpo do músico, atesta ainda que uma única pessoa executou os disparos, que foram três no total, sendo que um foi perdido, um atingiu Daniel de raspão e o terceiro atinge o músico no peito, ainda segundo a perícia o atirador dirigiu-se à apresentação, unicamente para alvejar Daniel Pellegrine.
O perito Ricardo Molina de Figueiredo, contestou os métodos da polícia na reconstituição da morte do artista, e acredita que o uso de barbante para determinar a trajetória da bala, a falta de isolamento da área após o ocorrido, e o posicionamento indeterminado do palco, que foi movido e retirado do local após o fato, prejudicaram o trabalho realizado pela perícia oficial. Porém, analisando cenas gravadas pelo público presente no show onde MC Daleste foi assassinado, o mesmo Ricardo Molina, identificou um ponto luminoso partindo da direção correspondente ao local indicado pela perícia oficial, como possível localização do autor dos disparos.
Repercussão Na página da quermesse criada no Facebook, 2.000 pessoas tinham confirmado presença no evento. Nas redes sociais, amigos do jovem deixaram diversas mensagens de apoio e de indignação. No Twitter, as hashtags #LutoMcDaleste e #DescanseEmPazReiDoFunk chegaram a ficar entre os trendtopics por volta das 11h. Segundo o site da MTV americana, O artista foi homenageado por uma multidão de fãs, que no cemitério de Vila Formosa, cantaram músicas do funkeiro durante boa parte da cerimônia.
Na imprensa internacional Veículos internacionais de imprensa repercutiram a morte do cantor, a revista inglesa NME e os veículos norte-americanos Billboard, The Huffington Post, LA Times, e o NY Daily News estão entre as publicações que noticiaram o fato.
O site da revista norte-americana Billboard noticiou a morte do músico. A revista ressaltou o fato de que um dos vídeos que registrou Daniel caindo após tomar o tiro durante o show já ter sido assistido por mais de 4 milhões de pessoas até agora. O New York Daily News: O site do tabloide New York Daily News publicou a notícia sobre a morte do MC com o título "Artista de funk brasileiro é morto por tiro no meio de um show". "O Brasil, programado para sediar a próxima Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 está sob os holofotes do mundo enquanto os líderes do país e forças de segurança lutam contra a violência endêmica. Gangues e tiroteios estão em descontrole no país de 200 milhões de habitantes. Na semana passada, um grupo de pessoas agrediu e decapitou um juiz de futebol que esfaqueou um jogador até a morte durante um jogo", acrescenta o site jornal na notícia sobre Daleste, em referência a duas mortes em Pio XII, no Maranhão. A revista semanal inglesa NME publicou uma nota com o título " cantor brasileiro MC Daleste morre por tiro durante show". No texto, que identifica Daleste como artista de funk e "rapper", é reproduzido um trecho da declaração do MC Lon na página de Daleste no Facebook. "Eu quero que nesse momento Deus dê forças para os familiares, amigos e fãs do meu parceiro Mc Daleste. Um cara que só queria transmitir alegria pra geral através de suas músicas. É uma pena que essa tão sonhada paz que procuramos, muitas vezes só conseguimos quando fechamos os olhos", diz o texto do amigo reproduzido na "NME".
O site norte-americano Huffington Post, em uma seção dedicada a notícias latinas, publicou no domingo (7), antes da maioria das publicações internacionais, uma nota sobre a morte do MC Daleste. Uma atualização no texto do artigo na segunda feira (8) reproduz as informações do New York Daily News sobre a violência no Brasil, também citando as duas mortes em Pio XII, no Maranhão. O Huffington Post diz que o "U.S. Overseas Security Advisory Council", órgão do governo dos EUA que dá informações sobre destinos internacionais, classificou a violência em São Paulo como "crítica".
Homenagens Para homenagear e "retribuir" a mensagem deixada por MC Daleste, funkeiros de Campinas criaram uma música em homenagem ao cantor. MC Ecko, diz que escreveu "Homenagem ao Daleste" logo após o homicídio no CDHU San Martin. A música, gravada pelo MC e um grupo de amigos, foi cantada por 200 fãs que prestaram homenagem ao funkeiro no Centro de Convivência, no dia 9 de julho de 2013. Um dos responsáveis pela gravação, o produtor Alex Sandro de Castro David, conhecido como DJ Magrelo, conta que se apresentou com MC Daleste pela primeira vez em setembro de 2012, em um espaço que reuniu 2 mil pessoas na Vila Industrial. O jovem, de 22 anos, lembra que iria tocar antes do ídolo na quermesse do bairro San Martin, mas se atrasou.
Artista como MC Pocahontas, MC Rodolfinho, MC Guimê, MC Gui, MC Lon, Anitta, KondZilla, e muitos outros o homenagearam. O político Eduardo Suplicy, fez homenagem, e cantou versos da musica de Daleste "Meu Herói". Em sua página no Facebook, Daleste recebeu diversas homenagens de fãs e de pessoas que não acompanhavam o trabalho dele, mas que ficaram indignadas com o crime.
Fãs de Daleste, reuniram-se na tarde do dia 9 de julho de 2013 no bairro Cambuí, em Campinas, para homenagear o cantor cantando músicas dele. Segundo a Guarda Municipal, cerca de 200 pessoas se concentraram no Teatro de Arena do Centro de Convivência. Em uma das faixas, feitas na hora, os fãs usaram spray para escrever o nome artístico do funkeiro, e, em outra, fizeram referência a uma das músicas do MC, “Mais amor, menos recalque”. O grupo, que se concentrou na escadaria do teatro do Convivência, também cantou, por 10 minutos ininterruptos, uma letra feita em homenagem a Daleste.
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