A soup joumou () é uma sopa originária da culinária do Haiti e um dos símbolos da Independência do país, tradicionalmente consumida no dia de ano-novo, uma vez que a Independência do Haiti ocorreu a 1 de Janeiro de 1804. De acordo com uma estória local, nesse dia foi feito um grande caldeirão de sopa de abóbora na cidade de Gonaïves e todos os habitantes foram convidados a servir-se; anteriormente, os escravizados apenas tinham direito a uma onça de carne ou peixe seco por dia.
"Soup joumou" é crioulo haitiano para "sopa de abóbora": as abóboras são indígenas daquela região e o seu nome local, numa língua tupi, seria próximo de "jerimu" ou "jerimun", palavras ainda hoje utilizadas no Brasil para estas espécies. Em 2021, a soup joumou foi adicionada à Lista do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO.
Contexto e importância histórica O prato recebe o nome de "sopa de abóbora" a partir de seu principal ingrediente, a abóbora. Quando o Haiti foi colonizado pela França nos séculos XVII e XVIII, africanos escravizados foram forçados a cultivar a abóbora, que forma a base da sopa de carne conhecida como joumou, que significa abóbora em crioulo haitiano. Devido às práticas comerciais, a abóbora era enviada ao exterior ou consumida pela classe proprietária de terras, ao passo que a população africana e indígena haitiana que trabalhava nas plantações era proibida de consumi-la. Quando a Revolução Haitiana terminou com a libertação do Haiti do domínio colonial francês em 1.º de janeiro de 1804, os haitianos celebraram consumindo soup joumou o dia inteiro, saboreando o gosto da liberdade. Tanto no país quanto na diáspora, os haitianos consomem essa sopa para celebrar a primeira rebelião de escravizados bem-sucedida, que transferiu o poder político para a maioria formada por escravizados libertos. Uma vez pronta, a sopa é normalmente consumida no café da manhã, no almoço e no jantar do dia de ano-novo, estendendo-se ao dia seguinte como parte do Dia dos Ancestrais, feriado que homenageia os revolucionários haitianos em 2 de janeiro.
Preparo A sopa é tradicionalmente cozida com abóboras invernais, como a (Cucurbita maxima). A carne é marinada e cozida em fogo brando numa panela até ficar macia, enquanto a abóbora é cozida e feita em purê, normalmente usando um liquidificador ou processador de alimentos, para criar uma consistência lisa e espessa. Esse purê de abóbora é então adicionado à mistura de caldo e carne fervendo em fogo brando, juntamente com pedaços de carne bovina e ossos, batata e hortaliças como orelha-de-elefante, alho-poró, aipo, rabanetes, cenouras, repolho verde, pimentão-lampião e cebolas. Temperos como , sal e condimentos, além de suco de limão, alho, salsa e outras ervas e especiarias são então acrescentados. Alguns haitianos adicionam massas finas, como aletria e macarrão, e uma pequena quantidade de manteiga ou óleo. A sopa é sempre servida quente e geralmente acompanhada de fatias de pão francês, que são mergulhadas na sopa. Em crioulo diz-se que esta sopa tem "vyann, joumou, kawot, seleri, zanyon, nave, pomdete, malanga, shou, piman bouk, ten, lay, and sitwon". Solley, Pat. 2002.“Soup Joumou”, a sopa da Independência do Haiti
Reconhecimento pela UNESCO Em dezembro de 2021, o Haiti obteve o reconhecimento oficial dos conhecimentos, saberes e práticas relativos ao consumo da soup joumou na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. Foi a primeira inclusão do país na lista.
Ver também Lista de sopas
Leitura adicional
Ligações externas As raízes revolucionárias da sopa haitiana "Joumou" - minidocumentário sobre a sopa joumou (PBS, 2023) Sopa de joumou: o prato da virada do ano no Haiti
Categoria:Culinária do Haiti Categoria:Sopas Categoria:Pratos com abóbora