"Watch n' Learn" é uma canção da cantora barbadense Rihanna, gravada para o seu sexto álbum de estúdio, Talk That Talk (2011). Composta por Priscilla Renea, Chauncey Hollis, Alja Jackson e pela própria intérprete, a produção musical esteve a cargo de Hit-Boy com a produção vocal orientada por Kuk Harrell. Estruturada a partir da convergência entre o dancehall e cadências rítmicas de soca, a sua sonoplastia combina batidas sincopadas de percussão, camadas envolventes de sintetizadores, programação de bateria eletrónica e arranjos harmónicos de teclados. No plano lírico, a narrativa retrata um jogo desinibido de sedução no qual a protagonista assume o papel de instrutora íntima do companheiro, ensinando-lhe com atrevimento como satisfazer os seus desejos através de alusões explícitas a práticas sexuais.
A receção crítica atribuída à faixa foi predominantemente favorável: diversos analistas elogiaram a sua atmosfera calorosa e descontraída, destacando que a brisa caribenha da produção oferecia um contraponto orgânico e bem-vindo perante a densidade eletrónica das faixas de música de dança que dominam o disco, traçando paralelismos melódicos com "Buffalo Soldier" de Bob Marley, com as harmonias do grupo norte-americano TLC e com o tema "Party" de Beyoncé. Comercialmente, mesmo sem ter usufruído de um lançamento comercial individual como single de trabalho nas emissoras de rádio, a composição estreou-se na 89.ª posição da tabela internacional de vendas digitais da Coreia do Sul, acumulando mais de 6 mil descarregamentos digitais.
Antecedentes e desenvolvimento Após a receção comercial e crítica favorável alcançada pelo seu quinto álbum de estúdio, Loud (2010), Rihanna revelou através da rede social Twitter (X) que o projeto seria alvo de uma reedição alargada com temas inéditos no outono de 2011, afirmando que a era do disco prosseguiria com a adição de novo reportório. Contudo, em setembro desse mesmo ano, a artista esclareceu que a ideia de relançamento havia sido abandonada, sustentando que o álbum anterior representava um corpo de trabalho autónomo e que o público justificava a conceção de um projeto inteiramente novo. A 15 de setembro de 2011, Rihanna confirmou aos seus seguidores que o processo de captação decorria em ritmo acelerado e reiterou a previsão de lançamento para o último trimestre do ano civil.
"Watch n' Learn" não fora idealizada a pensar num intérprete em particular quando Hit-Boy começou a desenhar a base instrumental. Em entrevista concedida a Jocelyn Vena, da estação televisiva MTV News, o produtor relatou a génese espontânea da composição:
Renea já havia colaborado anteriormente com a artista barbadense na conceção de "California King Bed" (2011). Hollis explicou que, quando regressou a sua casa, Priscilla já havia estruturado todo o conceito lírico e o gancho melódico central. Satisfeito com a versão preliminar, enviou a maquete à equipa de Rihanna, que reagiu com entusiasmo imediato e reservou a faixa para o alinhamento definitivo de Talk That Talk.
Na mesma conversa, o produtor detalhou o significado e a receção do material: "Chama-se 'Watch n' Learn', e as pessoas vão compreender o seu teor assim que a escutarem; é uma gravação extremamente sensual, mas profundamente lúdica. Possui melodias fortes, uma cadência cativante e uma pulsação rítmica que se fixa instantaneamente na memória". Questionado acerca do desempenho vocal de Rihanna, rematou com admiração: "Ela esteve absolutamente soberba nos vocais. Estive no estúdio a acompanhar a mistura final e, meu, fiquei impressionado; sentia que esta gravação tinha um potencial enorme e fiquei verdadeiramente entusiasmado com o resultado".
Estrutura musical e composição
O tema tem um andamento moderado fundamentado na convergência entre o dancehall e o soca, apresentando uma extensão temporal de 3 minutos e 31 segundos. A produção musical esteve a cargo de Hit-Boy, tendo a captação sido realizada em 2011 nos estúdios No. 4 Entertainment, em Los Angeles, e no quarto 538 do hotel Sofitel, em Paris, sob a supervisão técnica de Kuk Harrell e Marcos Tovar, coadjuvados pelos assistentes Jennifer Rosales e TT, com a etapa de mistura a ser finalizada por Tovar. O arranjo instrumental foi delineado no Hotel Sofitel em Paris, assentando numa combinação equilibrada de percussão saltitante, camadas subtis de sintetizadores, batidas de bateria eletrónica e modulações de teclados.
Melissa Maerz, da revista Entertainment Weekly, reparou que a textura instrumental evocava a cadência descontraída do clássico "Buffalo Soldier" (1983), de Bob Marley, enquanto Jason Lipshutz, da revista Billboard, elogiou a harmonia estabelecida entre os sintetizadores e a secção de percussão, qualificando-a como envolvente e ritmicamente cativante. Edward Keeble, na publicação Gigwise, destacou afinidades estéticas com a sonoridade do trio feminino norte-americano TLC e com as atmosferas pioneiras dos britânicos Art of Noise, ao passo que Maz Halima, na revista Flavour Magazine, apontou que a batida ostentava um recorte futurista reminiscente das produções assinadas por Kanye West.
A letra foi escrita por Priscilla Renea, Chauncey Hollis, Alja Jackson e pela própria intérprete. De acordo com a partitura musical publicada pela Universal Music Publishing Group, a peça foi concebida no compasso de tempo comum (4/4), estabelecendo um andamento sincopado de 80 batidas por minuto na escala de mi menor. A extensão vocal percorrida pela artista estende-se desde a nota grave de si na terceira oitava (B3) até à nota aguda de ré na quinta oitava (D5). No plano temático, a lírica explora um jogo de sedução sem rodeios no qual a mulher ensina o amante a satisfazê-la intimamente através de metáforas explícitas sobre sexo oral: "Eu vou fazê-lo, fazê-lo, fazê-lo / Na cama, no chão, no sofá / Só porque os teus lábios dizem para tocar na minha boca / Só porque eu não posso retribuir o beijo / Não significa que não possas beijar ali". Jocelyn Vena, da MTV News, comentou que a natureza atrevida das rimas é suavizada pela candura da melodia, fazendo com que o ouvinte quase se esqueça do teor explícito das declarações. Por sua vez, Chris Coplan, do portal Consequence, reparou que a vocalista se expressa com orgulho e total segurança corporal, enquanto Mark Graham, do canal VH1, comparou a ausência de inibições ao álbum Erotica (1992), de Madonna, qualificando a postura da cantora em todo o trabalho como das mais audazes da música comercial.
Receção pela crítica thumb|left|147px|alt=Fotografia de meio-corpo de Beyoncé em palco durante uma atuação ao vivo em Montreal, vestindo um figurino prateado cintilante e segurando um microfone com a mão direita perante iluminação cénica brilhante.|O crítico Jon Caramanica, do diário The New York Times, traçou comparações entre a atmosfera desta faixa e a canção "Party", de Beyoncé (imagem). A receção crítica concedida à faixa foi maioritariamente favorável, sendo valorizada a sua despretensão rítmica no contexto do disco. Matthew Horton, do Virgin Media, caraterizou-a como um tema de discoteca tribal magnificamente radiante que aborda com naturalidade a temática do prazer oral. Mesfin Fekadu, no diário norte-americano The Boston Globe, elogiou a irreverência da cantora, salientando que a abordagem funciona perfeitamente ao transformá-la numa professora divertida das dinâmicas de quarto. Maz Halima, na revista Flavour Magazine, elegeu a composição como uma das suas prediletas no alinhamento ao lado de "Cockiness (Love It)" e "You Da One", sublinhando o contraste atraente entre a leveza da base caribenha e a textura rouca e envolvente da voz de Rihanna. Randall Roberts, no jornal Los Angeles Times, observou que a intérprete expõe as suas intenções carnais com desenvoltura impressionante, ainda que desprovida de qualquer subtileza metafórica. Chris Coplan, do Consequence, aplaudiu a peça como uma celebração de reggae bem-sucedida, afirmando que a vocalista comprova a sua mestria interpretativa mesmo sem recorrer a artifícios de produção saturados.
Julianne Shepherd, na revista Spin, formulou uma apreciação espirituosa sobre o desafio proposto no refrão: "Trata-se de um jogo no qual há apenas uma pequena hipótese de vencer; mas ela adoraria que tivesses tentado". Andy Kellman, na base de dados AllMusic, posicionou a gravação como a melhor de todo o álbum, tecendo rasgados elogios à sonoridade concebida por Hit-Boy e considerando-a mais inventiva do que o trabalho desenvolvido pelo produtor no célebre êxito "Niggas in Paris", de Jay-Z e Kanye West. Giovanny Caquias, do CultureBlues, notou que a faixa representa uma rutura saudável perante as fórmulas de música de dança eletrónica de David Guetta que proliferavam no disco, antevendo que o seu ritmo contagiante conquistaria de imediato as ouvintes desinibidas. Chelsea Lewis, no portal The Celebrity Cafe, reparou que a lírica funciona como uma declaração de soberania feminina e independência no contexto da indústria discográfica. No jornal australiano Herald Sun, Cameron Adams comentou ironicamente que, em comparação com os restantes números eróticos da obra, este continha a virtude de ser verdadeiramente instrutivo. Numa postura mais reticente, Jon Caramanica, no diário The New York Times, aproximou a sua cadência a "Party", interpretada por Beyoncé, concluindo com sarcasmo que, embora proporcione uma sensação imediata agradável ao ouvido, carece de substância duradoura.
Desempenho comercial Apesar de não ter beneficiado de um lançamento individual nas emissoras de rádio comerciais, o tema registou entrada nas tabelas musicais internacionais na sequência da estreia comercial de Talk That Talk. Na Coreia do Sul, a gravação debutou na 89.ª posição da tabela internacional de descarregamentos digitais, Gaon International Download Chart, durante a semana correspondente a 20 e 26 de novembro de 2011, sustentada pela aquisição de 6.049 cópias digitais nos primeiros dias de comercialização.
Posições nas tabelas musicais semanais Tabela musical (2011)Melhor posiçãoCoreia do Sul (Gaon International Digital Chart)80Coreia do Sul (Gaon International Download Chart)89
Créditos Todo o processo de elaboração da canção atribui os seguintes créditos pessoais:
Robyn Fenty – vocais, composição Priscilla Renea – composição Chauncey Hollis – composição, produção Alja Jackson – composição Kuk Harrell – produção vocal, gravação vocal Marcos Tovar – gravação vocal, mistura Jennifer Rosales – assistência de gravação vocal TT – assistência de gravação vocal
Categoria:Canções gravadas por Rihanna Categoria:Canções de 2011 Categoria:Canções compostas por Rihanna Categoria:Canções produzidas por Hit-Boy Categoria:Canções de dancehall Categoria:Canções sobre sexualidade Categoria:Canções em inglês