As Ofensivas na Zona Rural de Damasco (Rif Dimashq) foram uma série de operações militares lançadas tanto por forças leais ao regime do presidente Bashar al-Assad, quanto por militantes rebeldes da oposição síria que estão engajadas numa feroz luta para derruba-lo do poder. O principal objetivo destas batalhas sempre foram garantir o controle de Damasco, a capital do país, e também das regiões vizinhas. Violentos combates e massacres de civis forma registrados desde os primeiros dias das ofensivas.
Campanha inicial 2011: Protestos e primeiros combates Damascos viu protestos contra o regime desde o início do conflito. Após um período de calmaria que veio após sucessivas repressões por parte das forças de segurança do país, ao fim de setembro as manifestações em larga escala voltaram. Policiais, soldados e membros da milícia Shabiha, leais ao governo do presidente Bashar al-Assad, reprimiam com força as demonstrações. Segundo ativistas, em muitas ocasiões, os militares disparavam a queima roupa contra os manifestantes, provocando diversas mortes. Em outubro e novembro, a violência na capital e em todo o país se intensificou consideravelmente.
Ainda em setembro ao menos 14 pessoas foram mortas enquanto tropas do governo começaram a vasculhar casa por casa nos subúrbios de Damasco, em busca de simpatizantes da oposição. Ativistas também denunciaram que soldados que se recusavam a obedecer as ordens de atirar nos manifestantes estavam sendo sumariamente executados. No bairro al-Zar, um grupo de 1 500–2 000 pessoas que protestavam foram dispersadas a tiros por policiais e soldados da Guarda Republicana.
No começo de novembro de 2011, soldados desertores atacaram um posto de inteligência do exército em Harasta, nos subúrbios da capital, e mataram 6 soldados e deixaram mais de 20 feridos. Outros postos de controle das forças armadas foram atacados em Douma, Qaboun, Arabeen e Saqba. No fim do mesmo mês, uma enorme explosão atingiu o coração de Damasco. Morteiros e granadas também foram disparadas contra prédios que pertenciam ao Partido Baath. O chamado Exército Livre da Síria, formado por soldados desertores e civis que pegaram em armas, assumiram a responsabilidade por estes ataques. Atentados na capital começaram então a virar rotina. No dia 23 de dezembro de 2011, a TV estatal do país que duas explosões próximos a bases do exército sacudiram Damasco foram e que, provavelmente, foram perpetrados por suicidas, matando dezenas de pessoas, entre militares e civis. O regime afirmou que a rede terrorista al-Qaeda foi a responsável pelos atentados.
Em 29 de dezembro de 2011, em Damasco, forças de segurança sírias dispararam contra centenas de manifestantes que protestavam do lado de fora de uma mesquita contra o governo. O acontecimento foi condenado pela comunidade internacional. Rami Abdul-Rahman, líder da organização "Observatório Sírio de Direitos Humanos", disse que ao menos 20 mil pessoas estavam na manifestação people na região de Douma, nos subúrbios da capital, quando tropas do regime abriram fogo contra elas. Segundo ativistas da oposição, monitore da Liga Árabe foram barrados de visitar a região onde os protestos aconteciam, enquanto a situação na região se deteriorava.
2012: Escalada da violência Em 6 de janeiro de 2012, a rede de notícias estatal SANA afirmou que 26 pessoas foram mortas em um atentado a bomba próximo ao prédio da inteligência do exército, mas a oposição culpou o governo pelo incidente. Mais tarde a mídia estatal reportou que o general Mohammed Abdul-Hamid al-Awwad fora assassinado a tiros na região de al-Ghoutta, próximo de Damasco. No dia seguinte, 14 manifestantes foram mortos em uma explosão próxima a uma estrada. Dias mais tarde, vários comboios militares foram emboscados na capital, terminando com a morte inclusive de um oficial de alta patente do exército sírio. Ao fim de janeiro, a batalha por Douma entre tropas leais ao regime e forças da oposição se intensificou. Boa parte da Zona Rural de Damasco foi capturado pelos rebeldes sírios.
No dia 27 de janeiro, tropas do regime sírio iniciaram uma enorme ofensiva para capturar Douma. Um pouco mais de uma semana mais tarde, a cidade já havia sido conquistada. Ao menos 200 pessoas foram mortas nos embates."The Syrian army in Douma, 30 civilians killed in Damascus, according to OSDH" . Página acessada em 8 de setembro de 2013. Dois dias depois, o exército sírio lançou outra ofensiva, a maior lançada na guerra até então, para tentar recapturar vários bairros de Damasco que ainda estavam sobre controle dos rebeldes da oposição. Videos amadores mostravam soldados do regime de Assad avançando em Al-Ghouta e Zamalka. De acordo com ativistas, 14 civis e 5 combatentes da oposição foram mortos em bombardeios pela região. Ao menos 2 mil soldados do governo e 50 tanques de guerra participaram desta fase da batalha. Contudo, eles enfrentaram forte resistência e vários militares perderam a vida, incluindo dois oficiais de alta patente.
A batalha por Damasco e as regiões vizinhas se intensificou, enquanto várias áreas da Zona Rural de Damasco sofriam com bombardeios de aviões e artilharia. Os distritos de Douma, Saaba, Arbin e Hamuriyeh, em particular, testemunharam pesados bombardeios. Segundo informações de ativistas, diversos soldados do governo passaram a desertar em massa a causa do regime. incluindo vários oficiais e alguns generais. Enquanto isso, no leste de Damasco, forças de Assad avançaram e conquistaram diversas áreas nas proximidades. Os rebeldes do chamado "Exército Livre" responderam avançando em alguns bairros nos subúrbios da capital e em Douma. Nesta última, o governo voltou a ganhar terreno em 30 de janeiro. No dia seguinte, as forças do regime voltaram a fazer progressos. No centro da capital, tropas de Assad avançaram no centro de Damasco.
Em fevereiro, os militares continuaram avançando por toda Damasco e esmagando os bolsões de resistência da oposição. A SANA então reportou que o general Rajeh Mahmoud foi morto por insurgentes. As cidades de Deir Kanoun e Ein al Fija, na Zona Rural de Damasco, foi tomada por forças do regime. Enquanto a luta se intensificava, foi reportado que combatentes da milícia libanesa Hezbollah e até militares iranianos estavam envolvidos em alguns combates. Grupos de direitos humanos denunciaram que a situação humanitária na região estaria se deteriorando. Ao fim de fevereiro, mais combates e protestos foram reportados.
Em março, os rebeldes tentaram reagir frente a uma série de derrotas e avançaram em alguns distritos da capital. No dia 10 de março, tiroteios esporádicos em Daryaa terminaram com a morte de dois soldados e três rebeldes. Dois dias depois, após uma semana de calmaria, o centro de Damasco voltou a ver intensos combates entre militantes da oposição e soldados do governo. No bairro de Mezze, onde estavam localizados várias instalações militares e prédios governamentais, confrontos foram reportados. Os combates foram violentos e terminaram em um impasse. Pelo menos 80 soldados e milicianos ligados ao regime foram mortos. As baixas entre os rebeldes também foram altas. Tiroteios pesados também foram reportados em Harasta e Irbin, perto do fim do mês.
Entre maio e julho de 2012 os combates reduziram de intensidade em algumas regiões, porém atentados a bomba perpetrados por extremistas simpatizantes da oposição e bombardeios aéreos da força aérea do governo faziam numerosas vítimas. No fim de julho e começo de agosto, contudo, confrontos violentos voltaram a ser reportados por toda a região, enquanto a capital Damasco começou a ser palco de intensos combates novamente entre militantes da oposição e forças leais ao regime de Bashar al-Assad.
Primeira ofensiva
Luta por Damasco e batalha de Al-Tall
Após derrotar a principal ofensiva rebelde contra Damasco em agosto de 2012, o exército sírio iniciou uma série de operações para eliminar os guerrilheiros que ficaram para atrás. Combates esporádicos prosseguiam pela capital."Syrian government declares victory over rebels in Damascus as onslaught continues in country's largest city". Página acessada em 7 de agosto de 2013.
Milícias ligadas a oposição passaram a usar a cidade de Al-Tall como centro de operações para uma nova ofensiva contra a capital. Porém ainda em agosto, o governo tomou a iniciativa e começou a bombardear intensamente o município, que foi cercado logo depois. Duas semanas depois, a cidade caiu em mãos de tropas do regime. Contudo, boa parte dos rebeldes já haviam se retirado.
Batalha de Mouadamiya Após uma operação militar de dois dias contra a cidade de Mouadamiya, ao fim de julho, que terminou com a morte de ao menos 120 pessoas, o exército sírio lançou mais uma nova ofensiva contra os subúrbios de Damasco. Apesar da pesada resistência enfrentada, o governo acabou quebrando as linhas de defesa dos rebeldes.Assad's forces overrun Damascus suburb, kill 20. Página acessada em 7 de agosto de 2013. Segundo ativistas, militares do regime executaram 43 pessoas suspeitas de simpatia com a oposição em Mouadamiya.
Ataque ao sul da capital Em 17 de agosto, pesados combates foram reportados no estratégico bairro de Mezzeh, perto do principal aeroporto militar da região."Activists: Clashes near airport in Mazzeh". Página acessada em 7 de agosto de 2013. A luta se intensificou nos próximos dias.
Além de Damasco, várias cidades na região, como Kfar Souseh, Darayya, Qadam e Nahr Aisha, passaram a sofrer com bombardeios esporádicos. Em um desses ataques, feitos com morteiros, artilharia, foguetes e até aeronaves, pelo menos 40 pessoas foram mortas. Ativistas da oposição reportaram que neste meio tempo, os rebeldes estavam se reagrupando para uma nova ofensiva contra a capital."Syria resumes shelling on Damascus districts". Página acessada em 7 de agosto de 2013.
Temendo novas batalhas no seu centro político do país, o governo sírio lançou uma série de ataques em larga escala para tomar os distritos da capital que ainda estavam em mãos da oposição. Foram reportados diversas prisões e execuções sumárias. Os rebeldes tentavam resistir, mas a desvantagem em termos da qualidade do equipamento e da quantidade de combatentes era demasiada. Segundo a TV estatal da Síria, o exercito estava fazendo progressos contra o que eles chamavam de "terroristas" e que apenas pretendiam reinstaurar a ordem na capital.
Em setembro, os combates nas regiões periféricas de Damasco e no sul da cidade se intensificaram. Os rebeldes, usando táticas de guerrilha, focavam seus ataques contra os diversos postos de controle que o exército havia espalhado pela capital."Clashes reported in southern neighbourhood of Damascus". Al Jazzera (7 de setembro de 2012). Página acessada em 5 de maio de 2013. No distrito de Mezzeh, ainda no sul, um carro-bomba explodiu perto do prédio do Ministério da Informação e do Palácio de Justiça, causando muito dano."Latest Damascus blast occurred in al-Mezzeh area: state media". Al Jazzera (7 de setembro de 2012). Página acessada em 5 de maio de 2013.
No dia 12 de setembro, militares leais ao regime bombardearam a cidade de Al-Hajar al-Aswad, ao sul da capital. Este município era considerado um dos últimos bastiões da oposição na região sul da Zona Rural de Damasco.Assad's forces shell Damascus rebel stronghold, 4 killed. Página acessada em 7 de agosto de 2013. O bombardeio continuou até o dia 19, quando as tropas do governo avançaram na cidade, mantendo ainda uma ofensiva contra os bairros de al-Qadam e al-A'sali, em Damasco, após os rebeldes baterem em retirada. Também foram reportados ataques contra os subúrbios de Muadhamiya, Judaydat Artuz e Kanakir, no sul, enquanto no norte o bairro de Qudsaya também foi tomado."Street fighting ongoing in Syria, rebels retreat from restive district of capital". Página acessada em 7 de agosto de 2013."Syria conflict: Damascus suburb sees heavy fighting". Página acessada em 7 de agosto de 2013.